Arquivos de 02/2007:
28/02/2007 - 20:38
O Blog dos blogs recebeu a seguinte mensagem da internauta Zilda Araújo Rodrigues: “Srs. blogueiros, gostaria muito que fosse mencionada a fonte das informações. Isso é possível. Parece que tudo que o Presidente fala ou até mesmo pensa cai nos ouvidos da imprensa. Fico na dúvida até que ponto é pura especulação, ilação, como é de hábito mesmo”.
Zilda, acho sua observação legítima. Você levantou um ponto interessante de discussão, que é a credibilidade do jornalismo na internet. Primeiro, queria saber: você faz esse mesmo tipo de exigência (mencionar a fonte de informação)aos jornais que lê e ao noticiário de TV que assiste? Nem todas as informações veiculadas pela imprensa são em ON, isto é, têm fonte declarada ou mencionada. Boa parte delas vêm em OFF, ou mesmo é assumida pelo jornalista que a divulga. Você acredita mais nelas do que nas que lê na internet? Se você disser que sim, não será surpresa. Em função das limitações de tempo e da concorrência - a obrigação do chamado “tempo real” - muitas vezes o noticiário na internet erra, ou contém algum tipo de lacuna ou imperfeição. Mas os jornais, revistas e TVs também erram.
O erro na Internet pode até aparecer mais, pela própria natureza do veículo, e a possibilidade de interagir com quem escreve torna essa fiscalização mais rigorosa, o que considero muito saudável. Mas o que eu gostaria de dizer é o seguinte: pelo menos para mim, jornalismo na internet e jornalismo em qualquer outro veículo é a mesma coisa. A obrigação de dar a informação correta e checada é, a meu ver, exatamente a mesma. O compromisso com a verdade também. Da mesmoa forma como não o faço no jornal e na TV, não posso declinar todas as fontes das informações que publico, veiculo, posto. Mas se as publico, veiculo, posto, é que estou segura de corresponderem à verdade - e tenho o mesmo tipo de responsabilidade, seja qual for o veículo para o qual estiver trabalhando nessa era multimídia. Na verdade, a linguagem, o formato, a forma, tudo varia muito de veículo para veículo. Só uma coisa não muda: a notícia. Ou é verdade ou não é.
Quanto ao que você chama de especulação, ou ilação, em referência ao que o presidente da República fala. Certa vez, um amigo que trabalhava no governo reagiu, revoltado, a uma matéria nossa com todos os bastidores de uma reunião presidencial realizada na véspera: “Vocês publicam até as frases do presidente em aspas; parece que vocês botam um anãozinho debaixo da mesa de reunião gravando tudo…”. Morremos de dar risada. Às vezes, realmente, parece que os jornalistas estão criando e botando palavras na bioca alheia. Pode até acontecer em uns poucos casos. De modo geral, Zilda, o que nos favorece nessas horas são os hábitos, manhas e manias do poder. Raríssimo é o cidadão, ou pelo menos o político, que sai de uma conversa com o presidente da República e não conta o que ele falou - por interesse em divulgar a informação ou até por simples vaidade. São essas as nossas fontes, e costumam ser muitas. Ou seja, conseguimos “bater” o que cada uma diz e confirmar ou não uma informação. E aí é só esperar que o tempo confirma…Minhas fontes, graças a Deus (e aos muitos anos de ralação), são boas. Continue lendo sempre o nosso Blog e comentando, tá?
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28/02/2007 - 16:07
A escolha do deputado José Múcio para líder do Governo na Câmara estava praticamente sacramentada há duas semanas - só faltava o convite formal - mas Lula congelou o movimento para algumas reflexões. Entre elogios a Múcio, o presidente explicou a deputados com quem conversou que quer nomeá-lo, mas teme que o deputado tenha uma espada sobre a cabeça. Para mau entendedor, o nome da espada é Roberto Jefferson. E o fato de Múcio não ter deixado ainda o PTB também preocupa o Planalto. Isso não quer dizer, porém, que o presidente não vá nomeá-lo. É só uma pausa para a dúvida.
Até porque o nome preferido de Lula, Aldo Rebelo, que já ocupou a função, deixou claro que não está disponível. O próprio presidente reconheceu, em conversas, que um convite desse tipo ia parecer prêmio de consolação para o ex-presidente da Câmara.
E há problemas para encontrar alguém jeitoso. O atual líder interino, Beto Albuquerque, tem sua competência reconhecida, mas é muito brigão. O próprio Lula, emconversa em que disse a beto que ele é “um guerreiro” e “muito aguerrido” deixou claro ao deputado que ele terá uma compensação no governo. Mas não é a liderança do Governo.
