Obras nas ruas não respeitam o pedestre
Esse tipo de problema acontece em todas as cidades do país quando são executas obras nas ruas e avenidas. O cenário é sempre confuso, a separação entre carros e pedestres é precária e fica nítido que não há padronização nos sistemas de sinalização, segurança e proteção das pessoas que precisam passar em locais próximos de obras e serviços de construção nas vias públicas.
Difícil acreditar que as más condições de sinalização, segurança e desconforto para os pedestres é alguma coisa decidida nos escritórios de projeto e planejamento das intervenções (seria inconcebível) ou pode ser caracterizado como desleixo de todas as empreiteiras responsáveis por obras nas cidades brasileiras. Ou, ainda, se é displicência histórica da fiscalização da prefeitura ou do órgão contratante, uma vez que não é possível que essas obras sejam iniciadas sem que a empresa responsável indique o quanto vai gastar para garantir a segurança dos transeuntes em seus orçamentos. Ou seja, o valor desse custo adicional das obras sempre deve estar lá, então porque as condições são tão ruins?
A precariedade das passarelas junto às obras nas ruas é, infelizmente, um fato recorrente, que independe do governante, da administração, do partido político no poder ou do órgão contratante. Acontece também com obras privadas, com honrosas exceções. Trata-se de um defeito nacional.
Bons exemplos de como fazer certo não faltam
Há muitos bons exemplos no exterior que poderiam ser seguidos. Materiais de isolamento, equipamentos de sinalização, tipos de pisos provisórios e outros detalhes há muito são conhecidos dos construtores brasileiros, que desde meados dos anos 90 frequentam com certa sistemática as grandes feiras mundiais de construção. Desde então, existe farta oferta desse tipo de instrumento de apoio às obras em ambientes urbanos.
Um mal exemplo na mais cara avenida de São Paulo

Usuários de uma das principais avenidas de São Paulo sofrem há 4 meses com as obras de modernização de instalações, calçadas e ajustes viários. Não é possível fazer melhor?
Um exemplo desse descaso com a população pode ser observado na Avenida Faria Lima, uma das mais valorizadas do Brasil em termos imobiliários, cujos aluguéis comerciais estão em níveis semelhantes aos das mais importantes e caras cidades do mundo. Mas, ao nível da rua, a confusão nas obras assemelha-se à de um país que ainda não saiu do estágio da barbárie e desatenção da administração pública com a segurança e conforto dos cidadãos.
Essas obras na Faria Lima já duram mais de quatro meses e tornam as caminhadas pelas calçadas uma verdadeira prova de “pedestre-cross”. As condições são tão precárias que não é incomum ver pessoas equilibrando-se em tábuas, desviando-se de carrinhos de mão (não deveríamos investir em mecanização e produtividade das obras em avenidas com tanto movimento?) ou pulando um enorme poça dágua em esquinas que ficam vários dias sem pavimento.
Há requintes de sinalização desconcertantes, que orientam os pedestres a seguirem diretamente para dentro das obras. E é assustadora a movimentação de máquinas ao lado de pedestres, sem qualquer isolamento (?) das pistas dedicadas aos transeuntes. Toda a sinalização é feita por simples fitas amarelas e pretas, limites não respeitados pelos operários parados no meio do caminho das pessoas, sem falar de uma diversidade de condições do piso das calçadas, totalmente quebradas, com trechos em pedriscos, cacos de ladrilho, terra, rampas de madeira mal encaixadas e telas de proteção dobradas ou mal instaladas. Tudo isso com pontos de sinalização luminosa apagadas, ao lado de trechos onde o pedestre expõe-se diretamente junto ao tráfego de veículos, já que a calçada fica tomada por materiais de construção estocados. Veja a sequência de fotos tiradas recentemente:

Fitas plásticas são o máximo de sinalização e isolamento. Mas os pedestres convivem com operários trabalhando

Entulho e redes de proteção amassadas empurram transeuntes para o meio da rua, junto ao tráfego de veículos

Espremido entre o muro e a falta de calçamento no passeio público, pedestre passa pela árvore também sem proteção

Não deveríamos estocar o material dentro da área em obras para melhor movimentação? Deixar exposto ao pedestre é a melhor forma de conservar?

Quatro meses pulando poças dágua para atravessar a rua em uma das mais valorizadas avenidas do mundo


Essa instalação de monitoramento urbano é inédita em termos nacionais e coloca o Rio de Janeiro na vanguarda instrumental da administração pública em nível internacional. Deveria servir de inspiração para que outras grandes metrópoles brasileiras tivessem vergonha de suas práticas antiquadas e adotassem sistemas semelhantes, já que a tecnologia é barata e absolutamente disponível, desde que os governos locais desenvolvam um mínimo de organização dos dados administrativos, econômicos e demográficos.




