Arquivos de 02/2008:
27/02/2008 - 11:07
A guerra tucana: Virgílio é aliado de Aécio
O governador de São Paulo, José Serra, que se cuide. Gesta-se no seu partido, o PSDB, uma grande articulação para triturar a sua candidatua a presidente da República em nome dos tucanos. O maior beneficiário, é claro, seria o governador de Minas Gerais, Aécio Neves.
A senha para o movimento está sendo dada pelo senador Arthur Virgílio Neto (AM), com sua pré-candidatura avulsa à Presidência, sob o mote de que é preciso tirar de São Paulo o papel de centro das descisões do tucanato. A candidatura Virgílio, vista com desdém por Serra e seu grupo, na verdade pode se transformar num grande golpe contra o governdor de São Paulo.
Primeiro, pelo discurso dela a respeito de São Paulo. Depois, porque, na estratégia dos anti-serristas, Virgílio vai bater o bumbo, insistir até o limite na realização de prévias para escolha do candidato presidencial. No mano a mano com Aéio Neves, Serra talvez vencesse. Com um terceiro candidati, mesmo fraco como Virgílio, corre risco de ser derrotado, ainda mais se, na reta final, Virgílio abrir mão em favor de Aécio.
Diz-se que os tucanos do PSDB são muito parecidos com pavões. É verdade. O grupo Aécio-Virgílio está mostrando suas penas para um setor do tucanato paulista que — acreditam — agora está aliado a Serra mas pode abandoná-lo assim que pressentir que o outro lado está mais forte. Não, não é o grupo do ex-governador Gerlado Alckmin. Este já está em litígio definitivo com Serra há muito tempo. É para o pavão-mor Fernando Henrique Cardoso que os pavões anti-serristas fazem a dança do acasalamento. Se conseguirem atraí-lo, então, aí acabou a candidatura Serra pelo PSDB.
Ou seja, quem pensa que José Serra já derrotou Aécio Neves dentro do partido é bom prestar mais atenção nos movimentos de Arthur Virgílio Netto. E de outro senador tucano que vistou recentemente Aécio: Tasso Jereissati (CE).
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26/02/2008 - 12:24
Aqui, antes
Pois é, no dia 06/02, postei aqui (e muita gente protestou):
Esses gringos…
Sheila Machado é editora de Internacional do Jornal do Brasil. Numa das reuniões da equipe, defendeu uma tese curiosa. Segundo ela, apesar do fracasso que foi a administração Bush e apesar do favoritismo do partido Democrata, quem deve vencer as eleições é o candidato do Republicano.
Por quê? Porque os Estados Unidos são uma nação conservadora. Sheila acha que, na hora “H”, quando os eleitores estiverem frente a um candidato negro e progressista, ou mesmo uma mulher, também progressista, vão acabar preferindo um homem branco, qualquer um. Se não for muito, muito reacionário, será mais fácil ainda para este republicano vencer. Daí porque o Mc Cain vem crescendo.
Eu concordo com a Sheila. Torço contra, mas concordo. Vai ser muito difícil para os EUA aceitarem um negro, ou mesmo uma mulher na presidência.
Atribuo boa parte do nosso subdesenvolvimento econômico ao fato de termos sido o último país do mundo a sair da escravidão. O último a deixar o regime feudal! Daí tudo se atrasou por aqui. Até metades do século passado, praticamente não tivemos democracia por aqui. Depois da ditadura getulista, tivemos um breve período de democracia plena, até 1964. E o último dos generais, o João Batista de Figueiredo, só deixou o cargo em 1985. Ou seja, voltamos à Democracia nos 15 anos finais do segundo milênio. Com tão pouca experiência democrática, até que estamos aprendendo rápido a sair do atraso.
Coisa semelhante vejo em relação aos EUA. Eles entraram no capitalismo e deixaram o regime feudal bem antes da gente. Têm uma experiência democrática muito mais longa. Daí, é natural que sejam mais desenvolvidos, do ponto de vista econômico. Mas, do ponto de vista, digamos, moral, desculpem, são atrasados.
Os EUA saíram do apartheid na década de 60. Isso mesmo. Até a segunda metade do segundo milênio, os norte-americanos estavam imersos na pântano da imoralidade racista. Negros não podiam entrar em ônibus, nem freqüentar escolas de brancos em vários estados. Então, é natural que sejam atrasados neste aspecto. Que saíam por aí matando mulçumanos, soltando bombas atômicas e coisas assim, que, infelizmente, exprimem um profundo atraso moral.
