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19/05/2009 - 10:21

Perigosa matemática da CPI da Petrobras

Nunca é demais lembrar aquela velha história da instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Caso PC Farias, no governo Fernando Collor de Mello. Coordenador político do governo, Jorge Bornhausen, do PFL, era considerado então uma das maiores raposas políticas do país. Depois deixou de sê-lo, mas naquela época era visto assim. E vaticinou que a CPI daria em nada porque os governistas tinham maioria mais que absoluta na comissão. O então deputado Benito Gama, designado presidente, não só era do PFL como era braço direito do ultragovernista Antonio Carlos Magalhães. Mas nada disso adiantou. Desandou o controle sobre a comissão de tal forma que até Benito Gama acabou desobedecendo a ACM. E Collor foi cassado.

De outro lado tem a CPI dos Bingos. Lembra? Foi instalada em junho de 2005 para investigar a atuação do ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz com a máfia dos bingos. Acabou apelidada de CPI do Fim do Mundo, porque passou a investigar todo tipo de denúncia que surgia contra o governo, já fragilizado pelo mensalão. A CPI partiu dos bingos para a suposta ligação entre o assassinato do prefeito Celso Daniel (PT) e o esquema de financiamento de campanhas; as possíveis irregularidades na Prefeitura de Ribeirão Preto durante a gestão de Antonio Palocci; a suposta doação de casas de bingo ou a remessa de dólares vindos de Cuba para a campanha de Lula, entre outros casos. Quando parecia que ia acabar com o mundo, terminou mesmo dando em nada. CPIs são assim: imprevisíveis.

Daí dizer-se, no meio político, que se sabe como começam as CPIs, mas não dá para prever como elas vão terminar. Essa CPI da Petrobras não foge à regra. Pode virar uma verdadeira CPI do Fim do Mundo. Mas pode também tornar-se uma embolada sem solução. Os governistas mais otimistas acham que a CPI vai dar em nada. Contam nos dedos uma maioria confortabilíssima: dos 11 membros da comissão, só três serão designados pela oposição (PSDB mais DEM) e os restantes oito senadores com direito a voto virão de partidos governistas: três do bloco liderado pelo PMDB, três do bloco do PT, um do PTB e um do PDT. Então, o governo pode dormir tranquilo? Nada disso.

O primeiro problema é o PMDB. Dos 19 senadores do partido, 15 disputarão a eleição de 2010, nove deles contra o PT. O líder do partido, Renan Calheiros (AL), deve indicar a si mesmo como um dos membros da comissão. E ele está em conflito aberto com o PT. Renan simplesmente não fala com o líder petista, Aloizio Mercadante (SP), nem com o ex-líder Tião Viana (AC). Ontem, Lula teve que nomear Ideli Salvatti (PT-SC) como líder do governo no Congresso a pedido de Renan. O líder do PMDB, veja só, disse a Lula que Mercadante defendia para o cargo um nome do PDT, Osmar Dias (PR), mas que o PMDB só aceitava Ideli Salvatti, uma das únicas no PT com quem Renan mantém bom relacionamento. Osmar Dias não deve estar muito satisfeito de ter sido caroneado. E vale lembrar: ele é irmão de Álvaro Dias (PR), o tucano que apareceu com o requerimento de criação da CPI.

Além disso, tem a Bahia. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, vinha sendo cogitado como forte candidato ao Senado pelo PT baiano. Então, os três senadores do Estado devem acorrer à CPI: João Durval (PDT), ligado ao mefistofélico ministro peemedebista Gedel Vieira Lima, Cesar Borges (PR), vindo das hostes de Antonio Carlos Magalhães, e o próprio filho de ACM, Antonio Carlos Júnior (DEM). Gente demais querendo a caveira do homem.

Se ocorrer o voto contrário de dois dos baianos, a maioria governista de oito a três viraria seis a cinco. Como no PTB há dois nomes que podem fazer de tudo – Fernando Collor de Mello (AL) e Romeu Tuma (SP) – o voto contrário de um deles pode inverter o placar para seis a cinco a favor da oposição. Isso acreditando que Renan Calheiros, por exemplo, fique com o governo até o final da história.

Sinceramente, não creio que a virada vá ocorrer, porque governo é governo. E este, especialmente, é um governo forte. Mas o exercício de matemática acima está sendo feito por todos os partidos. Governistas e oposicionistas de todas as cores que tentam se aproveitar de CPIs para esticar a corda ao máximo e arrancar o que puderem do governo. Administrar essa gente não é fácil. Às vezes desanda.

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18/05/2009 - 16:39

Aécio nega acordo com Serra e ameaça sair do PSDB

A propósito dessa história de acordo para ser vice de José Serra, a assessoria do governador tucano de Minas Gerais, Aécio Neves, acaba de soltar a degravação de uma entrevista na qual ele nega veementemente tal acordo. Diz até que seria prejudicial para o PSDB.  Aécio parece mesmo irritado com a história. Tanto que, no próprio release, volta a estimular especulações sobre deixar o partido.

