À vontade
Quando você lê os textos da Tati Bernardi, começa a pensar que está sendo seguida: “Como ela sabe tudo isso da minha vida?”. Essa foi a pergunta que eu me fiz quando lia o livro. Aliás, eu poderia ter escrito tudo isso, se tivesse uma narrativa tão leve e gostosa quanto a dela, é claro.
“Tô Com Vontade de uma Coisa que eu não sei o que é” é a obra resultado das minhas histórias, das suas e das histórias de todas as nossas amigas. E a Tati escreveu tudo isso sozinha. É incrível.
Ela abre o livro contando a decepção que teve ao ter seu nível de loucura diagnosticado por um bom psicólogo: nenhum. Ela fala sobre esse lance moderno de ter um amigo para o sexo e da complicação que isso pode se tornar quando os cheiros e gostos começam a fazer falta. Ela fala daquela nossa mania de pensar no fim do namoro quando ele nem começou. Fala sobre ser insegura, sobre se sentir sozinha, sobre não querer que ninguém saiba que a gente sente isso. Ela fala tudo que fica aí, preso na sua cabeça.
Ela também conta de quando foi morar no Rio de Janeiro e se sentiu uma tiete a cada vez que via um famoso. Fala sobre nossa capacidade – imensa, diga-se de passagem – de se auto-sabotar. Explica um pouquinho o mal estar de voltar a ser amiga depois de ter ido pra cama com um cara. E até fala da mania que as meninas têm de mentir sobre o número de caras que já estiveram por lá.
Na verdade, a Tati Bernardi fala sobre amor. Ela sempre deixa o amor, ou a falta dele, ali nas entrelinhas, passando de leve por cada página e cada linha – por que não, a cada palavra? – do texto. O que ela faz é a chamada Literatura Mulherzinha, de que tantas mulheres fogem, ela assume que é mulher, assume o que pensa, que tem fraquezas e que pode ser forte mesmo falando de sentimentos.
O livro é uma reflexão do que todas nós sentimos – santas, saidinhas, virgens ou livres – e gostamos de compartilhar com as amigas. Tati é a sua melhor amiga em potencial, mesmo que apenas nas páginas de um livro.
Terminei ontem de ler “Memórias de Minhas Putas Tristes”, do Gabriel Garcia Márquez e, depois de tanta filosofia e palavras bonitas, eu encostei a cabeça no banco do ônibus e fiquei pensando em duas coisas:
Como seria sua vida se você tivesse salvo a vida do presidente do seu país e ainda por cima namorasse com o filho dele? Você consegue imaginar, pelo menos um pouco, a loucura que seria isso? Você poderia ser considerada uma celebridade? Você estaria pronta para encarar tudo isso? Samantha Madison está, mas tem algo que ela ainda não consegue saber se consegue encarar… e tem a ver com David, o filho do presidente!
