Publicidade

quarta-feira, 28 de julho de 2010 Crédito | 19:58

Crédito x Garantia de Aplicação Financeira

Compartilhe: Twitter

Caros Empreendedores,

Outro dia um amigo deste Blog perguntou o que eu achava da seguinte situação: o banco oferece uma linha de crédito para a empresa, mas pede como garantia uma aplicação financeira que você (pessoa física) fez no próprio banco (um CDB). As minhas considerações:

  • Isto ocorre com uma certa frequência, porque o Comitê de Crédito do banco não concorda em aprovar a linha sem garantias que tenham alta liquidez, i.e. se a empresa não paga o empréstimo o banco vai e executa a garantia, que é caixa no própria banco – o mundo perfeito…para o banco.
  • Este tipo de operação tem o seguinte perfil econômico: você recebe menos do que 9% a.a. (dada a SELIC de hoje) pela aplicação que fez no banco e paga, no mínimo, 25% a.a. pelo crédito que está tomando no mesmo banco.
  • Em outras palavras, é um péssimo negócio. Se você tem o dinheiro, use-o no seu projeto ao invés de deixá-lo rendendo pouco enquanto você paga caro pelo mesmo dinheiro (e ainda o oferece em garantia!). É o que chamamos de “arbitragem negativa”.
  • Isto pode ser válido se você precisa de um empréstimo de longo prazo, o que é muito (!) difícil de se obter. Ainda assim, é uma arbitragem negativa.
  • Muita gente inteligente gosta de deixar dinheiro aplicado em CDBs e continuar tomando empréstimo. Fazem isso porque preferem ter líquidez, para momentos de crise. Apesar de fazerem a tal arbitragem negativa, faz (algum) sentido para empresas muito grandes, que pagam juros baixos e tem poder de barganha para receber juros mais altos nas suas aplicações. Mas estas não precisam oferecer a aplicação em garantia!
  • Este tipo de operação é ILEGAL para o caso de operações com o BNDES. E em operações convencionais também não é absolutamente transparente. Eu já vi de tudo nesta vida, tipo: o tomador do crédito sabe que vai quebrar amanhã e manda o advogado desbloquear a aplicação hoje…e já vi o banco sacar o dinheiro da conta da empresa antes disso. Enfim…se vai tudo bem é um mal negócio financeiro para a empresa e se vai tudo mal é um inferno jurídico.
  • A operação também tem risco para você, vide o caso do finado Banco Santos. Muita gente pedia dinheiro para aquele banco, mas a aprovação era condicionada à aplicação de parte do dinheiro emprestado em uns títulos bizarros do próprio banco no exterior. O banco quebrou e estas empresas continuaram devendo para a massa falida, mas não viram mais a cor do dinheiro aplicado.

Eu não gosto desta estratégia.

Abraços + sucesso!

Fernando

Autor: Fernando Blanco Tags: ,

sábado, 24 de julho de 2010 Organização | 17:11

Parabéns! Você é CEO, CFO, COO, CIO….CTUDO!

Compartilhe: Twitter

Caro Empreendedor,

A presença do anglicismo (http://pt.wikipedia.org/wiki/Anglicismo) na comunicação empresarial vem crescendo rapidamente no Brasil.  Há uns 10 anos, presidente era presidente, diretor era diretor, e por aí seguia. Agora, fala-se muito em:

  • CEO (ou Chief Executive Officer) = Presidente
  • CFO (ou Chief Financial Officer) = Diretor Financeiro
  • COO (Chief Operations Officer) = Diretor de Operações
  • CIO (Chief Information Officer) = Diretor de Tecnologia

E você, meu caro empresário de pequeno porte, é tudo isso numa pessoa só! E isso é uma pedreira para você, para mim ou para o lendário executivo Jack Welsh, da GE! Em geral, altos executivos de grandes corporações, acostumados a terem várias equipes (com gente muito senior) à sua volta, seriam o maior fracasso se tivessem  que fazer tudo que você faz…sozinho (ou quase). Por outro lado, geralmente, o empreendedor faz tudo sozinho e tem dificuldade para delegar tarefas mais complexas – e muito menos decisões – para os outros.