Veja só o texto:

“Aécio Neves

Quero dizer em primeiro lugar da minha alegria de estar recebendo aqui hoje a direção e grande parte da bancada do Partido da República. O PR é um aliado desde o primeiro instante do primeiro momento do nosso governo em Minas Gerais, tem nos ajudado a construir esse novo modelo de gestão em Minas Gerais, e vem aqui de forma muito generosa com o seu presidente Sérgio (Tamer), seu líder, Sandro Mabel, seus deputados de vários estados brasileiros, o seu presidente local, o companheiro Clésio, enfim, um gesto de muita generosidade, de reconhecimento a Minas, de reconhecimento ao trabalho conjunto que nós estamos fazendo aqui, e acho que é mais próprio nesse instante, ouvir o presidente do partido, o líder da bancada na Câmara, que podem talvez com mais fidelidade falar da razão da visita.

Mas eu quero dizer que estou extremamente feliz com o gesto de generosidade do Partido da República de estar aqui conversando sobre o futuro. E na verdade, nos estimulando a uma caminhada.

Governador, o senhor podia antes falar com a gente, tem ou não tem acordo?

Na verdade, eu não sabia que eu estava gerando tantas preocupações em tantas pessoas, para uma invencionice dessa. Se há algum acordo, esqueceram de me avisar. Lamento até que o jornalista não tenha tido o cuidado de pelo menos buscar ouvir a outra parte.

Não existe absolutamente nada nessa direção, e vou além: acho que qualquer negociação ou qualquer construção de uma chapa de um só partido, qualquer que seja esse partido, ela não tem eficácia eleitoral e acho que ela tem uma grande dose de presunção. Acho que não faz bem ao PSDB. Não há hipótese de isso ocorrer. O PSDB, no momento em que definir o seu candidato, ele deve buscar aliados e construir com aliados a chapa e o programa de governo. Portanto, isso é uma invencionice; na verdade, uma grande piada.

De onde surgiu isso? É pressão dos tucanos paulistas, governador?

Não sei de quem, mas acho que é desinformação. Se alguém tem algum interesse de plantar isso, essa pessoa é que tem que responder. Eu recebo essa notícia como uma grande piada.

O senhor tem um encontro hoje com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?

Tenho, ele está vindo fazer uma palestra aqui e vai pernoitar aqui, vai dormir aqui hoje.

Sandro Mabel

Essa visita nossa ao governador Aécio Neves é que no Partido da República, que nós também chamados de PR, “partido de resultados”, nós entendemos que o Brasil não pode ficar numa disputa democrática como vai se ter na Presidência da República, privado de se votar num líder que nem o Aécio, que nós entendemos ser uma pessoa que fez uma gestão importante no Estado.

O nosso presidente em Minas, o Clésio Andrade, foi vice-governador na sua primeira gestão, o ajudou, e a bancada mineira tem sempre comentado o trabalho que é feito em Minas. Nós também conhecemos isso olhando pela imprensa e conhecemos um pouco mais profundamente pelos relatos que a bancada faz. Por isso, o Partido da República, através dos 23 deputados que vieram aqui hoje, da nossa bancada, nosso senador, nosso presidente do partido, e nosso presidente aqui de Minas, nós entendemos que o Aécio, em algum momento, se ele achar importante disputar uma eleição, e achar que no PSDB não existe espaço para isso, nós achamos que a democracia precisa construir esse espaço, e o PR vem exatamente convidá-lo ou deixar as portas abertas, se ele quiser exercer essa democracia, dando oportunidade de os brasileiros conhecê-lo, e também votar nele, o nosso partido está à disposição para que ele possa amanhã vir a ser candidato ou disputar uma eleição pelo nosso partido. Logicamente é uma visão, que eu volto a dizer, de um partido que tem a visão de desenvolvimento, e que é a marca do Aécio também. É um partido que tem uma visão progressista e por isso também a marca do Aécio.

Então nós temos aí essa conjugação, e a bancada mineira dentro do nosso partido tem um peso muito grande. Então, meu governador, tenha a certeza de que o Partido da República está com as portas abertas, à disposição da democracia, para o Brasil poder conhecê-lo melhor e quem sabe o senhor ser o nosso presidente da República.

Então não vai ser por falta de partido que ele não vai ser candidato?

Eu acredito que não, até porque eu penso que não é só o PR que gostaria de tê-lo como candidato. Mas o PR é um partido que também está se colocando a essa disposição, por essa identidade que nós temos de trabalho.

Sérgio Tamer – Presidente nacional do PR

Sobre a reunião.

Estamos aqui com o governador Aécio Neves para dizer que a agenda nacional que ele está construindo é um fato nacional muito positivo na política brasileira e estamos nos integrando a esta agenda, em função da pontuação dos assuntos que estão sendo colocados e que estamos juntos nesta caminhada na construção dessa agenda nacional.

Quais são os pontos principais dessa agenda que o PR quer construir?

Nós entendemos que a modernização social do Brasil é muito importante neste momento e estamos então fazendo essa caminhada em direção ao futuro para que a modernização social do Brasil seja num futuro próximo uma realidade.

