Arquivos de 06/2007:
30/06/2007 - 13:58


Deputado tucano ataca subsídio da Petrobrás a gás para siderúrgica sul-coreana a ser intalada no Ceará, que é defendido pelo presidente nacional do seu partido, o senador Tasso Jereissati (CE)
Segundo o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), a instalação da usina siderúrgica com subsídio nos preços do gás fornecido pela Petrobrás é uma afronta ao Brasil e também aos acionistas da estatal brasileira.
Em discurso no plenário da Câmara na quinta-feira ao qual a imprensa deu pouca atenção, ele disse que não aceita o argumento de que a concessão do subsídio ao gás fornecido para a empresa sul-coreana Dongkuk instalar a companhia siderúrgica Ceará Steel serve como compensação pela construção da refinaria de petróleo da Petrobras e PDVSA da Venezuela em Pernambuco.
“Poderia ser uma compensação para combater desigualdades regionais, mas não é. Na verdade, dará subsídios para que nossos adversários comerciais possam competir no mercado com vantagem no preço de custo”, disse Hauly.
O subsídio ao gás para a siderúrgica mobilizou toda a bancada do Ceará, inclusive o principal aliado de Tasso no Estado, o ex-governador Ciro Gomes (PSB), que ameaçou até romper com o governo do presidente Lula por conta da siderúrgica sul-coreana.
O oposicionista Luiz Carlos Hauly vem em defesa do presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, que tem resistido às investidas dos cearenses. Tasso chegou a ir ao Palácio do Planalto pedir ao presidente Lula para liberar o subsídio. Lula já prometeu atender, mas Gabrielli resiste.
Hauly explicou que a sul-coreana Dongkuk, na verdade, quer fazer um escambo, uma troca pelo subsídio ao gás ofertado para a siderúrgica. Algo em torno de 100 mil toneladas/ano em placas de aço descontando-se 40% nos preços praticados no mercado atual. “Não podemos deixar de manifestar nossa indignação pela proposta lesiva aos interesses do Brasil”, afirmou.
De acordo com o deputado, a Dongkuk não produz as placas de aço que ofertou à Petrobras, pois trabalha exclusivamente com chapas grossas, obtidas a partir de placas adquiridas de outros fornecedores internacionais. Ela adquiriu no Brasil cerca de 450 mil toneladas em 2006, sendo que em anos anteriores comprou mais de 600 mil toneladas.
Essa negociação acarretaria um prejuízo de US$ 30 milhões de dólares ao ano, pois o escambo de 100.000 toneladas ano de aço entre a Dongkuk e Petrobras não promoveria a compensação do prejuízo. “O Brasil não pode compactuar com este privilégio inaceitável, pois a Coréia do Sul é nossa competidora internacional em vários produtos”, afirmou.
No discurso, sem citar Tasso ou seus colegas tucanos do Ceará, Hauly acusou os sul-coreanos de quererem usar nosso minério de ferro para exportar semi-acabados subsidiados para a laminação na Coréia do Sul, e depois vender seus produtos finais para nossos parceiros comerciais, concorrendo com o Brasil em vários mercados.
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30/06/2007 - 11:00

Em seu artigo semanal para o Blog dos Blogs, o senador compara a atual situação do Senado federal a um câncer que precisa ser extirpado. E, antes que a metástase se alastre, cobra que o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), se licencie do cargo.
ANTES QUE SEJA METÁSTASE
* Senador Pedro Simon (PMDB-RS)
Há uma pesquisa, recente, que dá conta do prestígio do Congresso Nacional: apenas 1,1% dos entrevistados mostraram-se satisfeitos com a atuação de seu senador ou deputado federal. Fico imaginando uma nova enquete, hoje, depois dos últimos acontecimentos que tomaram conta dos corredores do Senado Federal, das manchetes da grande mídia e da indignação nacional, sobre bois, novilhas e quetais.
