Arquivo de fevereiro, 2008
29/02/2008 - 17:03
Domingo tem Corinthians e Palmeiras. Uma historinha, cultura de almanaque, para você contar para os amigos na hora do jogo.
Meados da década de 70. Domingão ensolarado no Morumbi lotado, minutos antes de começar o jogo, jornalista corinthiano solta no campo um Porco vestindo a camisa do Palmeiras.
A partir de então, todo mundo quando queria se referir ao Palmeiras, ao invés do nome do clube, dizia Porco. Os palmeirenses, que no início se revoltavam, decidiram a assumir a brincadeira e a se auto-denominarem Porco.
Em tempo, sou corinthiano, mas não tenho nada contra o Palmeiras. Já São Paulo, Santos…são paulinos, santistas….
Autor: bocanotrombone - Categoria(s): Sem categoria
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25/02/2008 - 16:59
O sonho nos gabinetes de Brasília, incluindo no do presidente da República, é com crianças de escolas públicas de todo o país usando seus lap tops individuais. Dezenas e dezenas de milhões de computadores. Mas a realidade do ensino brasileiro está a anos luz disso. Anos Luz mesmo!!!
Dedicadíssima professora de Escola Estadual de São Paulo, na tentativa de incrementar suas aulas e despertar o interesse dos alunos, tem por hábito preparar folhas com exercícios e distribuir em classe.
Faça agora um brutal esforço de imaginação para adivinhar como essas folhas são produzidas. Esforce-se um pouco mais. Tenho certeza de que você não chegou nem perto.
Terminou o tempo!!!
Muitos fins de semana, em casa, ela coloca folhas de estêncil em sua máquina de escrever e datilografa os exercícios. Você não sabe o que é estêncil e suponho não ter capacidade de explicar. Assim, colo o verbete do meu Aurélio Eletrônico.
“Folha de papel recoberta por substância gelatinosa e gravada ou perfurada por estilete ou por máquina dactilográfica, de jeito que, ao passar entre um rolo de tinta e uma folha de papel em branco, nesta reproduz fielmente as letras ou desenhos traçados; matriz.”
Tradução livre: trabalho desumano, extemporâneo, absurdo, estressante, já que não se pode cometer qualquer erro. Isso sem contar que a pessoa, ao fim de poucos minutos, fica azul, literalmente azul da tal da tinta. Mas a missão da nossa heroína ainda não terminou. Em seguida, ela coloca o tal do estêncil no mimeógrafo e imprime a astronômica quantia de… 32 cópias (uma para cada aluno).
Famoso dramaturgo brasileiro, para mostrar o ritmo alucinante de seu trabalho de colocar um capítulo por dia de novela no ar, disse, em palestra em meados dos anos 70 (quase quarenta anos atrás), que já escrevia direto no tal do famigerado estêncil.
Dramaturgo sempre ganhou muito bem e sujou seus dedinhos a preço de ouro há infinitos anos. Agora, permitir que dedicadas professoras trabalhem, fora do expediente, em condições da pré-história, em pleno século 21, é absolutamente inconcebível, verdadeira barbárie.
Governadores, prefeitos, secretários e Ministro da Educação estabeleçam e destinem verbas por decreto para que, enquanto não chegam os tais computadores de 100 dólares, todas as escolas sejam obrigadas a ter ao menos um computador, com programa de texto, naturalmente, e uma impressora.
Em tempo, a dedicada professora não dá aula em escola da margem esquerda do afluente do Rio Amazonas. Ela trabalha bem próximo ao Shopping Morumbi.
Autor: bocanotrombone - Categoria(s): Sem categoria
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12/02/2008 - 14:34
Três assuntos: trote, mudança de empresa de telefonia sem perder o número e piadinha sobre capacete de motociclista.
Trote:
Nas ruas próximas às faculdades, sempre nos começos de semestres letivos, cena absurda se repete. Motoristas são abordados por meninas e meninos bonitos com rostos pichados que pedem um dinheirinho.
Não dá para acreditar que Universitários do século 21 ainda acham engraçado/divertido colocar colegas calouros para ficar perambulando entre carros, ambulantes e mendigos em nome de uma brincadeira absolutamente extemporânea, inoportuna e de mau gosto.
Amigos me dizem que personalizo muito meus textos, mas não posso deixar de usar frase minha sobre o assunto:
O que se pode esperar de um país cujos jovens universitários obrigam seus colegas calouros a disputar esmolas com mendigos nos semáforos?
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O número do telefone, finalmente, será do Assinante
Assisto ao Jornal Nacional, com freqüência em companhia de competentíssimo administrador de Fundo de Ações. Milionário, por talento/esforço próprio, trata-se de uma das pessoas mais low profile (discreta) que existe. Há uns quatro anos, quando começaram a ser oferecidas diversas opções de empresas telefônicas, ele saudou a novidade durante o noticiário. Comentei com ele que de quase nada adiantaria para mim e para todos os cidadãos. Avisar amigos e clientes da mudança do número é trabalho hercúleo, praticamente impossível. Ele explicou:
- Isso só acontece no Brasil. Nos outros países, o assinante/ o cidadão é o dono do número. Ele leva esse número para a empresa que ele quiser. Nos Estados Unidos há pessoas que a cada dois meses mudam de companhia telefônica.