Isso significa que entre Aécio e Serra, o PR fica com o Aécio?

Isso significa que estamos construindo essa agenda, nos colocando à disposição do governador Aécio na construção dessa agenda nacional e dizer que esta caminhada é muito importante para a política brasileira.

Aécio Neves

O senhor pode mudar de partido?

Como eu disse inicialmente, é um gesto de muita generosidade, que eu recebo com minha alegria. Tenho muitos amigos no Partido da República, companheiros no Congresso Nacional e acho que é talvez o resultado de uma trajetória, uma trajetória que não se iniciou agora, e vejo muita convergência de pontos de vistas, falamos da refundação da federação, de políticas de desenvolvimento regional, um passo além dos programas de transferência renda. São ideias que percebemos aqui que são também do Partido da República.

É muito mais fácil você construir um projeto com pessoas que pensam as mesmas coisas e que têm as mesmas prioridades. Obviamente, tenho que estar avaliando todas essas colocações, mas é um estímulo muito grande. O que eu posso dizer é que essa visita muito representativa, com mais de vinte parlamentares de vários estados brasileiros, é um grande estímulo.

Continuarei fazendo o que tenho feito, discutindo projetos para o país e vou deixar as invencionices, as plantações para os outros. Eu vou continuar trabalhando como tenho feito até aqui e, no momento certo, vamos tomar a decisão.

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18/05/2009 - 10:49

Será que Aécio fechou mesmo acordo para ser vice de Serra?

Resolvi reproduzir a notícia abaixo porque considero o Kennedy Alencar um excelente repórter. Mas, sinceramente, custo a acreditar. Vamos esperar até agosto ou setembro (não é muito tempo), já que a reportagem diz que é por essa época que eles confirmarão o acordo.

Veja,  o texto do Kennedy:

Aécio fecha acordo para ser vice de Serra

http://1.bp.blogspot.com/_Wwxj2ZlN4pg/SXecqEBn_XI/AAAAAAAAAkw/iuBjmIClCHc/s400/serra+fuzil.jpg

KENNEDY ALENCAR
colunista da Folha Online

Os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, fecharam um acordo para as eleições de 2010. O principal articulador foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Segundo integrantes da cúpula do PSDB, esse entendimento deverá ser anunciado em agosto ou setembro, enterrando a possibilidade de uma prévia entre os dois potenciais candidatos ao Palácio do Planalto. Por ora, haverá negativas, mas, nos bastidores, o acerto foi concluído.

Serra lidera as pesquisas. E terá 68 anos em outubro de 2010. Será sua última tentativa de conquistar a Presidência. Ele precisa do apoio de Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país. Sem Aécio, Serra se enfraqueceria.

O governador paulista fará todos os gestos para dar a Aécio uma saída honrosa. Haverá um ritual de retirada da pré-candidatura mineira. Aécio terá holofotes e a palavra dada de Serra de que possuirá um pedaço importante do eventual governo federal.

Aécio resistia a ser vice, mas pesaram alguns conselhos de FHC e uma avaliação do governador mineiro sobre o atual quadro político. Em primeiro lugar, Serra tem mais cacife nas pesquisas. Dificilmente esse cenário mudaria até a hora da definição. Se Serra precisa de Aécio, Aécio precisaria de Serra para vencer.

FHC foi explícito numa conversa com o governador mineiro: uma eventual derrota para o PT poderia abrir a perspectiva de deixar o PSDB fora do poder central por 16 anos. Afinal, um presidente do atual campo governista poderia ser candidato à reeleição. O ex-presidente disse a Aécio que a eventual derrota tucana também seria debitada na conta dele. Falou claramente que ele seria cobrado.

O governador mineiro tinha a intenção de ser candidato ao Palácio do Planalto com respaldo informal de Lula. Mas o presidente da República deixou claro que o projeto Dilma Rousseff era para valer. A opção lulista pela ministra da Casa Civil enfraqueceu a possibilidade de Aécio contar com esse aval informal.

Por último, Aécio poderia desistir e ser candidato a senador. O atual estado do Senado mostra muito bem como anda a coisa por lá. José Sarney que o diga. O peemedebista acha que entrou numa fria. Um Aécio senador não seria presidente da Casa de forma fácil.

Melhor, aconselhou FHC, seria negociar com Serra uma fatia de poder real e o compromisso de acabar com a reeleição e instituir o mandato presidencial de cinco anos. Serra topou. Se vai entregar se ganhar a Presidência, são outros quinhentos.

*

Fator Dilma

A incerteza política gerada pelo tratamento de saúde de Dilma contribuiu para o acerto entre Serra e Aécio.

*

Pior cenário

No cenário de derrota de Serra, Aécio ficaria sem mandato. Aos 50 anos em outubro de 2010, seria o primeiro da fila no PSDB para concorrer à Presidência ou, no mínimo, poderia tentar o governo mineiro ou o Senado em 2014. Idade e peso político para todos esses cargos ele tem de sobra.

