20/02/2009 - 18:06
Carnaval aí, São Paulo vazia, bons filmes que concorrem ao Oscar em cartaz e… perspectiva de inúmeros aborrecimentos.
Conforme tenho lido em cartas de leitores e, pior, sentido na própria carne, a probabilidade de você ir a um filme e desfrutar do sossego que a situação requer é a mesma de você jogar para o alto uma moeda e ela cair em pé.
Ainda hoje, guia da Folha publica na pág 92 cinco cartas de leitores que foram ao cinema e só encontraram aborrecimentos:
Em uma sala, os aborrecimentos , segundo esses leitores, foram:
• Vizinhos de cadeira comendo pipoca fazendo barulho
• Flashes de celular a todo instante sendo jogados em seus olhos,
• Cadeiras que dão sensação de que se vai cair para trás
Em outra sala:
• Ar condicionado com defeito
• Cadeiras fedidas e furadas ( parece até café 5 fs de padaria vagabunda: fraco, frio, fudido e tem formiga no fundo)
• Péssimo atendimento, e pipoca velha (para incomodar os vizinhos)
Na terceira sala:
• Cheiro de urina misturada com bolor
• Forrações soltas
• Cadeiras ensebadas
• Cadeiras furadas com cigarros
Na quarta e última (graças a Deus, por hoje, pelo menos) sala:
Impossibilidade de ler letreiro pq (é isso mesmo) corrimão da escada fica no meio da tela
Esse problema, segundo o leitor, obrigou a sogra dele a assistir ao filme inteiro inclinada (transformaram a senhora em uma pequena Torre de Pizza Humana. Como diria Billy Blanco, o que dá pra rir, dá pra chorar).
Sádicos que ainda não estejam satisfeitos podem ler outros posts do BOCA NO TROMBONE sobre o mesmo assunto:
http://colunistas.ig.com.br/bocanotrombone/2008/02/07/liberdade-e-uma-coisa-barbarie-e-outra/
http://colunistas.ig.com.br/bocanotrombone/2009/01/13/sem-educacao-infernizando-no-cinema/
Como vai dar para a perceber, um mesmo cinema, aliás bem conceituado, foi alvo de carta de freqüentador insatisfeito na ocasião em que eu escrevi o post anterior e continua causando aborrecimento, segundo relata uma das cartas citadas no começo deste texto.
Boca no Trombone deseja Carnaval com o mínimo de aborrecimentos possível para todos nós; muitos dos quais passamos quase duas horas em filas de banco hoje, apesar de haver a lei de que a espera não pode ser superior a 30 (salvo engano) minutos. Essa lei, como diria minha professora francesa, não pegou.
Autor: bocanotrombone - Categoria(s): Sem categoria
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19/02/2009 - 17:14
Dois albergues, com 49 turistas estrangeiros ao todo, foram assaltados no Rio de Janeiro nos últimos dois dias. Em um dos assaltos, “os turistas foram amarrados e amordaçados pelos ladrões e colocados em um quarto do albergue. Um dos turistas teria sido agredido com uma coronhada na cabeça.” Os assaltantes tinham armas de fogo, faca e até granada. Em ambos assaltos, foram levados dinheiro, cartões de crédito, objetos pessoais e aparelhos eletroeletrônicos.
É mais do que óbvio que a exploração do potencial turístico é das alternativas mais viáveis de que o Brasil dispõe para dar grande salto para um patamar muito mais favorável do que esse em que se encontra.
O México fez isso de forma brilhante. E hoje a indústria do turismo tem peso considerável na economia do país. A fórmula não é complicada. Foi escolhida uma área que, além de praias agradáveis e natureza exuberante, também tivesse sítios arqueológicos importantes. Essa área – Cancun - foi dotada de excelente infra-estrutura hoteleira e urbana e, quase pronto. O quase é que é fundamental.
A segurança de que o turista dispõe em Cancun é total. Ligando os hotéis ao centro, há uma grande avenida. Ônibus de boa qualidade e bom preço percorrem essa avenida. O turista desce em frente ao hotel, a hora que for da noite, e caminha cerca de cem metros. Não há hipótese de ser assaltado. E isso também é mais do que óbvio. Certamente o governo mexicano fez uma campanha mostrando para a população que se um turista estrangeiro fosse morto ou mesmo assaltado seria o mesmo que matar a galinha dos ovos de ouro. Não precisa ser muito inteligente para entender isso. Os mexicanos entenderam e os, brasileiros, muito “espertos”, também hão de entender.
