Ilzamar Mendes, a viúva do líder sindical e ecologista Chico Mendes, faz uma dura avaliação no momento em que o virtual Comitê Chico Mendes, o PT e o “governo da floresta” do Acre começam a “comemorar” os 20 anos do assassinato do seringueiro de Xapuri. “Essas pessoas mataram os ideais do Chico”, afirma a presidente da Fundação Chico Mendes.
Chico Mendes vive?
Eu acredito que quando é pra usar a imagem do Chico, ele vive. Os ideais verdadeiros do Chico ainda existem nos corações e nas mentes das pessoas, dos seus verdadeiros companheiros, mas, infelizmente, hoje eles não têm voz nem vez na política estadual ou federal.
Por que acontece isso?
Infelizmente as pessoas que estão no poder mudaram muito seus pensamentos, seus ideais. Na verdade, o pensamento, a posição, os ideais do Chico, eram outros que, como acabei de falar, infelizmente são esquecidos.
Qual o ideal do Chico Mendes que morreu?
Chico lutava pela vida, pela preservação da Amazônia. Infelizmente tenho que dizer que o que se vê é a destruição da nossa Amazônia. As nossas madeiras, as nossas florestas, estão sendo destruídas. Eu dou como exemplo o seringal Cachoeira, entendeu? Foi o berço, onde o Chico começou a ser perseguido mesmo, onde começou a sua luta em defesa e hoje se você for lá vai constatar que o seringal Cachoeira está completamente destruído. Transformou-se em fazenda. Para sobreviver, os colonos são obrigados a vender as madeiras, as suas terras porque não existe uma política para ajudar os colonos, ribeirinhos.
A ministra Marina Silva, o ex-governador Jorge Viana e o atual governador Binho Marques. A conquista do poder não significou avanços?
Tenho que falar, e não estou falando só por mim, mas dos companheiros do Chico com os quais ainda tenho contato. Infelizmente, essas pessoas, que conviveram lado a lado com o Chico, que eram sabedoras dos seus ideais, da sua luta, infelizmente mudaram seus pensamentos. Hoje, o que é importante para essas pessoas é o poder e não os ideais do Chico. Fazem qualquer coisa para se manter no poder. Companheiros que realmente estavam lado a lado com o Chico não têm voz para dizer para estas pessoas o que eles necessitam. Hoje o que se vê são pessoas dentro de seus gabinetes, no ar-condicionado, fazendo o que bem entendem, mas não vão ouvir o que a população carente necessita.
Como seria tratado alguém que surgisse hoje com as mesmas atitudes do Chico Mendes?
Eu teria até pena. Fariam qualquer coisa para eliminar essa pessoa. Mas elas existem. Se não são ouvidas, se não têm voz, é porque as pessoas que estão no poder não dão voz a essas pessoas. Mas ainda existem pessoas que querem dar continuidade aos ideais do Chico e que não têm voz e não são ouvidas.
Estamos completando 20 anos do assassinato do Chico Mendes. Fala-se muito em comemoração…
Eu daria até um recado a essas pessoas: que não são 20 anos de comemoração, mas de avaliação dos 20 anos, porque os verdadeiros ideais do Chico estão esquecidos, não existem mais. Que este seja um ano de avaliação e que estas pessoas que estão no poder hoje se lembrem verdadeiramente, com humildade, dos ideais do Chico, que não era o de fazer qualquer coisa para se manter no poder, mas sim defender a vida dos mais humildes, levar escola, educação, alimentação e ser igual a todo mundo, sem poder para meia dúzia de pessoas, esquecendo dos que realmente defendem a Amazônia, que realmente precisam sobreviver porque são elas que realmente sabem como tratar a floresta. Que estes 20 anos sirvam para que as pessoas possam avaliar isso. Para mim, que fui companheira do Chico, é, ainda, um ano de muita tristeza porque infelizmente os ideais do Chico foram esquecidos.
Você acha que é possível mudar ou existe uma tendência de esquecimento mesmo?
Eu, após 20 anos da morte do Chico, não tenho mais esperança. É uma tendência de esquecimento mesmo. O Chico vai ser lembrado sempre em comemoração, para que as pessoas possam aparecer, mas quanto aos ideais dele não tenho mais nenhuma esperança.
O governo do Acre e o Comitê Chico Mendes estão planejando uma série de eventos em memória desses 20 anos. Você tem participado disso, tem sido consultada?
Eu quero deixar bem claro aqui: no governo do Jorge Viana eu ainda era convidada a participar de alguma coisa, mas no governo do Binho Marques eu fui eliminada, assim como outros companheiros. Não sou convidada a participar de nada. Para você ter uma idéia: participei do Prêmio Chico Mendes porque a Elenira, que faz parte do Instituto Chico Mendes, chegou para mim e falou: “Mãe, você não foi convidada, mas você tem que participar”. E eu entrei de bicão porque não me convidaram. Fui e participei, mas não fui convidada. Infelizmente eu ou os companheiros do Chico, que conviveram com ele lado a lado, nós não somos convidados para discutir qualquer situação.
Como você, presidente da Fundação Chico Mendes, lida com a imagem do Chico Mendes?
A imagem do Chico é muito importante, mas vou ser sincera: eu preservo mais os ideais dele. Isso é o que é mais importante. O Chico deu a vida dele por uma causa justa, em defesa da vida, da Amazônia. Acho que é essa a nossa luta e s pessoas que estão no poder têm que começar a ouvir a gente. Eu fico muito triste quando vejo pessoas que hoje estão no poder, que conviveram lado a lado com o Chico, inclusive comigo muitas vezes fazendo almoço, janta, dando apoio a essas pessoas. Tenho que ressaltar aqui: pessoas que colocavam mochilinhas nas costas, que não tinham como pagar uma refeição e que tinham o apoio meu e do Chico para dormir ou fazer uma refeição. Hoje esquecem disso e fazem qualquer coisa para ficar no poder. Procuram eliminar de qualquer forma tanto eu como os companheiros dele, porque a nossa posição é essa. Hoje, a política do Acre está voltada para a pecuária. Quem não lembra do fazendeiro Darli, que queria destruir o seringal Cachoeira, que o Chico organizou os seringueiros para impedir que fosse transformado em pasto para criar boi? Na minha opinião a política no Acre está mais voltada para a pecuária do que em defesa da vida, dos seringueiros, da Amazônia.
A pecuária é a atividade prioritária no governo da floresta?
Infelizmente essa é a minha opinião. E se você for conversar com outros companheiros do Chico, vai encontrar a mesma opinião. Acho que a política do Estado está voltada pra pecuária. E o que é a pecuária? É a destruição - criar pasto e criar boi. Se você voltar 20 anos atrás, você vai ver qual era a verdadeira luta do Chico.
O que você considera um erro do Chico Mendes?
Ter confiado em algumas pessoas. O Chico confiou em algumas pessoas e infelizmente ele morreu. Pessoas que o traíram e que na época já tinham a intenção de trair.
E como o PT se comporta em relação a isso?
Eu vou falar do Chico político. O Chico, se fosse vivo, não estaria no PT. Dias antes do assassinato, fui comunicada de que ele estaria pedindo a desfiliação do PT e iria se filiar no PV. Ele não estaria no PT hoje.
Você sente por parte das lideranças do PT que atuam dentro do governo do Acre cerceamento do movimento social em defesa da floresta?
Existe um grupo de pessoas que tentam controlar, que eliminam de qualquer jeito as pessoas que têm posições contrárias. Fazem isso para se manter no poder.
Nesta semana a imagem de Chico Mendes passou a figurar no topo da primeira página do Diário Oficial do Acre. Além disso, todos os impressos do governo estadual reproduzirão a mesma imagem. Isso contribui para firmar os ideais dele?
Não. É mais uma imagem sendo usada em vão. Os ideais do Chico realmente não são postos em prática. É a imagem sendo usada. Por quê? Porque a imagem do Chico vai dar poder a alguém. Os ideais dele morreram para essas pessoas. Não morreu para mim nem para os companheiros do Chico, mas para essas pessoas morreu.
Ou como você me disse ontem…
Essas pessoas mataram os ideais do Chico.
Como você vê o desempenho de sua filha, a Elenira…
Vou dizer isso a você em primeira mão: orgulho-me da Elenira porque vejo hoje o que o Chico pediu para mim há 20 anos atrás: que a Elenira desse continuidade à luta que o pai dela não iria conseguir vencer. O que vejo na minha filha é isso. Tenho certeza de que minha filha, em nome de Jesus, vai ter força, vai vencer e dar continuidade aos ideais do pai dela. E eu vejo nela a pessoa que vai ter condições de resgatar esses ideais que para muitas pessoas morreram.
É pelo fato de falar mesmo quando decide falar que você parece causar tanto mal-estar em antigos companheiros do Chico?
Essas pessoas podem querer achar que são os donos da imagem, que são os donos do Chico, mas eu tenho uma coisa que essas pessoas não têm: eu fui companheira, fui a esposa, e sou a mãe dos filhos dele. E foi no meu colo que o Chico deu o último suspiro. Então eu sei, porque era comigo, apesar de quem está no poder hoje não reconhecer e não aceitar isso… Eles conhecem o Chico líder, político, mas o Chico político e homem quem conhece sou eu.
Alias, ouvi do jornalista Elson Martins que você deveria ser respeitada pelo menos por ter sido a mulher que o Chico amou.
Exatamente.
Você acha que o Acre vê na figura do Chico Mendes o mito que ele é no plano internacional? Ou ele continua sendo alvo de preconceito e intolerância?
Existem grupos onde ele continua sendo alvo de preconceito, mas algo que nos deixa felizes é que todo ano, em época de vestibular procuram à gente porque a vida e a luta do Chico estão sempre presentes, está sempre formando os ideais dele em pessoas que depois possam dar continuidade. Para muitos a imagem do Chico é importante para o mundo, para o Brasil, em defesa da Amazônia, da vida.
Os governos petistas tentam nos fazer acreditar que os fazendeiros se alinharam ao discurso de defesa da Amazônia, da sustentabilidade. Você acredita nisso?
Eu não acredito. Sabe por que as pessoas sempre falam isso? É porque na época de eleição são os fazendeiros e madeireiros que financiam as candidaturas. Mas essas pessoas não são o progresso. Elas não são defensoras da vida. Essas pessoas são a destruição. Na verdade os seringueiros, as pessoas mais humildes, elas só são lembradas na época do voto. Elas não têm condições financeiras para financiar nada.