Notaram? São duas propostas de gestão opostas, antagônicas. Cada uma pretende adequar-se aos diferentes perfís de empresa. Em outras palavras: ninguém seria capaz de gerenciar uma empresa como a GE (presente em mais de 100 países e com 304 mil funcionários) sozinho. Da mesma forma, a sua empresa não teria como pagar salários e gratificações por performance (bônus”) para 3 ou 4 diretores e 30 altos gerentes como aqueles que trabalham em grandes corporações.

Então está tudo certo e é assim que deve funcionar o mundo dos negócios? Não, longe disso! A solução está no meio do caminho! Eu não entrarei no mérito do funcionamento (certo ou errado) das grandes empresas, mas darei sugestões sobre como a sua empresa pode melhorar:

  • Empresas grandes tem Estrutura Organizacional (i.e. Organograma, Departamentos), Reuniões Semanais/Mensais/Semestrais para discutir resultados, problemas, projetos, etc. A sua empresa, seja lá de que tamanho for, deve fazer a mesma coisa.

  • Mesmo que você seja responsável por todas as “caixinhas” do Organograma, é importante você enxergar claramente quais são os seus papéis e se organizar.
  • Fixe horários na sua agenda semanal para resolver questões específicas de cada área que você dirige. E se tiver outros profissionais envolvidos nestas áreas, chame-os para a reunião.

Exemplos do que fazer nas suas reuniões internas:

  • Reunião Administração & Finanças: avalie as suas dívidas, os bancos com quem trabalha, capital de giro, fluxo de caixa (pagamentos, recebimentos, investimentos), seguros, questões administrativas gerais, contabilidade, etc.
  • Reunião Comercial: planejar ações comerciais com novos clientes, avaliar projetos em andamento, revisar produção por vendedor/por unidade/por produto, etc.
  • Reunião de Operações: analisar e decidir sobre manutenção, novas obras, aquisição de máquinas e equipamentos, novas unidades, etc. Avaliar novos processos (de produção, estoques, distribuição ou de vendas, se for um comércio).
  • Reunião de RH: traçar metas para os seus funcionários, avaliação de performance, tratar de assuntos gerais de pessoal (discplina, horários de trabalho, turnos, prestadores de serviços como folha de pagamento e bancos, etc.), terceirização e terceirizados, política de treinamento, promoções, etc.
  • Reunião de TI: análise de projetos de novos sistemas e da performance dos atuais, assim como sobre os atuais parceiros de TI da empresa.
  • Reunião Marketing: discutir estratégia de mercado, eventuais propaganda e promoções, ações de mídia (assessoria de imprensa), material de divulgação (folders, etc.). A lista é longa…
  • Reunião do Jurídico: discuta questões societárias, procurações, ações (contra você ou suas contra outros), etc.

Este organograma, estes departamentos e suas reuniões são, claramente, um exagero para uma pequena ou micro empresa, mas o post procura deixar…claro…que você precisa organizar seus horários e prioridades igualzinho às empresas grandes.

Abraços + sucesso!

Fernando

Autor: Fernando Blanco Tags: , , ,

quarta-feira, 21 de julho de 2010 Crédito | 21:08

Crédito: sonho ou pesadelo?

Compartilhe: Twitter

Caro Empreendedor,

Este é um tema-chave na vida de qualquer empresa, em especial das recém-nascidas ou pequenas.

E eu tenho uma boa experiência no assunto, pois trabalhei com crédito em bancos e seguradoras durantes mais de 20 anos - e agora toco um Instituto que trata de…crédito. Portanto, posso afirmar sem medo de errar: para quem lida direito com o crédito ele realiza sonhos, mas quem o trata de forma amadora tende a ter pesadelos.

