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Arquivos de 01/2007:

31/01/2007 - 23:59

Companheiros de viagem na blogosfera

Salve, amigos da blogosfera. Lá vamos nós de novo juntos nessa
viagem perigosa mas interessantíssima pelos caminhos e descaminhos
da política. Sem mapa nem roteiro prontos, mas com muita vontade de chegar lá - com a boa informação política, o comentário oportuno, a análise equilibrada - e, sobretudo, apreciando o caminho. Com muito bom humor. Continuo achando que política não tem que ser chata, nem árida, nem difícil. E que é possível falar de tudo de um jeito que todos entendam e gostem. Esse é o objetivo do Blog dos Blogs. Agora, estamos em três, e acho que isso faz uma enorme diferença. A companhia do Tales e do Alon, dois gigantes do
jornalismo político, me honra e envaidece. Sem falar que vai ser ótimo também ter alguém com quem brigar de vez em quando.
Blogueiros e blogueiras queridos: adoramos comentários, questionamentos, críticas. Mas tudo na boa e de bom nível, certo?
Tenho certeza de que vou adorar a companhia, deles e de vocês.
Afinal, o mais importante, em qualquer viagem, é que ela seja
divertida…Beijos a todos.

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31/01/2007 - 18:20

Amigos, amigos, ministérios à parte

A pressão dos ministeriáveis aumentou tanto nas últimas horas que Lula mandou um aviso aos navegantes hoje lá do Rio Grande do Norte, onde foi bater o bumbo do PAC: amigos, amigos, negócios à parte. Quem decide sou eu e vou tomar a decisão que estiver na minha cabeça. Mesmo assim, Marta Suplicy, lá de Sampa, continua mandando recados; Hélio Costa diz que o apoio do PMDB à sua permanência nas Comunicações vai muito bem, obrigado; o ex-PL, hoje PR, está se preparando de mala e cuia para baixar nos Transportes; e etc etc etc.

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31/01/2007 - 15:50

A Terceira Via, consolidada

Você ouvirá à exaustão que os blocos formados para a escolha da Mesa da Câmara dos Deputados só servem para isso: para dividir os cargos na Mesa da Câmara dos Deputados. É olhar a árvore e não ver a floresta. Política é mesmo um terreno cheio de armadilhas e surpresas. A Terceira Via veio ao mundo pelas mãos do PSDB, mas só saiu da incubadeira graças ao PSB, PDT e PCdoB. A aliança PT-PMDB aglutina, somados os satélites, no máximo uns 270 deputados federais. Basta uma dissidência de 20% (uma taxa moderada) para o governo ficar em sérias dificuldades na Câmara. Sem os cerca de setenta votos do bloco socialista-trabalhista-comunista o governo perde a maioria. E aí o bloco vai pensar: mas se o PMDB tem cinco ministérios para oitenta deputados, por que o nosso bloco não pode ter quatro ministérios? Serviço para Luiz Inácio Lula da Silva e os seus articuladores políticos.

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31/01/2007 - 11:09

Nomes de Chinaglia 1
O petista Arlindo Chinaglia está-se acertando com o grupo de Michel Temer, no PMDB, em torno dos seguintes nomes do partido para as duas vagas que acredita caberem à bancada de deputados peemedebistas no Ministério: Geddel Vieira Lima (BA) e/ou Fernando Diniz (MG) e/ou Tadeu Filipelli (DF).

Nomes de Chinaglia 2
O acordo de Chinaglia com Michel Temer também envolveu a escolha de nomes e cargos do PMDB na Mesa Diretora da Câmara: o líder Wilson Santiago (PB), para primeiro-secretário; e o deputado Waldemir Moka (MS), com a terceira-secretaria.

“Assim não dá!
Da deputada Rose de Freitas (PMDB-ES) sobre os acordos entre Chinaglia e Temer: “Quando apoiei o Chinaglia, não lhe dei procuração para escolher os nomes dentro do PMDB que iriam para este ou aquele cargo. Não é um petista quem vai determinar as coisas aqui no PMDB.”

