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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013 Ambiente | 17:53

A culpa não é da árvore! Elas são a solução para vários problemas urbanos

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Um velho amigo jornalista me ligou assim que leu o post sobre por que as árvores caem em São Paulo. Estava preocupado:

-       Cuidado! Pelo jeito que a imprensa está tratando o assunto, daqui a pouco todos vão pensar que as árvores é que são as culpadas pelo caos na cidade depois dos temporais!

E continuou:

-       Daqui a pouco vai surgir um movimento ou abaixo assinado na internet para acabar com as árvores das calçadas, pois são elas que atrapalham o trânsito quando caem, arrebentam os cabos elétricos e provocam apagões, estragam carros e casas quando deixam-se derrubar  tão logo sentem uma chuvinha e um ventinho…

A brincadeira é obviamente um exagero, mas compreender um pouco melhor o papel das árvores em uma cidade como São Paulo talvez nos ajude a relativizar as consequências desagradáveis quando uma delas interdita uma rua e fica lá, atrapalhando o trajeto de muitos, dando prejuízo ao comércio da região, às vezes até prendendo gente dentro de casa, enquanto aguarda sua retirada pelas equipes da prefeitura.

As árvores urbanas são fundamentais, por exemplo, para reduzir a temperatura dos bairros, tanto é que nas áreas arborizadas da cidade, as temperaturas chegam a ser até 5 graus Celsius mais amenas nos dias mais quentes. Além disso, elas são importantes para capturar, pela fotossíntese,  o gás carbônico da atmosfera poluída e transforma-lo nos compostos orgânicos que compõem a madeira. Quem entende do assunto fala que as árvores “fixam” o carbono, retirando-o da atmosfera.

É nesse processo de fixação do carbono na madeira que as árvores crescem, expandem seus galhos, tornam-se frondosas e adultas. Do ponto de vista da gestão desse recurso natural de limpeza do ar, o ideal seria cortá-las quando chegassem ao ponto máximo de crescimento e seriam, então, transformadas em móveis ou construções de madeira, ou qualquer outro formato de fixação final. Em seu lugar, uma nova muda reiniciaria o processo de captura de mais carbono da atmosfera, com muito mais vigor, pois ainda teria muito a crescer.

A tese é dificil de ser defendida, em função dos ânimos preservacionistas, mas estaria absolutamente de acordo com as doutrinas de sustentabilidade e conservação ambiental dos ambientes urbanos.

Quando as árvores tornam-se velhas e abandonadas nas calçadas, viram presas preferenciais dos microorganismos e pragas naturais, apodrecendo seu tronco e ficando expostas a serem desestabilizadas na próxima tormenta. Enquanto isso são literalmente comidas por cupins, que na falta de folhas sobre a superfície da terra (as árvores da cidade são quase que estranguladas pelas calçadas de cimento), sobem no tronco e a fragilizam ainda mais, sem dó.

Essa inteligência no uso e reuso dos recursos naturais em grandes cidades deveria virar programa de governo e como decorrência, estaria criada a sistemática de plantio, acompanhamento, avaliação, poda e substituição das árvores da cidade. Um bom exemplo disso ocorre em vários países, onde os governos dão estímulos extras para quem quiser construir edifícios (até mesmo de alguns andares) usando preferencialmente madeira como matéria prima.

Autor: Rubens de Almeida Tags: , , , , , , ,

terça-feira, 29 de janeiro de 2013 Ambiente, Urbanismo, comportamento urbano | 15:42

Empresas podem ajudar a enterrar os cabos

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Ao pesquisar um pouco mais o assunto das redes elétricas e de serviços de dados, aéreas ou enterradas, encontrei um estudo comparativo recente (2011), realizado por alunos de Engenharia Elétrica da Universidade do Paraná, sobre o custo de enterrar os cabos de energia nas cidades.

A partir das conclusões do trabalho, empresas privadas que desejam valorizar o lugar em que atuam e melhorar o entorno de seus escritórios (para o bem de seus próprios negócios), podem se animar e decidir ajudar as cidades a se livrarem da confusão dos cabos pendurados, principalmente onde a valorização imobiliária decorrente pagar o investimento.