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13/05/2009 - 21:53

Serra e Lula em clima de paz e amor 2

Viu a bela foto acima — do meu amigo Sérgio Lima, da Folha — documentando encontro de Lula, Dilma e Serra numa solenidade hoje?

Pois é, repito aquilo que disse em 12 de janeiro, num post com outra foto intitulado:

Serra e Lula em clima de paz e amor

Um prócer do PMDB alertou-me para a foto acima, da Agência Estado, que está circulando na internet. O presidente Lula participou na manhã de hoje da abertura da 36ª Couromoda -Feira Internacional de Calçados, Artigos Esportivos e Artefatos de Couro e brincou com a imprensa, ameaçando o pessoal com uma sapatada. A curiosidade é o sorriso do José serra ali atrás. O clima mais que ameno, de franca amizade.

José Serra, como se sabe, é o governador de São Paulo e mais que provável candidato do PSDB à sucessão presidencial. O peemedebista aponta a foto como mais um indício de que Lula, na verdade, age como FHC agiu nas eleições de 2002. O candidato oficial dos tucanos era Serra, mas até hoje muita gente crê que FHC torceu por Lula. Agora a candidata formal de Lula deve ser a ministra petista da Casa Civil, Dilma Roussef. Mas tem gente desconfiando de que ele torça por Serra.

Sei lá… Essa gente é muito maldosa. O Lula e o Serra são apenas bons amigos!

Brincadeiras à parte, o fato é que não interessa nem ao Lula nem ao Serra se tratarem mal. Serra não quer briga com Lula, porque estão altos, altíssimos os índices de popularidade do presidente. Lula não quer briga com Serra porque há o risco real de o governador se eleger presidente. E não interessa a Lula ter um clima ruim com seu sucessor.

Até prova em contrário, continuo acreditando que essa é a hipótese mais provável.

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12/05/2009 - 10:00

Tucanos em paz por algum tempo

O ninho tucano é talvez,  hoje, o mais curioso ambiente da política no país. É frequentado por alguns dos mais educados e brilhantes políticos da atualidade, como o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso e os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, só para citar alguns nomes. Mas é onde se trava, provavelmente, a maior batalha intrapartidária do momento: a disputa entre Serra e Aécio para saber quem será o candidato do PSDB a presidente. E aí – não se iluda o leitor ou eleitor! – a batalha é cruel. Como toda guerra política, com intrigas, ressentimentos, histórias de traições, palavrões de bastidores, alianças difíceis de explicar.

Assim vinha o clima no tucanato, com os aliados de Serra seguros de que Aécio exigia prévias até setembro porque se preparava para deixar o partido, caso fosse derrotado, até outubro, prazo limite de filiação a outra legenda estabelecido pela Justiça Eleitoral  para quem quer concorrer às eleições de 2010. O próprio Aécio jogava lenha nessa fogueira, flertando ora com o PMDB, ora com o PSB. Seus aliados diziam cobras e lagartos de Serra e, mais tarde, até mesmo de Fernando Henrique Cardoso, depois que o presidente começou a dar sinais de preferência pelo governador de São Paulo. Mais: a disputa entre os estados de São Paulo e de Minas entrou como um ingrediente explosivo nessa guerra, com ares até de secessão federativa.

Mas, agora, quem circular pelo tucanato verá que os ânimos estão menos exaltados. Há um certo clima de paz. E o que fez isso? Foi um encontro entre Serra e Aécio, no fim de abril, em que os dois acertaram aquilo que no Congresso se chama acordo de procedimentos: já que não dá para fechar um acordo definitivo, estabelece-se um acordo em torno dos procedimentos a serem adotados por ambas as partes até o momento da disputa. E qual foi o acordo de procedimentos entre Serra e Aécio? Foi o seguinte: Serra aceita, enfim, que as prévias definirão o candidato do PSDB a presidente, não mais as pesquisas eleitorais ou qualquer outro critério. E Aécio aceita que as prévias ocorram depois de outubro, o tal prazo de desfiliação. Ficaram lá para janeiro ou fevereiro do próximo ano.

– Acho que a relação entre os dois está equacionada, e isto tranquilizou muito o partido. Na verdade, o Aécio deu uma demonstração de grande fidelidade ao PSDB, espantando os fantasmas de que poderia deixar o partido – explica o líder dos tucanos no Senado, Arthur Virgílio Netto (AM).

Isso quer dizer que Arthur vai votar em Aécio (afinal, ele e Serra nunca foram muito afinados pessoalmente)? O senador responde:

– Vou votar naquele que mais ajudar o PSDB a vencer as eleições. Hoje, meu voto vai para o Serra, porque ele está na frente nas pesquisas. Mas o Aécio aceitou deixar as prévias para depois porque acredita que, até lá, também estará bem nas pesquisas de opinião. Se ele estiver melhor que o Serra, voto nele. A coisa ficou assim: vamos parar de fofocas e deixar tudo caminhar naturalmente. Quem melhor se estabelecer até o início do ano que vem é quem será ungido candidato.