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31/01/2007 - 11:07

PT com mais ministérios? Sonho seu…

Integrantes da executiva do PT andaram alardeando que o partido queria recuperar os ministérios das Cidades e da Saúde (hoje com o PP e o PMDB), mas na hora de conversar com Lula ficaram pianinho e nem tocaram no assunto. Recuo tático para não prejudicar a candidatura Arlindo Chinaglia na véspera da eleição? Essa é a explicação oficial. Na verdade mesmo, segundo conta um petista de primeiro escalão, ninguém teve coragem de abordar o tema com o presidente. O Lula de hoje não dá abertura aos interlocutores para falar nada, mas nada mesmo, que ele não queira ouvir. E essa história de que o PT fortalecido na Câmara pode vir a ampliar espaços no MInistério é uma tremenda balela. Aliás, se Chinaglia vencer,a tendência é até o contrário. É por essas e outras que até mesmo a indicação de Marta Suplicy, antes dada como certa, corre perigo.

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31/01/2007 - 10:34

Acasalamento

A ministra Dilma Rousseff fala grosso e diz que não vai dividir com os Estados o maná da CPMF. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixa vazar o contrário, diz que pode negociar com os governadores. É a corte do acasalamento. Rugidos e afagos. Do jeito que estão as coisas no Congresso, sem conversar e ceder o governo não aprova ali nem sessão solene. Se quiser a CPMF e a DRU pelo menos até o final do mandato, Lula vai ter que afrouxar para os governadores (e se bobear para os prefeitos, com o aumento do Fundo de Participação dos Municípios. Esse é outro motivo pelo qual as conversas sobre expurgos na base governista pós-eleição da Câmara devem ser lançadas na rubrica das conversas (descon)fiadas.
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31/01/2007 - 10:26

Amigos, amigos; negócios à parte

Toda véspera de eleição parece a antevéspera do fim do mundo. As previsões são mais apocalípticas do que as dos estudiosos do aquecimento global. Mas os especialistas em Congresso Nacional advertem: depois da tempestade vem a bonança. Vem aí o esfriamento global dos ânimos na base do governo. O PT sabe que Luiz Inácio Lula da Silva não pode abrir mão de aliados. Mas que em caso de vitória de Arlindo Chinaglia o petismo vai querer dar um calor do PCdoB, isso vai. O sintoma pode ser detectado nas conversas de bastidores na Câmara dos Deputados. O que se espalha ali é que Lula já teria decidido “diminuir o espaço” do PCdoB. Suspeito que o próprio PCdoB, que não nasceu ontem, já tenha percebido isso. E esteja, naturalmente, se precavendo. Afinal, o PCdoB já entendeu que com o PT é: amigos, amigos; negócios à parte. Aliás, quer sentir o clima entre os dois partidos? Veja este trecho de editorial chamado na home page do vermelho.org.br (site do PCdoB):
Os partidos políticos, como as pessoas, aprendem, ou ao menos são capazes de aprender. O PT, fundado em 1980, levou oito anos e quatro eleições para estrear as suas primeiras coligações eleitorais, em 1988. Dezoito anos mais tarde, já teve tempo e experiências suficientes para concluir: hegemonia se constrói na disputa de idéias e no amálgama de consensos; não se impõe por deliberação da bancada de uma sigla, por numerosa e bem votada que seja a bancada, e por estelar que seja a sigla.
Precisa dizer mais?
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31/01/2007 - 08:42

Véspera do confronto. PT pede socorro a Lula

Todo mundo sabe para onde vai o presidente Lula amanhã, dia da eleição do presidente da Câmara no biênio 2007/2008. Vai para bem longe de Brasília, inaugurar obras no Nordeste. O que ninguém sabe é de que lado ele estará de fato no confronto pela vaga entre dois pesos-pesados da sua base parlamentar: o atual presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e o líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP).
Aldo lançou um tiro certeiro na candidatura Chinaglia ao denunciar que entregar o comando da Câmara ao PT é dar poder demais à legenda. Os petistas agora tentam convencer o presidente Lula de que, com essa acusação, Aldo alinhou-se definitivamente às forças de oposição no Congresso. Deixou de ser um candidato governista para ser o representante de uma ampla frente parlamentar unindo uma parcela de partidos da base governista ao núcleo oposicionista no Congresso.