É verdade que tudo isso, uma hora, tem que acabar. Talvez estejamos chegando a este momento. Vamos ver. Torço sinceramente para que os gringos aceitem um negro ou uma mulher na presidência. Mas não creio…
—————————-
Agora veja o que o “New York Times” distribuiu ontem, segundo publicado no Jornal do Brasil de hoje:
Proteção de Obama preocupa partidários
Jeff Zeleny The New York Times
Há uma preocupação muda nos pensamentos de muitos partidários do senador Barack Obama, ecoada em conversas de Estado a Estado, de comício a comício. A segurança dele está garantida? No Colorado, duas irmãs dizem rezar diariamente por sua segurança. No Novo México, uma filha diz que convenceu sua mãe a votar em Obama, ainda que acreditasse que dar-lhe a vitória poderia colocá-lo em risco. Em comício em Dallas, uma mulher expressou preocupação de que a mensagem de esperança e mudança que ele vem pregando, somada à sua raça, pode tornar Obama mais vulnerável.
- Tenho a melhor proteção do mundo - disse Obama, ex-senador por Illinois, repetindo o que costuma dizer a eleitores que mencionam a questão em conversas com ele. - Vocês não precisam se preocupar.
Memória viva
Mas ainda se preocupam, tendo em mente o segundo trimestre de 1968, quando o líder Martin Luther King e o pré-candidato à presidência Robert Kennedy foram assassinados no espaço de dois meses.
Obama tinha 6 anos, então, e como muitos de seus admiradores só conhece a violência que traumatizou e polarizou o país naquela época por suas leituras. Mas as lembranças e imagens daquele período costumam ser evocadas freqüentemente por eleitores mais velhos, que acompanham sua candidatura com fascínio e apreensão, à medida que se aproxima a data em que os democratas elegerão seu candidato.
Obama conta com a proteção de agentes do Serviço Secreto da Presidência americana desde 3 de maio, a primeira data em que tinha direito legal a desfrutar desse serviço. (Ele cedeu com relutância à insistência do senador Richard Durbin, democrata do Illinois, e membros do Congresso). À medida que seus comícios cresceram, a segurança foi reforçada, e hoje sua equipe de proteção tem tamanho não muito menor que a de um presidente em exercício.
Michelle Obama, mulher do candidato, expressou preocupações sobre sua segurança antes que ele se elegesse para o Senado. Três anos atrás, ela disse que tinha medo do dia em que seu marido passasse a receber proteção do Serviço Secreto, porque isso indicaria que ameaças sérias haviam sido proferidas contra ele.
Entre amigos e assessores, perigo é algo que Obama raramente menciona. “Não é algo sobre que eu passe meus dias pensando”, disse Obama, que recebeu do serviço secreto o codinome Renegade, como forma de rápida identificação.
- Tomei a decisão de disputar a presidência. Quem quer que decida fazê-lo reconhece que existem certos riscos no processo, como há riscos em quase tudo mais - declarou.
Não muito atrás, seus assessores se preocupavam com a possibilidade de que o eleitorado negro não aderisse à sua candidatura devido ao desejo de protegê-lo. Esta era uma preocupação forte na Carolina do Sul, mas Obama disse acreditar que essa preocupação também tinha por raiz o “medo do fracasso”.
Anticampanha
Uma foto de 2006 que mostra Obama usando um turbante e uma roupa tradicional somali provocou uma troca de acusações entre partidários de Obama e de sua rival Hillary Clinton ontem. De acordo com o Drudge Report, que publicou a foto - tirada no Quênia, durante uma viagem de Obama a cinco países africanos -, a imagem teria sido divulgada no fim de semana por ativistas da campanha de Hillary.
Em dezembro, ela demitira um assessor que espalhou um email dizendo que Obama é muçulmano.
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25/02/2008 - 00:18
Fidel, música, poesia e Raúl
Manuel Bandeira costumava dizer que o trecho mais bonito da poesia brasileira havia sido escrito por Orestes Barbosa para música de Sívio Caldas. Chão de Estrelas:
“A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
E tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão.”