Algumas regras importantes:

  • Negócio novo – empreendimento -, no Brasil, deve ser fortemente bancado por capital próprio ou, como se diz lá fora, pelo capital de family and friends (família e amigos) que confiam na sua competência. O espaço para crédito na largada do seu negócio é limitado. Custa muito caro e o seu negócio é cheio de incertezas e você não precisa de mais dor de cabeça. Eu acho (e todos os bancos também) que vale a pena esperar um pouco mais, juntar mais dinheiro (poupando ou com sócios), estudar melhor o negócio e só lançá-lo quando depender pouco de bancos para tal.
  • A melhor forma para financiar o seu negócio é através de fornecedores (seja na compra de máquinas e equipamentos ou para o capital de giro). Como eles têm interesse em vender para você, também terão interesse em lhe dar prazo. Ou não…
  • Os bancos têm restrições a emprestar muito - com prazo mais longo e sem garantias – para pequenas empresas. Eles tendem a preferir emprestar para você, na sua pessoa física. Por que? Porque ninguém pode mudar de CPF, mas o festival de fraudes com o CNPJ traz muitos prejuízos para os bancos.
  • Adequação do crédito – a regra é clara: dinheiro para expansão do negócio (reformas, máquinas, etc.) deve vir de linhas de longo-prazo (e de preferência do BNDES) e nunca de linhas de curto-prazo (e.g. desconto de duplicatas, conta-garantida, etc.); dinheiro para o giro, para o dia-a-dia, este sim deve vir destas linhas de curto prazo.

 Mas vamos ao pulo do gato, i.e. como obter mais (e melhor) crédito de bancos, fornecedores, factoring, etc.:

  • Seja transparente com os seus financiadores, i.e. apresente suas demonstrações financeiras com frequencia (2 vezes por ano), envie relatórios sobre suas atividades (e.g. vendas, faturamento), o planejamento do ano seguinte (orçamento), etc. Também é de bom tom trazer o pessoal dos bancos para visitar a sua empresa. Tudo isso os tornará mais seguros sobre: (a) a solidez do seu negócio, (b) a sua seriedade, (c) o seu profissionalismo.
  • Não deixe para tomar empréstimo - ou para pedir prazo extra para pagar as contas - no desespero, quando o afogamento é iminente. Ninguém vai querer se afogar abraçado com você. Planejamento de caixa é o nome do jogo aqui.
  • Aumente o número de bancos com que trabalha. Isto poderá ser útil para você por duas razões: (a) a sua empresa não ficará na mão de ninguém, (b) demonstrará que você não é dependente de um (ou dois) banco(s).
  • A meta é que em um dado momento você tenha mais oferta de crédito do que necessita e, só então, poderá barganhar com mais força e reduzir as taxas que paga.

 Vamos falar muito sobre este assunto por aqui.

Abraços + sucesso!

Fernando

Autor: Fernando Blanco Tags: , , ,

terça-feira, 20 de julho de 2010 Empreendedorismo, Recursos Humanos | 20:08

Empresa = Gente, Pessoas…

Compartilhe: Twitter

Caros Empreendedores,

Todo negócio começa com a combinação de uma visão com um sonho. É algo muito particular, seu mesmo, mesmo que tenha um sócio junto neste sonho.

Porém, tirando esta fase super primária da concepção do seu negócio, em todas as demais fases do desenvolvimento da sua empresa você terá que conviver com – e depender de – pessoas! Portanto, ser empreendedor (ou empresário, de qualquer porte ou setor) significa ser especialista em gente, em ser humano.

É lógico que o seu produto ou serviço são importantes, que a marca é importante, que a tecnologia também é, e que vender é fundamental, etc. Mas são pessoas que operam tudo isso – incluindo a sua pessoa.