Há algum tempo, muito se falava sobre currais eleitorais. Uma figura de linguagem, para melhor traduzir a ação política, principalmente dos “coronéis”, em dias de eleição. Hoje, o curral se tornou um assunto recorrente no meio político, mas como figura real, sinônimo de estábulo, vacum, incluindo o cheiro característico.
Os últimos acontecimentos contaminaram o Senado Federal. Uma espécie de septicemia que se alastra no limite do alcance terapêutico dos antibióticos existentes. Pior, como aquele paciente que se nega a ingerir remédios, por serem, sabidamente, amargos, o Senado procrastina as indicações terapêuticas, e se acomoda com tratamentos alternativos, longe das melhores prescrições.
A assepsia é necessária e urgente, sob pena de processo de coma. Não há mais espaço para qualquer tipo de delonga. O Senado Federal, como pilar da democracia brasileira, não é, e nunca foi, esse paciente terminal, que teima em permanecer numa enfermaria, quando o tratamento já é de unidade de terapia intensiva.
É essa a atuação que a sociedade brasileira está a exigir do Conselho de Ética do Senado Federal. Uma espécie de UTI, chefiada por um cirurgião especialista em oncologia. É que a ética, nos últimos tempos, tem sido acometida de tumores malignos. Mas, apesar da gravidade do quadro, o que se assiste, na verdade, são tentativas de curativos indicados por benzedeiras, escolhidas a dedo, não por sua eventual capacidade ou, até mesmo, fé, mas pela qualidade de suas raízes.
As seqüelas de um mal não curado não se abatem, hoje, sobre esse, ou aquele, senador. Ela cria feridas e, certamente, deixará cicatrizes em todo o Senado Federal. Se o mal é grande e preocupante, ele não pode ser potencializado pela falta do tratamento adequado.
Se há necessidade de biópsia, que se faça a punção! Se a gravidade do problema exige substituição dos terapeutas, que se nomeie a melhor junta! A imprensa é o visor transparente dessa mesma UTI. Toda a família brasileira está assistindo, por enquanto, do lado de fora!
O Presidente do Senado Federal tem que se afastar de suas funções, até que o diagnóstico seja preciso. Preciso, diferente de necessário, porque a necessidade já se mostrou óbvia.
O Conselho de Ética do Senado Federal, pelo seu próprio nome, dispensa a definição de horizontes de conduta. É de ética, e é como tal que se definem os seus procedimentos. Não há que se gastar energias para se definir os seus limites. A ética não permite gradações. Ou é, ou não é.
Tenho pressa em tirar o Senado Federal dessa enfermaria. Tenho pressa em levá-lo para a UTI. De lá, eu não tenho pressa em tirá-lo. Eu desejo, de coração e mente, que ele receba alta, somente quando seus tumores sejam extirpados. Depois, chamemos as benzedeiras, não para nos curar, mas para que todos os santos nos ajudem no sentido de que esses mesmos tumores, que tanto nos doem, não sejam recidivos.
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30/06/2007 - 10:12
Política é assim mesmo. Ninguém abre o jogo e revela publicamente seu principal objetivo, aquilo que mais quer ou precisa, sob o risco de enfraquecer-se e tornar-se mais vulnerável aos adversários. No caso do governo Lula, trata-se de um segredo de polichinelo. Todo mundo sabe que tudo o que o Planalto quer do Congresso hoje em dia é a aprovação de duas propostas de emenda constitucional: a PEC que mantém a cobrança da CPMF e a que prorroga a vigência da DRU, a desvinculação das receitas orçamentárias, que permite ao Executivo deixar de lado uma fatia das verbas “carimbadas” - aquelas com destinação obrigatória para um determinado setor - e gastá-las como bem entender. Não tem nenhum projeto nem medida provisória mais importante do que isso para o Planalto. Reforma, então, nem pensar. Não há a menor pressa.
