2012 maio | Cidade S.A.

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Arquivo de maio, 2012

terça-feira, 22 de maio de 2012 Ambiente, obras públicas | 23:48

Obras nas ruas não respeitam o pedestre

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Nas cidades brasileiras, obras realizadas nas ruas são sinônimos de confusão. Por que?

Esse tipo de problema acontece em todas as cidades do país quando são executas obras nas ruas e avenidas. O cenário é sempre confuso, a separação entre carros e pedestres é precária e fica nítido que não há padronização nos sistemas de sinalização, segurança e proteção das pessoas que precisam passar em locais próximos de obras e serviços de construção nas vias públicas.

Difícil acreditar que as más condições de sinalização, segurança e  desconforto para os pedestres é alguma coisa decidida nos escritórios de projeto e planejamento das intervenções (seria inconcebível) ou pode ser caracterizado como desleixo de todas as empreiteiras responsáveis por obras nas cidades brasileiras. Ou, ainda, se é displicência histórica da fiscalização da prefeitura ou do órgão contratante, uma vez que não é possível que essas obras sejam iniciadas sem que a empresa responsável indique o quanto vai gastar para garantir a segurança dos transeuntes em seus orçamentos. Ou seja, o valor desse custo adicional das obras sempre deve estar lá, então porque as condições são tão ruins?

A precariedade das passarelas junto às obras nas ruas é, infelizmente, um fato recorrente, que independe do governante, da administração, do partido político no poder ou do órgão contratante. Acontece também com obras privadas, com honrosas exceções. Trata-se de um defeito nacional.

Bons exemplos de como fazer certo não faltam

Há muitos bons exemplos no exterior que poderiam ser seguidos. Materiais de isolamento, equipamentos de sinalização, tipos de pisos provisórios e outros detalhes há muito são conhecidos dos construtores brasileiros, que desde meados dos anos 90 frequentam com certa sistemática as grandes feiras mundiais de construção. Desde então, existe farta oferta desse tipo de instrumento de apoio às obras em ambientes urbanos.

Um mal exemplo na mais cara avenida de São Paulo

Usuários de uma das principais avenidas de São Paulo sofrem há 4 meses com as obras de modernização de instalações, calçadas e ajustes viários. Não é possível fazer melhor?

Um exemplo desse descaso com a população pode ser observado na Avenida Faria Lima, uma das mais valorizadas do Brasil em termos imobiliários, cujos aluguéis comerciais estão em níveis semelhantes aos das mais importantes e caras cidades do mundo. Mas, ao nível da rua, a confusão nas obras assemelha-se à de um país que ainda não saiu do estágio da barbárie e desatenção da administração pública com a segurança e conforto dos cidadãos.

Essas obras na Faria Lima já duram mais de quatro meses e tornam as caminhadas pelas calçadas uma verdadeira prova de “pedestre-cross”. As condições são tão precárias que não é incomum ver pessoas equilibrando-se em tábuas, desviando-se de carrinhos de mão (não deveríamos investir em mecanização e produtividade das obras em avenidas com tanto movimento?) ou pulando um enorme poça dágua em esquinas que ficam vários dias sem pavimento.

Há requintes de sinalização desconcertantes, que orientam os pedestres a seguirem diretamente para dentro das obras. E é assustadora a movimentação de máquinas ao lado de pedestres, sem qualquer isolamento (?) das pistas dedicadas aos transeuntes. Toda a sinalização é feita por simples fitas amarelas e pretas, limites não respeitados pelos operários parados no meio do caminho das pessoas, sem falar de uma diversidade de condições do piso das calçadas, totalmente quebradas, com trechos em pedriscos, cacos de ladrilho, terra, rampas de madeira mal encaixadas e telas de proteção dobradas ou mal instaladas. Tudo isso com pontos de sinalização luminosa apagadas, ao lado de trechos onde o pedestre expõe-se diretamente junto ao tráfego de veículos, já que a calçada fica tomada por materiais de construção estocados. Veja a sequência de fotos tiradas recentemente:

Fitas plásticas são o máximo de sinalização e isolamento. Mas os pedestres convivem com operários trabalhando

Entulho e redes de proteção amassadas empurram transeuntes para o meio da rua, junto ao tráfego de veículos

Espremido entre o muro e a falta de calçamento no passeio público, pedestre passa pela árvore também sem proteção

Não deveríamos estocar o material dentro da área em obras para melhor movimentação? Deixar exposto ao pedestre é a melhor forma de conservar?