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28/02/2007 - 11:39
Todo mundo sabe que o ex-ministro Ciro Gomes sempre discordou internamente da política econômica de juros altos e superávit fiscal. Mas não vai entrar ao lado do PT na briga contra Meirelles - embora não tenha mais assento na Esplanada e desfrute da liberdade de opinião de quem tem um mandato popular. Em entrevista ao Blog dos Blogs, o deputado nos explica por que e conta que está muito feliz como soldado raso na Câmara.
Blog dos blogs- Dizem que o sr não quer voltar ao Ministério porque é candidato em 2010 e aqui fica mais liberado para criticar o governo…O presidente convidou ou não o sr para voltar?
Ciro: Isso não tem nada a ver. O Ministério é do presidente, que tem total liberdade para nomear quem quiser. Conversamos diversas vezes e há tempos venho deixando claro que a minha vontade é exercer o mandato de deputado. Sou, proporcionalmente, o deputado mais bem votado do país. E, quando me candidatei a deputado e me elegi, era para ficar aqui na Câmara.
Blog dos blogs- Está gostando da experiência?
Ciro: Adorando. E estou vendo que deputado trabalha muito, sim. Estou participando da CCJ, onde já votamos muitos projetos. Sem falar no plenário…
Blog dos blogs- O sr está se sentindo mais livre para criticar o governo aqui na Câmara?
Ciro: Olha, uma coisa eu queria deixar clara: estou aqui para trabalhar e para defender o governo do presidente Lula. Disso eu não abro. Vou ajudar o presidente onde quer que eu esteja.
Blog dos blogs- O sr sempre foi um crítico da política econômica nas reuniões internas do Planalto. E agora, o sr vai se juntar ao PT nos ataques ao Banco Central e aos juros altos e na estratégia para derrubar Meirelles?
Ciro: Não. Querer derrubar o Meirelles e atacar a política do Banco Central agora é um erro. Sabe por quê? Porque, dentro do atual modelo econômico, Meirelles e o BC estão tendo um desempenho brilhante. Dentro dessa política, o BC está dando certo e é um erro tirar o Meirelles…
Blog dos blogs- Mas não já não é bastante conhecido que o sr prega uma mudança desse modelo ancorado nos juros altos e na meta superávit e de inflação em favor de uma política que tenha como prioridade o crescimento do PIB?
Ciro: Sempre apresentei minhas críticas internamente, dentro do governo. Não saio batendo. Sempre que discordo do Meirelles, peço uma audiência, vou lá e falo diretamente com ele…
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28/02/2007 - 09:30
Comentário de hoje da Helena ao Edição Manhã do jornal do SBT, apresentado pelo Hermano Henning:
Bom dia, Hermano.// Essa reforma do Ministério é uma novela.// Cada dia uma agonia.// O presidente Lula, apesar de dizer que não tem pressa, na verdade está louco para anunciar logo essa equipe e mudar de assunto.// Mas ontem ele teve uma boa notícia:// o PMDB da Câmara jogou a toalha e desistiu de indicar um deputado para o Ministério da Saúde.// Lula vinha resistindo a essa indicação porque quer botar lá o médico sanitarista José Gomes Temporão.// É bom lembrar que a Saúde é uma das jóias da coroa do governo:// tem um dos maiores orçamentos da Esplanada.// Então, o presidente agora está liberado para nomear o técnico.// Mas aí vem a notícia ruim.// O PMDB, que já vai ganhar a Integração Nacional mas é dono da maior bancada na Câmara, agora quer outra pasta para compensar a perda da Saúde.// Vamos ver como é que Lula dribla essa agora.// É com você, Hermano.
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28/02/2007 - 08:23
Do InformeJB
Lula libera aliados à guerra por Jobim
Agora é fogo para todo lado entre Lula e os chamados neogovernistas do PMDB. Os passos são sutis, mas são pólvora pura. Por exemplo, quando o governador Sérgio Cabral reúne governadores do PMDB no Rio para pedir que o presidente da legenda, Michel Temer, desista de sua reeleição ao comando do partido, o recado é de que Cabral está fazendo isso a pedido do presidente. Para garantir a nomeação, na cota do PMDB, de um ministro indicado por Lula. No caso, José Gomes Temporão, na Saúde.
Quando Temer junta-se ao líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, e vai ao Palácio do Planalto, como foram ontem, dizer ao ministro Tarso Genro que os deputados do partido abrem mão, oficialmente, da indicação do titular do Ministério da Saúde, o que eles fazem é declarar que estão prontos para a guerra com Lula.
E o presidente - embora publicamente ainda ponha panos quentes na situação - na verdade já está em estado de guerra. A aproximação entre Michel Temer e o ex-governador do Rio Anthony Garotinho, demonstrada na reunião da executiva do partido no Estado anteontem, deixou Lula irritadíssimo.