Essa experiência já aconteceu com sucesso na região da Vila Olímpia, onde um grupo de empresários, reunidos sob a ONG ColméiaSP, resolveu que deveriam oferecer para a cidade um exemplo de como organizar o espaço urbano de forma racional, em favor dos próprios empreendimentos da região. A experiência serviu de referência para outra reformulação do espaço urbano, na região da avenida Faria Lima, onde a prefeitura assumiu a tarefa e os resultados também são muito bons, criando um eixo de recuperação da qualidade ambiental na cidade.

Em São Paulo, iniciativa público-privada conseguiu enterrar os cabos e devolver qualidade ambiental em parte do bairro da Vila Olímpia. A ONG ColméiaSP negociou com a prefeitura e articulou os investimentos

De acordo com o trabalho da universidade do Paraná, apenas 1,55% das redes elétricas são subterrâneas no Brasil, considerando sistemas de alta e baixa tensão. Na comparação minuciosa das vantagens e desvantagens de cada opção, os professores e alunos chegaram à conclusão de que o melhor a fazer é sugerir um sistema misto, onde a fiação seria enterrada e os transformadores colocados na superfície, com ou sem pedestais, devidamente protegidos para que a população não fique exposta. Algo parecido com as instalações de gás natural hoje comuns em várias cidades, onde estações de controle são implantadas e cercadas em logradouros públicos.

De uma maneira geral, sem considerar aspectos locais que podem favorecer ou dificultar as instalações, o estudo demonstra que as redes enterradas podem ter um custo inicial de implantação de três a seis vezes maior do que as aéreas, a depender da tensão do sistema. Mas, o cálculo demonstra que as prefeituras e empresas de energia deveriam considerar também os custos de manutenção e das falhas – que implicam multas pesadas para as empresas de distribuição (e deveriam também penalizar com mais rigor as empresas de distribuição de Internet e TVs a cabo). Segundo o estudo, a manutenção mais barata das redes enterradas compensaria os investimentos iniciais, com a vantagem de oferecer muito mais qualidade e confiabilidade.

No caso da Vila Olímpia, o enterramento das redes e a reforma de grande parte da infra-estrutura do bairro, inclusive o traçado de ruas e avenidas, foram decididos em um processo de parceria público-privada. A ONG Colméia reuniu empresas de projetos arquitetônicos e as incorporadoras de empreendimentos imobiliários cujos escritórios ali se localizam e em conjunto com a prefeitura definiram os projetos das intervenções. Hoje o bairro é um dos mais valorizados e desejados da metrópole para a instalação de grandes e médias empresas.

Autor: Rubens de Almeida Tags: , , , , , , , , , ,

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013 Ambiente, Urbanismo | 08:37

Cabos soltos deixam São Paulo feia no dia do aniversário

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Bem que São Paulo poderia ganhar um presentão das operadoras de TV a cabo e de Internet da cidade: mais cuidado e menos desprezo pela paisagem da cidade, já que é aqui que todas, certamente, fazem a maior parte de suas vendas no país.

Na era da banda larga, o problema da fiação aérea tornou-se incontrolável em São Paulo, que optou pela distribuição aérea. Em muitos bairros, nas regiões que concentram edifícios de escritórios ou de residências, vários fornecedores de Internet rápida e de TV por assinatura colocaram-se no direito de usar e abusar da fixação de seus cabos nos postes e vêm deixando um rastro de adereços indesejáveis e perigosos no espaço público.

O aumento da demanda desses serviços e a falta de planejamento na expansão das redes deixam a cidade overdressed em sua festa de aniversário. As companhias sobrepõem a fiação, sem se preocupar em retirar os cabos antigos, deixando-os rasgados, torcidos, cortados, mal fixados e até pendurados sem qualquer cuidado, atrapalhando as calçadas e ruas, gerando insegurança e comprometendo ainda mais a já complexa e difícil paisagem da cidade.

Na movimentada região de escritórios da Berrini, alguns exemplos do indesejado e perigoso "enfeite" de cabos pendurados.