Eu gosto muito de Tatuagem, de Chico Buarque, especialmente quando diz:
“Corações de mãe, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam
O corpo todo
Mas não sentes…”
Mas tem um outro trecho de música que acho não só poesia pura, como, também, filosofia pura. De dois compositores pelos quais não morro de amores, Nélson Mota e Lulu Santos. Como uma onda:
“Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas como o mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo”
Está aí a resposta para os que se perguntam o que vai acontecer com Cuba, após a saída de Fidel. Só tenho uma certeza: VAI MUDAR!
O curioso dessa sessão de ontem da Assembléia Nacional cubana em que o general Raúl Castro, de 76 anos, foi efetivado como novo chefe de Estado em substituição a seu irmão Fidel Castro, é que a mudança será promovida pelo irmão do Fidel, com a autorização deste. As primeiras declarações de Raúl só vieram a confirmar a expectativa de mudança. Mas mudar para onde?
Acho que eles e boa parte dos herdeiros do leninismo torcem para que Cuba siga o modelo chinês. Meus amigos que entendem de economia dizem que isto é impossível. A China só conseguiu resistir às imposições do capitalismo internacional porque detém um mercado do qual este mesmo capitalismo não poderia abrir mão. Cuba é um pingo d’água no oceano…
A Míriam Leitão afirma que os EUA sonham em tornar Cuba mais uma estrelinha na sua bandeira. Um novo estado americano. Também não creio neste caminho. Duvido. Os gringos são imperialistas, colonialistas… Porto Rico até hoje não passa de uma colônia dos EUA. Tudo que eles aceitam é fazer de latinos estados associados (ou sei lá que nome dão para esses estados de segunda categoria). Isto sim, podem querer fazer de Cuba, do México, do Brasil, de qualquer latino.
Seria uma pena se os EUA voltassem a transformar Cuba na sua latrina, como era a ilha antes da revolução. Mas acho que a música de Lulu Santos afasta essa hipótese definitivamente: “Nada do que foi será/De novo do jeito que já foi um dia”.
Nem China, nem nova latrina dos EUA. Creio — e torço sinceramente — que Cuba há de seguir um caminho novo. E os primeiros gestos do Raúl (que bem podia ser o Raul Seixas!) parecem confirmar essa expectativa.
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21/02/2008 - 11:07

“Confesso que serrei”
O ex-deputado Hildebrando Pascoal escreve no presídio o livro “Calvário”, segundo Leonildo Rosas, da coluna Poronga, do jornal Página 20. O blogueiro acreano Altino Machado comenta que o livro bem poderia ser chamado de “Confesso que serrei”. Se quiser saber mais sobre Hildebrando, clique na foto. Eis a nota da Poronga:
Calvário
Está em fase de digitação o livro que pode se tornar um best-seller. Chama-se “Calvário”, mas poderia ser Memórias da Papudinha, a história que está sendo relatada pelo ex-deputado federal Hildebrando Pascoal. O ex-parlamentar está escrevendo tudo à mão e passando para os familiares. Tempo para isso não vai faltar.
Crime e castigo
No livro, Hildebrando Pascoal conta tudo, segundo fonte da coluna. Fala sobre os crimes que cometeu e aquele que se diz inocente. O ex-deputado também afirma que é vítima de uma armação política, pois acredita que chegaria a governador. Vamos esperar o resultado, mas haverá muitas editoras interessadas.
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20/02/2008 - 16:25
Cadê a crise?
Lembra de quando explodiu a crise nos EUA? Assim que se começou a falar em recessão lá pelas bandas do Tio Sam, a conversa foi de se rever a expectativa de crescimento para a economia brasileira já neste ano de 2008.
Se em 2007 o PIB brasileiro cresceu cerca de 5%, fechou-se o ano acreditando que em 2008 chegaremos a 6%. Há quem diga que o presidente Lula previu, reservadamente, algo próximo de 7%. Isto tudo antes da crise nos EUA. Aí — com a crise nos EUA — tudo deu pra trás. Tornou-se opinião geral de que não chegaremos aos 5%.
Pois bem, agora eu pergunto. Cadê a crise? A recessão nos EUA — descobriu-se depois — não produzirá grandes problemas para os países emergentes, muito menos para os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e, segundo os economistas, menos ainda para o Brasil. Ninguém voltou a falar de taxa de crescimento.
