Não Banho e Mesquinhez Inglesa
Meu post de anteontem sobre barbas, barbudos, banhos de banheiras e não banhos de ingleses recebeu vários – para os padrões do Boca, naturalmente – comentários.
Costumo responder cada comentário individualmente. Para facilitar a coisa e também por ter percebido que o assunto ingleses ainda não se esgotou, retomo o tema; conto mais detalhes da minha experiência vivendo na casa de uma família classe média típica. Foi bem legal. Mas notei que diversas coisas curiosas na rotina dos ingleses que também foram lembradas por alguns leitores. http://colunistas.ig.com.br/bocanotrombone/2009/03/24/barbudos-x-barbeados-banheira-x-chuveiro/
Durante os dois meses que passei lá em Bournemouth, cidade ao sul da Inglaterra, próxima a Londres, viajei todos os fins de semana. (saia sexta à tarde e voltava domingo para dormir). Assim, a questão dos três banhos semanais a que tinha direito foi ligeiramente amenizada.
Ainda no setor higiene, jamais vi algum dos donos da casa (um casal, mais a filha) com cara de quem tivesse tomado banho. O único contato que presenciei deles com a água não foi dos mais agradáveis.
Uma Uma noite, entro na cozinha e o que vejo??? O dono da casa lavando a cabeça na pia da cozinha. Na volta ao Brasil, contei isso para meu pai, que comentou com um amigo nosso inglês. Ele garantiu que era normal, na Inglaterra, as pessoas lavarem a cabeça na pia da cozinha. O porquê disso não fica claro. Como disse Caetano, “eu não consigo entender sua lógica.” Entender ou não entender não tem importância. Grave é usar a louça e comer comida lavada na pia que também serve para lavar cabeça, e sabe-se lá se não deixei de ver coisas piores…
Um leitor do Boca fala, até de maneira rude, do mal cheiro das inglesas (leia no comentário do post de ontem) Ele está muito bem acompanhado. Famoso e prestigiadíssimo personagem da política, tido como mulherengo, diplomata em Londres, ao responder a uma amiga se havia gostado das Inglesas, foi taxativo:
- São bonitinhas, mas muito mal lavadinhas…
Voltando à minha experiência com a família inglesa, passo aos pequenos truques, golpinhos que me aplicaram.
Paguei aqui no Brasil uma determinada quantia para a Escola que freqüentei e outra quantia que foi diretamente para a família que me hospedou.
Está mais do que implícito que um quarto alugado durante o inverno em uma casa na Inglaterra tenha calefação. Pois não é que a dona de casa me disse que a calefação não estava incluída e que eu deveria pagar. Não quis brigar e concordei. Ela me deu o valor semanal da calefação. Argumentei que pretendia viajar todos os finais de semana e que preferiria pagar por noite a calefação, quando eu, de fato, estivesse usando. Ela não concordou. Cobrava sempre por sete noites, embora só ligasse cinco vezes por semana.
Eu e o Javier, mexicano que também estava ali hospedado, éramos apenas meios de a dona de casa, landlady, reforçar o orçamento. Nada além disso.
Perguntou-me ainda se eu queria que ela lavasse minha roupa e já foi logo dando o preço. Falei que era coisa relativa: como ela já podia dar o preço sem saber quanta roupa seria? Ela foi clara: esse preço é para a quantidade de roupa que pessoa normal usa por semana : duas camisas, duas meias e duas cuecas. Agradeci e disse que eu mesmo levaria para a lavanderia.
Curioso é que mesmo quando queria ser simpática e mostrar eficiência, ela era seca e até meio rude. Elogiei bastante os ovos mexidos do café da manhã. (scramble eggs, certamente escrevi errado) de lá. Imediatamente, me responde:
- Às terças e quintas (lembro-me que eram exatamente esses os dias) tem.
Sou cara extremamente justo, o que é certo é certo e, como já disse e repeti, detesto desperdício. A dona da casa pediu que avisasse sempre com antecedência quando fosse viajar no fim de semana, para que ela não comprasse comida para mim. Perfeito. Nada de desperdício.
Meu pacote de hospedagem compreendia: quarto de domingo a domingo, café da manhã e jantar de segunda a sexta e as três refeições do sábado e do domingo.
Como já disse, todos os fins de semana, viajei. Ou seja, deixei de consumir sete refeições a cada fim-de-semana. Passei lá seis semanas, logo foram exatamente 42 refeições que, embora tenham sido pagas, não foram consumidas.
Uma noite, durante o jantar, ela me pergunta em que dia eu iria embora. Falei que seria dali a dois sábados. Ela diz:
- Pois bem, o café da manhã do sábado em que você vai embora, você vai ter que me pagar porque a escola só me paga até sexta-feira.