Mas a coisa continua.
Talvez ensinar o povão (e até marginais) nem seja ainda a tarefa mais complicada. Comerciantes e empresários do setor precisam mudar a atitude atual: explorar o turista de tudo quanto é jeito. Os “profissionais” do setor devem pensar assim: “Também vou mandar ver porque esse aí eu sei que não volta mais”.
Estou inventando??? Ora, logo após os atentados do 11 de setembro, quando muitos brasileiros acharam mais inteligente ficar por aqui mesmo durante as férias, o que foi que aconteceu??? Hotéis e empresas aéreas aumentaram suas tarifas o quanto puderam.
Ou seja, ainda tem muita lição de casa para o povo “esperto” e a elite -mais esperta ainda – fazerem!!!
Autor: bocanotrombone - Categoria(s): Sem categoria
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17/02/2009 - 16:38
Em um dos principais cruzamentos de Pinheiros, há uns sete anos, sujeito magro e alto perambulava entre os carros esperando o sinal abrir com uma plaquinha no peito: desempregado há dois meses, peço sua ajuda. Hoje, ele continua no bairro com a plaquinha: dempregado há sete anos, peço sua ajuda. Dizem que ele mora na região, é aposentado, e sua filha tem um Corsa. Se é verdade, não sei.
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No semáforo da República do Líbano em frente ao portão do Parque do Ibirapuera, sou abordado por um homem aleijado que pede dinheiro. Dou-lhe uma moeda de um Real. O sujeito comenta:
- Você sabia que tem muita moeda de um Real falsa??? Essa mesmo que você me deu é falsa!!!
Respondo que não tem problema. Bastava que ele me devolvesse a moeda. Ele diz que não e se afasta.
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Em frente ao supermercado, sujeito aborda mulher, comunica (porque eles comunicam e ponto final) que vai tomar conta do carro e já dá o valor do serviço:
- A senhora me traz um pacote de fraldas descartáveis GG (gg é o tamanho – extra-grande).
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Dr. Breno, fabuloso psicanalista, tinha um exemplo perfeito para ilustrar que muita gente (aliás, muito mais do que se imagina) não consegue aceitar o bom dos outros, ser alvo da bondade alheia.
Ele contava que uma senhora iria receber uma amiga para o almoço. A empregada havia preparado frango assado, com arroz, farofa, batatas douradas e verdura refogada. Acontece que era um frango ligeiramente mais escuro e a convidada só gostava de carne branca. A anfitriã decide fazer um macarrrão na manteiga. Nisso, um mendigo toca a campainha e a dona da casa prepara um belo prato com o frango, todos os acompanhamentos e entrega para o mendigo.
Indignado, o mendigo grita:
- Tá pensando que sou o que para comer urubu???
E, sem titubear, atira o prato no muro da casa.
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Domingo à tarde, no Jardim Europa, uma negra forte, esparramada no chão, chorava copiosamente. Parei para ver o que acontecia. Ela me diz algo assim:
- Preciso de três vezes R$ 30,00 para pagar uma conta senão eu estou perdida, nem sei o que vai me acontecer!!!
Dou para ela R$ 15,00 e, paternalmente, aconselho que continue tentando até completar a quantia e, sentindo-me ligeiramente culpado por ter dado apenas parte do dinheiro, vou-me embora.
Dois domingos depois, a algumas quadras dali, encontro a mesma mulher, de novo esparramada pelo chão e, mais uma vez, chorando copiosamente.
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Em Pinheiros, homem de meia idade maltrapilho está sempre sentado pelas calçadas e esculpindo pequenos violões em madeira rústica. Dizem que ele é advogado. Seu filho foi assassinado em um assalto, salvo engano meu, e ele desistiu de tudo.
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Na Alameda Barros, perto da Angélica, há muitos anos, mulato simpático, Edson, com dificuldade para andar, está sempre por ali. Havia uma comida muito boa, coisa bem produzida, na geladeira de casa. Coloquei em um descartável, o mesmo em que levo alguma comidinha para meu pai e para amigos(as) (afinal, sou gastrônomo – Glutão com dicionário, nas palavras do L.F. Veríssimo), e ofereci para ele. Expliquei que havia feito para mim, mas iria jantar na casa de um amigo. Perguntei se ele queria. Ele respondeu que sim e que levaria a comida para almoçar em casa.