O desperdício de material é evidente, deve influenciar no custo dos serviços e cada equipe que mexe na maçaroca se preocupa apenas com a sua própria linha, como se os demais é que estivessem exagerando na dose de cabos. Diante de tal falta de organização, as operadoras continuam a ignorar o péssimo trabalho que tem sido feito pelas suas equipes de campo e poderiam integrar esforços para devolver esses pedaços da paisagem que ficam atrás da confusão de cabos. Além, é claro, de entregar um bom “sinal”, com a velocidade efetivamente contratada nos escritórios e residências. Mas isto é assunto para outro post.

Autor: Rubens de Almeida Tags: , , ,

domingo, 4 de novembro de 2012 Ambiente, Defesa Civil, comportamento urbano | 22:06

As licões do furacão Sandy

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A passagem do furacão Sandy por grandes centros urbanos nos Estados Unidos, com a ampla cobertura do iG e de toda a imprensa internacional, evidenciou algumas características das ações de gerenciamento de crises urbanas que valem a pena registrar, como inspiração de como as administrações municipais brasileiras – especialmente as que tomam posse no início do próximo ano – poderiam também adotar, até como resposta ao desafio colocado pela Lei 12.608, promulgada este ano e que dispõe sobre as novas necessidades dos sistemas de proteção e defesa civil das cidades do país.

No caso do furacão Sandy, em primeiro lugar, chamou atenção o importante papel desempenhado pela mídia, especialmente as emissoras de televisão e websites de grande alcance jornalístico e popular, que dedicaram grande parte de sua cobertura oferecendo dados e  informações úteis, ajudando a prevenir perdas ainda maiores.

Ainda que transformassem o fenômeno natural em espetáculo televisivo – veja todos os vídeos do Furacão Sandy na TViG – mantiveram sempre um foco nítido na prestação de serviços, seja pelo acompanhamento da trajetória do furacão, alertas dos próximos pontos a serem atingidos e constante transmissão de avisos de evacuação e prevenção para as populações atingidas, abrindo espaço para autoridades darem  orientações.

A liderança do poder público

A capacidade de mobilização de multidões, sob a orientação clara e firme dos poderes públicos locais, também merece destaque. Ficou nítido em Nova Iorque, por exemplo, que todos os agentes da administração sabiam exatamente o que devia ser feito para minimizar os efeitos, com planos de contingência preparados e ensaiados. O que reforçou a liderança e credibilidade da prefeitura.

É claro que a devastação decorrente da passagem de um furacão era em grande parte imprevisível. Mas a atitude de alertar e mapear o nível de inundações prováveis, identificar os pontos críticos, as áreas de evacuação compulsória, indicar abrigos por região e o reforço de ações preventivas foram fundamentais. Nos momentos que antecederam a crise, ninguém discutiu as atitudes antipáticas  de “ficar em casa” e a paralisação de todos os sistemas de transporte e bloqueio de trajetos em áreas de risco, demonstrando perfeito alinhamento entre as lideranças da administração e os cidadãos no enfrentamento da catástrofe imimente.

A participação de todos

Solidariedade e capacidade de organização antes e depois do furacão Sandy na cidade de Nova Iorque - Foto: Cesar Cunignhant

As ruas ficaram desertas, as pessoas mantiveram-se calmas, evitaram o uso de elevadores nos edifícios e estocaram comida e água. Todos já sabiam como agir, inclusive após a tempestade, no sentido de ser solidário para preparar comida ou simplesmente oferecer sua casa para os amigos tomarem banho nos primeiros dias após a passagem do furacão. E mesmo assim houve mais de uma centena de mortes nos Estados Unidos.

As filas que se formaram em frente aos supermercados também demonstram que não havia dúvidas de que desta vez as orientações tinham que ser seguidas, ao contrário do ano passado, quando o furacão Irene demonstrava perda de força antes de chegar à cidade e praticamente não provocou qualquer consequência mais séria. Ou seja, a população reagiu com compreensão na exata medida da realidade apresentada pelos agentes públicos, em ambos os casos. Essa credibilidade é um ativo importante para a gestão estratégica das cidades, até mesmo para enfrentar os desafios cotidianos como trânsito, transporte, desastres naturais ou a eclosão de casos de violência.