Nessa hora lembrei que o próprio Arthur Virgílio vinha se dizendo pré-candidato às previas para presidente. Desistiu? Aí o senador gaguejou um pouco, mas respondeu:

– Na verdade, nunca achei que venceria o Serra ou o Aécio. Coloquei meu nome para forçar que o partido não decidisse esse assunto numa reuniãozinha de meia dúzia de membros da cúpula, o que resultou no fracasso das últimas eleições presidenciais para o PSDB. Nesse sentido, já alcancei parte dos meus objetivos com o anúncio das prévias. Agora, para retirar definitivamente meu nome, basta que um dos dois se mostre verdadeiramente interessado e inteirado dos problemas da minha região, a Amazônia. Com profundidade.

E, aí, Virgílio liga a metralhadora:

– A verdade é que nem o Serra, nem o Aécio demonstraram preocupação real com o tema. Nem eles, nem qualquer outro pré-candidato a presidente têm um conhecimento sobre o tema que vá além de uma consulta rápida ao Google. Estão brincando com fogo. O mundo está de olho na Amazônia e, se o Brasil continuar alheio, acaba que a região vai virar um protetorado da Organização das Nações Unidas. E o pior é que nem o meu partido, nem o Serra nem o Aécio despertaram para o tema.

Coisas da política

tales.faria@jb.com.br

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05/05/2009 - 10:43

Em entrevista, Suplicy diz que pensa sair candidato a governador

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) tem um jeito meio devagar de falar e de gesticular, o que faz com que muitos de seus interlocutores pensem até que ele é meio bobão. Mas de bobo Suplicy não tem nada. Aliás, diz-se em Brasília que não há bobos no Congresso. Se o leitor quiser ter uma ideia de como está antenado o senador, basta conversar um pouco com ele, por exemplo, sobre as eleições de São Paulo. Você ouvirá que a situação está em aberto na política do estado, especialmente dentro do PT, e que ele próprio ainda não decidiu se será candidato a governador. Na linguagem política isso quer dizer o seguinte: Suplicy está estudando detidamente a hipótese. Tanto que tem até um levantamento de potenciais adversários dentro do partido. Ele conta 13 nomes logo de saída:

– A Marta (Suplicy, sua ex-mulher e ex-prefeita da capital) e o senador Aloizio Mercadante são dois candidatos naturais. O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci é o predileto do presidente Lula, segundo foi revelado pelo Mercadante. Mas há outros nomes fortes. O ministro Fernando Haddad, da Educação; o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia; o prefeito de Osasco, Emílio de Souza; o ex-prefeito de Guarulhos Eloi Pietá; o Edinho Silva, que foi prefeito de Araraquara duas vezes; o prefeito de São Bernardo e ex-ministro, Luiz Marinho; o José Felipe, prefeito de Diadema; o deputado federal José Eduardo Cardoso, que é secretário-geral do PT; o presidente nacional do partido, deputado Ricardo Berzoini; e até o deputado José Genoino, que passou por problemas mas foi presidente nacional do PT. Todos são nomes muito fortes para concorrer ao governo do Estado.

– Mas o senhor também é um nome muito forte

– De fato, de todos esses nomes, se formos considerar qual teve a maior proporção de votos no Estado, sou um nome. É um dado de realidade. Em 2006, fui reeleito senador com quase 9 milhões de votos, 47,8% do eleitorado.

– O senhor poderia até disputar com a ministra Dilma Rousseff a indicação para candidato a presidente.

– Nesse caso, já tivemos uma longa conversa, na qual a ministra se mostrou empolgada com o meu programa Renda Básica pela Cidadania. Eu respondi que, estando ela assim tão empolgada em levar a ideia adiante, eu declarava meu apoio formal à sua candidatura. Informei ao presidente Lula, em janeiro, num voo entre Brasília e São Paulo, que não seria pré-candidato a presidente e que estou engajado na campanha da ministra. Ou seja, nós estamos nos entendendo muito bem. Profundamente.

– Então é mais um dado a favor de sua candidatura ao governo?

– Sinceramente, está tudo em aberto. Tudo em aberto. Não tomei qualquer decisão. Agora, realmente muitas pessoas têm me procurado insistindo que devo ser candidato. Veja aqui, por exemplo, tenho este e-mail de um ex-aluno que é vereador em Barra Bonita. Ele diz: “É chegada a sua hora de assumir o governo de São Paulo”. O argumento é de que, como governador, posso ajudar melhor a ministra Dilma na implantação do projeto Renda Básica da Cidadania. Recebi uma pesquisa de um eleitor, feita por e-mail, em que uma boa parte das pessoas defende que eu continue como senador, pois meu mandato vai até 2015. Mas outra parte defende com ardor que eu concorra ao governo. Tenho amigos que dizem até que devo começar a ampliar o leque de assuntos para tratar da campanha. Não falar só no Renda Básica.

– E para onde o senhor está pendendo?

– Olha, estou conversando, conversando muito. Pretendo falar com todos no PT que podem ser candidatos ou que têm algum tipo de participação no processo. Ter um diálogo com todas essas pessoas.