Comentei com meu pai que eu achava imensamente fabuloso o cara ter uma casa ali nas redondezas.
Pois bem, noutro dia à noitinha, vejo o Edson no seu ponto habitual se ajeitando para passar a noite por ali.
O presidente Lula se jacta de as coisas estarem bem melhores para as classes C e D. Gosto do presidente, até acredito nisso. Esse episódio, entretanto, põe pulga atrás de minha orelha.
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Mas também há histórias bonitas e que não são tristes.
Carmosina, simpaticíssima crioula de 50 anos de idade, vende balas de goma no cruzamento da Argentina com a Brasil. Vai passando pelos carros parados que esperam o sinal abrir e cumprimentando um por um, com sorrisos luminosos, todos os motoristas, independente de terem ou não comprado suas balas. Já foi passadeira e até pedinte quando os filhos eram pequenos. Ela explica a razão de seu sorriso: “A alegria é coisa que Deus nos deu. Se tiver tristeza, a tristeza leva a gente para o buraco. Já a alegria dá amigos para a gente”. Deve ser verdade, já que de todos os motoristas que ela saúda, muitos retribuem carinhosamente sua simpatia cumprimentando-a e se despedindo dela quando o sinal abre.
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Fim de tarde gelado. No farol da Groelândia, a menina descalça vem vender biju. “Um é dois e dois é quatro”, diz na janela do carro. Com lógica, e chatice inerente, argumento que se um custa dois, logo, dois custam quatro. E com carinho, apesar da lógica, peço dois e lhe dou quatro cruzeiros (é cruzeiro mesmo, a história se passou há muitos anos). Ela me dá três saquinhos de biju. O sinal ainda vai demorar para mudar. Quero devolver um saquinho. Insisto. Ela abre um sorriso lindíssimo, diz que quer me dar um biju. Desaparece. Nunca mais a vi. Mas aquele momento de fascínio não sairá da minha mente nem do meu coração.
Autor: bocanotrombone - Categoria(s): Sem categoria
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13/02/2009 - 11:20
A decisão da promotoria britânica de não processar um único policial pela morte do Brasileiro Jean Charles de Menezes, confundido com terrorista, ocorrida no metrô de Londres em 2005, deixa claro um paradoxo.
Até há alguns anos, era motivo de orgulho e índice de alto grau de civilização/urbanidade o fato de os policiais ingleses não portarem armas de fogo. Essa mesma polícia, em pleno século 21, usa a velha técnica dos personagens de filmes do Velho Oeste americano – primeiro atira para perguntar depois – e tudo acaba em pizza – perdão, em scramble eggs – certamente escrevi errado – (ovos mexidos – aliás, até que bem razoáveis para os padrões gastrônomicos deles).
Autor: bocanotrombone - Categoria(s): Sem categoria
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10/02/2009 - 16:19
Filas são propícias para lamentos e lamúrias. Como costumo dizer, meta-chateação: enfrentar coisa chata, falando de coisa mais chata ainda. Mas, às vezes, dá para se divertir.
Professora primária de 85 anos, com inúmeros cursos de especialização, aposentada (aposentadoria de R$ 1.500,00 mensais), enquanto esperava para ser atendida no Caixa de Terceira Idade do Banco hoje, no Itaim Bibi, sintetizou bem a coisa nesse nosso mundo de celebridades e big-brothers da vida: “ no meu tempo, o que valia eram o caráter e a cultura. Agora, o que vale é dinheiro e sexo.” A velhinha deve estar certa, tanto assim que existe até uma piada que deixa clara a coisa.
O sujeito queria escolher, entre três mulheres, qual seria a melhor companheira. Deu para cada uma delas: R$ 10.000,00.
A primeira gastou todo o dinheiro comprando coisas para si própria. A segunda gastou metade do dinheiro em presentes para o namorado e metade em roupas da moda para ela e a última despendeu os R$ 10.000,00 em fabuloso presente para o namorado.
Pergunta:
- Com qual delas o namorado ficou???
Resposta:
- Com a que tinha a bunda mais bonita.
Adaptando Vinicius para a lógica descartável de hoje: as feias que me desculpem, mas as popuzudas são fundamentais.
Autor: bocanotrombone - Categoria(s): Sem categoria
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