Os fundamentalistas do mercado estão fazendo das tripas coração para manter, nos boletins Focus da vida, as previsões do início da crise no EUA, de crescimento inferior a 5% no Brasil em 2008. Acho que os fundamentalistas ganham muito dinheiro com isso. Depois erram, mas ninguém dá bola. É só escrever: “O país cresceu acima das expectativas”. Pronto.
Mas se tudo continuar como agora, com capital estrangeiro entrando a rodo no Brasil, logo, logo até esses fundamentalisrtas de mercado terão que dar o braço a torcer e voltar a falar em taxas de crescimento acima dos 5%!
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20/02/2008 - 13:13
Artigos sobre Cuba 4
Por fim, o JB publicou também um artigo exprimindo a opinião da direita sobre Cuba e Fidel Castro:
O último ditador sanguinário
Ives Gandra Martins, professor universitário, escritor e advogado tributarista
Fidel Castro renunciou. É o último ditador sanguinário que desaparece da cena política. Nos meus tempos de estudante, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, todos nós acompanhamos as centenas de fuzilamentos, que promoveu sem julgamento, nos famosos paredones, de adversários ideológicos. Neste ponto, nivelou-se a Pinochet, Hitler e Stálin.
Durante 49 anos manteve a ilha que governou em plena ditadura. Mesmo quando os países latino-americanos foram se libertando do autoritarismo, manteve seu regime totalitário e tirânico, inclusive perseguindo, aprisionando ou até condenando à morte, em alguns casos, cubanos que pretenderam sair do país.
Sob seu comando, Cuba progrediu menos do que o Chile, governado por um outro ditador, também sanguinário. Até hoje o desenvolvimento da ilha é medíocre. Auxiliada pela antiga União Soviética, enquanto este conglomerado de países teve forças, tornou-se uma das economias mais atrasadas entre os países emergentes de relevo.
Por ser um ditador de esquerda, seus crimes contra a humanidade, na década de 50, foram esquecidos; a sua ditadura, em tempos de democracia continental, jamais criticada; e o fracasso de sua economia, que ainda vive do auxílio de seus vizinhos, pouco citada.
Com seu afastamento definitivo do poder, o mundo inteiro espera que venha seu irmão permitir a abertura do regime, com respeito ao direito dos cubanos de entrar e sair de seu país, e a realização de eleições livres, com mais de um partido. As ditaduras nunca se eternizam, razão pela qual um sopro de esperança pode estar atingindo a bela ilha caribenha, tornando, novamente, a América um continente formado só de democracias.
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20/02/2008 - 13:02
Artigos sobre Cuba 3
O artigo do ex-presidente da Câmara e líder do PCdoB, Aldo Rebelo, mostra outra faceta interessante. A do pessoal mais próximo a Fidel. Acho que apostam numa saída chinesa para Cuba. Muito embora isto não esteja claro no artigo publicado pelo JB. Mas, de qualquer maneira. Não se pensa em renegar Fidel:
A herança do estadista
Aldo Rebelo, deputado federal pelo PC do B - SP
Das personalidades internacionais que tive a honra de encontrar, Fidel Castro foi com quem mais vezes estive, desde que, em 1981, como presidente da União Nacional dos Estudantes, fui recebido por ele em Havana. Ouvi-o falar com naturalidade dos grandes assuntos internacionais e da culinária baiana.
Em todos os encontros, revigorou-se a admiração pelo estadista que retirou seu pequeno país da condição semifeudal, conferiu-lhe dignidade e soberania e agora deixa o governo com indicadores sociais próximos dos gigantes industrializados. Cuba é pobre, mas de uma pobreza, como observou sobre o Brasil o sociólogo Gilberto Freyre, que “não é desonra.” Fidel correspondeu à esperança do povo de levar a nação “a algum lugar melhor”, como registrou o historiador Eric Hobsbawn.
Sob a direção de Fidel Castro, Cuba vem resistindo ao mais duro golpe a que um país americano foi submetido no século 20: o bloqueio dos Estados Unidos, injusto e desproporcional. O governo cubano calcula que o cerco custou US$ 82 bilhões em negócios que poderiam ter sido feitos com os americanos. Mas empresas estabelecidas nos Estados Unidos, mesmo as estrangeiras, estão sujeitas a multa de US$ 1 milhão se negociarem com Cuba, e os cidadãos podem pegar dez anos de cadeia se, até numa viagem ao exterior, fumarem um havana.