Será difícil convencer o presidente que o sempre fiel Aldo Rebelo virou a casaca. Mas ultimamente Lula tem dado sinais de que anda meio refém do grupo paulista do PT — liderado por Marta Suplicy e José Dirceu — de onde se originou a candidatura Chinaglia. Ou seja, ninguém sabe como o presidente irá se comportar entre hoje e amanhã. Continuará tentando ficar de fora da encrenca, ou dará a ordem-unida à sua tropa de choque, optando de uma vez por todas entre Chinaglia e Aldo?

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31/01/2007 - 08:22

Extraído do JB-Online, em 29-01:

Militares apontam ameaças

Tales Faria

BRASÍLIA. “Foi confirmado o conhecimento de que a questão indígena atinge uma gravidade capaz de pôr em risco a segurança nacional. Considerando a atual reivindicação de autonomia e a possibilidade de futura reivindicação de independência de nações indígenas, o quadro geral está cada vez mais preocupante, especialmente na fronteira norte. As organizações não governamentais (ONGs), algumas controladas por governos estrangeiros, adquiriram enorme influência, na maioria das vezes usada em benefício da política de suas nações de origem, em detrimento do Estado brasileiro. Na prática, substituem, nas áreas indígenas, o governo nacional.”

O trecho acima faz parte do “Relatório de Situação” elaborado pelo Grupo de Trabalho da Amazônia (GTAM) no primeiro semestre de 2006. Foi distribuído entre integrantes e colaboradores do chamado Sistema Brasileiro de Inteligência, cujo órgão central é a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Na nova versão do relatório, os militares não só reafirmam as suspeitas de que ONGs e entidades religiosas estrangeiras estão tomando a Amazônia, como apontam novos fatos. Alguns assustadores:

“Quanto à presença militar estadunidense na Amazônia, um componente relativamente novo na questão da segurança da região amazônica brasileira é a crescente presença de assessores militares estadunidenses e a venda de equipamentos sofisticados às Forças Armadas colombianas, pretensamente para apoiar os programas de erradicação das drogas, mas que podem ser utilizados no combate às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e ao ELN (Exército de Libertação Nacional). A presença militar estadunidense, que já se estende à Guiana, ao Equador, ao Peru, à Bolívia e, recentemente, ao Paraguai - aproveitando-se do vazio de nossa política externa em relação àquele país - por meio da utilização de bases militares, poderá se expandir a outros países sul-americanos para transformar a luta contra a droga (e contra as Farc e o ELN) em uma empreitada militar sul-americana, e não apenas colombiano-estadunidense. O plano provavelmente faz parte da estratégia dos EUA para assegurar presença militar direta na região andino-amazônica e no cone sul, em torno do Brasil.”

A “presença e atuação de estrangeiros” na Amazônia é um dos pontos tratados com destaque pelo GTAM, que levanta suspeitas de espionagem até mesmo na base aérea de Alcântara, no Maranhão. Para quem não lembra: 21 trabalhadores do CTA (Centro Técnico Aeroespacial) de São José dos Campos (SP) morreram na explosão do terceiro protótipo do VLS-1 (Veículo Lançador de Satélite) na plataforma do Centro de Lançamento de Alcântara, em agosto de 2003. Na visita que fizeram a Alcântara em 2006, os membros do GTAM desconfiaram do excesso de estrangeiros naquela cidadezinha:

“Especial preocupação é o número de estrangeiros nas proximidades da base de lançamentos de Alcântara, no Maranhão. Segundo fontes da polícia do Estado, havia 116 estrangeiros em 15 de maio em Alcântara (MA), dia da visita do GTAM. Não foi possível saber quais as atividades que desenvolviam, tendo em vista que não haveria atividade no Centro de Lançamentos. Os altos índices de exclusão social presentes na cidade de Alcântara deixam a comunidade que ali reside exposta e fragilizada a tentativas de aliciamento e recrutamento por parte de ONGs e agentes a serviço de países que muito teriam a perder com os sucessos dos lançamentos da Base de Alcântara.”

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Documento expressa consenso da Inteligência

O GTAM é um colegiado composto por representantes da Abin e dos órgãos de informações das Forças Armadas e do Departamento de Polícia Federal. Sua função é sistematizar as chamadas atividades de inteligência na Amazônia. Realiza duas viagens anuais à área e elabora os textos com a opinião consensual do grupo.