Já se passaram alguns anos dessa minha conversa e, ao que parece, essa medida que foi anunciada ontem no Jornal Nacional só vai valer para todos os brasileiros a partir de março de 2009. Isso, como dizia uma francesa, minha professora na Aliança, se essa lei pegar, porque, segundo ela, aqui no Brasil algumas leis pegam e outra não.
Resta-nos rezar!!!
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Capacete sem Selo do Inmetro -
A obrigatoriedade do selo do Inmetro nos capacetes de motociclista no país, em vigor há quase um mês, foi suspensa. Minha professora explicaria: essa lei não pegou.
Para divertir e mostrar que não sou mal humorado, afinal o que dá pra rir dá pra chorar, como já disse Billy Blanco, uma piadinha a respeito:
A mulher ficou entalada na privada. Gritou um pouco e quando percebeu que o zelador ouvira e já estava abrindo a porta de entrada, para atenuar o constrangimento, pegou o capacete do marido que estava no banheiro e se cobriu.
Solícito, o zelador tranqüiliza a mulher e, ao mesmo tempo, informa:
- A senhora pode ficar sossegada. Vou pegar as ferramentas, chamar um colega e vamos tirar a senhora daí.
Agora, o motoqueiro, o motoqueiro já era!!!
Autor: bocanotrombone - Categoria(s): Sem categoria
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07/02/2008 - 16:47
As salas de cinema e de teatro cumprem a lei e antes do início de cada sessão informam a respeito de hidrantes, saídas de emergência e da proibição de fumar. Solicitam ainda que a platéia permaneça em silêncio, desligue os celulares, e não faça barulho.
Acontece que a falta de educação e a falta de respeito pelo próximo imperam e essas solicitações de nada adiantam. A platéia imagina que quando os atores estão em silêncio é a deixa para bater papo com o amigo, namorada e começa a conversar com se estivesse em uma sala de visitas, no mesmo volume de voz, inclusive. Muitos esquecem de desligar o celular e, acreditem, atendem o celular sem a menor cerimônia. Nessa selva, certamente o búfalo (elemento grosseiro, verdadeiro bárbaro, no mau sentido) que se limita a mandar jatos de luz no olho do vizinho a cada dois minutos para verificar quem ligou, considera-se verdadeiro príncipe, de tão educado.
Um conhecido meu que freqüenta círculos endinheirados atribui a falta de educação ao fato de as crianças não serem mais educadas pelas mães e sim pelas babás. Sendo ou não as babás responsáveis, o certo é que abusos continuados não podem ser admitidos. Vítimas de uma barbárie rapidinha (rapidinha pra barbárie é curioso, né???; rapidinha combina muito mais com substantivo imensamente mais saboroso) todos nós somos o dia inteiro e a maioria nem se dá conta. Agora, agüentar o búfalo ao seu lado durante duas horas, conversando, fazendo barulho com papel de bala e de pipoca, mandando jatos de luz no seu olho a cada cinco minutos, apesar de acontecer em todas as sessões de cinema e de teatro, é demais e deveria ser mesmo proibido.
Curioso que numa época em que seguranças imensos fardados de ternos pretos circulam por todo lugar o tempo todo, nas salas de cinema não exista um único funcionário para reprimir e até mesmo expulsar aqueles que incomodam. Se for complicado explicar para o segurança o que incomoda, basta fazer que ele assista àquele filminho de proibições que já existe e dar autoridade para ele expulsar da sala quem estiver desobedecendo o que diz o filminho.
Saída mais divertida também existe, mas julgo que não fará o menor efeito. Alguma cadeia de cinema poderia lançar um concurso para escolher o roteiro de um filme/animação de um ou dois minutos que ridicularizasse ao máximo esses bárbaros que tanto incomodam nos cinemas e nos teatros. O autor do roteiro premiado teria a produção do filme e honorários bancados pelo promotor do concurso. A cada tantos meses, poderia ser produzido um novo filme com o mesmo intuito. Para baratear a coisa, uma ou mais cadeia de salas de cinema/teatro poderiam patrocinar essa iniciativa.
Esse filme seria exibido sempre antes do início de cada sessão. Segurança de terno preto do tamanho de um armário estaria de prontidão em todas as sessões apenas para lembrar que o filminho é para valer. Aliás, deve fazer parte do roteiro do filme que o anúncio é sério e um segurança está ali para provar isso.
Não me venha ninguém dizer/escrever que minha idéia é de ditador, de nego autoritário, de cara mal humorado. Quem me conhece sabe que não sou nada disso. O que sugiro é o mínimo dos mínimos. E digo mais, sem querer ser megalomaníaco: algum órgão do governo, ligado à educação, deveria até me mandar um email agradecendo pelo texto.
Autor: bocanotrombone - Categoria(s): Sem categoria
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