Apesar do cerco do elefante à formiga, Fidel e seu país mantiveram o orgulho nacional. Nem o fim da União Soviética, que ajudava os cubanos com generosa importação de açúcar e numerosos subsídios, desviou o líder da rota de fazer daquele pequeno país um exemplo de igualdade social cercado de iniqüidades por todos os lados. Lá todos comem, estudam, sabem ler, e têm assistência médica irrepreensível e casa para morar.
O carisma, a energia no governo, a vocação diplomática para angariar simpatia e sobretudo o amor pelo povo e o patriotismo foram os trunfos de Fidel para governar durante quase cinco décadas com inequívoco apoio da maioria da nação. O chão sagrado do comandante é Cuba, mas ele articula um patriotismo continental espelhando-se não só na grande figura histórica de seu país, o mártir da independência José Martí, mas também em Simón Bolívar, no argentino San Martín e em nosso José Bonifácio de Andrada e Silva, homenageado com uma estátua em Havana. Pode se incluir Fidel Castro no grupo e dizer deles o que Machado de Assis disse dos Andradas: “A natureza não produz muitos homens como aqueles.”
Aldo Rebelo foi presidente da Câmara dos Deputados e ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.
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20/02/2008 - 12:56
Artigos sobre Cuba 2
O artigo do presidente do PPS, Roberto Freire, publicado pelo JB, é bastante interessante porque mostra o pensamento de uma gente — por que não dizer, uma geração? — que sonhou embalada por Fidel, mas que não concordou com os caminhos seguidos por ele.
A difícil trajetória de um sonho comunista
Roberto Freire, advogado e presidente nacional do PPS
Quando vejo Fidel Castro se despedindo do comando, não posso deixar de rememorar o rastro que essa figura, que marcou para sempre seu nome na História, deixou na minha vida, e na de milhões de pessoas da minha geração no mundo. Entrei no Partido Comunista Brasileiro por causa da revolução Cubana, embalado pela esperança daqueles jovens destemidos, reunidos nas montanhas, empunhando a causa da liberdade e da igualdade.
Como disse o historiador inglês Eric Hobsbawn no livro A Era dos Extremos, “a revolução cubana era tudo: romance, heroísmo nas montanhas, ex-líderes estudantis com a desprendida generosidade de sua juventude - os mais velhos mal tinham passado dos 30 -, um povo exultante num paraíso turístico tropical pulsando aos ritmos da rumba”.
Não se pode negar que a revolução mudou Cuba definitivamente; fez despencar os índices de analfabetismo, mortalidade infantil, pobreza, enfim, imprimiu dignidade a uma ilha tratada como colônia de férias, local de diversão e jogo para turistas, homens de negócios lícitos e ilícitos, sobretudo, americanos.
O apoio da população aos guerrilheiros que chegaram a Havana em 1959 mostrou um povo necessitado de mudanças e o triunfo da revolução despertou a América Latina para a dura realidade da miséria, da subalternidade, da falta de dignidade humana. É impossível negar o impacto do embargo americano sobre a vida dos cubanos, sobretudo depois do fim do socialismo real e do desmoronamento da União Soviética.
Os EUA impuseram e ainda impõem penas àqueles que se relacionam comercialmente com a ilha caribenha. Se antes, com a ajuda dos soviéticos, ela conseguiu bons índices de crescimento e desenvolvimento social, após o colapso da URSS o desastre econômico se anunciou. Era hora de redefinir caminhos, buscar junto a países simpáticos a revolução, sobretudo na Europa Ocidental, um apoio para o trânsito para uma economia de mercado e um regime democrático. Mas a ortodoxia foi o refúgio escolhido por Fidel para o regime viver.
A oposição de Fidel às mudanças propostas por Gorbachev já mostrava uma postura conservadora e refratária às transformações e à abertura do sistema econômico e político vigente em Cuba. Esse é o momento no qual vejo um Fidel Castro diverso daquele da minha juventude. Um homem e um líder que se tornou apartado do tempo presente e que perdeu a oportunidade de fazer uma transição necessária para a democracia quando o socialismo ruiu.
As tímidas reformas econômicas de abertura para o investimento de capital estrangeiro do governo castrista só funcionaram no setor turístico - e assim mesmo gerando enclaves fechados para cubanos. Varadero é o mais famoso deles.