Transparência na gestão das informações

De acordo com alguns brasileiros que moram em Manhattan, aenquanto toda a cidade ainda enfrentava a retirada de árvores caídas, inundações em estações de metrô e túneis e até a possibilidade de endemias pelo aparecimento de ratos por toda parte, também não havia manifestações de revolta pela demora na retomada dos sistemas de transportes, a interrupção viária ou a falta de luz.

Todos entenderam que o volume de necessidades de serviços de manutenção neste momento era maior do que a capacidade de atendimento das equipes existentes e que era preciso ter paciência.  Apelo, aliás, feito publicamente pelas autoridades, sem qualquer desculpa ou dissimulação. Os locais de trabalho também cuidaram de retomar aos poucos suas atividades e as escolas e universidades dispensaram os alunos por toda semana, minimizando as demandas por serviços de transportes e dando tempo aos comerciantes para ser prepararem para o retorno do dia a dia. Uma espécie de solidariedade das instituições e das empresas com a cidade, apesar dos prejuízos decorrentes e de algumas delas não terem sido afetadas.

A tecnologia a favor

Um detalhe interessante para quem gosta de entender como a tecnologia pode ser usada a favor do cidadão e dos serviços públicos foi a divulgação do sistema de informação pública da empresa concessionária de energia de Nova Iorque, a ConEdison. No site da empresa (de todas as concessionárias de energina nos EUA), imediatamente após a calamidade já era possível visualizar todos os equipamentos elétricos com problemas, com o número de ligações domésticas e comerciais dependentes daquela substação ou transformador, a população afetada e a causa identificada.

Informações em tempo real das condições do sistema de energia em Nova Iorque, logo após a passagem do furacao Sandy. Transparência total em relação ao número de ocorrências por região, até o detalhe do equipamento com problemas, número de pessoas afetadas, causa da falha e estimativa de tempo para solução.

Trata-se de um mash-up de dados sobre a plataforma do Google Maps que apresenta em tempo real informações de interesse público, sem subterfúgios ou defesas corporativas. Muito melhor do que aquelas gravações inócuas de algumas concessionárias brasileiras. Um exemplo de transparência de gestão em favor do público consumidor e que dá a medida de que mesmo os sistemas mais complexos podem oferecer interfaces de fácil compreensão para dar satisfação pública de seu funcionamento e eventuais defeitos.

É claro que para uma cidade chegar nesse nível de esclarecimento, todos os dados precisam estar organizados e disponíveis em uma plataforma compatível, de modo a oferecer a possibilidade de cruzar informações e rapidamente dar uma idéia para o público e para a administração do número de cidadãos eventualmente afetados por qualquer ocorrência, seja um problema elétrico, o colapso de uma tubulação, um acidente ou mesmo um volume de chuvas intenso que vai provocar deslizamentos ou inundações.

Mesmo no Brasil, essa possibilidade já é real, a depender do nível de organização das informações pelas prefeituras, e pode se transformar em uma grande instrumento de modernização e transparência da administração pública, desde que haja vontade política de se implantar. A cidade do Rio de Janeiro está quase lá, com o Centro de Operações que instalou há aproximadamente dois anos e que continua funcionando muito bem, com vários episódios que demonstram que a cidade ganhou muito maior capacidade de reação às ocorrências e mais efetividade nas intervenções do poder público.

Autor: Rubens de Almeida Tags: , , , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 27 de junho de 2012 Ambiente, Urbanismo | 10:29

O custo de arrumar as cidades

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O simpósio do Sustainable Buildings and Climate Initiative (SBCI), realizado em São Paulo durante a semana decisiva da Rio+20, por iniciativa conjunta com o CBCS – Conselho Brasileiro da Construção Sustentável e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma ou Unep, em inglês) contou com a presença de palestrantes e participantes de vários países do mundo para abordar temas e mostrar cases relacionados ao setor de construção, aos impactos em termos de consumo de água, energia, de recursos naturais, a economia verde e a visão geral sobre objetivos do desenvolvimento sustentável nas cidades.