Quero agradecer pela entrevista, sobretudo após você ter recusado uma para o documentário que a TV árabe All Jazeera prepara sobre a história de Chico Mendes. Por que você recusou?
Eu não acredito em muitas pessoas. Eu preciso estar segura das pessoas sérias, das pessoas que vão realmente divulgar o meu pensamento, do que eu acho. É muito difícil eu dar entrevista. A Veja me liga oferecendo espaço e eu tenho sempre me mantido calada. Mas chega uma hora que a gente tem que falar, tem que falar, é preciso. Eu acredito muito num outro plano e o Chico está lá. Uma hora nós vamos nos encontrar e uma hora eu vou ter que chegar para ele não se envergonhar de mim e dizer que eu fiquei aqui e defendi. Hoje eu penso dessa forma.
Pesquisa DataFolha não tranquiliza Serra, muito menos a Aécio Neves
O prefeito do Rio, Cesar Maia, pode estar se saindo pessimamente como gestor, mas continua sendo um arguto analista de pesquisas (às vezes arguto demais, quando ele ou seu partido estão envolvidos). Eis abaixo um comentário sobre a pesquisa presidencial do DataFolha, que ele acaba de divulgar na sua newsletter eletrônica, “O Ex-Blog do Cesar Maia”:
“DATA-FOLHA-BRASIL!
1. Números anteriores do Data-Folha e demais institutos se mantém. Mas como já lembrou esse Ex-Blog: ainda faltam dois vetores a entrar. Um deles é o próprio candidato presidencial com máquina a tiracolo. Se Serra com FHC em baixa em 2002, saiu de uns 7% para 21% no primeiro turno, imagine-se, num cenário como o de hoje, o candidato da máquina federal… E de onde esses votos vão sair? É fácil concluir lendo a intenção de voto de Serra no Nordeste. E ainda há a entrada do candidato do DEM, cujos nomes alternativos ainda não foram informados aos institutos.
Folha de SP: Mas, lembrando a popularidade de Lula, o diretor-presidente do Datafolha, Mauro Paulino, aposta numa mudança com sua entrada em campo. “O ator principal, que é o Lula, ainda não entrou no jogo. A partir do momento em que ele defender um nome do PT, esse tabuleiro tende a mudar.”
Serra 36%, Ciro 20%, Heloisa Helena 12% e Marta 8%. “
Sou obrigado a concordar com o prefeito do DEM. Seja dona Dilma, seja o Patrus Ananias, qualquer um que o Lula resolva carregar a tiracolo, esse sim vai mexer no quadro eleitoral.
Mas quem não deve ter gostado nem um pouco da pesquisa foi o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Com Serra pontuando em primeiro lugar, desta vez será impossível o PSDB escolher outro candidato.
Fala-se na ida de Aécio para o PMDB. Mas o PMDB do Rio acaba de mostrar ao governador tuicanos de Minas Gerais como o partido é inconfiável. Integrante do secretariado de Sérgio Cabral, Eduardo Paes deixou o PSDB para ser o candidato do governador pelo PMDB. Teve até seu nome anunciado e, depois, foi abandonado pelo Cabral e pela cúpula do partido, que resolveu apoiar o candidato do PT, Alexandre Molon.
Da “Coluna do Honorato”, news letter eletrônica de Carlos Alberto Honorato da Silva - karlos.honorato@terra.com.br
POLITICAS:
- O presidente Lula desembarca hoje em Duque de Caxias e, depois, almoça com o governador Sérgio Cabral preocupado em manter a aliança com o PMDB no Rio; (1)
- Lula diz que oposição está incomodada com avaliação positiva do seu governo; (2)
- Casa Civil nega ter organizado dossiê anti-FHC; (3)
- STJ mantém decisão condenatória a ex-prefeito Paulo Maluf; (3)
- Diretório do PT deve aprovar aliança com tucanos em BH; (2)
- Marta e Alckmin têm empate técnico em pesquisa em SP; (2)
- Pesquisa aponta Crivella e Jandira Feghali na frente no Rio. (2)
NACIONAIS:
- Safra de cana começa com queda de preço do álcool. O preço do álcool hidratado, utilizado diretamente como combustível, caiu 2,3%. O do álcool anidro, 1,62%; (2)
- Brasil ganha poder no Fundo Monetário Internacional; (3)
- Governo quer facilitar importação de usados. Idéia é permitir a vinda de produtos sem similar nacional ou cuja produção esteja saturada; (2)
- O desemprego natural no país é estimado entre 7,4% e 8,5%. Essa taxa, que indica o nível mínimo de desemprego que a economia suporta sem provocar a alta da inflação, foi divulgada pela primeira vez pelo Banco Central. A taxa de desemprego real, que segundo o IBGE ficou em 8,7% em fevereiro, está muito próxima de atingir o nível do desemprego natural; (1)
- Hospitais de guerra abrem hoje no Rio. Exército, Marinha e Aeronáutica ajudam a enfrentar o drama da dengue. (1)
INTERNACIONAIS:
- França receberá rebeldes das Farc, diz Álvaro Uribe. Governo da Colômbia diz que liberta guerrilheiros se grupo soltar Ingrid Betancourt; (2)
- Colômbia - Ingrid teria sido escoltada por mais de 200 rebeldes até médico. Sacertode afirma que até 300 guerrilheiros isolaram unidade de saúde em que refém recebeu atendimento; (2)
- Bush fala com presidente da China sobre preocupação com Tibet; (2)
- Itália retira do mercado mussarela ‘contaminada’. Recall vale para queijos com alto nível de substância cancerígena; contaminação já prejudica exportações; (2)
- Bush viaja para apoiar ingresso da Ucrânia e Geórgia na Otan; (2)
- Candidato à reeleição nega fraude em eleição no Zimbábue. ‘Não poderia dormir com minha consciência caso as eleições fossem manipuladas’, diz Robert Mugabe; (2)
- Produtores decidem suspender bloqueios na Argentina. Líderes de entidades rurais se reúnem com ministro da Economia para negociar fim dos protestos no país. (2)
ESPORTES:
- Corinthians sofre, mas vence o Marília e segue na briga. Time ganha por 3 a 1, com dois de André Santos, e mantém chance de se classificar no Paulistão; (2)
- São Paulo vence o Bragantino e fica perto da semifinal. Adriano marca os gols da vitória; equipe precisa vencer o Juventus; (2)
- Bota derrota Flu, mantém 100% e confirma primeiro lugar; (3)
BRASÍLIA/DF:
- Editora UnB usou verba de índios em tour pela Ásia. Os documentos recolhidos pelos promotores apontam que a viagem à Ásia e os gastos da comitiva que acompanhou o vice-reitor da UnB, Edgar Mamiya, no tour foram autorizados pelo então diretor-executivo da Editora UnB, Alexandre Lima.R$ 65 mil teriam sido usados em pagamentos de passagens e festas; (3)
- Município do Entorno tem ensino público considerado modelo pelo Unicef; (3)
- Quadras do Lago Sul e SMDB ficarão sem água na terça-feira; (3)
- O tempo em Brasília. Parcialmente nublado com períodos de nublado. HÁ possibilidade de chuva em Áreas isoladas. A umidade relativa do ar estará variando entre 80 e 35 por cento. Temperatura: Máx:30 ºC e Mín:16 ºC. (3)
- Exército, Marinha e Aeronáutica ajudam a enfrentar o drama da dengue. (pág. 1 e Cidades, págs. A7, A11 e A14)
- O presidente Lula desembarca hoje em Duque de Caxias e, depois, almoça com o governador Sérgio Cabral preocupado em manter a aliança com o PMDB no Rio. Em Brasília, a oposição quer centrar ataques na ministra Dilma Rousseff pelo vazamento de informações sigilosas sobre gastos pessoais de FH. (pág. 1 e País, págs. A2 e A3)
- Mesmo diante de relatório formal da Controladoria Geral da União, que aponta fraudes generalizadas em licitações e desvios de recursos em 14 municípios de diferentes Estados, eles continuam recebendo dinheiro do governo federal. Ministérios não sabem explicar por que o parecer é desprezado. (pág. 1 e País, pág. A3)
FOLHA DE SÃO PAULO
- Serra mantém favoritismo para 2010
- Tucano preserva 1º lugar, com Ciro Gomes (PSB) em 2º, mostra o Datafolha; petistas não passam da 4ª posição. (pág. 1)
- Lula obtém sua melhor avaliação. (pág. 1)
- Dossiê é ‘covardia institucional’, diz ministro do STF. (pág. 1)
O ESTADO DE SÃO PAULO
- CPI dos cartões terá dados que complicam ministros
- Lote de informações para o Congresso pode atingir governos FHC e Lula, avisa Planalto. (págs. 1 e A4)
- Professores sem curso ensinam matemática - 23% não têm diploma universitário. (págs. 1 e A17)
- Oposição a Mugabe já proclama vitória - Governo do Zimbábue vê golpismo. (págs. 1 e A10)
O GLOBO
- Tribunais do tráfico desafiam a sociedade
- Especialistas no tema da violência culpam ausência do Estado por mortes. (págs. 1 e 9)
- A epidemia do caos - Hospitais nas áreas mais afetadas pela dengue entram em colapso. (págs. 1, 10 e 13 e Joaquim Ferreira dos Santos)
- Em nova versão sobre o dossiê com gastos de Fernando Henrique Cardoso, o Planalto disse que ele foi montado com dados da Casa Civil. “O relatório foi tirado do banco de dados. Alguém do Planalto resolveu fazer o mal”, disse o ministro José Múcio. (págs. 1 e 3)
GAZETA MERCANTIL
- Está na baixa renda a maior oportunidade para os bancos
- A população de baixa renda, que vem ganhando poder de compra, começa a entrar na rota dos bancos. “Não vejo alternativa para os bancos de varejo crescerem de forma orgânica se não focarem suas estratégias para a faixa de menor renda. No topo da pirâmide o mercado já está saturado”, afirma Celso Fernandes, diretor da Losango, promotora de vendas do HSBC. Os especialistas afirmam que é nesse nicho de mercado que está o maior potencial de expansão da base de clientes. Estima-se em 45 milhões o número de desbancarizados no Brasil, ante mais de 100 milhões de contas, entre poupança e corrente. (págs. 1 e B1)
- O governo federal continua liberando recursos, por meio de convênios, para municípios que foram flagrados em irregularidades na utilização do dinheiro público. Apesar de ter conhecimento de extenso relatório elaborado pela Controladoria Geral da União (CGU), dando conta de fraudes generalizadas em licitações, desvios e malversação de recursos em municípios espalhados por todo o País, praticamente todos os ministérios assinaram convênios e liberaram verbas nos últimos meses para as prefeituras. (págs. 1 e A9)
CORREIO BRAZILIENSE
- Câmara paga até enxoval para imóveis funcionais