– Inclusive a Marta?

– Sim. Inclusive a Marta. No ano de 2000, pediram-me que eu fosse candidato a presidente, mas aliados da Marta argumentaram que eu não anunciasse isso, para não atrapalhar sua candidatura à prefeitura. Deixei para anunciar só depois que ela se firmou. E fiz campanha por ela. Em 2004, também, quando a Marta foi candidata à reeleição. Em 2006, não coloquei meu nome para governador, e ela disputou a vaga com o Mercadante. Em 2008, também a apoiei. Agora está tudo em aberto.

Coisas da Política: tales.faria@jb.com.br

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03/05/2009 - 17:29

La Gloria, epicentro da polêmica

Deu hoje no Jornal do Brasil: “Moradores de vila mexicana afirmam que contaminação ambiental provocou mutação do vírus”

É muito interessante. Veja só:

Epicentro da gripe suína, La Gloria é um pequeno povoado do México onde 3 mil moradores vivem com medo. Não apenas do vírus A( H1N1), mas de autoridades ligadas às Granjas Carroll, uma empresa americana-mexicana que se aproveitou do tratado de livre comércio do Nafta para se instalar no interior do México depois de ser proibida, em 1997, de atuar nos Estados Unidos por danos ao meio ambiente e à saúde. Na área de Perote, no estado de Veracruz, as Granjas Carroll engordam cerca de 1 milhão de porcos para exportação por ano. A céu aberto ficam as chamadas “lagunas de oxidação”, que exalam gás metano e, denunciam os moradores, são responsáveis por doenças que flagelam crianças, adultos e idosos da região.

A transnacional, o secretário de Saúde de Perote, Manuel Lila de Arce, e outras autoridades locais negam as acusações – expostas pelo colunista Mauro Santayana na edição de sexta-feira do JB. Mas um repórter do jornal mexicano El Milenio esteve na região na semana passada e constatou: os moradores de La Gloria respiram, o dia inteiro, um fétido odor proveniente dos criadouros dos porcos – são 200 chiqueiros na área – e enxames de moscas infestam as casas das famílias.

Os criadouros de Xoltepec e Quechulá ficam de 8 a 11 km do vilarejo de La Gloria. Suas lagunas de oxidação têm cor avermelhada, devido à quantidade de dejetos fecais suínos lançados na água. A decomposição gera gás metano, que sobe para a atmosfera e deixa o ar de toda a região contaminado. Ao lado das lagunas de oxidação encontram-se os chamados biogestores, onde são jogados os porcos mortos por doenças ou ferimentos. A única proteção da fossa é uma tampa de metal. A putrefação é uma fonte de contaminação e proliferação das moscas que, empurradas pelo vento, chegam até La Gloria e invadem as casas. Seriam elas os vetores iniciais do A(H1N1): teriam entrado em contato com os porcos e/ou dejetos e possivelmente infectado os alimentos nas casas.

Vários moradores denunciam ainda que, sem isolamento sanitário, substâncias químicas resultantes das fezes e das carcaças dos porcos acabam se infiltrando no lençol freático de onde a população retira água potável.

María Dolores Herrera é uma das pessoas que tem sua casa invadida por moscas “do tamanho de abelhas” e vê sua família sofrer com enfermidades gastrointestinais e respiratórias. Sua filha caçula, de 5 anos, desenvolveu uma pré-disposição para diarreias, tosse, infecção na garganta, vômitos e febre.

Fausto Limón Palestina e Patricia Ramírez são donos do rancho El Riego, que fica a 250 metros do criadouros das Granjas Carrol em Xoltepec, e reclamaram de dores de cabeça contínuas, ao que parece causadas pela inalação constante do metano proveniente das lagunas de oxidação. Também contaram ao Milenio que, além das moscas, outro animal lhes causa agonia: matilhas de cachorros selvagens, que geralmente se alimentam nos biogestores, por vezes também invadem o rancho. Já mataram três dos seis avestruzes que o casal criava.

Fausto e Patricia denunciaram as irregularidades várias vezes ao governo local, mas ninguém fez nada. A única ocasião em que autoridades agiram foi por pressão de um abaixo-assinado, que exigia testes nos lençóis freáticos. A agência sanitária Conagua chegou a coletar amostras, mas nunca divulgou os resultados.

Nas últimas semanas, depois de a gripe suína (ou gripe A) matar duas crianças em La Gloria, agentes de saúde de Veracruz fizeram o isolamento sanitário da cidade, com fumigação com o produto químico Aquarrel e aplicação de uma tonelada de cal no solo. Denúncias de que a gripe e a contaminação ambiental provocada pelas Granjas Carroll estão relacionadas foram, até agora, minimizadas pelo governo. Para as autoridades, o calor e a complicação de uma gripe simples são os responsáveis pela mutação do vírus A(H1N1). Sustentam não haver provas de que tudo começou em La Gloria, apesar de a vila enfrentar uma onda de gripe desde meados de março. O “paciente zero” seria o menino Edgar Hernandez, de 5 anos, recuperado.