Vamos então tentar organizar estas relações humanas também:

  1. Empreendedor (dono, sócio) - a primeira recomendação aqui é: tome conta da sua saúde! Se você não estiver bem a sua empresa não estará bem. A segunda recomendação é: gerencie a sua vida particular, i.e. família, amigos e hobbies. Por mais que a empresa esteja te consumindo muito, nunca deixe que isso afete, principalmente, o seu relacionamento familiar.
  2. Seus funcionários -  anotem aí: funcionário feliz é funcionário produtivo. O tema é longo, mas fiquemos, por enquanto com as seguintes sugestões: (a) sempre se coloque no lugar do seu funcionário antes de cobrar tarefas impossíveis ou de dar uma bronca pesada, (b) autoridade é bom e (quase) todo mundo lida bem com isso, mas totalitarismo não funciona (c) procure inspirar seus funcionários, fazendo com que eles te vejam como um líder que os guiará rumo ao sucesso e não apenas como mais um patrão, (d) construa um ótimo ambiente de trabalho, remunere com justiça e promova o crescimento profissional da equipe, (e) seja exemplar: dê o exemplo de conduta, premie o funcionário que se destaca e não permita que más práticas se reproduzam – dê feedback sobre o que está em desacordo, treine a pessoa, seja justo e, se não funcionar, dispense.
  3. Seus Clientes – sem eles a sua empresa não tem razão de existir e, portanto, trate-os como gostaria de ser tratado. Todo mundo gosta de ser surpreendido positivamente e detesta o ser negativamente: pratique isto. Torne o seu mantra! E como clientes são seres humanos (mesmo que você venda para um CNPJ gigantesco, tem um CPF do outro lado da linha), cada um é de um jeito (i.e. é seduzido por agrados diferentes e tem tolerâncias diferentes para situações diferentes) – a mensagem é: não existe solução padrão, pois não existe cliente padrão…porque não existe ser humano padrão.
  4. Seus Fornecedores – se você for grande, trate os pequenos como gostaria de ser tratado; se você é pequeno trate os grandes bem, porque você sempre pode melhorar as condições negociais, de crédito, de entrega, etc. Assim como ocorre no caso dos clientes, cada um é de um jeito e não adianta querer todo mundo igual. Aprenda a entender o que motiva cada um deles e trabalhe em cima disso.

Todos nós (empresários, empregados e parceiros comerciais) passamos 10, 12 horas por conta da nossa atividade profissional – e isso é muito tempo!. Ela precisa ser, portanto, prazeirosa e gratificante. Busquemos isto para nós mesmos e ofereçamos isto para aqueles que nos cercam.

Mais detalhes à frente!

Abraços + sucesso,

Fernando

Autor: Fernando Blanco Tags: , , ,

domingo, 18 de julho de 2010 Empreendedorismo | 17:27

“Eu sou pobre, mas sou limpinha”

Compartilhe: Twitter

Caros Empreendedores,

Neste post inaugural, gostaria de resgatar uma frase engraçada – mas profunda – que era dita pela excelente comediante Claudia Rodrigues, do finado programa Sai de Baixo, da Rede Globo: “Eu sou pobre, mas sou limpinha”, dizia a doméstica Sirene, personagem interpretada por Claudia.

A lógica profunda desta frase é a seguinte: bons hábitos de higiene e até de bom gosto (no se vestir, por exemplo), não deveriam ser exclusivos das classes média e alta.

E o que isto tem a ver com o seu negócio? Tudo!

Empresas de grande porte têm sistemas de controle financeiro,  produção, recursos humanos, vendas, entre outros. Estas empresas também têm suas diversas funções empresariais (compras, produção, vendas, marketing, finanças  etc.) estruturadas em departamentos, com hierarquia definida e profissionais especializados na gestão. Também procuram seguir boas práticas de governança, separando claramente poderes e finanças entre executivos e acionistas.

E a média, pequena e microempresa (as “PME”), será que fazem igual, ou sequer parecido? A regra é…não. Muito poucas implementam tais procedimentos – e não é por acaso que são as mais bem sucedidas. Então, a proposta deste blog é que a empresa PME seja “pequena mas organizada!” - pelo fim da empresa desorganizada!

Calma, não estou sugerindo a aquisição de muitos sistemas, caros e complexos. Muito menos a contratação de um exército de funcionários. A solução é mais simples do que pode parecer. Falaremos sobre isto a partir de hoje.

Vamos juntos!

Autor: Fernando Blanco Tags:

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. Última