Eu falava legal inglês e entendi perfeitamente. Mas, por segurança, confirmei em Portunhol com o mexicano Javier. Pedi que não comentasse nada, mas lhe disse que iria denunciá-la para a escola. E a escola, muito provavelmente iria descredenciá-la na mesma hora. Se eu tivesse consumido todas as refeições previstas, perfeito que ela cobrasse essa extra.
Detalhe: alguns brasileiros levam lembrancinhas típicas daqui, um anelzinho de água marinha e outras besteiras baratinhas para a dona da casa.. Eu havia levado três quilos de café da melhor qualidade, panela própria para esquentar a água, bule, coador e xícaras de porcelana pintadas a mão. Isso não vem ao caso. O que conta é que eu deixei de consumir 42 refeições e ela quis me cobrar um ovo, uma torrada e uma xícara de café (aliás, que eu havia lhe dado).
A história acaba assim: fui-me embora na 6. Feira. Deixei barato, não denunciei na escola e não teve o quebra-pau anunciado. Nesse momento em que escrevo, acho que agi mal: devia ter denunciado.
Ingleses não são efusivos, abraços e beijos não jorram por lá com parte de cumprimentos. Mas é lógico que depois de conviver um mês e meio, por mais frio que sejam todos os envolvidos, na despedida, apertam-se as mãos e até um beijinho e abraço fazem parte da coisa.
Eduardo e Marina, brasileiros que iam comigo ao Aeroporto e passaram em casa para me apanhar de táxi, ficaram impressionados porque, já dentro do táxi, limitei-me a um aceno com a cabeça de despedida.
Quatro anos após, morei cerca de quinze dias em casa de família americana. 180º opostos. Conto logo mais.
Para terminar legal, a receita do fabuloso scramble eggs.
Ovos mexidos da Markham Road 103 – endereço da casa da família em Bournemouth
Fazer uma torrada de pão de forma com manteiga. Mantê-la quente.
Reservar.
Em uma panelinha pequena, derreter manteiga, quebrar um ovo e, quando começar a fritar, colocar uma colher de leite, diminuir o fogo, por sal e pimenta do reino. Mexer e quando estiver no ponto (eu gosto mole) colocar sobre a torrada quente. Comer acompanhado de café forte servido na xícara grande. É muito bom!!! Gotinhas de Tabasco, um pouco redundante, já que vai pimenta do reino, também são bem-vindas (acho que agora bemvindo é tudo junto)!!!


Paulo, é uma pena que vc não reclamou na escola da sua homestay….assim o próximo brasileiro que fosse se hospedar lá não passaria por isso……Estive no Canadá em Toronto e passei por situações difíceis também…..se os gringos tivessem a consciência de que nós brasileiros (milhares) ajudamos e muito a economia deles gastando nosso dinheiro suado em roupas, eletronicos, comidas, passeios, etc. etc. etc., eles nos tratariam melhor. Só para completar ainda acho os gringos uma cambada de vagabundos que querem trabalhar pouco e ganhar muito bem.
BEm English mesmo..acabei de chegar de lá e embora os ache solícitos estava cansada daquelas caras amarradas de manhã no metrô…o gentinha emburrada!!
Ô Paulo, parece que os europeus tem essa mania.
Moro em Belém, que mesmo em período de inverno faz bastante calor a ponto que se estiver em casa tomo pelo menos três banhos/dia.
Quando um alemão com quem eu trabalhava entrava na sala de reuniões parece que tinham aberto o carro de coleta de lixo do mês passado, empestava. O curioso é que o apelido dele na instituição era “Natura”……Mas ele não sabia!!!! rsrsrs.
Certamente,os ingleses numa temporada na Rocinha,aqui no Rio,aprenderiam exemplos edificantes de higiene,generosidade e efusividade humana.Talvez,um pouco de português,também.
Olha,
Banho é uma coisa cultural. Eu adoro, mas não dá pra provar que seja questão de saúde. A inglaterra tem uma das maiores expectativas de vida, e uma das menores taxas de mortalidade infantil do mundo. Outra coisa, não generalizemos. Estive na França e conheci desde porcos educados, a limpos e frescos. Agora não dá pra dizer que são todos iguais. Existe alguma regionalização, mas nas regiões mais quentes da Europa, obviamente, tomam mais banhos.
Se por um lado o “cheirinho” europeu não agrada, e não são tão “sociáveis” quanto os brazucas, por outro lado, em geral, diferente da história aí contada, são muito honesto (mesmo em Paris, cidade mais mal-humorada do mundo!)
