O mundo de Sofia. E só dela.
Comecei, há um tempão, a ler “O Mundo de Sofia“, escrito por Jostein Gaarder e publicado em 1991. Comecei a ler pelos seguintes motivos: o livro era superconhecido e eu não tinha noção do que se tratava. Acreditava que era algo sobre um mundo imaginário que Sofia vivia, ou até a forma com que a personagem encarava a vida. Errei.
O Mundo de Sofia é um livro disfarçado de literatura. Na verdade, trata-se de uma obra didática. O autor criou uma história baseada em uma menina prestes a fazer 15 anos de idade para dar aulas de filosofia. Para ensinar, literalmente, a criação, expansão, desenvolvimento e situação da filosofia. O livro começa com uma novela agradabilíssima, onde toda uma trama envolvendo Sofia e a sua caixa de correios nasce e se desenvolve, evolui. O começo é ótimo. Até que eu me senti na escola.
O filósofo misterioso começa a dar aulas da história da filosofia para a garota, que se torna fã da disciplina, deixando, ao final de cada ensinamento, pequenas lições de casa para Sofia. A forma como as aulas são escritas é ótima, porque o autor conseguiu, de um jeito legal e leve, escrever todo o desenvolvimento da filosofia no mundo. O problema é que a filosofia é complexa, é grande e é cansativa. Sócrates aparece, Platão aparece e todo o resto aparece. Daí… Eu tive que pular as aulas e ler só a trama. Não aguentei. Não consegui terminar.
Se você gosta de filosofia, do fundo do coração, leia “O Mundo de Sofia”. Caso contrário… Compre outra coisa.



Terminei ontem de ler “Memórias de Minhas Putas Tristes”, do Gabriel Garcia Márquez e, depois de tanta filosofia e palavras bonitas, eu encostei a cabeça no banco do ônibus e fiquei pensando em duas coisas:


A mensagem que o ex-vendedor de vassouras Reginaldo Ferreira da Silva, o Ferréz, sempre quis passar é clara e direta: “Somos classe C, D e E, mas também sabemos fazer literatura”. É isso que ele diz logo na abertura do livro