Todos os expositores do evento do SBCI chamaram a atenção de problemas trazidos pela acelerada urbanização vivida por boa parte dos países do mundo no século 20, com o agravamento das questões de saúde pública, impactos na biodiversidade e ecossistemas. Os prejuizos em termos de esgotamento dos recursos naturais são agravados pela intensa geração de resíduos, os custos derivados da mobilidade dos cidadãos e as emissões de poluentes. Duas idéias-força se destacaram: “vai dar tilt nas cidades”, um alerta para governos e investidores privados, e “Net zero energy buildings” (Edifícios com balanço energético zero) como meta de todos os empreendimentos.

Exemplos positivos das cidades de Singapura, cidade-estado que conseguiu recuperar extensas áreas verdes e de uma eco-city na Suécia, conhecida como Hammarby Sjöstad – que ocupa uma área fabril e portuária em desuso de Estocolmo, agora um bairro moderno e sustentável -  ilustraram as possibilidades de sair do círculo vicioso, na visão das  exposições de especialistas desses países e de outros, como França,  Estados Unidos e México, representantes africanos, além dos coordenadores do UNEP em nível internacional.

Exemplos nacionais como o Projeto Sushi – Sustainable Social Housing Initiative, levado pelo CDHU e a intervenção da secretaria da habitação do município de São Paulo mostraram um quadro da realidade brasileira.

Ang Kian, de Singapura: atrás de profissionais de colarinho verde

Ang Kian Seng, diretor do BCA Singapura (Building and Construction Authority), parceiro da Unep local e um dos principais centros de pesquisa de construção sustentável no mundo, trouxe ao simpósio a experiência da rede internacional de países do sudeste asiático conectados em torno de iniciativas educacionais por produtos e edifícios sustentáveis. Até 2030, 80% das edificações de Singapura serão verdes. Segundo ele, os investidores de Singapura já enxergam a sustentabilidade como um investimento mas ainda é necessário difundir e criar mercado de trabalhadores de “colarinho verde”.

Para Anne-Claire Freyd, diretora de marketing da principal entidade de pesquisas sobre tecnologia da construção francesa, o CSTB (Centre Scientifique et Technique du Bâtiment), a França avançou na legislação e formulou metas robustas. Existem normas para o setor diminuir a emissão de gases e gastar menos energia. Mudanças na legislação e nas regras também foi o tema central da mensagem de José Goldemberg.

Goldemberg: livro para defender novas regras de construção

O ex-ministro organizou um livro sobre isso –  ”O Desafio da Sustentabilidade na Construção Civil”  - e defende uma revisão urgente dos códigos de obras das cidades para incluir os instrumentos de política sustentável. Para ele ainda que muitos arquitetos e planejadores urbanos pensem as edificações, bairros e cidades de maneira sustentável, é preciso consolidar as práticas como regulamentações regionais.

Outro ex-ministro presente, o  embaixador Rúbens Ricúpero, afirmou que talvez a humanidade passe a agir certo depois de ver esgotadas todas as possibilidades de agir errado. Ele citou o exemplo da China, que investe pesado em tecnologias e energia limpas por conta dos sérios problemas ambientais causados pelo superaquecimento da economia.

Vai ficar caro, diz ex-ministro Ricupero

“Vai ficar mais caro corrigir o que nasceu errado”, alertou Ricupero, o que foi confirmado pelo americano Jason Hartke, vice-presidente de Política Nacional do Green Building Council: “os Estados Unidos perdem US$ 100 bilhões por ano por agir errado em termos de sustentabilidade dos empreendimentos”. Inês Magalhães, secretária nacional de Habitação, saiu na frente e divulgou cifras do Ministério das Cidades.  O governo já reservou R$ 50 bilhões para urbanização de assentamentos precários e recuperação ambiental em ambientes urbanos degradados. Será suficiente para todas as cidades brasileiras?

