


Escândalos envolvendo o estilista John Galliano à parte, a Christian Dior organizou uma pequena e charmosa exposição no Le Bon Marché, que reúne os highlights essenciais da grife francesa.
Acompanhada pelo diretor de comunicação da maison, Bernard Danillon – que trabalha há 20 anos na Dior e conhece como ninguém suas histórias – visitei a mostra, que começa soberana, com o clássico e eterno Tailleur Bar, criado por Christian Dior em 1947.
Logo no início, o passeio começa cheio de curiosidades… Já pensaram o porquê do nome desse icônico New Look que revelou Christian Dior ao mundo? Bernard Danillon explica: “o Monsieur Dior desenvolveu sua primeira coleção para o verão de 47 pensando qual roupa as mulheres elegantes da época deveriam usar para frequentar o bar do Hotel Ritz (que fica em frente à maison Christian Dior na famosa Avenue Montagne)”. E voilá! Foi aí que nasceu o Tailleur Bar, código eterno que até hoje inspira as coleções da Dior.
Tanto que ao lado do clássico, encontra-se o modelo Tailleur Diosera, criado por John Galliano para a primavera-verão de 1997. Muito mais atual, o modelo substitui a saia midi plissada por um modelo mini em couro de crocodilo.
Mais à frente está outra reinterpretação do Tailleur Bar, desta vez inspirado nos origamis japoneses. O modelo rosa fucsia foi criado por John Galliano para a coleção primavera-verão de 1997. Detalhe, durante o percurso Bernard Danillon não cita o nome do John Galliano, nem a identificação das peças dão credito ao estilista. A impressão que fica é que a maison quer apagar Galliano do histórico da marca.
A exposição também traz dois manequins Stockman gigantes, que funcionam como telas onde são reproduzidas imagens dos ateliês da Dior. Nesta parte do percurso, Bernard Danillon faz o mesmo discurso do último desfile (o primeiro após o bafão de Galliano) e homenageia as “pequenas mãos” que trabalham para a grife. “Só é possível manter todas as lojas Dior que temos no mundo graças a essas petites mains, que fazem um trabalho espetacular”, elogia o diretor de comunicação, mas ao mesmo tempo alfineta os ex-estilistas, “na Dior não inventamos nada, apenas reintrerpretamos os códigos do Monsieur Dior”.
Outra curiosidade contada por Bernard Danillon é que as clientes VIP da alta-costura têm direto a manequins com suas medidas. “Assim elas podem encomendar seus vestidos à distância, pois seus corpinhos já estão lá”, explica.
Entre outros looks icônicos e vídeos publicitários, a exposição traz peças de artistas chineses que criaram obras inspiradas no DNA da Christian Dior, especialmente para a abertura da boutique Dior na cidade de Shangai, em 2009. A obra que ganhou mais destaque foi a bolsa Lady Dior, criada pelo artista Liu Jianhua, em porcelana e banhada a ouro. Um luxo para admirar e esquecer dos últimos acontecimentos…
Exhibition CHRISTIAN DIOR
Até o dia 26 de março
Le Bon Marché Rive Gauche
24, rue de Sèvres
Paris 75007