Sociedades… | Seu Negócio

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domingo, 31 de outubro de 2010 Empreendedorismo, Sócios | 14:20

Sociedades…

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Caros – este post é por conta de uma pergunta/comentário que o Valdinei acabou de fazer neste post antigo ( http://colunistas.ig.com.br/blogdoseunegocio/2010/07/31/socios-ter-ou-nao-ter-e-como/). Ele tem dúvidas sobre se deve ficar sócio de um amigo, num negócio que já tem dois anos. Meus pontos:

1. Sociedade, seja lá com familiares, amigos ou estranhos, é uma loteria sem igual. E é parecido com casamento (e casamentos acabam mal aos montes, mas nem por isso deixamos de nos casar, certo?!). Por mais que conheçamos o futuro sócio (seja amigo, esposa, marido, filho, etc.), não sabemos como este se comporta no dia-a-dia de um negócio. E as pessoas se comportam de forma diferente quando atuam em papéis diferentes. Em outras palavras, uma esposa maravilhosa pode ser um pesadelo como sócia e o mesmo vale para o melhor amigo. Pior, nem nós sabemos como funcionamos no dia-a-dia de uma sociedade até que experimentemos esta situação – e o Valdinei era funcionário e está querendo experimentar a vida de empreendedor, o que será novidade para ele.

2. Ser sócio de alguém numa empresa que está começando é um tremendo desafio. Juntar-se a um sócio e comprar um negócio que já existe há tempos é duas vezes mais complicado, porque você nunca tem certeza dos problemas que vai encontrar.

3. Agora, entrar na sociedade de uma empresa que já tem um dono há anos é três vezes mais complicado. Vamos aos detalhes:

  • Assim como acontece no item 2 acima, você nunca sabe o real estado da empresa. Ela pode ter dívidas (fiscais, trabalhistas, bancárias, com ex-sócios, locador, fornecedores, etc.). Ela pode estar dando prejuízo ou lucrando menos do que lhe foi contado. A lista de encrencas possíveis é longa.
  • No lado da administração, do dia-a-dia, o atual dono já tem seu jeito de tocar o negócio – isto é aquilo que chamamos de “vícios”. E aí vem o sócio-novato com suas idéias, querendo dar palpite na produção ou na forma de vender. Pior, pode desconfiar que algo está errado na administração e querer entender melhor as coisas. O risco do sócio fundador se ofender e o clima entre os dois azedar é gigantesco.

Em suma, então eu sou contra que alguém como o Valdinei se associe a alguém que já é dono de uma empresa há dois anos? Não, longe de mim, mas como ele pediu a minha opinião eu preciso apontar todos os pontos complicados deste caso, para que ele reflita e tome a melhor decisão.

Reflexões:

1. Você leva jeito para empreender? Tem tolerância para incerteza e risco? Emprego é chato, mas o salário tende a pingar na conta-corrente todo mês, chova ou faça sol. Quando se empreende, a entrada de caixa é uma suposição enquanto as despesas a pagar são uma certeza.

2. Você convive bem com a divisão de poder? Por exemplo, em casa, com seus irmãos ou marido/esposa. Se você tem esta tendência de querer mandar em tudo ou gosta de ter o seu ponto de vista sempre vitorioso…é melhor não ter sócios! A mesma preocupação vale para a situação oposta: pessoas pacatas demais (ou omissas, que é pior…) também não devem ter sócios, pois tendem a ser lesadas, uma vez que deixam tudo na mão do outro…

3. “Sócio-chefe”: é o caso típico de quando nos associamos a alguém que já toca um negócio há anos e, ainda por cima, quando entramos como minoritários, i.e. o sócio-antigo tem mais ações do que o sócio-novato. No fim das contas, ele manda mais que você, o que gera a mais indigesta das situações: você não é empregado da empresa, mas tem um chefe. Tem que ter flexibilidade, jogo-de-cintura (e estômago) para conviver com isso.

4. As personalidades – o jeito de ser, os valores pessoais – batem? Se você é um de jeito e o sócio é de outro muito diferente, as chances de sucesso são mínimas, salvo se houver muita maturidade entre as partes, para entender que a complementaridade é boa para os negócios. Mas se forem dois machos-alfa (http://pt.wikipedia.org/wiki/Alfa_(biologia), as chances são bem pequenas mesmo…

Conselhos (gratuítos, portanto, sejam cuidadosos…) – antes de fechar negócio e desembolsar 1 centavo faça o seguinte:

1. Seja de uma franqueza irritante – quase ofensiva - com seu futuro sócio…afinal, se houver problema é melhor que ele se torne um futuro-ex-sócio agora! Deixe bem claro o que você tolera e, principalmente, o que não tolera no dia-a-dia de uma relação profissional. Exemplo: “Sou super certinho e não tolero gente desorganizada e…” – ou vice-versa. Demonstre claramente suas forças e suas fraquezas – e pergunte as dele -, pois todo ser humano detesta surpresas negativas e ter suas expectativas frustradas.