Para efeito de comparação só a cidade do Rio de Janeiro vai receber, entre financiamentos e investimentos privados, quase R$ 17 bilhões para as obras de adaptação da cidade para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Autor: Rubens de Almeida Tags: , , , ,

domingo, 17 de junho de 2012 Ambiente, Urbanismo | 19:38

“Vai dar ’tilt’ nas cidades”

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Em plena semana da realização do esperado e grande encontro internacional da sustentabilidade na Rio+20, a cidade de São Paulo sediou o Simpósio “Eficiência no Uso de Recursos e Economia Verde: Oportunidades para Edifícios e Cidades Sustentáveis”, organizado pelo CBCS – Conselho Brasileiro da Construção Sustentável, SBCI – Sustainable Buildings and Climate Initiative e pelo Unep – United Nations Environment Programme.

Destaque na abertura do evento, Pavan Sukhdev, economista indiano radicado em Londres e um dos dinamizadores do conceito da Economia Verde, vaticinou: “vai dar tilt nas principais cidades do mundo”. Ele explica que a maioria das decisões econômicas caminha na direção oposta à da sustentabilidade. “Estamos monetizando a natureza só que da pior maneira possível. Por causa da invisibilidade econômica do meio ambiente, nós estamos atribuindo um valor igual a zero à natureza”.

Pavan Sukhdev, consultor indiano de sustentabilidade: empreendimentos atribuem valor igual a zero para a natureza.

No Brasil, um dos piores exemplos dessa lógica de análise é o subsídio que o governo dá ao setor automobilístico para ativar a economia e a contrapartida desconexa do congestionamento do trafego nas maiores cidades e estradas do país, que gera poluição, desperdício, stress e um grande custo social, recentemente avaliado em 52 bilhões de reais por ano pela prefeitura da  cidade de São Paulo. Qual seria o valor da natureza ofendida nessa conta?

Especialista em medir e avaliar impactos de obras e intervenções na natureza e nas comunidades, Pavan explicou que o desenvolvimento urbano e intervenções privadas nas cidades não podem considerar o meio-ambiente com valor igual a zero em suas planilhas de custo: “não se trata de colocar um preço sobre o valor da natureza, até porque a abelha não passa um recibo quando produz o mel, mas de ampliar a consciência dos agentes econômicos para o valor dos impactos sobre o custo do capital natural e social”, explicou.

Para o setor da construção civil e para o urbanismo das cidades, a mensagem é clara:  dever-se-ia considerar no cálculo dos custos das intervenções não só os investimentos para a obras em si, mas  a análise do ciclo de vida dos produtos e sistemas empregados nas edificações, sejam elas públicas ou privadas, bem como seus efeitos na qualidade de vida da comunidade afetada durante e depois de terminadas.

Autor: Rubens de Almeida Tags: , , ,

terça-feira, 22 de maio de 2012 Ambiente, obras públicas | 23:48

Obras nas ruas não respeitam o pedestre

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Nas cidades brasileiras, obras realizadas nas ruas são sinônimos de confusão. Por que?

Esse tipo de problema acontece em todas as cidades do país quando são executas obras nas ruas e avenidas. O cenário é sempre confuso, a separação entre carros e pedestres é precária e fica nítido que não há padronização nos sistemas de sinalização, segurança e proteção das pessoas que precisam passar em locais próximos de obras e serviços de construção nas vias públicas.

Difícil acreditar que as más condições de sinalização, segurança e  desconforto para os pedestres é alguma coisa decidida nos escritórios de projeto e planejamento das intervenções (seria inconcebível) ou pode ser caracterizado como desleixo de todas as empreiteiras responsáveis por obras nas cidades brasileiras. Ou, ainda, se é displicência histórica da fiscalização da prefeitura ou do órgão contratante, uma vez que não é possível que essas obras sejam iniciadas sem que a empresa responsável indique o quanto vai gastar para garantir a segurança dos transeuntes em seus orçamentos. Ou seja, o valor desse custo adicional das obras sempre deve estar lá, então porque as condições são tão ruins?

A precariedade das passarelas junto às obras nas ruas é, infelizmente, um fato recorrente, que independe do governante, da administração, do partido político no poder ou do órgão contratante. Acontece também com obras privadas, com honrosas exceções. Trata-se de um defeito nacional.