É que da aprovação desses dois projetos depende a sobrevivência financeira do governo. Tanto adversários quanto aliados sabem muito bem disso, e há sérias dúvidas no Planalto quanto a quem pode ser mais perigoso nesse caso - naquele sentido de encostar a faca no pescoço de Lula. Por falar nisso, a votação da CPMF foi um dos itens da conversa do presidente com Renan Calheiros na manhã de quarta-feira no Planalto. Não se sabe bem em que termos, mas o certo é que Lula entendeu o recado de que vai ser muito difícil aprovar emendas constitucionais importantes e polêmicas no Legislativo em meio a esse clima de vaca não reconhecer bezerro (sem trocadilhos, por favor) no Congresso. Dono das maiores bancadas do Senado e da Câmara, o PMDB tem poder de vida ou morte sobre PECs, que necessitam de três quintos dos votos, nas duas Casas, para serem aprovadas.
No meio de tanta instabilidade, porém, não dá para ter confiança, e os articuladores políticos do governo sabem que vão precisar de uma parte da oposição para aprovar a CPMF e a DRU. Naturalmente, não é o DEM. Lula vai ter que negociar com o PSDB. Os entendimentos com os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, que passaram por investimentos federais para obras do PAC nos estados e pela flexibilização de seu limite de endividamento,
vão facilitar as coisas, sobretudo em relação á DRU. Até porque, para aprová-la, os governadores pediram e vão ter a criação de uma desvinculação estadual, a DRE. Mas a CPMF, o impopular imposto do cheque, que deve estar aprovado até setembro para vigorar em 2008, é muito mais complicada.
“Acho que a prorrogação da CPMF só passa no Congresso se o governo fizer concessões. Por exemplo, prometer uma redução gradual da alíquota e ceder uma parcela da arrecadação aos estados”, diz o deputado tucano José Aníbal (SP). Ela lembra que a arrecadação de impostos nunca foi tão grande no país, e que a carga tributária nunca esteve tão alta. Ou seja, há folga no caixa e a União pode dividir um pouco mais de recursos com os estados. Isso é tudo o que o Ministério da Fazenda não quer. E essa será a próxima queda-de-braço do governo no Legislativo. Daí a ansiedade dos que, do outro lado da rua, querem acabar logo com a crise e botar deputados e senadores para votar. Pode doer no bolso.
Da coluna Descomplicando a Política, assinada pela autora do post, no “Jornal de Brasília”.
www.clicabrasilia.com.br
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30/06/2007 - 07:00

Casagrande: “Está chegando a hora”
Líder do PSB, o senador Renato Casagrande (ES) foi convidado e desconvidado para relatar o processo no Conselho de Ética contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ficou irritadíssimo com o presidente do Conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO). Diz que houve “quebra de confiança”. Acusa o PMDB de tê-lo vetado e sustenta que não vê mais condições de aceitar permanecer como relator, mesmo que seja convidado novamente. Avisa, no entanto, que não vai renunciar à sua posição de membro titular do Conselho. Casagrande acredita que está chegando a hora de que Renan Calheiros “comece a pensar em se licenciar da presidência do Senado”. Antes um pacato governista e aliado do PMDB, Casagrande agora liga a sua metralhadora. Veja só:
O desconvite para a relatoria
– Acho que um membro do Conselho não pode recusar-se a ser relator. Nesse caso, deve renunciar à sua posição de membro do Conselho. Por isso eu havia aceitado quando convidado publicamente. Mas o presidente Quintanilha depois voltou atrás. Falou ao telefone comigo, contando uma história, e depois apresentou outra para a imprensa. Foi e voltou, foi e voltou tantas vezes que gerou uma tremenda confusão e, o que é pior, uma quebra de confiança na nossa relação. Agora eu tenho o direito de não aceitar. Não dá. Teria que haver confiança entre o relator e o presidente do Conselho. Não sei porque ele fez isso. A única coisa que posso imaginar é que ele foi pressionado. Fui vetado formalmente pelo Quintanilha e politicamente pelo PMDB.