Em 2005, o jornal “O Estado de S.Paulo” publicou um desses relatórios - assinado pelo coronel Gelio Augusto Fregapani, então lotado na Abin em Brasília e agora superintendente do órgão em Roraima -, o que provocou uma forte reação das ONGs e de entidades religiosas que atuam na Amazônia. O Jornal do Brasil obteve agora a versão mais recente do relatório - explicitamente “vedado à imprensa” - que trata das conclusões das viagens realizadas no primeiro semestre 2006. Veja a íntegra do texto de 16 páginas no site www.jbonline.com.br. O novo “Relatório de Situação” não é mais assinado pelo coronel da Abin, já que o texto se tornou de responsabilidade de todos os integrantes do GTAM.

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Influência norte-americana sobre vizinhos do Brasil estaria causando desemprego e avanços do crime organizado e da violência

O relatório do GTAM deixa claro que há uma forte presença dos EUA em praticamente todos os países vizinhos ao Brasil, especialmente na região amazônica. E relaciona essa presença a um quadro de desestruturação e fragilização dos governos e das sociedades locais:

“Os Estados da região foram induzidos a promover reformas para reduzir o efetivo e a influência das Forças Armadas, cuja tendência nacionalista poderia prejudicar a execução da nova estratégia econômica neoliberal. Assim, a situação nesses países apresenta características muito semelhantes - longa estagnação ou lento crescimento econômico, compromissos externos elevados, alta vulnerabilidade a flutuações externas, desarticulação do Estado, pressão externa renovada para que adote políticas ainda mais neoliberais, frequentemente causando desemprego elevado, crime organizado e violência urbana”.

Com base nessa avaliação em bloco, o relatório traça um quadro caso a caso, nos países vizinhos à Amazônia. Veja a seguir algumas dessas avaliações.

Venezuela

“A hostilidade entre os governos da Venezuela e dos Estados Unidos vem se agravando paulatinamente e deve se agravar mais ainda. O governo de Hugo Chavez sofre os efeitos de uma operação internacional da mídia que procura caracterizá-lo como louco e ditatorial. (…) Pode-se esperar que os Estados Unidos se esforcem para minar o governo venezuelano e mesmo, se houver condições, contribuir para sua derrubada. Mas não se espera uma atitude militar nem mesmo sanções econômicas devido à grande dependências de ambos à produção venezuelana de petróleo. (…) As disputas entre Colômbia e Venezuela tenderão a se agravar a partir da violação de fronteiras, do eventual homízio de guerrilheiros colombianos e da aceleração da emigração, criando risco de surgimento de movimentos cuja reação seria difícil de prever, mas que forneceriam o desejado pretexto para intromissões internacionais.”

Colômbia

“há um forte envolvimento estadunidense na guerra civil” e, apesar da divulgação de que teria havido redução global das zonas de plantio de coca no país, “há indícios de que os produtores abandonaram o método de cultivo em grandes plantações e adotaram técnicas de pequenas culturas no interior da selva, dificultando a detecção por satélite e a aspersão de herbicidas”. O país já estaria inserido na produção de heroína, com capacidade de produção para atender à demanda por consumo da droga dos EUA. O GTAM alerta ainda que já “há suspeitas de plantações de papoula no Equador, na Bolívia e na Venezuela”. Tudo para atender ao consumo norte-americano.

Equador

“O profundo e histórico ressentimento da maioria indígena contra a minoria branca é capaz de colocar em cheque o sistema político tradicional, enquanto o Estado faz acordos com os EUA para utilização militar da base aérea de Manta para apoiar o Plano Colômbia, o que envolve o Equador na explosiva situação colombiana.”

República Guiana

(ex-Guiana Inglesa)

“Pode-se prever, em longo prazo, a inevitabilidade de conflitos com a Venezuela e com o Suriname por terras tomadas no tempo do domínio britânico. Conforme o resultado desse previsível conflito, as terras (hoje da Guiana) tomadas ao Brasil ou ficariam em posse da Venezuela ou a Guiana ficaria em dois pedaços separados por uma faixa venezuelana. Considerando que a população brasileira foi expulsa da área somente no terceiro quartel do século 20, a ferida ainda está aberta e a população de Roraima pode não ser indiferente a uma retomada.