Bons exemplos de como fazer certo não faltam

Há muitos bons exemplos no exterior que poderiam ser seguidos. Materiais de isolamento, equipamentos de sinalização, tipos de pisos provisórios e outros detalhes há muito são conhecidos dos construtores brasileiros, que desde meados dos anos 90 frequentam com certa sistemática as grandes feiras mundiais de construção. Desde então, existe farta oferta desse tipo de instrumento de apoio às obras em ambientes urbanos.

Um mal exemplo na mais cara avenida de São Paulo

Usuários de uma das principais avenidas de São Paulo sofrem há 4 meses com as obras de modernização de instalações, calçadas e ajustes viários. Não é possível fazer melhor?

Um exemplo desse descaso com a população pode ser observado na Avenida Faria Lima, uma das mais valorizadas do Brasil em termos imobiliários, cujos aluguéis comerciais estão em níveis semelhantes aos das mais importantes e caras cidades do mundo. Mas, ao nível da rua, a confusão nas obras assemelha-se à de um país que ainda não saiu do estágio da barbárie e desatenção da administração pública com a segurança e conforto dos cidadãos.

Essas obras na Faria Lima já duram mais de quatro meses e tornam as caminhadas pelas calçadas uma verdadeira prova de “pedestre-cross”. As condições são tão precárias que não é incomum ver pessoas equilibrando-se em tábuas, desviando-se de carrinhos de mão (não deveríamos investir em mecanização e produtividade das obras em avenidas com tanto movimento?) ou pulando um enorme poça dágua em esquinas que ficam vários dias sem pavimento.

Há requintes de sinalização desconcertantes, que orientam os pedestres a seguirem diretamente para dentro das obras. E é assustadora a movimentação de máquinas ao lado de pedestres, sem qualquer isolamento (?) das pistas dedicadas aos transeuntes. Toda a sinalização é feita por simples fitas amarelas e pretas, limites não respeitados pelos operários parados no meio do caminho das pessoas, sem falar de uma diversidade de condições do piso das calçadas, totalmente quebradas, com trechos em pedriscos, cacos de ladrilho, terra, rampas de madeira mal encaixadas e telas de proteção dobradas ou mal instaladas. Tudo isso com pontos de sinalização luminosa apagadas, ao lado de trechos onde o pedestre expõe-se diretamente junto ao tráfego de veículos, já que a calçada fica tomada por materiais de construção estocados. Veja a sequência de fotos tiradas recentemente:

Fitas plásticas são o máximo de sinalização e isolamento. Mas os pedestres convivem com operários trabalhando

Entulho e redes de proteção amassadas empurram transeuntes para o meio da rua, junto ao tráfego de veículos

Espremido entre o muro e a falta de calçamento no passeio público, pedestre passa pela árvore também sem proteção

Não deveríamos estocar o material dentro da área em obras para melhor movimentação? Deixar exposto ao pedestre é a melhor forma de conservar?

Quatro meses pulando poças dágua para atravessar a rua em uma das mais valorizadas avenidas do mundo

Autor: Rubens de Almeida Tags: , , ,

domingo, 13 de maio de 2012 Ambiente, Urbanismo, comportamento urbano | 19:46

Espaços demarcados definem comportamentos nas ruas

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Na falta de uma calçada, a faixa pintada e pequenos elementos plásticos orientam motoristas e pedestres

A organização dos espaços públicos e a indução de comportamentos adequados de motoristas e transeuntes nem sempre dependem de obras muito complexas e demoradas como a construção de canteiros centrais ou canaletas exclusivas de ônibus.

Um bom exemplo de uma intervenção urbana de baixo investimento e resultados efetivos são as faixas coloridas pintadas nas ruas para demarcação de áreas de pedestres, automóveis e bicicletas.

Em um dos espaços públicos que mais recebem turistas do mundo, na região da Times Square em Nova Iorque, que está sempre ocupada por pessoas de diversos países com diferentes experiências urbanas, é difícil ver alguém usando errado alguma das faixas simplesmente pintadas sobre o asfalto.