2. Faça um “due-diligence” profissional! Este termo ‘chic’ é frequentemente usado nas operações de fusões e aquisições de grandes empresas, mas serve para negócios de qualquer porte. É como se fosse uma auditoria e significa o seguinte: você precisa pesquisar a vida da empresa e do seu sócio e descobrir se ambos têm dívidas que possam estrepar a sua vida por tabela! Recomendo que você use um advogado amigo ou um contador (igualmente amigo) para esta tarefa. Se grandes bancos e grandes empresas utilizam-se destes serviços, recomendo que você não tente fazer tudo sozinho…Aproveite para pedir relatórios internos sobre o faturamento, as despesas, os planos de investimentos que ele possa ter, etc. Enfim, saiba da história e dos projetos futuros.

3. Governança: este outro termo ‘chic e moderninho’ do mundo dos negócios significa que você deve combinar – em detalhes – com o seu futuro sócio como será a gestão do negócio após a sua entrada. Exemplos: quem aprova as despesas, quem tem poder para tomar dívidas, como se discute os resultados mensais da empresa, como e com qual frequência os sócios podem fazer retiradas, etc., etc. A lista pode ser longa e eu sugiro que vocês a detalhem…para evitar aborrecimentos futuros!

4. Faça suas contas direitinho, i.e. não enfie toda sua poupança num negócio desconhecido, correndo o risco de perder considerável parte dela se as coisas não funcionarem direito. Depois que se enfia a grana numa sociedade que tem problema (ou que venha a ter problemas) fica muito difícil recuperar alguma coisa no curto-prazo.

Concluindo, o bom de se entrar num negócio que já existe e que vai (aparentemente!) bem é que o risco inicial foi corrido por outra pessooa e que as imensas barreiras iniciais foram superadas. O lado ruim é todo o resto, que espero ter abordado acima.

Agora é trabalhar duro e ter um tanto de sorte!

Abraços + sucesso,

Fernando

Autor: Fernando Blanco Tags: ,

7 comentários | Comentar

  1. 7 Pintura Industriais 22/12/2010 9:18

    também adorei as dcas, são boas mesmo.
    http://www.cjijaguariuna.com.br

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  2. 6 Chopp Kremer 05/11/2010 15:32

    concerteza muito legal esse blog

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  3. 5 soares 04/11/2010 19:28

    muito bom. se algum dia pensar em sociedade vou tambem pensar no que lí aqui

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  4. 4 Yzhak 02/11/2010 1:52

    Acompanho o blog desde o início e preciso dar minha visão.

    Tenho uma empresa desde 2002 que sempre cresceu muito bem financeiramente. Nunca tive sócios.

    Em 2008, um grande amigo meu me chamou para uma parceria compartilhando o mesmo escritório, alguns funcionários e custos em uma cidade vizinha.

    Na negociação, acertei com ele que ele faria o gerenciamento de 3 funcionários meus em troca de uma porcentagem nas vendas.

    De início, achei bem interessante, pois ele sempre me falou que estava muito bem financeiramente com a empresa dele.

    Somente depois de 3 meses, percebi que a situação financeira dele era bastante instável.

    A remuneração que eu pagava a ele estava servindo para cobrir todos os custos do escritório e nada do que foi acordado quanto ao gerenciamento dos funcionários estava sendo feito por ele, e sim ainda por mim. A minha secretária já não fazia função nenhuma na minha empresa se eu não estivesse no escritório, sendo sempre deslocada para a empresa dele na minha ausência.

    Conclusão.
    Desfiz a parceria depois de 4 meses antes que os atritos e os prejuízos aumentassem. Larguei e deixei tudo pra lá. Demiti todos os meus funcionários daquele escritório.
    Tive coragem para falar que eu estava infeliz e que preferia parar alí e continuar só com a amizade.
    Com todos os investimentos, perdi cerca de 1 mês de faturamento bruto, mas considerei tudo um grande aprendizado.
    Não estudei todos os prós e contras da parceria e descobri que as pessoas mentem muito sobre a vida dos seus negócios.

    É imperativo que se estude tudo tudo tudo sobre a empresa e a vida pessoal do sócio. Muita gente faz um marketing pessoal excelente, mas não consegue gerenciar bem a própria vida.

    Abraço ao excelente Fernando Blanco.

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  5. 3 Tweets that mention Sociedades… | Seu Negócio -- Topsy.com 01/11/2010 22:15

    [...] This post was mentioned on Twitter by IDCC, iG Economia. iG Economia said: Blog do Seu Negócio: Sociedades… http://bit.ly/a32Syj [...]

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  6. 2 odilon 01/11/2010 16:14

    Muito oportuno estes comentários, Parabens…. Valeu

    Responder
  7. 1 Alexandre L. 01/11/2010 14:32

    Ótimas dicas!

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