- Para aumentar a taxa de ocupação dos apartamentos e reduzir os custos com auxílios-moradia dos parlamentares, a Câmara oferece mordomias como móveis e eletrodomésticos. Dados do Siafi apontam que a despesa de R$ 8,9 milhões com os funcionais incluem ainda persianas, cortinas e lâmpadas. Em 2007, foram gastos R$ 570 mil só em camas box. Além dessas vantagens, o governo também banca o condomínio. (págs. 1 e 2)
- Dossiê contra tucanos tem nova versão - Ministros passaram o domingo em reuniões para tentar contornar a crise. José Múcio, ministro das Relações Institucionais, disse que vazamento partiu de alguém do governo. Apesar do desgaste, Dilma Rousseff participa hoje de inauguração de obras do PAC no Rio. (págs. 1 e 3)
VALOR ECONÔMICO
- Captação no exterior se mantém, mas custo sobe
- Apesar do agravamento da crise de liquidez no sistema financeiro dos países ricos neste começo de ano, as empresas e bancos brasileiros continuam a captar recursos no mercado externo e em volumes que ultrapassam os vencimentos de dívida externa. Os prêmios pagos subiram e as garantias e seguros exigidos pelos credores, também. Segundo dados dos Banco Central, a taxa de rolagem da dívida externa (relação entre desembolsos e amortizações) de empresas e bancos chegou a 231% em média no primeiro bimestre deste ano. Em igual período de 2007, bem mais calmo, quando a crise das hipotecas americanas não havia ainda contaminado os mercados, as amortizações haviam sido maiores do que as captações - a taxa de rolagem foi de 38%. (págs. 1 e C1)
- O desemprego natural no país é estimado entre 7,4% e 8,5%. Essa taxa, que indica o nível mínimo de desemprego que a economia suporta sem provocar a alta da inflação, foi divulgada pela primeira vez pelo Banco Central. A taxa de desemprego real, que segundo o IBGE ficou em 8,7% em fevereiro, está muito próxima de atingir o nível do desemprego natural. De um ano para cá, o BC passou a dar importância ao emprego na definição da política monetária, porque cresceu a parcela dos serviços no PIB. Quando a economia era predominantemente industrial, o uso da capacidade da indústria era um bom indicador dos limites do crescimento. Agora, com mais serviços, a taxa de desemprego natural passou a ser melhor sinalizador. (págs. 1 e A4)
Ativista pró-Tibete é presa na tentativa de impedir que a tocha olímpica chegue ao Estádio Olímpico de Atenas / EFE O boicote que não vai acontecer
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, anunciou ontem que pode não comparecer à Olimpíada de Pequim este ano, conforme noticiado na edição eletrônica deste domingo do jornal britânico “Guardian”. Sob grande pressão para tomarem uma posição diante das manifestações por liberdade no Tibete e da dura repressão do governo chinês, líderes da União Européia (UE) devem discutir hoje pela primeira vez a questão. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, já anunciou que pode seguir os passos de Angela Merkel, contra os esforços do premier britânico, Gordon Brown, para que não haja um boicote. O primeiro chefe de Governo na UE a decidir não comparecer aos Jogos Olímpicos foi o premier polonês, Donald Tusk, sendo seguido pelo presidente da República Tcheca, Václav Klaus. “A presença de políticos na abertura das Olimpíadas me parece inapropriada”, disse Tusk.
Sinceramente, não creio que haverá boicote às Olimpíadas de Pequim, muito embora eu seja francamente favorável. No máximo, alguns presidentes e primeiros-ministros, alguns políticos, enfim, deixarão de ir. Mas sem boicote. E por que os países e suas federações esportivas mandarão delegações para a competição de Pequim?
Primeiro, porque o meio esportivo é francamente contrário ao boicote. A argumentação é que, por exemplo, só os EUA se ferraram com o movimento contra as Olimpíadas de Moscou; que o boicote é anti-esportivo pois mistura esporte e política; etc.
São argumentos facilmente derrubáveis quando se pergunta a qualquer um destes se eles eram favoráveis à realização das Olimpíadas na África do Sul enquanto havia a política de Apartheid. Ali, todos eram a favor do boicote ao racismo sul-africano, uma posição que não se alterou até hoje. Então há momentos em que é correto misturar de política e esportes, né?
Mas a verdade é que a grande argumentação contra o boicote não é a esportiva. É econômica. A turma já investiu uma grana nessas Olimpíadas de Pequim e a China é muito importante economicamente para as principais nações do mundo. Portanto, não interessa a ninguém uma solidariedade integral aos tibetanos ou a qualquer outro grupinho que esteja sofrendo opressão, torturas, prisões e maus-tratos pelas forças chinesas. Deixa prá lá…
Famílias gastam mais da metade da renda com tributos e serviços. (pág. 1 e Economia, págs. E4 e E5)
Políticos, acadêmicos e empresários discutem nesta semana, no Instituto Tecnológico de Masschusetts, nos EUA, o desenvolvimento do Brasil e da América Latina. José Miguel Insulza, da OEA, e o lingüista Noam Chomsky, farão palestra no evento, co-organizado pelo JB e Gazeta Mercantil. (pág. 1 e Internacional, págs. A26 e A27)
FOLHA DE SÃO PAULO
Marta sobe e divide liderança com Alckmin
Petista atinge 29% no Datafolha, contra 28% do tucano; Kassab obtém sua melhor avaliação na prefeitura. (págs. 1 e A4)
Detalhes do dossiê sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso contrariam a versão oficial de que o governo se limitava a organizar dados para alimentar o Suprim, o sistema de controle de suprimento de fundos da Presidência, informa Marta Salomon. Ontem, Dilma Rousseff (Casa Civil) disse que fazer esse “banco de dados” foi recomendação do Tribunal de Contas da União. (págs. 1 e A13)
Marcelo Crivella (PRB) e Jandira Feghali (PC do B) lideram pesquisa Datafolha sobre intenção de voto para a Prefeitura do Rio. Em um dos cenários, Crivella tem 20%, e Jandira, 18% - empate técnico dentro da margem de erro da pesquisa. Nesse cenário, Fernando Gabeira (PV), Solange Amaral (DEM) e Chico Alencar (PSOL) estão empatados (9%, 9% e 8%), e Alessandro Molon (PT) tem só 1% das intenções de voto. (págs. 1 e A10)
O ESTADO DE SÃO PAULO
Planalto vai tirar Dilma da vitrine eleitoral
Para baixar a pressão, ministra deixará de aparecer como a predileta de Lula. (págs. 1 e A4)
O potencial de consumo da classe C somou R$ 365 bilhões em 2007. É mais de um quarto da capacidade de compra de todas as famílias que moram nas cidades, que atingiu no ano passado R$ 1,4 trilhão. (págs. 1 e B16)
Papéis apreendidos com Wagner Roberto Raposo Olzon, tesoureiro do PCC, revelam que a facção criminosa estabeleceu negociações com traficantes bolivianos ligados às Farc, informa Marcelo Godoy. (págs. 1, C1 e C3 a C5)
O GLOBO
O tribunal do tráfico em ação
Repórter do Globo testemunhou julgamento e execução de um menor por nove traficantes. (págs. 1, 20 e 21)
A ministra Dilma Rousseff, favorita de Lula para suceder-lhe, enfrenta a primeira prova de fogo da candidatura com o escândalo do dossiê dos gastos de FH. Se ela cair, Lula perde seu terceiro presidenciável, após Dirceu e Palocci. (págs. 1 e 3)
GAZETA MERCANTIL
Venezuela vem buscar alimentos no Brasil
Sem alarde, representantes do governo de Hugo Chávez vieram ao Brasil esta semana para oferecer maior facilidade na entrada de alimentos do País na Venezuela. Nos dois encontros com representantes da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), segunda e terça-feira, os fabricantes locais informaram as dificuldades para vender ao vizinho e suas solicitações foram atendidas, disse Edmundo Klotz, presidente da Abia, à Gazeta Mercantil. “Fiquei impressionado como abriram o canal de comunicação com as pessoas-chave do ministério (da Alimentação). Deram nome, endereço, telefone, tudo que fosse necessário para facilitar o processo”, afirmou Hélio Morgado, diretor-geral da Schreiber Foods, fabricante de queijos fundidos. As exportações da empresa devem crescer de 18% para até 30% do faturamento este ano por conta da Venezuela. Segundo Klotz, o desabastecimento na Venezuela se agravou após o recente incidente diplomático com a Colômbia, grande fornecedora do país, por isso a urgência em comprar do Brasil. Em 2007, a exportação de alimentos brasileiros industrializados à Venezuela somou apenas US$ 712,8 milhões dos US$ 26 bilhões vendidos ao exterior. José Francisco Marcondes, presidente da Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria, recebeu a delegação venezuelana e afirmou que o motivo oficial da procura por alimentos é a formação de reserva alimentícia. (págs. 1 e C6)
Embalado pelos resultados de recordista olímpico em nova pesquisa de popularidade, o presidente Lula da Silva saudou ontem os empresários participantes do Fórum Brasil México com um de seus mais animados pronunciamentos. Segundo levantamento do Ibope, o governo Lula teve sua melhor avaliação desde 2003: 58% de ótimo e bom. O presidente começou seu discurso aos empresários explicando que confundiu o mexicano Ricardo Salinas com o ex-presidente daquele país, Salinas de Gortari. Logo depois brincou com a crise nos Estados Unidos. “Eu disse: Bush, meu filho, nós passamos mais de 26 anos sem poder crescer economicamente, logo agora vem essa crise para atrapalhar? Nada temos com isso.” (págs. 1 e A13)
Com a tecnologia WiMax, a Embratel se volta a partir de abril ao pequeno e microempresário que gostaria de adquirir o pacote de telefonia e banda larga, mas até agora esteve fora da rede de cabo da Net usada pela Embratel para trafegar dados. Como a Net está presente apenas nos bairros de classe média para cima, todos os demais estavam de fora. “Com investimentos de R$ 175 milhões, estamos estreando a rede WiMax em 12 cidades brasileiras”, disse o diretor para área corporativa, Maurício Vergani. Em três anos serão 61 cidades e R$ 600 milhões investidos. A briga aumenta com as fixas Telefônica, BrT e Oi. (págs. 1 e C1)