Renúncia ao Conselho
– Você deve estar imaginando que eu poderia sentir-me sob suspeição para continuar como juiz do caso. Mas aí todos os membros do PMDB e do partido Democratas também teriam que se colocar sob suspeição, já que nitidamente estão transformando esse assunto numa questão partidária. Eles, sim, estão inocentando e culpando o Renan Calheiros por antecipação.
Senado desmoralizado
– Desmoralizado é forte. Acho que o Conselho está desacreditado e que isso respinga no Senado. É esse o cuidado que todos temos de tomar neste momento. Proteger o Senado.
Futuro do processo
– Não é informação. Mas temo que o Leomar Quintanilha tente devolver o processo para a Mesa Diretora do Senado já na segunda-feira, jogando a batata quente nas mãos do Tião Viana (PT-AC), na qualidade de vice-presidente da Casa, que teria de decidir se arquiva ou se submete ao plenário. Seria uma tentativa do PMDB de passar o trator, aproveitando-se do fato de o Conselho estar desacreditado. Daí essa história de terem mandado o material para a Consultoria Jurídica do Senado. Podem estar pensando em argumentar que há impropriedades formais no processo, na maneira como ele foi encaminhado até agora. Isso não é uma informação, é uma suspeita que espero não venha a se confirmar. Mas, depois de tudo o que ocorreu esta semana, fico perguntando como o Leomar Quintanilha vai se sustentar na próxima semana. Ele está muito desgastado. Então pode ser que procure uma saída rápida, como esta de devolver o processo à Mesa, ou à moda do Sibá Machado, renunciando.
O perfil de Quintanilha
– O Conselho precisa de um presidente que sirva de anteparo às pressões sobre os senadores. Um presidente em condições de dar estabilidade ao Conselho, administrando as pressões do Senado como um todo sobre os integrantes do Conselho, e administrando também as pressões da sociedade.
Interferências de todo o tipo
– É claro que um processo contra o presidente do Senado, como este, é sempre muito delicado. Resultará em muitas pressões, interferências de todo tipo. Ele (Renan) pode até não querer interferir. Não agir diretamente neste sentido. Mas é uma situação complicada, a de um presidente da Casa sendo investigado. Sempre há o risco de aparecer alguém ligado a ele, alguém que o apóie tentando interferir. Ou seja, de uma forma ou de outra, a interferência acaba ocorrendo.
Afastamento de Renan
– Esse negócio de licença e de afastamento é uma questão muito pessoal, de cada um. E eu até não achava tão necessário assim que ele se afastasse. Mas, depois dessa confusão toda, estou chegando à conclusão de que o cargo que ele ocupa acaba interferindo no processo. Por menos que o presidente Renan queira. A decisão é dele, do presidente Renan Calheiros. Mas eu diria que está chegando a hora de que ele comece a pensar em se licenciar da presidência do Senado. Não dá para eu ou você adivinharmos. Mas o presidente Renan Calheiros tem que começar a pensar na posição da instituição. Em como o Senado está ficando desacreditado com essa história toda. Eu continuo crendo muito no bom senso dele.
Da coluna Informe-JB, assinada pelo autor do post, no “Jornal do Brasil”.
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29/06/2007 - 20:21
Pois é, né…O processo contra o peemedebista Leomar Quintanilha, presidente do Conselho de Ética do Senado, dormia em alguma gaveta do STF desde fevereiro de 2005. Mas olha só que coincidência! Hoje, justamente hoje, quando foram noticiadas as acusações que pesam contra ele de desvio de dinheiro público, o ministro Cezar Peluso, relator do caso, encaminhou o processo à Procuradoria Geral da República para parecer.
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29/06/2007 - 14:55
Briguinha besta essa da imprensa carioca com a paulista em torno do troféu de estado mais violento, né? O Globo faz hoje editorialzinho criticando Folha e Estadão por terem dado na véspera mais destaque em suas primeiras páginas à operação policial no Morro do Alemão, que matou 19 no Rio, do que ao assassinato dos pais, durante assalto, na frente do filho de sete anos em São Paulo. Tudo, no fundo, para mostrar que a imprensa paulista superdimensiona a violência no Rio e esconde a de São Paulo.