Gostei do texto, ah bem-vindo continua separado pelo hifem.
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Obrigado pelo elogio e pela explicação do novo português universal!!!
Valeu
Gente, eu sei eh um choque cultural …… Estou estudando Ingles na Universidade de Surrey. O que percebi eh que o povo Ingles eh um povo triste, melancolico, bebe muito pra “se soltar”, nao gostam que toquem neles e eh claro, banho nem pensar!!!!qd. tomam (?????), eh de banheira . Nao seguram os proprios filhos no colo, nao demonstram afeto publicamente, sao muito arrogantes, detestam qualquer estrangeiro . Na verdade, eles sao muito tristes ,
Paulo,
Moro na alemanha, e aqui as pessoas deveriam moram com os porcos num chiqueiro, pessoas imundas, terrível
Tanto homem como mulher ou crianca nao se banham diariamente, falam que faz mal pra pele, acho qo que faz mal é nao manter a higiene.
Uma vez uma amiga contou a história de uma colega que teve um filho, e o médico disse para dar banho na crianca somente 1 vez por semana, fiquei de queixo caído, mas ela falou um NAO bem grande e disse: meu filho é alemao mas nao vai ser porco!
Além de nao tomarem banho, também nao escovam os dentes após as refeicoes, escovam antes de dormir e olha lá, e a maioria tem dente estragado, podre mesmo, e as vezes nem em dente.
Conheci um pedagogo, qdo olhei pro dente dele, tava podre, fiquei muito espantada, como que pode.
Aqui nao depende da classe alta, média ou baixa, TODOS tomam banho 1 vez por semana e olha que os de idade avancada nem sei se tomam banho, e como fedem.
Corro desse povo.
Homem depois que faz sexo nao se lava antes e nem depois, mulher também.
E olha que tem muitos brasileiros que nao tomam banho todos os dias aqui, se justificam falando que a agua é cara.
Posso ficar sem comer mas sem banho eu nao fico!!!
Sem palavras, depois vem em falar de cultural kkkkkkkkkk
Cultura dos porcos, nunca é tarde para aprenderem a boa higiene.
Conheci alemaes porquinhos que depois de ir pra america latina voltaram mais limpinhos, ou menos sujos.
Essa coisa de banho em revolta demais, nao entra na minha cabeca.
Nainglaterra estive perto de Bristol, e fiquei numa republica com 1 polonesa 1 casal de 5o anos ingleses e 1 cara ingles.
Somente quem tomava banho td dia era o cara ingles e a polonesa, e ela ficava coisa de meia hora no chuveiro.
Pessoa limpa é outra coisa.
Jennifer nao sao somente os ingleses que sao tristes, os europeus sao frios e nao tem amor próprio e eu nao sei pq.
Geralmente nao demonstram afeto publicamente mesmo, nao sei de onde vem tanta frieza, e além de frios sao sistemáticos e egoístas.
Tenho pena.
desculpe os erros
tem mt gente no Brasil q tbm ñ toma banhoo, e ñ é por opção e sim por falta de agua…a falta de higiene tbm é um problema serio.. admito, mas creio que os ingleses tem mais opções que os Brasileiros…nós temos mais problemas que eles…ta na cara…penso que devemos parar de ser tão intrometidos…é problema do povo de lá…se eles ñ gostam de tomar banho… problema deless..eles tem direito de optar… assim como a gentee…aquii…
obs: eu gostoo de tomar banho todo dia..3 x ao dia…
cara, vc deveria ter denunciado, que ABUSO!!!! fala sério,..velha fdp.rs
cara vc devera ter denunciado! que absurdo…velha fdp, rs
Paulo, sua experiência não foi única !!! Trocavam a roupa de cama e as toalhas? Nem pensar? Rsrsrsrsrsr Bia
Morei lá 3 meses, em residencia estudantil
Pretendo nunca mais voltar pra Europa, morei com um japones que dizia nao entender os europeus pois os japas curtem banho e bem quente, dei sorte, pois outro brazuca que dividia quarto c frances disse que nao suportava a catinga e o chulé do cara, alem da arrogancia de todo bom europeu
Pois é, e depois os judeus é que são judeus – os muquiranas da História. E os francêses é que são os mal-lavados…
Legal.
ab
Vasqs
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Caro Vasqs:
Esse episódio é impressionante, não é mesmo???
Qto à mesquinhez, estamos de acordo.
Agora, quanto ao mal lavados,… Tem outra historinha que já publiquei no blog, não consegui achar.
Depois eu lhe conto.
Abraços
Paulo Mayr