Guiana Francesa

“É um caso à parte, pois se encontra sob domínio colonial da França, que a considera parte integral do território francês, como se a Guiana se encontrasse na Europa continental.” No início do relatório, os membros do GTAM já haviam ressaltado que “da pressão internacional sobre a região, basta lembrar que em 1989 o presidente francês (François) Mitterrand afirmou que o Brasil precisa aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia”.

——
Bantustans, chiapas e curdistões no Brasil

BRASÍLIA.Apesar da polêmica provocada no início de 2005 pelo vazamento de seu primeiro relatório, o Grupo de Trabalho da Amazônia (GTAM) não diminuiu suas críticas à atuação das organizações não-governamentais (ONGs) no texto sobre a situação da Amazônia no primeiro semestre de 2006. Muito pelo contrário. Alerta para o fato de que a parte norte da Amazônia brasileira “permanece como um território virtual para o Brasil”. E que a luta das ONGs para aumentar as reservas indígenas ameaça a integridade do territorial do país:

“Algumas terras indígenas tendem a se transformar em bantustans, outras em curdistões, quando contíguas a áreas com mesma etnia no outro lado da fronteira”.

Bantustans são os territórios criados pelo antigo regime racista da África do Sul para segregar os negros. Nessas terras, que ficavam dentro do país, as populações negras podiam circular mais livremente e ter até certa autonomia administrativa. Com o tempo, alguns bantustans declararam sua independência da África do Sul. Os europeus costumam dizer que o Curdistão é uma nação sem pátria. Um povo que se espalha ao longo da fronteira de cinco países: Irã, Iraque, Turquia, Síria e Armênia. Parte dos curdos já foi alvo de massacre, por exemplo, ordenado pelo ex-ditador Saddam Hussein, enforcado no início do ano pelo assassinato de mais um centena de xiitas que vivem no Iraque.

O relatório do GTAM mostra um mapa da fronteira norte do país com as reservas indígenas. Aquelas que estão totalmente dentro de nossas fronteiras são as que o GTAM teme se transformarem em verdadeiros bantustans. E a área de etnia ianomani, que fica em Roraima e no Amazonas e se estende até a Venezuela, seria o embrião de um novo Curdistão. Diz o relatório do GTAM:

“Embora seja difícil fazer uma separação nítida, foram ouvidas opinião abalizadas de que as ONGs de origem britânica e norte-americana tendem a procurar criar condições de futura independência das ‘nações’ indígenas, enquanto outras ONGs, inclusive apoiadas pela Alemanha e as de orientação religiosa, tendem a procurar uma autonomia diferenciada, no estilo da região de Chiapas, do sul do México.” Em tempo: Chiapas é um território que foi tomado pelo movimento Zapatista de contestação ao regime político mexicano.

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Demarcação levará a conflito, diz GTAM

No relatório do Grupo de Trabalho da Amazônia (GTAM), fica evidente que os militares querem rever a decisão de demarcação contínua da reserva indígena Raposa-Serra do Sol, em Roraima:

“Continuou evidente que no processo de homologação contínua houve má-fé, subordinando-se às teses de ONGs nacionais e estrangeiras, e contrariando o desejo dos próprios índios”.

O relatório denuncia: “As demarcações foram feitas em bases falsas e desprezando antigos e registrados títulos de propriedade que remontam a 1937, ou antes. Assinaturas do laudo antropológico no qual se baseou a demarcação contínua foram comprovadamente falsificadas, fatos estes constantes de processo judicial federal (Processo 1999.42.00.00001-7, distribuído à 1ª Vara Federal da seção judiciária de Roraima, em 18 de janeiro de 1999)”.

E diz que a situação pode resultar em conflitos: “Na população de Roraima, ficou evidenciado haver pouca esperança em soluções jurídicas e a firme decisão de resistir a esse ’status’. Baseadas na convicção de que a homologação contínua contraria o interesse nacional, as forças reativas contam com a simpatia das Forças Armadas e da população de Roraima. As últimas notícias dão conta de conflitos na região”.

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