Ora, seleção de notícias e o jeito que vão, maiores ou menores, para a primeira página é um problema de cada jornal com seu leitor. E, embora o crime de São Paulo tenha sido chocante e brutal, uma operação nunca antes vista de cerco a uma favela pela Polícia e pela Força Nacional, com 19 mortos, talvez seja, de fato, mais notícia. Em qualquer lugar. E se o leitor da Folha e do Estadão não achar isso e considerar que o destaque deveria ter sido inverso, ou se sentiu falta de informação do caso paulista, vai reclamar. E é a eles que os jornais têm que prestar contas.
Mas a gente vê que a má-vontade é recíproca, e que a provinciana e antiga disputa entre paulistas e cariocas ainda tem certa influência, pela manchete de hoje da Folha: “Entidades acusam polícia de abusos em ação no Rio”. Ok, as entidades de direitos humanos estão em seu papel, que nessas horas é o de questionar. Boa parte dos bandidos devem ter sido fuzilados mesmo pela polícia. E, pior ainda, boa parte da população vítima de traficantes e de todos os tipos de violência no Rio está feliz e contente com isso. Chegamos a um nível de banalização da violência que é mesmo um horror. Mas, vamos e venhamos, nem a Comissão de Direitos da OAB e nem a Anistia Internacional mereciam manchete, né??? Foi uma cutucada, um jeito de mostrar o lado negativo da operação que o governo fluminense e a população do Rio tanto aplaudiram. Aliás, aplaudiram mesmo. Um inspetor da patrulha avançada, por exemplo, teve hoje direito à foto da capa do Globo, fumando charuto e declarando que seu sonho é ir para o Iraque. Um herói. É, são esses os heróis de hoje em dia…
Voltando a vaca fria da briguinha besta. Algum leitor ou cidadão do Rio ou de São Paulo ganha alguma coisa com essa discussão? Acho que não. No máximo, engajam-se na briga besta e vão brigar com seus amigos de São Paulo. Ou do Rio. O melhor jeito de não perder mais tempo com isso é decretar que Rio e São Paulo são as mesmas merdas na questão da violência urbana, e que um é tão violento quanto o outro, ainda que essa violência assuma modalidades e características diferentes em cada lugar. Pronto. E daí?
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29/06/2007 - 10:23
Não somos tablóides britânicos, mas um dia chegamos lá. Cada vez mais distante do objeto inicial da apuração - a denúncia de que teria despesas pessoais pagas por um lobista de empreiteira -, o caso Renan Calheiros saiu da fase bovina e se transformou agora numa história rocambolesca envolvendo chantagens, tentativas de extorsão, gravações clandestinas, confissões sentimentais e exposição de detalhes apimentados da vida íntima. Uma festa para a mídia, um enredo mais interessante do que as escaramuças entre as gêmeas Paula e Taís na novela das 20hs - sobretudo por se tratar da realidade. O que preocupa é que, diferentemente do que ocorre nas novelas, não se pode mudar o final de última hora e nem prever os efeitos sobre o grande público.
Nas últimas horas, o caso esquentou com a divulgação de novas gravações - clandestinas, naturalmente. A favor de Renan, um recado de Pedro Calmon gravado na secretária eletrônica de Claudio Gontijo em tom de ameaça. Em represália, o advogado de Mônica Veloso, que negara o tempo todo que sua cliente tinha, de fato, gravado conversas pessoais, foi ao Conselho de Ética levar fitas. Em seu conteúdo, supostos diálogos de Claudio Gontijo com Mônica em que que ele se referiria a dificuldades financeiras de Renan para pagar despesas de campanha. Nenhuma das gravações, porém, tem nada de bombástico ou qualquer prova cabal. Gontijo se refere a um “cara”, que pode ou não ser Renan. Não diz nada claramente. Mas hoje em dia parece que basta ter um disco ou fita, sobretudo clandestino, para açular as curiosidades e fazer um tremendo sucesso. O importante é divulgar, e com ares de extrema gravidade, ainda que seu conteúdo seja claramente desimportante.