Amostras

No entanto, diante da pressão da opinião pública mexicana – não só dos habitantes de La Gloria – os serviços de saúde de Veracruz coletaram na quinta-feira amostras bacteriológicas de 370 porcos das Granjas Carroll para investigar a origem do vírus. Um laboratório na Cidade do México vai processar as informações e as que derem resultado positivo serão encaminhadas para a Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, para uma análise mais detalhada.

Mas mesmo antes do resultado, a bancada do Partido da Revolução Democrática na Câmara de Deputados vai apresentar uma proposta para que as Granjas Carroll deixem o México. Moradores de La Gloria estão convocados a depor.

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28/04/2009 - 10:00

O câncer segundo os homens do Ibope e do Vox Populi

Consequências do câncer nas urnas

Coisas da Política
tales.faria@jb.com.br

Esse negócio de futurologia é muito difícil. Assim como saber o que o eleitor vai pensar a respeito deste ou daquele assunto. Mas o anúncio do câncer na chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata predileta do presidente Lula à sua sucessão em 2010, inevitavelmente levantou especulações a respeito da influência que a doença teria sobre o eleitorado. Há quem aposte todas as fichas que a história foi muito boa para a ministra. Que o eleitorado a verá como uma guerreira em luta contra uma doença injusta. Outros, no entanto, acham que o eleitor acredita que, para governar um país, é preciso até mesmo força física. Nesse sentido, a doença contaria pontos contra a candidatura de Dilma para presidente da República.

Repito o que disse lá em cima: esse negócio de futurologia é muito complicado. O ideal, nesses casos, é ouvir a opinião ou, melhor, o parecer de especialistas. Por isso a coluna procurou dois dos mais prestigiados analistas de pesquisas eleitorais do país: Marcos Coimbra, presidente do Instituto Vox Populi, e Carlos Augusto Montenegro, do Ibope. Nenhum deles é ligado ao PT, e ambos concordam num ponto: a doença, provavelmente, não terá influências sobre os eleitores.

Marcos Coimbra:

É claro que tudo depende da evolução clínica. Mas, se for como os médicos estão dizendo – e eu acredito – as consequências serão pequenas, mínimas mesmo. Falta um ano e meio para as eleições. Não creio que, até lá, este assunto permanecerá presente na opinião pública.  Dilma Rousseff era uma forte candidata antes do anúncio e continuará sendo agora. Pelo que os médicos disseram, a ministra estará tendo um comportamento normal na campanha, a caminho da cura completa. E ninguém vai querer trazer o tema à tona. Muito provavelmente o eleitor, então, não pensará nesse problema.

Digamos que a equipe da ministra viesse com a questão para a campanha: seria muito ruim para ela. O eleitorado veria como uma apelação, uma tentativa dela própria de se vitimizar. Agora, pensemos no contrário: que os seus adversários trouxessem a história novamente. Seriam vistos como cruéis, explorando a fragilidade momentânea de uma mulher. Aí, sim, ela sairia ganhando, até porque já tem, na sua biografia, a imagem da mulher que enfrentou enormes dificuldades para chegar aonde chegou.

Em resumo. Com o andamento normal do tratamento, vejo três cenários, sendo dois absolutamente improváveis. Primeiro:  a equipe da ministra querer usar a doença na campanha. Cenário número 2:  seus adversários levantarem o assunto. E o cenário número 3, este sim que considero mais provável: a doença cair no esquecimento.

Carlos Augusto Montenegro:

Olha, não creio que esta questão da doença da ministra tenha grandes influências eleitorais. Nem contra, nem a favor. Não vai interessar a ela nem à oposição levantar o assunto na campanha. Acho que, no final das contas, ela receberá a mesma quantidade de votos transferidos do presidente Lula que ia receber antes do anúncio da doença. E não é pouca coisa, não: são cerca de 13 milhões de votos.

Continuo com a mesma avaliação que tinha antes: tudo indica que Dilma Rousseff chegará ao final da campanha com cerca de 15% a 17% dos votos. O favorito continua sendo o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). E, se ninguém mais se projetar, é grande o risco de a eleição ser decidida no primeiro turno. O Ciro Gomes (PSB), por exemplo, sai com 14%, mas pode acabar com 6%, 5%, 4%.

Muito provavelmente, Luiz Inácio Lula da Silva deixará o governo com a imagem de um dos maiores presidentes da História. Do tamanho de Getúlio Vargas e de Juscelino Kubitschek. Daí por que ele  consegue transferir tantos votos. Mas essa transferência não é suficiente para eleger qualquer um. E a verdade é que não apareceram novas lideranças no país nos últimos anos. Dilma, os ministros Tarso Genro e Patrus Ananias e o governador da Bahia, Jaques Wagner, nenhum deles se estabeleceu como liderança independentemente do Lula. O ex-ministro Antonio Palocci até poderia vir a ser um bom candidato, mas aquela história do caseiro atrapalhou. Não dá para voltarmos atrás. E também não dá tempo para se criar um nome novo. Depois do Fernando Collor de Mello, o eleitor não está mais interessado em aventuras.