A avaliação do presidente e dos seus aliados no partido, liderados pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, é de que, agora, se Temer vencer a convenção terá que ser grato a Garotinho. Portanto, vai passar a atormentar o governo para ceder a Garotinho, no Rio, os espaços reservados a Sérgio Cabral. Isso é inaceitável para Lula.
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28/02/2007 - 08:22
Do InformeJB
Termos da guerra
Do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), sobre o encontro de ontem com Tarso: “Nós não fomos afrontar o presidente. Fomos apenas dizer a verdade. Temporão é ótima pessoa, um ótimo nome, mas o PMDB da Câmara não quer mais a pasta da Saúde. Já que está acertado: o PMDB da Câmara indicará duas pastas, e uma delas é a Integração Nacional. Esperaremos agora que o presidente substitua o comando da Saúde por outra pasta que ele escolha”.
Ruim para todos
Essa guerra entre Lula e os neogovernistas do PMDB é daquelas histórias que a coluna relata só por dever de ofício. Porque é difícil de acreditar, já que ela não interessa a ninguém. A continuar assim, o presidente Lula ficará sem um grupo que já demonstrou ter força dentro do PMDB, mesmo que venha a perder a convenção do partido marcada para o dia 11. E os neogovernistas, sendo derrotados por Lula, serão os primeiros neogovernistas da história que foram para a oposição antes mesmo de ser governo.
Pior para Geddel
Indicação líquida e certa para o Ministério da Integração Nacional pelo PMDB, o deputado Geddel Vieira Lima (BA) é quem mais sairá perdendo com a explicitação de uma guerra entre Lula e os neogovernistas do PMDB. Como o presidente poderá nomear Geddel ministro se o grupo do deputado for derrotado? E como Geddel poderia aceitar o cargo de ministro deixando seu grande aliado, Michel Temer, no sereno?
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28/02/2007 - 08:17
Do InformeJB
“Assim eu não fico”
A senadora Patrícia Saboya (PSB-CE), ex-mulher do provável candidato à Presidência Ciro Gomes (PSB-CE), declarou ontem à coluna que pode romper com o governo no dia 1º. Trata-se da data-limite que o ministro Silas Rondeau (Minas e Energia) pediu para resolver o problema entre a Petrobras e o consórcio coreano que se dispôs a construir uma usina siderúrgica no Ceará: “O presidente da República prometeu uma solução e o ministro tem feito todo o esforço. Mas a Petrobras não aceita resolver o problema. É uma obra fundamental para o Ceará. E eu não apoiarei um governo que trata mal o meu Estado”.
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28/02/2007 - 08:16
Do InformeJB
Viva a Anac!
Na segunda-feira, os passageiros de um avião da TAM que partiu de Ribeirão Preto com destino a Congonhas tiveram que esperar 15 minutos para que um ônibus chegasse para levá-los ao terminal de desembarque. A espera só não foi maior porque uma funcionária da Agência Nacional de Aviação Civil estava a bordo. Passou a mão no telefone, reclamou e, num passe de mágica, quatro ônibus surgiram para transportar os passageiros.
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28/02/2007 - 08:14
Do InformeJB
Abaixo o privilégio
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) aderiu às fileiras que pressionam o Supremo Tribunal Federal a não garantir foro privilegiado a agentes políticos, com ex-ministros, acusados de improbidade administrativa. O caso será retomado amanhã. “Considero isso uma humilhação”, diz Simon, sobre a possibilidade de ampliação do foro.
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27/02/2007 - 17:58
Depois de tanto lero-lero, o PMDB da Câmara jogou a toalha. O líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves, esteve agora à tarde com Michel Temer no gabinete do ministro Tarso Genro e comunicou que o PMDB abre mão da indicação para o Ministério da Saúde, diante da insistência do presidente Lula em nomear o técnico José Gomes Temporão. Mas, além da Integração Nacional, que já está encaminhada, quer outra pasta para indicação partidária da bancada da Câmara. Tarso ficou de levar o recado a Lula e dar uma resposta. Depois de tanto desgaste, mal-estar e confusão e confusão, o líder peemedebista deu o resumo da ópera:
— Percebemos que o presidente não quer uma indicação partidária para a Saúde. Então, estamos neste momento abrindo mão de indicar o ministro da Saúde para que o presidente tenha toda a liberdade de nomear o médico José Gomes Temporão, que, pelas qualificações técnicas, vai ser um grande ministro. Mas a bancada do PMDB na Cãmara quer fazer sua indicação partidária para outra pasta.
Na véspera, numa conversa prévia, Tarso chegou a oferecer ao próprio Temer a pasta da Previdência. Em troca, ele desistira da reeleição no PMDB em favor de Nélson Jobim. O presidente do partido não topou. E nem a bancada quer a Previdência.
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