Quatro meses pulando poças dágua para atravessar a rua em uma das mais valorizadas avenidas do mundo

Autor: Rubens de Almeida Tags: , , ,

quarta-feira, 16 de maio de 2012 Terminais de transporte, Transporte público | 13:28

Paralisações de trens e acidente no Metrô assustam pela precariedade das instalações

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Esta foto, tirada nesta manhã pela Agência Estado, mostra as equipes de resgate após o choque de dois trens de metrô nas proximidades da estação Carrão, na zona leste de São Paulo. É um retrato da precariedade e descuido público com as instalações do transporte sobre trilhos na maior capital do país.

Como é possível que o resgate às vítimas tenha que pular o muro para acessar a linha férrea? Que projeto (?) de transporte é este que impede o acesso da linha por passagens adequadas? A imagem dá a entender que o cuidado com a segurança leva em consideração apenas a necessidade de impedir que pessoas a atravessem, mas esqueceram e considerar outros tipos de ocorrências que exigem rapidez  de acesso para a retirada de feridos das composições ou mesmo alguma ação policial.

E tudo isso, após os responsáveis pelo transporte público em São Paulo não responderem com efetividade à série de falhas que têm ocorrido nos trilhos da CPTM nas últimas semanas, levando ao descrédito importantes alternativas de transporte na metrópole.

Ao que parece, as dificuldades de manutenção do funcionamento normal das linhas da CPTM, que têm prejudicado milhões de usuários todos os dias, também têm origem no projeto das instalações, já que algumas paralisações são justificadas por roubos de cabos elétricos das linhas, outro sinal de que não levaram em consideração as possibilidades de vandalismo quando das definições do nível de segurança operacional. E, pior, que o padrão de fiscalização permanente da integridade física das linhas é absolutamente ineficaz.

Autor: Rubens de Almeida Tags: , ,

Trânsito, Urbanismo | 11:53

Rio de Janeiro mostra o futuro da administração pública

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O Centro de Operações da cidade do Rio de Janeiro, instalado no bairro Cidade Nova, próximo à região central, foi apresentado recentemente aos leitores do iG.

Essa instalação de monitoramento urbano é inédita em termos nacionais  e coloca o Rio de Janeiro na vanguarda instrumental da administração pública em nível internacional.  Deveria servir de inspiração para que outras grandes metrópoles brasileiras tivessem vergonha de suas práticas antiquadas e adotassem sistemas semelhantes, já que a tecnologia é barata e absolutamente disponível, desde que os governos locais desenvolvam um mínimo de organização dos dados administrativos, econômicos e demográficos.

A administração de várias das mais importantes cidades do mundo – acredite se quiser – hoje têm o Rio como exemplo a ser seguido, uma vez que é o centro de operações urbanas que reúne o maior número de especialidades e órgãos públicos em um mesmo local, em comparação a outras experiências importantes como a de Nova Iorque ou Londres. Em operação desde o final de 2010, o Centro de Operações conta com 30 diferentes órgãos da administração municipal, 24 horas por dia, 7 dias por semana. O prédio e o ambiente interno não se parecem em nada com a tradicional lentidão e marasmo das repartições públicas. Ao contrário, o ritmo é frenético, embora silencioso, e todos os agentes municipais que ali estão mantém-se atentos aos 80 monitores de 46 polegadas que compõem o imenso telão que domina a sala, além de acompanhar os indicadores de cada uma das especialidades em sua própria estação de trabalho.

Conheça alguns detalhes e exemplos operacionais do Centro de Operações do Rio de Janeiro:

Todos uniformizados para que tenham responsabilidade sobre a cidade, sem hierarquia.

1. Uniforme é obrigatório – todos os funcionários públicos que estão no Centro de Operações usam um macacão branco, com marcações em azul. Parecem prontos para entrar em cena em casos de calamidade. O chefe-executivo de operações, Sávio Franco, explica que o uniforme é para que todos sintam-se parte de uma só equipe, ainda que tenham formações e respondam a órgãos públicos diferentes. “Além disso – destaca Sávio – aqui dentro todos têm o mesmo nível hierárquico e ninguém ou nem mesmo um órgão pode ser superior ao outro, seja porque é mais importante, tem salário maior ou seja mais rico”. Aqui dentro, todos têm a mesma responsabilidade perante a cidade.

2. Uso mínimo de papel - os famosos memorandos internos e os imensos processos administrativos para solicitar alguma coisa de um órgão para outro da administração aqui não têm vez. A ordem é “papel zero” entre os vários agentes. Ou seja, se a Companhia de Engenharia de Tráfego precisa que a Light desligue um ramal de energia ou a Polícia Militar mobilize a segurança para determinado local, basta solicitar verbalmente para a outra bancada. “não chegamos a eliminar o papel, mas aqui não há espaço para burocracia. Trabalhamos em tempo real, explica o chefe de operações.