A proposta de reforma tributária apresentada pelo senador Francisco Dornelles (PPRJ) inclui as contribuições - algo em torno de 29,4% da receita federal em 2007, já descontada a CPMF - no bolo dividido pela União com estados e municípios. (págs. 1 e A12)
Dos dez índices que fazem parte da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), apenas dois - INDX e Itel - acumulam alta neste ano. Os demais têm desvalorização superior a 4% em 2008. (págs. 1 e investnews.com.br)
O aumento nos preços do aço foi um dos principais responsáveis pela alta expressiva registrada no lucro líquido da Usiminas, que foi de R$ 3,2 bilhões no ano passado, resultado que supera em 26% o obtido no ano anterior. (págs. 1 e A4)
ENERGIA ELÉTRICA - BNDES tem US$ 36,9 bi para geração, diz Coutinho. (págs. 1 e C4)
CRÉDITO IMOBILIÁRIO - CMN autoriza bancos e cooperativas de crédito oficiais a financiar imóveis. (págs. 1 e B2)
PIB - BC revisa crescimento econômico para 4,8%. (págs. 1 e A6)
KLAUS KLEBER - Em 18 anos, Rinaldo Campos Soares preparou a Usiminas, ex-estatal, para o novo ciclo de expansão da siderurgia brasileira. (págs. 1 e A2)
ENERGIA ELÉTRICA - BNDES tem US$ 36,9 bi para geração, diz Coutinho. (págs. 1 e C4)
CORREIO BRAZILIENSE
Estratégia para blindar Dilma
O governo vai reforçar o papel de capitã do time, exercido pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que continua participando das inaugurações de obras ao lado do presidente Lula. Num evento em Curitiba, ela negou a existência de dossiê, afirmou que a crise está circunscrita à CPI dos Cartões e que tem mais o que fazer: “Prefiro tratar do PAC”, disse. (págs. 1 e 3)
Após Dirceu e Palocci, segue a maldição dos presidenciáveis de Lula. (págs. 1 e 2)
Congresso confirma veto de artigo que autorizava penhora de imóveis avaliados acima de R$ 415 mil, e salva do confisco a mansão de R$ 50 milhões do ex-dono do Banco Santos. A decisão contou com o apoio do senador José Sarney, que nega atuação em benefício de Edemar Cid Ferreira. (págs. 1 e 8)
As relações amistosas entre o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central estão ameaçadas. Descontente com o tom do BC em relação ao aperto monetário, Guido Mantega se antecipou e anunciou a intenção de reduzir prazos de financiamento. Convencido por Meirelles, o presidente Lula negou a medida. O próximo embate será a decisão sobre a taxa de juros em abril. (págs. 1 e 24)
O flagelo da dengue - Como a pobreza e o descaso fizeram do Rio o palco para uma das maiores crises sanitárias da atualidade. (pág. 1 e Tema do Dia, pág. 13)
VALOR ECONÔMICO
Importados sobem 18% e já não amortecem a inflação
Os preços dos produtos importados pelo Brasil subiram 18% no primeiro bimestre deste ano em relação a igual período do ano passado e podem, em conseqüência, deixar de agir como um amortecedor para a inflação. Os reajustes de produtos importados são generalizados e decorrem da alta das commodities e do aumento dos custos de produção na China. Os produtos que a Black & Decker importa da China chegaram ao país entre 5% e 15% mais caros neste ano, dependendo do modelo. Para a Suggar, além dos preços, a alta do frete está afetando o custo dos itens vindos do exterior. A Randon registrou aumento de 3% a 4% em dólar no preço dos aços importados, utilizados como matéria-prima. A alta de 18% no bimestre indica uma aceleração de preços, pois nos 12 meses encerrados em fevereiro a alta ficou em 10%, segundo dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). Os reajustes são liderados por combustíveis, que subiram 48,5% em janeiro e fevereiro, mas também ocorreram em bens intermediários, bens de capital e de consumo duráveis. Até mesmo eletroeletrônicos subiram 8% no bimestre, comparado com estabilidade no acumulado em 12 meses. O baixo custo dos produtos chineses garantiram vigoroso crescimento da economia mundial sem preocupação com alta de preços por um bom tempo. Agora, uma série de fatores começa a transformar a China em “exportador” de inflação. Os preços no país asiático estão subindo por conta da demanda interna aquecida, dos salários em alta e da valorização do câmbio, avalia Fernando Ribeiro, economista da Funcex. O preço dos importados representa uma pressão adicional de custo para as empresas, que já pararam de contar com o benefício da desvalorização do câmbio. Nos últimos 12 meses (até fevereiro), o dólar desvalorizou 17,16% e mesmo assim os produtos industriais subiram 6,2% no atacado. E muitos insumos com forte alta no mercado internacional neste primeiro trimestre ainda não sofreram reajustes no Brasil, como óleo diesel (25%), alumínio (45%), estanho (20%), e bobina a frio (35%). O Banco Central, no relatório de inflação de março, elevou as projeções para o IPCA deste ano de 4,3% para 4,6%. (Págs. 1, A7 e A8)
O presidente Lula, com 58% de ótimo/bom, obteve sua melhor avaliação desde março de 2003. O número de pessoas que considera o governo Lula ruim ou péssimo caiu de 17% para 11%. (Págs. 1 e A12).
O comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, que reúne as principais autoridades na área, reuniu-se e decidiu manter as térmicas ligadas por precaução, embora o nível dos reservatórios esteja elevado. A decisão não foi unânime. (Pág. 1 e A10)
O último obstáculo para a aquisição do controle acionário da Brasil Telecom (BrT) pela Oi foi vencido ontem à noite, após um acordo para resolver um litígio entre Citigroup e Opportunity, acionistas de ambas as empresas. Os sócios majoritários das duas operadoras chegaram a um entendimento oral, e o detalhamento do negócio ainda pode levar alguns dias, pois é preciso assinar vasta documentação. Após um impasse no feriado da Páscoa, as negociações foram retomadas na segunda-feira e finalmente houve um acerto entre o Citi e o Opportunity, que travam desde 2005 uma disputa na Justiça de Nova York. O preço da aquisição ficará entre R$ 4,5 bilhões e R$ 5,3 bilhões. (Página 1)
Com um déficit mundial de 1 milhão de toneladas, a borracha natural atingiu no mercado internacional uma marca memorável: US$ 2.600 por tonelada, mais que o dobro da média histórica de US$ 1.200. O custo do petróleo teve impacto forte nos preços da borracha sintética, que contribuíram para levar as cotações da natural para o céu. E até 2020, as projeções indicam que o consumo estará bem à frente da oferta. É esse cenário de garantia de mercado que tem seduzido iniciantes no ramo. Caso do ortopedista paulista André Reis, de 46 anos, para quem a borracha irá garantir a aposentadoria. Reis vendeu as 700 cabeças de gado e plantou 15 mil seringueiras. Em sete anos, quando ele fizer a primeira “sangria”, suas seringueiras deverão render 120 toneladas de borracha ao ano e receita anual de R$ 140 mil. (Págs. 1 e B20)
As 21 construtoras e incorporadoras que foram à bolsa de valores nos últimos dois anos utilizaram os mais de R$ 12 bilhões que captaram em suas ofertas primárias para dar um salto de crescimento inédito. Juntas, essas companhias colocaram no mercado quase R$ 25 bilhões em imóveis novos, mais de duas vezes e meia o volume de lançamentos registrados em 2006. Em muitos casos, companhias de pequeno porte ampliaram seus lançamentos em 400%, 500% ou mesmo 1.500%, índices raros em qualquer setor da economia. Este crescimento em projetos lançados, no entanto, ainda não pode ser visto como sinônimo de sucesso dessas empresas. Por conta do ciclo longo do setor - as receitas de um lançamento demoram, em média, dois anos para serem apropriadas -, quase todas elas ainda não têm esse volume de expansão refletido em seus faturamentos ou em seus resultados. E, além disso, lançar um novo edifício ou condomínio não significa que o produto esteja entregue aos compradores. Todas estas companhias precisarão de um grande volume de capital de giro para entregar os imóveis que lançaram, o que pode ser um problema em tempos de crise internacional de crédito. Juntas, as construtoras e incorporadoras que foram à bolsa tiveram vendas contratadas da ordem de R$ 14,5 bilhões, um crescimento de mais de 121% sobre os números de 2006. (Págs. 1 e B10)
O mecânico Salvador Turco deixou o emprego em uma fábrica de chocolates em 1978 e abriu uma serralheria em Vila Velha (ES), a União Engenharia. A empresa progrediu devagar e tinha 120 empregados em 2005. Desde então, ganhou dimensões que seu fundador nunca imaginou: 1.500 empregados, caminhando para 2 mil. A história da União, espelha a explosão de negócios que ocorre no Espírito Santo nos setores de siderurgia, mineração e, principalmente, petróleo. Na semana passada, Turco ligou da China para sócio-diretor Wagner Alves da Rocha para discutir detalhes da compra de máquinas para modernizar a produção. No ritmo atual, a empresa tem contratos para três anos de operação. (Págs. 1 e A20)
Com uma bandeira de defesa do verde, a RMA Engenharia Integrada, uma construtora pequena, quer crescer 60% esse ano, elevando o faturamento de R$ 19 milhões para R$ 30 milhões, diz Renato Auriemo. (Págs. 1 e B8)
Armando Castelar: é difícil conciliar o tom pesado da ata do Copom com as previsões de inflação do BC. (Págs. 1 e A19)
Maria C. Fernandes: verticalização do voto despreza realidades locais. (Págs. 1 e A11)
REVISTAS
VEJA
TÍTULOS DE CAPA
- A CLASSE DOMINANTE - Com 86 milhões de brasileiros, a classe C torna-se a maior do país. Saiba como esse fenômeno populacional e de mercado vai revolucionar o Brasil
- O DOSSIÊ DOS GASTOS - Da negativa às explicações
- GARIBALDI ALVES: “O Congresso está na UTI”
Entrevista: Garibaldi Alves - O Congresso na UTI - O senador diz que o Parlamento está agonizante e que muitos políticos usam o mandato apenas em proveito próprio. (Capa e págs. 11 a 15)
