Crédito: sonho ou pesadelo?
Caro Empreendedor,
Este é um tema-chave na vida de qualquer empresa, em especial das recém-nascidas ou pequenas.
E eu tenho uma boa experiência no assunto, pois trabalhei com crédito em bancos e seguradoras durantes mais de 20 anos - e agora toco um Instituto que trata de…crédito. Portanto, posso afirmar sem medo de errar: para quem lida direito com o crédito ele realiza sonhos, mas quem o trata de forma amadora tende a ter pesadelos.
Algumas regras importantes:
- Negócio novo – empreendimento -, no Brasil, deve ser fortemente bancado por capital próprio ou, como se diz lá fora, pelo capital de family and friends (família e amigos) que confiam na sua competência. O espaço para crédito na largada do seu negócio é limitado. Custa muito caro e o seu negócio é cheio de incertezas e você não precisa de mais dor de cabeça. Eu acho (e todos os bancos também) que vale a pena esperar um pouco mais, juntar mais dinheiro (poupando ou com sócios), estudar melhor o negócio e só lançá-lo quando depender pouco de bancos para tal.
- A melhor forma para financiar o seu negócio é através de fornecedores (seja na compra de máquinas e equipamentos ou para o capital de giro). Como eles têm interesse em vender para você, também terão interesse em lhe dar prazo. Ou não…
- Os bancos têm restrições a emprestar muito - com prazo mais longo e sem garantias – para pequenas empresas. Eles tendem a preferir emprestar para você, na sua pessoa física. Por que? Porque ninguém pode mudar de CPF, mas o festival de fraudes com o CNPJ traz muitos prejuízos para os bancos.
- Adequação do crédito – a regra é clara: dinheiro para expansão do negócio (reformas, máquinas, etc.) deve vir de linhas de longo-prazo (e de preferência do BNDES) e nunca de linhas de curto-prazo (e.g. desconto de duplicatas, conta-garantida, etc.); dinheiro para o giro, para o dia-a-dia, este sim deve vir destas linhas de curto prazo.
Mas vamos ao pulo do gato, i.e. como obter mais (e melhor) crédito de bancos, fornecedores, factoring, etc.:
- Seja transparente com os seus financiadores, i.e. apresente suas demonstrações financeiras com frequencia (2 vezes por ano), envie relatórios sobre suas atividades (e.g. vendas, faturamento), o planejamento do ano seguinte (orçamento), etc. Também é de bom tom trazer o pessoal dos bancos para visitar a sua empresa. Tudo isso os tornará mais seguros sobre: (a) a solidez do seu negócio, (b) a sua seriedade, (c) o seu profissionalismo.
- Não deixe para tomar empréstimo - ou para pedir prazo extra para pagar as contas - no desespero, quando o afogamento é iminente. Ninguém vai querer se afogar abraçado com você. Planejamento de caixa é o nome do jogo aqui.
- Aumente o número de bancos com que trabalha. Isto poderá ser útil para você por duas razões: (a) a sua empresa não ficará na mão de ninguém, (b) demonstrará que você não é dependente de um (ou dois) banco(s).
- A meta é que em um dado momento você tenha mais oferta de crédito do que necessita e, só então, poderá barganhar com mais força e reduzir as taxas que paga.
Vamos falar muito sobre este assunto por aqui.
Abraços + sucesso!
Fernando