Crédito x Garantia de Aplicação Financeira
Caros Empreendedores,
Outro dia um amigo deste Blog perguntou o que eu achava da seguinte situação: o banco oferece uma linha de crédito para a empresa, mas pede como garantia uma aplicação financeira que você (pessoa física) fez no próprio banco (um CDB). As minhas considerações:
- Isto ocorre com uma certa frequência, porque o Comitê de Crédito do banco não concorda em aprovar a linha sem garantias que tenham alta liquidez, i.e. se a empresa não paga o empréstimo o banco vai e executa a garantia, que é caixa no própria banco – o mundo perfeito…para o banco.
- Este tipo de operação tem o seguinte perfil econômico: você recebe menos do que 9% a.a. (dada a SELIC de hoje) pela aplicação que fez no banco e paga, no mínimo, 25% a.a. pelo crédito que está tomando no mesmo banco.
- Em outras palavras, é um péssimo negócio. Se você tem o dinheiro, use-o no seu projeto ao invés de deixá-lo rendendo pouco enquanto você paga caro pelo mesmo dinheiro (e ainda o oferece em garantia!). É o que chamamos de “arbitragem negativa”.
- Isto pode ser válido se você precisa de um empréstimo de longo prazo, o que é muito (!) difícil de se obter. Ainda assim, é uma arbitragem negativa.
- Muita gente inteligente gosta de deixar dinheiro aplicado em CDBs e continuar tomando empréstimo. Fazem isso porque preferem ter líquidez, para momentos de crise. Apesar de fazerem a tal arbitragem negativa, faz (algum) sentido para empresas muito grandes, que pagam juros baixos e tem poder de barganha para receber juros mais altos nas suas aplicações. Mas estas não precisam oferecer a aplicação em garantia!
- Este tipo de operação é ILEGAL para o caso de operações com o BNDES. E em operações convencionais também não é absolutamente transparente. Eu já vi de tudo nesta vida, tipo: o tomador do crédito sabe que vai quebrar amanhã e manda o advogado desbloquear a aplicação hoje…e já vi o banco sacar o dinheiro da conta da empresa antes disso. Enfim…se vai tudo bem é um mal negócio financeiro para a empresa e se vai tudo mal é um inferno jurídico.
- A operação também tem risco para você, vide o caso do finado Banco Santos. Muita gente pedia dinheiro para aquele banco, mas a aprovação era condicionada à aplicação de parte do dinheiro emprestado em uns títulos bizarros do próprio banco no exterior. O banco quebrou e estas empresas continuaram devendo para a massa falida, mas não viram mais a cor do dinheiro aplicado.
Eu não gosto desta estratégia.
Abraços + sucesso!
Fernando