O erro de cálculo - Quem quer que tenha montado o dossiê se esqueceu de que ele não sumirá sozinho. Já há até uma suspeita de sua autoria. (Capa e págs. 56 a 60)
Popularidade e fúria - Apesar dos índices recordes de aprovação, Lula esbraveja no palanque e afaga políticos punidos. (págs. 64 e 65)
J.R.Guzzo - São Paulo e Paraná - “Nenhuma menção foi feita pelo presidente, enfim, ao fato de que Severino, após renunciar, tentou voltar à Câmara nas eleições de 2006. Não poderia haver oportunidade melhor para o povo de Pernambuco, com a força do voto livre e secreto, corrigir a injustiça feita pela elite de São Paulo e do Paraná, dando um novo mandato ao ex-deputado. Mas o povo de Pernambuco não quis dar um novo mandato ao ex-deputado”. (pág. 66)
O recado das panelas - Cristina ouve, pela primeira vez, o panelaço que já derrubou presidentes na Argentina. (págs. 68 e 69)
Epidemia do descaso - O surto de dengue no Rio de Janeiro expõe a negligência dos governos com a saúde. (págs. 76 e 77)
Ela empurra o crescimento - Em dois anos, 20 milhões de brasileiros saíram da pobreza e emergiram para a classe C. Esse fenômeno catapultou o consumo e expandiu a classe média, deixando o país a um salto do desenvolvimento. (Capa e págs. 82 a 89)
Artigo - José Júlio Senna - A era do crédito - “O quadro econômico que provavelmente prevalecerá em 2010 não será muito diferente do atual. A chamada classe C, composta de pessoas que têm experimentado oportunidades ampliadas de emprego, salários mais altos e acesso a produtos bancários e crédito, constituirá importante força eleitoral”. (págs. 90 e 91)
Ciência num lugar inesperado - Numa cidade brasileira marcada pelo atraso, surgirá um dos mais avançados laboratórios de neurociências do mundo. (págs. 108 e 109)
Memórias da estupidez - Em nome do “bom gosto”, até Mário de Andrade teve poemas censurados pela ditadura militar. (págs. 112 e 113)
Diogo Mainardi - Entendeu, Tabatha? - “O blog de Paulo Henrique Amorim está em nome da Nexxy Capital Brasil Ltda., de Luiz Roberto Demarco. A Internet é assim. Os blogueiros jornalistas podem criar uma nova identidade por dia. Mas sempre dá para descobrir quem manda neles”. (pág. 123)
Roberto Pompeu de Toledo - Noites de almirante do marujo McCain - “Inesquecíveis aventuras vividas no Rio de Janeiro por um jovem aspirante da Marinha dos EUA”. (pág. 130)
ÉPOCA
TÍTULO DE CAPA
- ELA AGÜENTA? O impacto do vazamento de informações no futuro de Dilma
Ela vai resistir? - Como a crise provocada pelo vazamento de informações sigilosas de gastos pessoais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afeta o futuro de Dilma Rousseff, a candidata preferida de Lula para 2010. (Capa e págs. 39 a 42)
Entrevista: “Inventaram um dossiê” - Dilma Rousseff admite vazamento de informações, mas nega que o governo tenha bisbilhotado dados de FHC. (pág. 143)
Nossa política - Fernando Abrucio - O baile de máscaras da eleição municipal - “A disputa pelas prefeituras embaralhou o jogo em três grandes partidos: PT, PSDB e DEM”. (pág. 44)
O movimento dos sem-rumo - Enfraquecido em sua luta original pela reforma agrária, o MST muda de bandeira. O ataque agora é contra a Vale e o êxito da economia de mercado. (págs. 46 a 49)
Nossa economia - Paulo Guedes - A crise pode ser boa para os investidores - “Haverá mais critério nos lançamentos de ações. As empresas oportunistas terão menos espaço”. (pág. 50)
O filósofo da improvisação - Mangabeira Unger, o ministro do Longo Prazo, tenta ganhar influência no governo semeando, a curto prazo, suas idéias polêmicas. (págs. 52 a 55)
Algo novo nos céus do Brasil - O criador da JetBlue - uma das mais inovadoras empresas aéreas do mundo - entra no mercado brasileiro para enfrentar a Gol e a TAM. Por que isso é bom para o passageiro. (págs. 58 e 59)
O retrato do abandono - A mais grave epidemia de dengue da história do Rio de Janeiro expõe a precariedade do atendimento à saúde. Qual cidade poderá ser a próxima? (págs. 92 a 98)
Sucata supersônica - Os caças que nos anos 1970 foram a coisa mais avançada que a FAB já teve vão para o desmanche. (pág. 100)
Nossa antena - Ruth de Aquino - A crônica da dengue anunciada - “O realismo fantástico invade o Rio. Seu prefeito pede ao santo que mande os mosquitos para o mar”. (pág. 138)
ISTOÉ
TÍTULO DE CAPA
- DENGUE NO RIO - A epidemia que já matou mais de 50 pessoas transforma a rotina dos cariocas
Entrevista: Haroldo Lima - “Podemos trocar petróleo por ferrovias e portos” - Presidente da ANP quer recriar o monopólio do Estado na extração e defende a criação de uma nova estatal para o setor. (págs. 4 a 9)
Lula no melhor dos mundos - Embalado pela popularidade recorde e pela ampliação da classe média, o presidente está de volta aos palanques. (págs. 28 a 30)
A política industrial de Miguel Jorge - Governo prevê investimentos de R$ 251 bilhões até 2010 em 24 setores da economia, mas a eficácia desse plano vai depender da política monetária. (págs. 32 a 35)
Dinheiro ao vento - Ministério Público e TCU encontram irregularidades que envolvem ex-ministro e paralisam projeto de R$ 320 milhões. (págs. 36 e 37)
Matança impune - Após reportagem de ISTOÉ, três militantes da LCP são mortos e o governador de Rondônia pede ajuda federal para combater a guerrilha. (págs. 38 e 39)
Epidemia criminosa - Omissão de ministro, governador e prefeito favorece a proliferação do mosquito e leva o Rio à pior onda de dengue de sua história. (Capa e págs. 42 a 45)
Temporão, o resistente - A saúde degringola com a febre amarela e a dengue e Procuradoria da República entra com ação contra o ministro. (págs. 46 e 47)
Fittipaldi acelera contra o BNDES - O bicampeão de Fórmula 1 quer construir usina de etanol no Brasil, mas reclama de garantias exigidas pelo banco. (págs. 84 e 85)
DINHEIRO
TÍTULOS DE CAPA
- ELE QUER BRIGA! - David Neeleman, o brasileiro que revolucionou a aviação nos EUA, desafia Gol e TAM com uma nova empresa aérea. Suas armas: 76 aviões, 200 rotas, passagens baratas e conforto a bordo. É o bastante?
- ENERGIA - O plano secreto para criar a Super Eletrobrás
Vem aí a Super Eletrobrás - O governo quer transformar a estatal num gigante. O plano prevê novas usinas dentro e fora do País, criando uma empresa tão valiosa como a Petrobras. Conseguirá? (Capa e págs. 28 a 30)
Depois do PAC, o PDC - Para evitar uma alta nos juros, governo cogitou um “Programa de Desaceleração do Crescimento”. Felizmente, voltou atrás. (pág. 34)
O plano da indústria - Miguel Jorge conclui um pacote para o desenvolvimento industrial que prevê mais pesquisa, mais investimentos e menos impostos. Falta só acelerar e colocar em prática. (págs. 36 e 37)
Frevo latino - No Recife, Brasil estreita relações econômicas com dois importantes parceiros: México e Venezuela. (págs. 40 e 41)
David contra o duopólio - A estratégia do empresário David Neeleman para, com uma nova companhia aérea de baixo custo, sacudir o setor dominado por TAM e Gol. (Capa e págs. 62 a 66)
Artigo - Luiz Fernando Sá - Um choque nos planos de Serra - Fracasso do leilão da empresa causou um prejuízo de R$ 1,7 bilhão aos acionistas com a queda de valor de mercado. O valor pode ser debitado do cacife político do governador. (pág. 98)
CARTACAPITAL
TÍTULOS DE CAPA
- DIAS DIFÍCEIS PARA JOSÉ SERRA - O governador paulista tem de engolir o fracasso do leilão da Cesp e a candidatura de Geraldo Alckmin à prefeitura da capital - Aécio Neves explica a aliança entre PSDB e PT no pleito de Belo Horizonte e condena a hegemonia de São Paulo na disputa pela Presidência da República - Ciro Gomes atira lenha à fogueira e acena com a chance de ser vice em uma chapa encabeçada por Aécio
- DENGUE: O SURTO AVANÇA NO RIO E EXPÕE A NEGLIGÊNCIA DAS AUTORIDADES
Um vale de dúvidas - Impasse - Há 20 anos o Ribeira convive com o fantasma de uma usina. O Ibama sinaliza a aprovação, mas muitos moradores temem o impacto na região, marcada pela miséria e o descaso. (págs. 10 a 16)
Mina Carta - O silêncio e a calúnia - A saída de Paulo Henrique Amorim lembra um episódio que eu vivi. E me levou a crer que valho 50 milhões de dólares. (págs. 18 e 19)
O caso do “dossiê” - O Planalto nega participação - A Presidência investiga em busca dos responsáveis pelo vazamento. (pág. 19)
Sextante - Antonio Delfim Netto - Quase lá - “Para não retroceder, o Brasil precisa urgentemente de um programa industrial-exportador. Mesmo porque o País começa a envelhecer, antes de ser desenvolvido”. (pág. 21)
Choque de realidade - Política - O fiasco no leilão da Cesp, Geraldo Alckmin candidato e o namoro de Aécio com o PT atrapalham os planos de Serra. (Capa e págs. 22 a 24)
A hegemonia de São Paulo tem de acabar - Entrevista - Aécio destrincha os significados da paz mineira entre PT e PSDB. (págs. 24 a 28)
E Ciro contenta-se em ser vice de Aécio - Círculo alargado - O ex-ministro e deputado cearense prestigia a aliança mineira. (págs. 28 e 29)
Descuido fatal - Dengue - O surto no Rio de Janeiro avança e mata em um ritmo cinco vezes maior do que o da última grande epidemia. (Capa e págs. 30 a 32)
Evolução e Saúde - Rogério Tuma - De volta à Idade Média - A epidemia de dengue desnuda as fragilidades do Rio, que negligenciou as ações de prevenção e sanitarismo. (pág. 33)
Rosa-dos-ventos - Maurício Dias - Carta Cidadã em risco - “A reforma tributária proposta pelo governo abala os pilares erguidos pelo dr. Ulysses”. (pág. 34)
Herrar é Umano - EUA - Os financistas insistem em ficar acima de regras, apesar da série de fiascos. (págs. 36 a 38)
Os filmes como moeda - Política Cultural - Por que o cinema passou a interessar aos fundos de investimento. (págs. 52 e 53)
ATENÇÃO
Prezado (a) Leitor (a), A partir do dia 03/07/06, a Sinopse - Resumo dos Jornais estará disponível no endereço do Banco de Notícias da Radiobras: http://clipping.radiobras.gov.br/novo/, no item Sinopses e Clippings.
