A relação entre pagamento de impostos e o crédito
Caros – poucas fatos econômicos me parecem tão evidentes – e tão sem volta – do que o aperto que os orgãos de fiscalização tributárias (Receita Federal, Estadual, Municipal…). As Receitas estão com um arsenal computacional gigantesco, com mais auditores fiscais e mais vontade de reduzir a sonegação fiscal no país.
E se por um lado este aperto talvez não chegue no mundo empreendedor diretamente, certamente chegará por conta dos seus grandes clientes e fornecedores, pois estes já estão sob rígido controle e não serão tão tolerantes como costumavam ser.
Tributos e crédito bancário – bancos não tem papel nem vocação para fiscalizar se os seus clientes pagam seus tributos em dia. Por outro lado, muitas empresas cuja relação com o Fisco é conturbada são pouco transparentes com os bancos (e financiadores em geral), talvez por acreditarem que os seus balanços e informações mais ‘íntimas’ cairão nas mãos dos inspetores da Receita. Isto não acontece. Ponto.
Na verdade, o que nenhum financiador gosta é falta de transparência, porque isto gera incerteza sobre a real condição financeira do tomador do crédito. A consequência disso é que quanto mais fechada for a empresa-cliente, maior será a probabilidade do banco concluir que “tem coisa errada nesta empresa”.
E como o leitor deste blog já sabe:
- Quanto maior for a desconfiança, menor será a linha de crédito aprovada
- Quanto menor for a linha aprovada, menor será o poder de barganha do cliente
- Quanto menor for o poder de barganha, maior será o juro cobrado!
E o que os impostos têm a ver com isso? Sempre que um financiador – um banco, por exemplo – desconfiar (ou souber, de fato) que a empresa-cliente trabalha com alta informalidade, que tem um grande passivo contingente com o Fisco (que poderá ser autuada pelo Fisco a qualquer momento), aumentará a percepção de risco que este banco terá da qualidade do crédito desta empresa.
De novo, bancos não tem preconceito contra sonegadores – nunca vi um banco se posicionar publicamente sobre isso. Mas é obvio que o financiador se assustará e se retrairá sempre que identificar a possibilidade de uma empresa e seu empresário terem problemas sérios com os orgãos de fiscalização tributária (por exemplo, multas elevadas, prisão, etc.).
Em outras palavras, pagar seus impostos corretamente ajuda a reduzir os juros pagos pelos seus empréstimos e financiamentos, simplesmente porque os bancos reconhecerão que o risco da empresa é melhor/menor e as linhas aumentam – e com isso aumenta o poder de barganha. Mas, atenção, não basta pagar os impostos: tem que comunicar isto para os seus bancos!
Concluindo, este post não visa fazer apologia a favor de quem paga impostos ou contra quem sonega. A coisa aqui é demonstrar a relação entre crédito e tributos.
Abraços,
Fernando
5 comentários | Comentar
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5 Sonia Guimaraes 15/02/2011 12:09
Caro Fernando,
Sou professora de fundamentos de economia, e concordo plenamente contigo, a população brasileira não tem o hábito de planejar como utilizar sua renda. O mais dificil é o jovem entender o quanto é importante compreender os rumos da conjuntura economica, e principalmente, o quanto estão pagando de juros ao financiar seu primeiro carro, contando apenas com o valor da prestação, conforme a sua “renda”.
Abs, Sonia.
4 carlos 13/02/2011 19:14
O governo devia se equipar para coibir a corrupiçao,desvios de dinheiro de nossos impostos,enchugar a maquina estatal e fazer uma reforma tributaria cobrando impostos justos.
Para os empresarios pagarem seus empostos e contra partida terem escolas para seus filhos hospitais decentes e funcinarios publicos cumprimdo com seus deveres para com toda a sociedade.
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2 jumprica 13/02/2011 12:17
Hoje, o governo tem nas mãos (no momento em que ele quiser) todas as informações que precisa para achar os sonegadores, basta cruzar os dados de CNPJ e CPF das empresas e empresários. Os nossos grandes problemas são:
=> Pagamos muito imposto (direto e indireto);
=> As taxas de juros são exorbitantes, mesmo quando somos considerados bons pagadores.
1 Joel 13/02/2011 10:47
Caro Fernando,acho que você deve estar sabendo de algo que vem por ai e esta fzendo marola com essa história.
Fernando Blanco 13/02/2011 20:22
Quem me dera saber coisas especiais…eu só sei o que a vida me ensinou (com um bocado de suor…): quem demonstrar ser de alto risco tem pouco poder de barganha na área de crédito. Reduzir a percepção de risco que os bancos tem do seu negócio é a única forma para reduzir os juros pagos. Abs, F.