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23/04/2009 - 17:21

Eles têm Razão…

Veja o diálogo de Suas Execelências e conclua: os dois têm razão.
Joaquim Barbosa - Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste país. Saia à rua, ministro Gilmar.

Gilmar Mendes - Estou na rua.

Joaquim Barbosa - Vossa Excelência não está na rua, Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade da Justiça brasileira. Vossa Excelência não está falando com seus capangas do Mato Grosso.

Gilmar Mendes - Vossa Excelência me respeite.

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21/04/2009 - 10:05

Eduardo Cunha, o PMDB pragmático

Tenho a grande honra de poder dizer que trabalhei com Márcio Moreira Alves e, até, que privei de sua amizade. Não tanto quanto desejava, mas já me valeu alguma coisa. Inclusive aprendizado. Testemunhei, por exemplo, a capacidade que o colunista político tinha de aplicar adjetivos absolutamente esclarecedores sobre a atuação de algumas figuras no Congresso.

Um desses adjetivos/apelidos cunhados por Marcito recaiu sobre o então deputado Geddel Vieira Lima, que acabara de sair do baixo clero e, à custa dos mais variados tipos de, digamos, acordos, vinha se tornando uma figura fortíssima no PMDB. Geddel, um quase tucano e grande aliado de FHC, hoje é ministro da Integração Nacional de Lula. Em 2010, será um possível aliado do(a) candidato(a) a presidente pelo PT, ou do(a) candidato(a) pelo PSDB. Sabe-se lá. Daí que Márcio Moreira Alves passou a chamar o peemedebista de “Geddel, o pragmático”.

Geddel foi para o Executivo, mas deixou um sucessor à altura na Câmara. Trata-se do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Altamente, digamos, pragmático. À semelhança de Geddel, Eduardo Cunha há pouco era taxado como um fisiológico qualquer do baixo clero, mas já está trafegando pelas altas esferas do PMDB nacional e do seu estado, o Rio de Janeiro. Participa de todas as articulações de seu partido e tem um faro fenomenal para saber o lado de onde sopra o vento. Então, resolvi saber de Eduardo Cunha para onde caminha o PMDB. Fará aliança em 2010 com o PT, ou não? Respondeu:

– Bem… Eu defendo a aliança nacional com o PT.

– Na sua opinião, quem será o vice?

– O nome mais forte é o do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Afasta o partido do governador tucano de São Paulo, José Serra, e o unifica nacionalmente. Mas o cálculo final sempre será em torno de quem agrega politicamente e eleitoralmente. Por exemplo: se o governador Aécio Neves (PSDB) for candidato a vice na chapa do Serra, o mineiro Hélio Costa passará a ser uma opção forte dentro do PMDB. Se tivermos que procurar alguém do Nordeste, aí acho que o maranhense Edson Lobão será quem mais agrega dentro do partido.

– E o Geddel?

– Ele não foi bem nas pesquisas lá na Bahia. Acho que o Lobão agrega mais no Nordeste.

– E o governador do Rio, Sérgio Cabral?

– O Cabral teria dificuldades de ser aprovado numa Convenção Nacional do PMDB. O partido tem muita gente que prefere a candidatura própria. Então, o candidato da aliança tem que ser alguém que vença a Convenção, como o Michel Temer. Além disso, acho que o Sérgio Cabral vai tentar a reeleição. E já terá problemas para conseguir isso.

– Como assim?

– O PMDB do Rio tem fissuras internas muito fortes. Tem o grupo do Sérgio, o grupo do ex-governador Anthony Garotinho, o grupo do presidente da Assembleia, Jorge Picciani, e tem o grupo dos independentes, que não está com ninguém. Este é o meu caso. Eu teria sérias dificuldades de apoiar o Sérgio, porque o meu eleitorado, evangélico, não está com ele. Outro problema é que o Garotinho vai deixar o partido para disputar, ele próprio, o governo do estado. Garotinho vem forte pelo interior e pela Baixada. E, na capital, o forte deverá ser o Fernando Gabeira, pelo PV e pelo PSDB.

– Mas o Sérgio Cabral deve ter o apoio do Lula, não? Como ficará o PMDB com o PT no Rio?

– Acho até que, se o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, não se viabilizar como candidato a governador, o PT apoiará o Sérgio. Mas não sei se isso será o suficiente. Quanto ao apoio do Lula, tenho dúvidas sobre essa história de transferência de votos.

– Mas o presidente Lula pode cobrar adesões ao Sérgio Cabral. O apoio do senhor, por exemplo.

– Olha, eu estou propenso a apoiar a Dilma, mas terei dificuldades em levar o Cabral para meu eleitorado. Não faço campanha contra, mas não posso apoiar. Você acha que a Dilma ou Lula abrirão mão do meu apoio? O presidente vai estar em campanha pela sua candidata. Ele estará mais numa situação de quem pede apoio de todo mundo do que na condição de quem cobra qualquer coisa.

Pois é. Assim pensa Eduardo Cunha, o pragmático.

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