O avanço da epidemia de dengue no Rio é assustador. Em cinco dias, os casos chegaram a 31.288, um salto de 26,3%. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, crê que a subnotificação, sobretudo em atendimentos fora da rede pública, mascare indícios até piores. Enquanto isso, a integração entre as esferas de poder não chega a alguns lugares. A tenda de hidratação (estadual) de Jacarepaguá não é usada pelo hospital municipal Lourenço Jorge, na Barra. Embora faça ali 300 atendimentos de dengue por dia, o município sustenta que a unidade dá conta, enquanto, do lado de fora, os pacientes reclamam das filas. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, pelo menos 20 imóveis com focos foram invadidos por agentes, nos dois primeiros dias de vigência do decreto do “pé na porta”. (págs. 1, A10 e A11)
A denúncia de que saiu da Casa Civil o suposto dossiê sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira dama Ruth Cardoso provocou duros discursos. FH e parlamentares de oposição pediram a demissão da principal assessora da ministra Dilma Rousseff. Para Lula, a “oposição destila ódio”. (págs. 1 e A3)
A Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad), divulgada ontem pelo IBGE, mostra 14 milhões de crianças e adolescentes fora da escola no país. Os números referem-se a 2006. Significa que, da população entre zero e 17 anos de idade, 75,8% estavam estudando naquele ano. O levantamento radiografa ainda o trabalho ilegal infantil, que atingia 1,4 milhão de crianças entre 5 e 13 anos. Entre os 54 milhões de domicílios investigados pela Pnad, cerca de 10 milhões recebiam algum tipo de ajuda financeira originada de programas sociais do governo. O Bolsa Família é o maior deles: foram mais de 8 milhões de residências em todo o país.(págs. 1, País e A6)
Os ministérios da Justiça e da Defesa farão, com a Polícia Federal, uma força-tarefa para tentar localizar, resgatar e identificar os restos de 58 mortos na Guerrilha do Araguaia durante a ditadura militar, entre 1972 e 1975. Dois entrevistados pelo JB revelaram locais e cemitérios clandestinos usados na época. (págs. 1 e A2)
Especialistas temem que o Brasil repita sina de países em desenvolvimento como a China: o descuido com o lixo tecnológico. Há cidades chinesas onde montanhas de monitores, placas-mãe, celulares e baterias velhas são manuseadas por crianças e catadores intoxicados com altos níveis de metais pesados. (págs. 1 e Vida, Saúde & Ciência A24)
FOLHA DE SÃO PAULO
Dilma diz que dossiê é “banco de dados”
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse ontem que as informações reveladas sobre gastos presidenciais de Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso não são um dossiê, mas sim um “banco de dados” e lançou o desafio: “Provem que não é um banco de dados, provem. Não fiquem assacando contra nada”. Dilma também afirmou que a imprensa deveria revelar quem vazou os dados relativos ao ex-presidente tucano. “Afirmamos que é um banco de dados e que a quantidade de informações que tem um banco de dados é 20 mil vezes maior do que um dossiê e são essas informações que estão armazenadas na Casa Civil, seja para fornecer para a Comissão Parlamentar de Inquérito, se for pedido e se for decidido sob a responsabilidade de sigilo da CPI, seja para informar o Tribunal de Contas da União”, disse a ministra, em entrevista em Delmiro Gouveia (AL). A Folha publicou ontem reportagem em que afirma que a ordem para que fosse montado um dossiê com os gastos pessoais de FHC e sua família partiu da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Alves Guerra. “Não há nesta publicação que saiu na Folha de S.Paulo nenhum dado novo em relação ao que tinha saído na “Veja”. Há uma afirmação por parte do jornal que nós fizemos um dossiê. Nós insistimos que não foi um dossiê”, disse ela. “É óbvio que a parte administrativa da Casa Civil é dirigida pela doutora Erenice. O que a doutora Erenice falou na matéria [da Folha] é a mesma coisa que estamos falando desde a “Veja’: nós fizemos um banco de dados”, afirmou Dilma. (Página 1)
A primeira polêmica envolvendo o Ministério da Cultura em 2008 partiu do próprio Ministério da Cultura. O governo lida desde anteontem com um tiroteio de reações contrárias ao artigo “Incentivo ao Teatro?”, que o secretário-executivo do MinC, Juca Ferreira, e o ator e presidente da Funarte (órgão vinculado ao ministério), Celso Frateschi, publicaram nesta Folha. No texto, os autores discutem a eficiência da Lei Rouanet, principal mecanismo de financiamento da atividade cultural no país, e apontam distorções em sua aplicação. Frateschi e Ferreira dizem que a redução do número de sessões semanais dos espetáculos (de seis a oito antes da lei; duas ou três atualmente) e o encurtamento das temporadas vão de encontro ao principal objetivo da lei: universalizar o acesso à cultura nacional. A crescente concentração das produções na região Sudeste, segundo os autores, é outro fator que joga contra. Mais uma distorção no uso da Lei Rouanet apontado pelo artigo é o fato de que produtores culturais passaram a extrair maiores lucros com a captação de recursos para montar as peças do que com suas respectivas bilheterias. Assim, “a razão de ser do espetáculo não é mais o público”, sustenta o texto. (Página 1)
Apesar de proibido por lei, em 2006, 1,4 milhão de crianças e adolescentes de cinco a 13 anos estavam inseridos no mercado de trabalho. Segundo o IBGE, de 2004 a 2006 não houve alteração no nível de ocupação no período, estimado em 4,5%. Nesta faixa etária, 60% das crianças e dos jovens ocupados trabalhavam em atividades não remuneradas. A legislação brasileira proíbe o trabalho sob qualquer forma para crianças e adolescentes com menos de 14 anos. Os adolescentes de 14 e 15 anos podem trabalhar, desde que na condição de aprendizes. Em 2006, 5,1 milhões de crianças e jovens de cinco a 17 anos trabalhavam. Segundo o IBGE, apesar do número elevado, há sinais de melhora, como a redução do nível de ocupação, nesta base de comparação, de 11,8% em 2004 para 11,5% em 2006. (página 1)
O uso de um pó, aplicado como uma medida de prevenção contra a epidemia de dengue que atinge o Rio de Janeiro e que já provocou 54 mortes em todo o Estado, levou ao menos 75 pessoas ao hospital com intoxicação e se transformou em um caso de polícia. A intoxicação aconteceu na empresa Telesoluções Telemarketing Ltda, que presta o atendimento do “disque-dengue”, serviço que recebe informações sobre possíveis focos do mosquito da dengue no Rio e os repassa aos órgãos responsáveis pelo combate e prevenção da doença. As internações ocorreram entre a noite de anteontem e a manhã de ontem. Funcionários da empresa, localizada no centro do Rio, teriam espalhado o pó -que, segundo a empresa, seria cloro- nas áreas externas do prédio para evitar a formação de focos do Aedes aegypti nas poças de água e na caixa-d’água. Num dos pontos, a substância teria sido sugada pelo sistema de ar-condicionado central e se espalhado pela tubulação do prédio. O cheiro forte tomou conta de algumas salas e os funcionários passaram mal. (Página 1)
Diante de informações de que a refém Ingrid Betancourt está em condições de saúde muito delicadas, o governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, baixou um decreto oferecendo às Farc a soltura imediata de um número ilimitado de guerrilheiros presos em troca da libertação da franco-colombiana ou de vários seqüestrados, com a única condição de que, fora da cadeia, os rebeldes “não voltem a delinqüir”. Uribe frisou que, ao lado do decreto lançado na noite de anteontem, continua a valer um fundo de recompensa de US$ 100 milhões para guerrilheiros que desertem e entreguem os reféns. Disse também que os militares estão empenhados em ações para a “localização humanitária dos reféns”. O decreto foi desenhado para Betancourt. O texto diz que o governo dará por fechado um acordo e libertará os rebeldes uma vez que as Farc soltem “a ou as pessoas seqüestradas”. No entanto o procurador-geral da Colômbia, Mario Iguarán, declarou que a legislação do país não permite a libertação de guerrilheiros presos em troca apenas de Betancourt. (Página 1)
CLOVIS ROSSI - Por mero instinto -um péssimo instrumento para jornalistas, admito-, acho que a ministra Dilma Rousseff não tem culpa direta no dossiê sobre os gastos do governo Fernando Henrique Cardoso. Não parece ter déficit de caráter a ponto de tomar a iniciativa de telefonar para Ruth Cardoso para negar a existência do dossiê se de fato o tivesse pedido. Fica portanto a impressão de que Dilma foi enganada pela sua principal assessora, Erenice Alves Guerra, que reportagem desta Folha apontou como a autora do dossiê. Não adianta agora o pessoal do governo, em coro, negar que se trate de dossiê. Os dados revelados -e não desmentidos- compõem o típico dossiê. Ou “crime”, para lembrar definição da própria Dilma. (Página 1)
O ESTADO DE SÃO PAULO
Oposição acusa Dilma pela produção do dossiê FHC
Antes da abertura da CPI dos Cartões, o Planalto já havia mobilizado a Esplanada dos Ministérios para montar um dossiê sobre gastos do governo Fernando Henrique com cartões corporativos e contas B. A operação saiu de ao menos duas reuniões lideradas pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Sua secretária-executiva, Erenice Guerra, reuniria os dados. Dilma acusa a oposição de promover a “escandalização do nada”. “Não há dossiê coisa nenhuma. Há trabalho de rotina, na formatação de um banco de dados”, alega. Em Alagoas, o presidente Lula também mirou nos adversários: “Estão destilando ódio.” (Página 1)
