Há muito tempo atrás, todo mundo comentava sobre “A Menina que Roubava Livros“. Eu, depois que li o post de Aline aqui mesmo no Bookmarks, resolvi comprar o livro e deixei-o no armário escondidinho. Há uns três meses, resolvi lê-lo e previ que a história não era pra mim. Comecei o livro devagar, parei, retomei e, na última semana, decidi que deveria terminá-lo (seja bom ou ruim), para avançar ao próximo. E a Liesel – e a morte – me pegaram e eu parei para ler.
O livro tem aquele tom de que você deve sentir dó de uma garota que perdeu tudo logo no começo da vida. Viu o irmão morrer e a mãe foi obrigada à doá-la para uma família qualquer da Alemanha nazista, que sofria com as palavras de Führer mas, no entanto, o seguia. Liesel conheceu o mundo da pior maneira que podia e, talvez por isso, acreditou que ninguém o merecia. A guerra, ao contrário do que disse Aline, pra mim não é apenas um cenário para a obra, mas sim o que faz toda a narrativa. A menina é uma roubadora de livros, mas isso é a coisa menos excitante que Markus Kuzak conseguiu escrever. Os capítulos de furtos só modelaram uma história totalmente superior do que você espera enfrentar. É tudo sobre a Guerra e as palavras. Dela (de Liesel) e de Hitler.
Kuzak utilizou Liesel e seus amigos para narrar a Alemanha e a Segunda Guerra Mundial pelo olhar de uma criança. Ele também usou a sua personagem para descrever as pessoas, para mostrar atitudes, para deixar claro o que toda sua pesquisa judaica resultou: em um céu que neva quente e é pintado de vermelho.
O livro mais excitante do livro (metalivro!) não é nenhum dos que a menina roubou, mas sim o que ela ganhou de Max, o amigo judeu que viveu escondido no porão de sua casa. As mensagens da obra não instigam ninguém a roubar, mas nos faz – a quem não viveu a época, claro – sentir com exatidão as consequências de uma guerra e de acreditar em um ditador, nos mostra, com piedade, a humilhação dos judeus e como a loucura de Hitler destruiu a vida de muitas famílias por absolutamente nada.
A morte é a personagem principal da história. Eu, no final, tive-a na cabeça como uma menina de uns 10 anos, que vaga pela Terra buscando almas por diversão. É a sua brincadeira. “A Menina Que Roubava Livros” é um livro daqueles que te traz tudo o que você não espera: uma boa história – diferente da imaginada, bons personagens, lições de vida e tapas na cara de realidade.
“Um dia um homem decidiu três coisas sobre a vida dele:
1- Repartiria o cabelo ao contrário de todo mundo;
2- Criaria para si próprio um bigode pequeno e esquisito;
3- Dominaria o mundo.“