Brune/Blonde: exposição na Cinemathèque Française discute o cabelo feminino através da história
Marylin Monroe e Brigitte Bardot fariam tanto sucesso se fossem morenas? E se Pénélope Cruz fosse loira? Essas e outras discussões em torno do cabelo feminino são apresentadas através da arte na exposição “Brune/Blonde” na Cinemathèque Française, em Paris.
A exposição começa apresentando o “mito capilar” através de quadros de Picabia, fotos de moda do famoso fotógrafo Avedon e o retrato de Lana Turner por Andy Warhol. Em um telão enome, filmes mostram loiras desfilando soberanas, afrontando suas rivais morenas.
A segunda sala de “Brune/Blonde” conta a história do imperialismo das loiras no cinema, a geografia dos cabelos femininos, até chegar na emancipação capilar, quando as mulheres começaram a cortar os
cabelos bem curtinhos, no auge do feminismo. Na sequência, a exposição mostra a rivalidade entre loiras e morenas em filmes, pinturas e fotografias focadas no tema de “Brune/Blonde”: os cabelos femininos.
Mas qual a importância do cabelo na construção de uma imagem?
Segundo Marc Dugast, cabeleireiro há 45 anos e inventor do conceito morphocoiffure, “o cabelo é muito importante, aliás mais que importante, é essencial. Uma das razões é simples, quando uma mulher não está bem, não procura um psicólogo ou médico, e sim vai ao cabeleireiro. Além disso, é bom lembrar que assim como os pêlos, o cabelo funciona como proteção e é o principal símbolo de feminilidade para as mulheres”.
Ainda no quesito psicológico, Marc frisa que “existe uma relação direta entre os sentimentos e a auto-imagem de uma mulher com os cabelos. Quando elas se sentem pesadas, com algum problema na vida pessoal ou profissional, cortam as madeixas e quando saem do cabeleireiro sentem-se mais leves, como se os problemas não existissem mais”.
Então será que os cabelos podem influenciar a personalidade de uma pessoa? “Sim, é exatamente isso que eu faço. Normalmente, as mulheres me procuram quando não estão bem e insatisfeitas com sua imagem. Depois de um corte e coloração tudo muda, tanto exterior, como interiormente”, explica.
Essas mudanças podem ser previstas de acordo com o desejo de cada mulher. Por exemplo, “quando uma cliente pede um cabelo curto, já sei que está em busca de um corte que demonstre personalidade forte e destemida, de quem sabe o que deseja. Mesmo assim, as mulheres de cabelo curto ainda podem ser femininas, mas elas se assumem e são mais independentes. Já as mulheres de cabelo longo querem passar uma imagem mais feminina, de quem precisa de proteção”.
Como o assunto hoje é a exposição “Brune/Blonde”, será que toda loira pode ser morena e vice-versa? “Mudar radicalmente a cor dos cabelos não é tão simples. Uma morena que tenta ser loira, pode apresentar um resultado muito falso e não se sentir bem. No caso contrário, a mulher pode se sentir introvertida e sem luz. Ou seja, não são todas as morenas que podem ser loiras, nem todas as loiras podem ser morenas. Porém, quando conseguimos integrar a personalidade e o lado psicológico da mulher com a vontade de mudar radicalmente, tudo pode acontecer. Essa mulher tem força suficiente para brincar com sua imagem, como se fosse uma estrela de cinema”, conclui Marc.
“Brune/Blonde”
La Cinémathèque Française
Até 16 de janeiro de 2011
51, rue de Bercy – 75012 Paris
Notas relacionadas:
Autor: Alline Cury Tags: blonde, Brigitte Bardot, brune, Brune/Blonde, cinemaqueque, debate, fotos, imagens, lindas, loiras, Marylin Monroe, morenas, mulheres, Pénélope Cruz, pra casar