No calhamaço das transcrições, que circula de mão em mão em diversos e sisudos gabinetes senatoriais, além das conversas da jornalista com Gontijo há também diálogos dela com o próprio Renan em conversas íntimas. Ler o conteúdo tem sido o divertimento de muita gente, bem mais interessante do que qualquer revista Caras ou Contigo. Afinal, é realidade com embalagem de novela. Somando-se a guerra de gravações às entrevistas e acusações verbais entre os protagonistas, tem-se um enredo para lá de dramático. Mônica fez o tipo moça enganada no programa da Hebe, dizendo até achar que ele estava separado da mulher quando começou o relacionamento. Renan se diz chantageado pela ex-namorada e seu advogado, que teriam, na verdade, uma meta: R$ 20 milhões.
O Brasil assiste a tudo isso e quer saber o final. Só que ele ainda está longe. Em meio a esse clima, o Conselho de Ética arde sob os refletores, se enrola em sucessivas renúncias e não consegue avançar, para um lado ou para o outro. Há quase dez dias o caso está parado e não sai do lugar. Nada se comprova e nada se descomprova. O clima de instabilidade-espetáculo contamina os trabalhos da Casa e atravessa a rua. O Planalto se preocupa com o destino dos projetos. Mas novela parece que vicia. Você vai dormir tentando imaginar o que vai acontecer no dia seguinte, pois o capítulo sempre acaba num momento crucial. E, se está dando audiência, o show tem que continuar.
Da coluna Descomplicando a Política, assinada pela autora do post, no “Jornal de Brasília”.
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29/06/2007 - 09:51
28/06/2007 22:50:26
Renan acusa chantagem: “Eles queriam R$ 20 milhões”
O presidente do Senado, Renan Calheiros, acusa pela primeira vez a ex-namorada Mônica Veloso e o advogado Pedro Calmon de terem tentado chantageá-lo. Segundo Renan, o objetivo deles era ganhar cerca de R$ 20 milhões a título de indenização. Renan fez a acusação em entrevista a esta blogueira para o SBT Brasil desta quinta-feira. Vai aqui a íntegra da entrevista de Renan:
P: O advogado Pedro Calmon e Mônica Veloso haviam negado ter feito gravações de conversas. Agora, começam a aparecer. O sr foi gravado pela Mônica sem saber?
Renan: É possível que sim, porque essa gente sempre falou em gravação, em grampo, coisas sórdidas, e agora isso tudo começa a aparecer. Primeiro disseram que não havia perícia e ficou comprovado que havia perícia. Depois, que não havia fundo para a educação e nós comprovamos que havia fundo. Que não havia dossiê. E agora está aparecendo tudo isso.
P: Qual era o objetivo das gravações? Chantageá-lo? O sr foi procurado pelo advogado para tratar disso?
Renan: Eu tive poucas conversas com esse advogado. Pouquíssimas. Eu preferia que os meus advogados conversassem com ele. Mas ele em todo momento defendeu a reparação dos prejuízos que a Mônica teria tido em função da paralisação pela gravidez da atividade que ela exercia na produtora.
P: Quanto eles pediram?
Renan: Eles chegaram a falar em algo em torno de vinte milhões de reais, trinta milhões de reais. Eram assim números incompatíveis, verdadeiramente incompatíveis com a realidade econômica do brasil e de qualquer um, não dava sequer nem pra conversar.
P: Quem fez as gravações das conversas?
Renan: Eu não sei quem fez. Hoje nós sabemos quem mandou periciar e quem mandou editar, em função dos documentos que a própria imprensa recolheu. Eu nunca fui apresentado ao dossiê, não sei o que que o dossiê contém. Mas é muito bom que ele tenha vindo à baila porque a partir de agora o Brasil vai saber mesmo com quem está a verdade, quem é que tem razão.