3. Câmeras de fiscalização – O município do Rio de Janeiro já instalou mais de 500 câmeras de vigilância e quer chegar às 850 em breve. Se houver um alarme em qualquer região da cidade, imediatamente ele é localizado no mapa que fica permanentemente no telão e as câmeras mais próximas são apresentadas em monitores ao lado. Caso uma imagem tenha significado importante para a compreensão da ocorrência, ele é colocado em tamanho maior pela combinação das imagens de monitores. Segundo a chefia de operações, uma das possibilidades do futuro é integrar a essa rede de imagens as câmeras privadas de condomínios ou empresas via internet, a exemplo do que já começa a ocorrer em outros países.

4. Veículos públicos monitorados em tempo real – caminhões de lixo, viaturas de polícia, máquinas e equipamentos de escavação, movimentação de carga e terraplanagem, ônibus e microônibus, veículos de controle de trânsito e, em breve, todos os demais veículos dos agentes públicos ou concessionárias são monitorados por GPS e aparecem nos mapas com sua localização exata. No caso de situações críticas como a que ocorreu com o recente desabamento dos prédios no centro histórico, imediatamente são acionados para que se dirijam ao local e iniciem os trabalhos de gestão da calamidade.

Alexandre Cardeman, chefe executivo de tecnologia do Centro de Operações, mostra como faz a simulação das ações, desenhando diretamente no telão

5. O mapa da cidade no centro das decisões – a plataforma geográfica com dados de trânsito e visualização de fotos de satélite, hoje acessíveis a qualquer pessoa com acesso à internet, além de permitir a visualização imediata da ocorrência, torna-se a base para ensaios imediatos de como agir, que tráfego interromper, que áreas isolar. Monitores do tipo touch screen, instalados em uma sala de crise, permitem que os técnicos e os governantes discutam a melhor maneira de intervir, onde localizar cordões de isolamento, melhores acessos e recursos mais próximos, com compartilhamento imediato para todos os envolvidos.

6. Acionamento de sirenes nos bairros – as características geomorfológicas e a topografia da cidade exigem que as áreas de risco nas encostas – onde localizam-se as grandes favelas – sejam monitoradas diuturnamente. Em casos de iminência de grandes chuvas, as populações locais são avisadas por sirenes disparadas diretamente do Centro de Operações. Equipes de moradores treinados já sabem o que fazer, para agilizar a retirada das pessoas das áreas de maior risco.

7. Telefone das instituições e nomes dos responsáveis – para tornar mais rápida a reação das populações quando há problemas em determinadas áreas, como eventuais conflitos armados, iminência de cheias de córregos, desastres naturais e até mesmo violência gratuita contra moradores do bairro, o Centro de Controle mantém uma agenda de telefones, celulares e nomes dos responsáveis por instituições e edifícios de uso comum  como escolas, templos, hospitais etc., de modo a mobilizá-los rapidamente se estiverem dentro da área de influência daquela ocorrência.

8. Radar metereológico e simulações de enchentes – o Centro de Operações acompanha a movimentação e volume de água acumulado nas nuvens, bem como alterações de vento, temperatura e pressão, gerando leituras antecipadas da ocorrência de chuvas intensas e localizadas sobre córregos e cursos dágua. Todos esses dados são incorporados a algorítmos capazes de simular as possíveis consequências, inclusive com os tempos para qua haja alagamentos ou enchentes que venham a prejudicar os cidadãos. Nesse caso, equipes da Defesa Civil são acionadas para isolar áreas com cavaletes, impedindo o acesso e prejuizos maiores.

9. Dados populacionais integrados à operação – os mapas apresentados nos telões podem receber layers de dados demográficos, de modo a permitir que o poder público verifique o número estimado de populações afetadas por determinada ação ou calamidade e em alguns anos permitirá a gestão de dados dinâmicos como endemias, vetores de doenças, oferta de serviços públicos adequados ao perfil etário e muitos outros.

10. integração com o Portal Rio 1746 - o Centro de Operações recebe em tempo real todas as colaborações, indicações, informações e denúncias encaminhadas pelos cidadãos sobre semáforos defeituosos, falta de iluminação pública, buracos nas vias, focos de dengue, poda de árvores e todas as pequenas ocorrências que dominam o dia a dia das equipes das prefeituras. O 1746 é um canal aberto por telefone, website ou por aplicativo mobile, com possibilidade de acompanhamento da solução dada pelo poder público.