Na política, Fidel não arredou pé de um regime de partido único de corte ditatorial, centrado na sua figura. Agora que anuncia a saída, o mundo olha para Cuba. Alguns com o apetite da revanche, quando não da primitiva vingança. É claro que não haverá esse retorno e que mudanças ocorrerão. A revolução enraizou-se na população de Cuba e seus valores estão selados, mas as liberdades democráticas irão se impor. O novo governo terá mais uma oportunidade de operar a transição para a democracia, mantendo as conquistas da Revolução de 1959.
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20/02/2008 - 12:50
Artigos sobre Cuba 1
O Jornal do Brasil publicou hoje, com chamada na primeira página, quatro artigos que espelham muito bem a grande variedade de opiniões sobre o cubano Fidel Castro. O primeiro deles - reproduzido abaixo — é bastante interessante, do economista Carlos Lessa. Os outros seguem nos próximos posts.
Como Fidel mudou Cuba
Carlos Lessa Economista, doutor em Economia e ex-presidente do BNDES
Os primeiros estrangeiros a comemorar a vitória de Fidel Castro formam jovens americanos. Durante certo tempo, o cubano era considerado uma figura romântica, que lutava em um lugar inóspito como a Sierra Maestra e conseguiu derrubar, com apoio de camponeses e estudantes, um ditador assassino ligado à máfia do jogo americano. Alguns fatores ajudaram a mudar essa imagem.
A história de Cuba começa politicamente com a derrota da Espanha pelas forças navais americanas na virada do século passado. Os EUA queriam anexar as Antilhas espanholas. Retiveram Porto Rico, mas não Cuba, que já tinha tradição de resistência aos espanhóis e movimentos por independência.
As forças nacionalistas cubanas ficaram contra os EUA antes mesmo da 1ª Guerra Mundial. A história de Cuba até a revolução de Fidel Castro é de guerrilhas, revoluções, repressões, prisões, exílios. Quando Fidel vence Fugêncio Batista, bandido ligado à máfia do jogo clandestino americano, e toma o poder, Cuba era uma enorme plantação de açúcar de usinas americanas. Fidel reafirma a autonomia do país e luta para que as usinas paguem melhor os operários cubanos. Quis fazer a reforma agrária nas terras das usinas. Americanos reagiram, começaram a impor restrições a Cuba. Os EUA foram empurrando Fidel para fora.
O nacionalista Fidel expulsa as empresas americanas do país, depois de fechar os cassinos e bordéis. Fica como oposição americana. Então, se une ao Partido Comunista Cubano. É quando a União Soviética entra no jogo e começa a comprar cotas de açúcar do país. O calcanhar-de-Aquiles de Cuba é a questão energética. Ou recebe petróleo e derivados de outros países, ou pára. A URSS passou a fornecer energia para Cuba. Então a revolução avançou para a esquerda. Até aí, Fidel não era bem um comunista, e sim uma figura social-democrata-radical.
Os EUA tentam então derrubar Fidel, o que culmina com o episódio mal-sucedido da Baía dos Porcos, em 1962. Com os americanos derrotados, Fidel passa a apoiar todos os movimentos guerrilheiros do continente. Por sua vez, os EUA fazem o mesmo. É como os sulamericanos tivessem importado a Guerra Fria.
Entre o momento em que Fidel assumiu e hoje, Cuba mudou radicalmente. É um povo maravilhoso, com saúde, educação, sem preconceito. Vive com modéstia na roupa, na casa. Uma sociedade que se abre para o turismo, sabe como os outros vivem. Mulheres querem cosméticos, jovens querem tecnologia, homens desejam carros novos. O novo governo terá de saber como atender isso e lidar com a enorme população cubana que vive nos EUA. É provável que Cuba apele para investimentos estrangeiros. Talvez até se inspirem na China.
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18/02/2008 - 22:09
Briga tucana
Longe de mim querer semear a intriga dentro do PSDB. Mas essa história de o Fantástico estar caindo de pau no governo de São Paulo está deixando os aliados do governador José Serra de orelha em pé em relação ao seu colega de partido, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, também candidato a candidato à Presidência.
O tucanato está sentindo forte cheiro de fogo amigo em suas próprias trincheiras. Afinal, não é só o PT que se acaba em guerras intestinas…
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