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29/06/2007 - 08:38

Racha na reforma é marco no PT
O PT conclui neste fim de semana e no próximo os seus congressos municipais e zonais por todo o país, nos quais serão eleitos os delegados para os congressos estaduais do partido que se realizarão no início de agosto. Dali saem os eleitores do grande Congresso Nacional do PT, que ocorrerá entre 31 de agosto e 2 de setembro.
E daí? Daí que, devido a esse calendário, está fervendo uma disputa entre as diversas tendências petistas para saber quem ditará os rumos do partido. O velho Campo Majoritário, que na crise de 2005 perdeu a maioria absoluta que detinha até então, sonha em retomar o comando total da legenda. Mas os demais grupos acreditam que manterão o Campo Majoritário sob controle.
- Não creio que este Congresso mudará objetivamente a correlação atual, desenhada no Congresso de 2005, quando o Campo Majoritário caiu de 52% dos delegados do partido para 42%. Mas, por conta disso, muita coisa pode mudar no partido. Porque acaba a prevalência da discussão entre tendências e começa um processo amplo de desbloqueio do debate, que vai acabar resultando num grande realinhamento de correntes de pensamento no partido - explica o secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, da tendência Articulação de Esquerda.
Um exemplo desse desbloqueio da discussão foi a votação da reforma politica. O Diretório Nacional havia recomendado o fechamento de questão para a aprovação do sistema de votação em deputados por listas preordenadas, elaboradas antecipadamente pelos partidos. Mas boa parte da bancada rebelou-se. Na prática, não houve o fechamento de questão. E o PT foi o partido que mostrou a maior dissidência na votação do tema, quarta-feira à noite.
- Para se ter uma idéia, por exemplo, a tendência Novos Rumos tem entre os seus nomes de maior expressão os deputados Rui Falcão (SP) e Cândido Vacareza (SP). A tendência recomendou o voto em lista, mas, na votação, o Rui seguiu a orientação e o Vacareza votou contra - relata Pomar. (Correção após publicação da nota: Pomar disse que o Falcão, que é deputado estadual, fecha com a tendência no voto em lista e que Vacareza, que é deputado federal, votou contra)
E o que pode resultar disso tudo?
Pode resultar, por exemplo, na decisão de antecipar a saída de Ricardo Berzoini da presidência do partido para novembro ou dezembro. O Campo Majoritário gostaria que Berzoini ficasse até 2009, mas os demais grupos aceitam, no máximo, que ele fique até abril de 2008.
Pode significar, também, que o PT, enfim, fará um balanço do escândalo do mensalão, até com a retomada do Conselho de Ética sobre sobre os membros da direção que mais se envolveram na história. Tudo isso começa a ser decidido neste final de semana e no próximo.
Da coluna Informe-JB, assinada pelo autor do post, no “Jornal do Brasil”.
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29/06/2007 - 08:19
Comentário de hoje no edição manhã do Jornal do SBT:
Bom dia.// É, o caso Renan virou uma novela, daquelas
bem dramáticas.// Guerra de gravações clandestinas,
vazamento de conversas íntimas, chantagens, um horror.//
O distinto público deve estar chocado, porque não é
ficção não.// É verdade.// O problema é que, enquanto o
caso vira espetáculo, a investigação sobre as denúncias
de que o presidente do Senado teria tido contas pessoais
pagas por um lobista de empreiteira não avança.// O
trabalho do Conselho de Ética voltou à estaca zero.//
Até hoje não se provou nada nem para um lado e nem para
o outro.// O clima de instabilidade ameaça paralisar as
votações e dar um nó no Congresso justamente agora, às
vésperas do recesso, com uma pauta cheia para votar.//
Mas todo mundo parece hipnotizado pelo enredo.// Ninguém
consegue parar de assistir essa novela.// É com você, Hermano.
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