Os rendimentos dos brasileiros que recebem programas sociais do governo federal cresceram 19,4% acima da inflação entre 2004 e 2006, afirma estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgado ontem. A variação da renda foi maior que a dos lares sem programas sociais (16,9%). O IBGE também mostra, porém, em outro trabalho baseado na PNAD, que o avanço nos ganhos não foi seguido no mesmo ritmo pelo acesso à educação: dos 59,1 milhões de jovens de zero a 17 anos, 14,29 milhões não estavam em creche nem escola em 2006. Também o trabalho infantil, apesar de cair levemente, mostrou resistência, sobretudo na faixa mais jovem fora do Bolsa-Família. (Página 1)
A Petrobrás encontrou mais um reservatório de petróleo e gás abaixo da camada de sal na Bacia de Santos. Foi no bloco BM-S-8, ao sul das reservas gigantes de Tupi. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) recebeu a notificação no dia 6. A empresa informou que não fez comunicado ao mercado porque ainda não foram feitos testes de produção para avaliar o potencial da jazida. Esse é o nono poço bem-sucedido na região, que vem sendo encarada como a principal província petrolífera mundial encontrada nos últimos anos. Em apenas quatro poços foram feitos testes de produção. (Página 1)
Os controladores das operadoras Oi e Brasil Telecom assinam esta semana o acordo de compra e venda, no valor de R$ 4,850 bilhões, que dará início à formação da “supertele” nacional. O documento será enviado à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e ficará condicionado à mudança do Plano Geral de Outorgas (PGO), que não permite fusões e incorporações de empresas de telefonia fixa em áreas diferentes. O processo de análise levará, pelo menos, seis meses. Até lá, Oi e BrT continuarão atuando de forma independente, como se nenhum acordo tivesse de fato ocorrido. (Página 1)
Desde 2005, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discute um aperfeiçoamento da propaganda dos Medicamentos Isentos de Prescrição, cujo último “round” deve ser uma audiência pública em julho. Para a Sociedade Brasileira de Vigilância em Medicamentos, que desde 1991 defende o uso racional de remédios, as propagandas são exemplos de estímulo ao consumo irracional, produto de um vácuo na regulamentação desses comerciais. A entidade é uma das que defendem o banimento da propaganda dos remédios isentos de prescrição ou uma pré-aprovação dos anúncios. (Página 1)
O presidente colombiano, Álvaro Uribe, baixou um decreto pelo qual os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que estão presos começarão a ser anistiados assim que os guerrilheiros soltarem o primeiro refém em seu poder. “Não importa se os delitos cometidos por eles sejam de rebelião, crimes comuns ou de lesa humanidade”, afirmou o comissário do governo para a paz, Luis Carlos Restrepo, após a reunião na qual foram acordados os termos do decreto, na quinta-feira à noite. Segundo Restrepo, a única condição para os rebeldes serem soltos é que “se comprometam a não voltar a delinqüir”. (PÁGINA 1)
NOTAS E INFORMAÇÕES - Não será um dossiê contra um antecessor com baixos teores de popularidade que arranhará a veneração popular por Lula. Para quem deu a volta por cima do mensalão, em grande estilo, depois de duvidar da própria reeleição, na pior hora de 2005, esse caso ele “tira de letra”. (Página 1)
DORA KRAMER - O fiador da reincidência - Da impunidade, sabemos todos, parece desconhecer o presidente da República, resulta a reincidência do crime. (Página 1)
O GLOBO
Dilma resiste a demitir assessora que fez dossiê
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) resiste às pressões da oposição para demitir a secretária-executiva de sua pasta, Erenice Alves Guerra, apontada como responsável por um dossiê sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de sua mulher, Ruth Cardoso. Dilma nega que se trate de um dossiê, referindo-se às informações como um “banco de dados”, e diz que o governo foi vítima de um “vazamento criminoso”. A versão oficial é de que o vazamento teria sido ato de informantes tucanos infiltrados no Planalto. O líder do PSDB, Arthur Virgílio, chamou a ministra de “aloprada”. Em Alagoas, o presidente Lula elogiou o senador Renan Calheiros e disse que a oposição está “destilando ódio”, O governo descartou investigação da PF: Fernando Henrique cobrou a demissão de Erenice Guerra. Nos EUA, a Casa Branca demitiu há 15 dias assessores que vasculharam dados de Barack Obama e Hillary Clinton. (págs. 1, 3 e 14)
Bolsa Família: consumo alto, infra-estrutura baixa - Quase metade da parcela mais pobre da população com renda inferior a um quarto de salário mínimo, o equivalente a 1,8 milhão de famílias, está fora dos programas sociais do governo federal. Dados do IBGE mostram que os programas sociais chegam a 10 milhões de domicílios, 18,3% do total. Entre os beneficiários, a renda subiu e o consumo de eletrodomésticos também - mas o acesso a infra-estrutura está abaixo do ideal. Pela primeira vez, o IBGE pesquisou e constatou que 273 mil crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos sofreram acidentes no trabalho em 2006. Ao todo, 1,45 milhão - praticamente uma em cada três - tem jornada de adultos, acima de 40 horas semanais. (págs. 1, 18 a 22 e 41 a 45)
O ministro da Educação, Fernando Haddad, defende a devolução imediata de R$ 4,4 milhões em verbas para alfabetização desviados pela Anca, ONG ligada ao MST. “Tem que cumprir o convênio ou restituir o recurso”, disse. (págs. 1 e 16)
A Justiça determinou ontem que o estado e a prefeitura do Rio transfiram para hospitais privados pacientes com dengue que não conseguirem vaga na rede pública. (págs. 1, 23 a 27 e Guia de Compras)
Numa indicação de que não quer ser responsabilizado pela morte de Ingrid Betancourt, o presidente Uribe autorizou a libertação de presos e ofereceu dinheiro em troca da ex-senadora e outros reféns. (págs. 1 e 53)
Editorial - Aliança de Hugo Chávez com o MST em “convênios sociais” vai contra os interesses do regime democrático brasileiro. (págs. 1 e 6)
GAZETA MERCANTIL
Venezuela vem buscar alimentos no Brasil
Sem alarde, representantes do governo de Hugo Chávez vieram ao Brasil esta semana para oferecer maior facilidade na entrada de alimentos do País na Venezuela. Nos dois encontros com representantes da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), segunda e terça-feira, os fabricantes locais informaram as dificuldades para vender ao vizinho e suas solicitações foram atendidas, disse Edmundo Klotz, presidente da Abia, à Gazeta Mercantil. “Fiquei impressionado como abriram o canal de comunicação com as pessoas-chave do ministério (da Alimentação). Deram nome, endereço, telefone, tudo que fosse necessário para facilitar o processo”, afirmou Hélio Morgado, diretor-geral da Schreiber Foods, fabricante de queijos fundidos. As exportações da empresa devem crescer de 18% para até 30% do faturamento este ano por conta da Venezuela. Segundo Klotz, o desabastecimento na Venezuela se agravou após o recente incidente diplomático com a Colômbia, grande fornecedora do país, por isso a urgência em comprar do Brasil. Em 2007, a exportação de alimentos brasileiros industrializados à Venezuela somou apenas US$ 712,8 milhões dos US$ 26 bilhões vendidos ao exterior. José Francisco Marcondes, presidente da Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria, recebeu a delegação venezuelana e afirmou que o motivo oficial da procura por alimentos é a formação de reserva alimentícia. (págs. 1 e C6)
Embalado pelos resultados de recordista olímpico em nova pesquisa de popularidade, o presidente Lula da Silva saudou ontem os empresários participantes do Fórum Brasil México com um de seus mais animados pronunciamentos. Segundo levantamento do Ibope, o governo Lula teve sua melhor avaliação desde 2003: 58% de ótimo e bom. O presidente começou seu discurso aos empresários explicando que confundiu o mexicano Ricardo Salinas com o ex-presidente daquele país, Salinas de Gortari. Logo depois brincou com a crise nos Estados Unidos. “Eu disse: Bush, meu filho, nós passamos mais de 26 anos sem poder crescer economicamente, logo agora vem essa crise para atrapalhar? Nada temos com isso.” (págs. 1 e A13)
Com a tecnologia WiMax, a Embratel se volta a partir de abril ao pequeno e microempresário que gostaria de adquirir o pacote de telefonia e banda larga, mas até agora esteve fora da rede de cabo da Net usada pela Embratel para trafegar dados. Como a Net está presente apenas nos bairros de classe média para cima, todos os demais estavam de fora. “Com investimentos de R$ 175 milhões, estamos estreando a rede WiMax em 12 cidades brasileiras”, disse o diretor para área corporativa, Maurício Vergani. Em três anos serão 61 cidades e R$ 600 milhões investidos. A briga aumenta com as fixas Telefônica, BrT e Oi. (págs. 1 e C1)
A proposta de reforma tributária apresentada pelo senador Francisco Dornelles (PPRJ) inclui as contribuições - algo em torno de 29,4% da receita federal em 2007, já descontada a CPMF - no bolo dividido pela União com estados e municípios. (págs. 1 e A12)
Dos dez índices que fazem parte da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), apenas dois - INDX e Itel - acumulam alta neste ano. Os demais têm desvalorização superior a 4% em 2008. (págs. 1 e investnews.com.br)
O aumento nos preços do aço foi um dos principais responsáveis pela alta expressiva registrada no lucro líquido da Usiminas, que foi de R$ 3,2 bilhões no ano passado, resultado que supera em 26% o obtido no ano anterior. (págs. 1 e A4)
ENERGIA ELÉTRICA - BNDES tem US$ 36,9 bi para geração, diz Coutinho. (págs. 1 e C4)
CRÉDITO IMOBILIÁRIO - CMN autoriza bancos e cooperativas de crédito oficiais a financiar imóveis. (págs. 1 e B2)
PIB - BC revisa crescimento econômico para 4,8%. (págs. 1 e A6)