Pequenos elementos frágeis de plástico completam a sinalização, imediatamente compreendida por todos, mesmo que em seu países as regras de uso das ruas sejam desrespeitadas e a regra permanente seja a confusão e a falta de organização no trânsito.

Extensão da calçada e ciclofaixa convivem sem conflitos pela simples demarcação com cores

A pintura direta sobre o asfalto é uma solução simples e rápida, que educa e organiza, podendo ser aplicada como um teste para verificar se aquele determinado desenho de separação das atividades  realmente funciona.

Podem preceder, inclusive, obras permanentes e investimentos maiores que muitas vezes são frustrados caso não atinjam o desempenho teórico esperado.

A solução, é claro, depende de um policiamento ostensivo complementar, para garantir imediata contenção dos abusos e a observância das diretrizes definidas pelas cores, já que não há elementos físicos que garantam a integridade dos que andam a pé ou de bicicleta, diante dos automóveis e caminhões.

Autor: Rubens de Almeida Tags: , , ,

Ambiente, comportamento urbano, Áreas verdes | 19:43

Em Nova Iorque, iniciativa público-privada embeleza as ruas

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A  primavera é sempre uma oportunidade para observar como as cidades cuidam de si mesmas. Nova Iorque, uma das cidades mais admiradas do mundo, recebe a estação das flores e tira proveito turístico dessa fase do ano com ações simples, mas muito eficazes.

Lojistas e condomínios fazem parceria para deixar a cidade mais bonita em Nova Iorque

Nas principais ruas comerciais há vasos enormes com exemplares de flores de vários tipos e cores, algumas frágeis, como as delicadas tulipas. Permanecem assim por dias, criando um ambiente atraente que certamente estimula os passeios a pé e consequentemente o enorme volume de consumo e geração de negócios.

O segredo dessa beleza bem cuidada é que a manutenção dos vasos não é uma atribuição da administração pública, mas uma inteligente estratégia do setor privado em parceria com o governo local: lojistas e condomínios de escritórios sabem que a boa imagem, a beleza e o conforto valorizam suas atividades e pode influir positivamente nas vendas e na produtividade dos que trabalham na redondeza.

No caso da foto, o cuidado fica por conta da 34th street Partnership, uma organização não-governamental que ainda faz promoções junto aos comerciantes do bairro, ano após ano, para que todos avaliem com rigor se tudo está funcionando, pois há uma competição acirrada entre as várias áreas de comércio da cidade e quem se apresenta melhor, certamente leva vantagens.

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domingo, 15 de abril de 2012 Ambiente, Transporte público, comportamento urbano | 19:21

Mobilidade para todos

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Na última sexta-feira, 13 de abril, entrou em vigor a  Lei 12.587/2012 que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana. Por ela, todos os municípios deverão dar prioridade aos meios de transporte não motorizados e – o que todo o prefeito já deveria fazer há muito tempo – ao transporte coletivo.

Pela nova lei, a administração pública municipal precisa resolver como cuidar melhor das calçadas, dar equidade no uso do espaço público e de circulação para pessoas e veículos motorizados ou não, preparar vias e logradouros para os vários modais de transporte, promover a implantação de ciclovias e tratar o transporte individual de forma integrada a um sistema de mobilidade sustentável e acessibilidade universal.

Após duas semanas de ausência, retomo o blog Cidade S.A. e começo hoje uma série de postagens sobre o assunto mobilidade urbana.

Nota do redator: ao escrever o título deste post, notei que pelas novas regras ortográficas da Língua Portuguesa a chamada jornalística pode ser um manifesto em favor da mobilidade e surpreendentemente mostrar uma contradição em si, como se a mobilidade fosse realmente capaz de parar todo mundo, já que o acento agudo do verbo parar foi abolido. Na verdade, o título pode ser ainda apenas um desejo, nos dois sentidos, já que além da necessidade de realmente alcançarmos mobilidade para todos, todos deveriamos parar para entender melhor o tema e o que ele depende de cada um. Para quem tiver curiosidade, a nova legislação está disponível na internet.

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