11. O acesso da imprensa é permanente – ao contrário da maioria das administrações públicas que tentam manter a imprensa afastada das mazelas do município, o Centro de Operações do Rio de Janeiro tem uma sala de imprensa aberta para o ambiente de monitoramento. Ou seja, no instante em que ocorre uma catástrofe ou um problema de segurança ou trânsito,  a imprensa torna-se também agente do processo de comunicação com a sociedade, de forma livre e transparente, e pode até mesmo contribuir com informações complementares para realimentar as ações públicas.

Enfim, o Centro de Operações do Rio de Janeiro é de dar inveja a qualquer prefeitura e a prefeitos que tenham um mínimo de interesse pelas cidades que administram, em qualquer lugar do planeta. O vídeo a seguir é uma apresentação feita por ocasião da sua inauguração e mostra um pouco dessa nova forma de administrar uma cidade.

Autor: Rubens de Almeida Tags: , ,

domingo, 13 de maio de 2012 Ambiente, Urbanismo, comportamento urbano | 19:46

Espaços demarcados definem comportamentos nas ruas

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Na falta de uma calçada, a faixa pintada e pequenos elementos plásticos orientam motoristas e pedestres

A organização dos espaços públicos e a indução de comportamentos adequados de motoristas e transeuntes nem sempre dependem de obras muito complexas e demoradas como a construção de canteiros centrais ou canaletas exclusivas de ônibus.

Um bom exemplo de uma intervenção urbana de baixo investimento e resultados efetivos são as faixas coloridas pintadas nas ruas para demarcação de áreas de pedestres, automóveis e bicicletas.

Em um dos espaços públicos que mais recebem turistas do mundo, na região da Times Square em Nova Iorque, que está sempre ocupada por pessoas de diversos países com diferentes experiências urbanas, é difícil ver alguém usando errado alguma das faixas simplesmente pintadas sobre o asfalto.

Pequenos elementos frágeis de plástico completam a sinalização, imediatamente compreendida por todos, mesmo que em seu países as regras de uso das ruas sejam desrespeitadas e a regra permanente seja a confusão e a falta de organização no trânsito.

Extensão da calçada e ciclofaixa convivem sem conflitos pela simples demarcação com cores

A pintura direta sobre o asfalto é uma solução simples e rápida, que educa e organiza, podendo ser aplicada como um teste para verificar se aquele determinado desenho de separação das atividades  realmente funciona.

Podem preceder, inclusive, obras permanentes e investimentos maiores que muitas vezes são frustrados caso não atinjam o desempenho teórico esperado.

A solução, é claro, depende de um policiamento ostensivo complementar, para garantir imediata contenção dos abusos e a observância das diretrizes definidas pelas cores, já que não há elementos físicos que garantam a integridade dos que andam a pé ou de bicicleta, diante dos automóveis e caminhões.

Autor: Rubens de Almeida Tags: , , ,

Ambiente, comportamento urbano, Áreas verdes | 19:43

Em Nova Iorque, iniciativa público-privada embeleza as ruas

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A  primavera é sempre uma oportunidade para observar como as cidades cuidam de si mesmas. Nova Iorque, uma das cidades mais admiradas do mundo, recebe a estação das flores e tira proveito turístico dessa fase do ano com ações simples, mas muito eficazes.

Lojistas e condomínios fazem parceria para deixar a cidade mais bonita em Nova Iorque

Nas principais ruas comerciais há vasos enormes com exemplares de flores de vários tipos e cores, algumas frágeis, como as delicadas tulipas. Permanecem assim por dias, criando um ambiente atraente que certamente estimula os passeios a pé e consequentemente o enorme volume de consumo e geração de negócios.

O segredo dessa beleza bem cuidada é que a manutenção dos vasos não é uma atribuição da administração pública, mas uma inteligente estratégia do setor privado em parceria com o governo local: lojistas e condomínios de escritórios sabem que a boa imagem, a beleza e o conforto valorizam suas atividades e pode influir positivamente nas vendas e na produtividade dos que trabalham na redondeza.

No caso da foto, o cuidado fica por conta da 34th street Partnership, uma organização não-governamental que ainda faz promoções junto aos comerciantes do bairro, ano após ano, para que todos avaliem com rigor se tudo está funcionando, pois há uma competição acirrada entre as várias áreas de comércio da cidade e quem se apresenta melhor, certamente leva vantagens.

Autor: Rubens de Almeida Tags: , , , ,