KLAUS KLEBER - Em 18 anos, Rinaldo Campos Soares preparou a Usiminas, ex-estatal, para o novo ciclo de expansão da siderurgia brasileira. (págs. 1 e A2)
ENERGIA ELÉTRICA - BNDES tem US$ 36,9 bi para geração, diz Coutinho. (págs. 1 e C4)
CORREIO BRAZILIENSE
Dilma, a mãe do dossiê
A ministra-chefe da Casa Civil, “mãe do PAC” e petista mais cotada para a sucessão de Lula, tornou-se o epicentro do escândalo em torno do dossiê com gastos da Presidência na gestão de FHC. As informações reunidas no levantamento serviram de munição para governistas chantagearem a oposição na CPI dos Cartões. O Planalto lançou uma estratégia para preservar a ministra, que nega a existência de um dossiê e afirma tratar-se de um “banco de dados”. “Ela é aloprada”, disse o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). Setores da oposição já defendem a abertura de uma CPI no Senado para convocar Dilma Rousseff e sua secretária-executiva, Erenice Guerra. (Págs. 1, Tema do Dia,páginas 2 a 5, e Brasília-DF, página 10)
Pesquisa do IBGE revela que no Brasil 5,1 milhões de crianças e adolescentes desempenham algum tipo de trabalho. Geraldo (nome fictício), 13 anos, lava a louça de casa em Luziânia e realiza outras tarefas, que podem se transformar em exploração. O estudo revela ainda que, entre 2004 e 2006, a renda per capita das famílias beneficiadas por programas sociais subiu 19,5% acima da inflação. (págs. 1, 14,15 e 17)
Vida mais cara - Alta de insumos pressiona preços de imóveis e do pão. Valor dos genéricos supera o dos remédios de marca. (págs. 1 e 21 a 23)
Os sem-concurso - Justiça suspende seleções do Inmetro e BNDES. Decisão atinge 54 mil candidatos, que já disputavam nomeação. (págs. 1 e 27)
FARC - Cartada de Uribe para salvar Ingrid - Presidente colombiano autoriza libertar guerrilheiros em troca de Ingrid Betancourt e oferece US$ 100 milhões a rebeldes que entregarem reféns. Estado de saúde da ex-senadora é crítico, segundo relatos. (págs. 1 e 30)
VALOR ECONÔMICO
Importados sobem 18% e já não amortecem a inflação
Os preços dos produtos importados pelo Brasil subiram 18% no primeiro bimestre deste ano em relação a igual período do ano passado e podem, em conseqüência, deixar de agir como um amortecedor para a inflação. Os reajustes de produtos importados são generalizados e decorrem da alta das commodities e do aumento dos custos de produção na China. Os produtos que a Black & Decker importa da China chegaram ao país entre 5% e 15% mais caros neste ano, dependendo do modelo. Para a Suggar, além dos preços, a alta do frete está afetando o custo dos itens vindos do exterior. A Randon registrou aumento de 3% a 4% em dólar no preço dos aços importados, utilizados como matéria-prima. A alta de 18% no bimestre indica uma aceleração de preços, pois nos 12 meses encerrados em fevereiro a alta ficou em 10%, segundo dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). Os reajustes são liderados por combustíveis, que subiram 48,5% em janeiro e fevereiro, mas também ocorreram em bens intermediários, bens de capital e de consumo duráveis. Até mesmo eletroeletrônicos subiram 8% no bimestre, comparado com estabilidade no acumulado em 12 meses. O baixo custo dos produtos chineses garantiram vigoroso crescimento da economia mundial sem preocupação com alta de preços por um bom tempo. Agora, uma série de fatores começa a transformar a China em “exportador” de inflação. Os preços no país asiático estão subindo por conta da demanda interna aquecida, dos salários em alta e da valorização do câmbio, avalia Fernando Ribeiro, economista da Funcex. O preço dos importados representa uma pressão adicional de custo para as empresas, que já pararam de contar com o benefício da desvalorização do câmbio. Nos últimos 12 meses (até fevereiro), o dólar desvalorizou 17,16% e mesmo assim os produtos industriais subiram 6,2% no atacado. E muitos insumos com forte alta no mercado internacional neste primeiro trimestre ainda não sofreram reajustes no Brasil, como óleo diesel (25%), alumínio (45%), estanho (20%), e bobina a frio (35%). O Banco Central, no relatório de inflação de março, elevou as projeções para o IPCA deste ano de 4,3% para 4,6%. (Págs. 1, A7 e A8)
O presidente Lula, com 58% de ótimo/bom, obteve sua melhor avaliação desde março de 2003. O número de pessoas que considera o governo Lula ruim ou péssimo caiu de 17% para 11%. (Págs. 1 e A12).
O comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, que reúne as principais autoridades na área, reuniu-se e decidiu manter as térmicas ligadas por precaução, embora o nível dos reservatórios esteja elevado. A decisão não foi unânime. (Pág. 1 e A10)
O último obstáculo para a aquisição do controle acionário da Brasil Telecom (BrT) pela Oi foi vencido ontem à noite, após um acordo para resolver um litígio entre Citigroup e Opportunity, acionistas de ambas as empresas. Os sócios majoritários das duas operadoras chegaram a um entendimento oral, e o detalhamento do negócio ainda pode levar alguns dias, pois é preciso assinar vasta documentação. Após um impasse no feriado da Páscoa, as negociações foram retomadas na segunda-feira e finalmente houve um acerto entre o Citi e o Opportunity, que travam desde 2005 uma disputa na Justiça de Nova York. O preço da aquisição ficará entre R$ 4,5 bilhões e R$ 5,3 bilhões. (Página 1)
Com um déficit mundial de 1 milhão de toneladas, a borracha natural atingiu no mercado internacional uma marca memorável: US$ 2.600 por tonelada, mais que o dobro da média histórica de US$ 1.200. O custo do petróleo teve impacto forte nos preços da borracha sintética, que contribuíram para levar as cotações da natural para o céu. E até 2020, as projeções indicam que o consumo estará bem à frente da oferta. É esse cenário de garantia de mercado que tem seduzido iniciantes no ramo. Caso do ortopedista paulista André Reis, de 46 anos, para quem a borracha irá garantir a aposentadoria. Reis vendeu as 700 cabeças de gado e plantou 15 mil seringueiras. Em sete anos, quando ele fizer a primeira “sangria”, suas seringueiras deverão render 120 toneladas de borracha ao ano e receita anual de R$ 140 mil. (Págs. 1 e B20)
As 21 construtoras e incorporadoras que foram à bolsa de valores nos últimos dois anos utilizaram os mais de R$ 12 bilhões que captaram em suas ofertas primárias para dar um salto de crescimento inédito. Juntas, essas companhias colocaram no mercado quase R$ 25 bilhões em imóveis novos, mais de duas vezes e meia o volume de lançamentos registrados em 2006. Em muitos casos, companhias de pequeno porte ampliaram seus lançamentos em 400%, 500% ou mesmo 1.500%, índices raros em qualquer setor da economia. Este crescimento em projetos lançados, no entanto, ainda não pode ser visto como sinônimo de sucesso dessas empresas. Por conta do ciclo longo do setor - as receitas de um lançamento demoram, em média, dois anos para serem apropriadas -, quase todas elas ainda não têm esse volume de expansão refletido em seus faturamentos ou em seus resultados. E, além disso, lançar um novo edifício ou condomínio não significa que o produto esteja entregue aos compradores. Todas estas companhias precisarão de um grande volume de capital de giro para entregar os imóveis que lançaram, o que pode ser um problema em tempos de crise internacional de crédito. Juntas, as construtoras e incorporadoras que foram à bolsa tiveram vendas contratadas da ordem de R$ 14,5 bilhões, um crescimento de mais de 121% sobre os números de 2006. (Págs. 1 e B10)
O mecânico Salvador Turco deixou o emprego em uma fábrica de chocolates em 1978 e abriu uma serralheria em Vila Velha (ES), a União Engenharia. A empresa progrediu devagar e tinha 120 empregados em 2005. Desde então, ganhou dimensões que seu fundador nunca imaginou: 1.500 empregados, caminhando para 2 mil. A história da União, espelha a explosão de negócios que ocorre no Espírito Santo nos setores de siderurgia, mineração e, principalmente, petróleo. Na semana passada, Turco ligou da China para sócio-diretor Wagner Alves da Rocha para discutir detalhes da compra de máquinas para modernizar a produção. No ritmo atual, a empresa tem contratos para três anos de operação. (Págs. 1 e A20)
Com uma bandeira de defesa do verde, a RMA Engenharia Integrada, uma construtora pequena, quer crescer 60% esse ano, elevando o faturamento de R$ 19 milhões para R$ 30 milhões, diz Renato Auriemo. (Págs. 1 e B8)
Armando Castelar: é difícil conciliar o tom pesado da ata do Copom com as previsões de inflação do BC. (Págs. 1 e A19)
Maria C. Fernandes: verticalização do voto despreza realidades locais. (Págs. 1 e A11)
OUTROS JORNAIS
JORNAL DO COMMERCIO
Liminar suspende a lei seca em Gravatá
Apesar do grande prejuízo sofrido durante a Semana Santa, donos de bares e restaurantes comemoraram, ontem, a decisão do juiz federal, que liberou a venda de bebidas alcoólicas às margens da rodovia que corta cidade, no Agreste. (Página 1)
Dilma admite banco de dados, mas nega construção de dossiê. (Página 1)
O prefeito Cesar Maia, do DEM, esqueceu a dengue no Rio, mais uma vez, para tratar da ministra Dilma Roussef. Não disse que a oposição vai fazer barulho? Olha o que Maia acaba de postar no seu “Ex-Blog”:
“O CINISMO É A SINCERIDADE DOS PATIFES” - Machado de Assis em uma de suas crônicas em Balas de Estalo nos anos 1880!
Ato 1- Dilma Roussef telefona a Dona Ruth Cardoso, e suavemente diz que não há dossiê corporativo contra ela.
Ato 2- Dona Ruth Cardoso se emociona e elogia a ministra a amigas e amigos.
Ato 3- Manchete de hoje da Folha de SP: “PRINCIPAL ASSESSORA DE DILMA ROUSSEF MONTOU DOSSIÊ CONTRA FHC! Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil, ordenou levantamento de despesas.”
Ato 4- Fecha o pano com a seguinte frase: Lembranças da crônica citada de Machado de Assis no ano de seu centenário!