Pegar vida
Acostumei-me a desconfiar de saídas fáceis. Quando foi mesmo que me viciei na procura de sinais inconscientes dentro do mundo sensível dos sentidos? Já faz muitos anos que acumulo derrotas territoriais, que choro lágrimas de diamantes invisíveis. Sou indivisível? Tornarei-me nuvem quando? Pois nada me prende ao chão. Nada me situa agora. Nada me define como parte. No entanto continuo a seguir pelo mesmo caminho sem largar meu osso. Há algo de corajoso nessa jornada. Algo que resiste. Alguém que contempla a si próprio e o mundo e se recusa a aceitar formulas prontas, padrões, pastas, arquivos, prisões. Pouco a pouco a margem passa a ser, não o refúgio dos derrotados, mas o lugar perfeito aonde me encontrar. A margem do rio que corre enquanto eu fico lá. De vez um quando um mergulho me leva mais adiante e posso sentir, quando nele, o fluxo da água me levando. A correnteza puxa rápido. Veloz como a água pode ser. É quando ultrapasso pedras, escorrego em cachoeiras até quase afundar. Então preciso de novo submergir e saltar pra margem antes que meu barco afunde. Pra me salvar. Pra pegar ar. Pra pegar vida.
Autor: caleidoscopicas - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Gostei !!!