O deputado Aldo Rebelo (PC do B) até pode ganhar a reeleição da presidência da Câmara, mas a Câmara corre o risco de perder o Brasil. Na entrevista que acabou de conceder para reafirmar o aumento de 92% aos deputados Aldo Rebelo acirrou ainda mais a indignação nacional contra o parlamento.
O blog rebate abaixo as justificativas dadas por Aldo Rebelo na entrevista e na nota oficial distribuída pela Câmara.
Vamos a nota, com comentários feitos pelo blog, todos baseados em informações oficiais.
1 – O impacto da equiparação do salário dos deputados com os ministros do STF, equivalente a R$ 24,5 mil, será de R$ 157 milhões por ano (incluindo subsídios de parlamentares, aposentados, pensionistas e contribuição patronal à Previdência Social), o que corresponde a 6,95% do gasto com folha de pessoal da Câmara (dados do Orçamento de 2006).
2 – Ao longo de 2006, a Câmara economizou R$ 130 milhões nas seguintes rubricas:
- Corte integral com despesas com publicidade;
Comentário - Mentira. Esta verba não existe no orçamento de 2006, nem de 2007. A verba de publicidade de R$ 8 milhões foi criada na gestão do deputado João Paulo Cunha na presidência da Câmara, sob encomenda para a agência SPM&B, do Marcos Valério. Um escândalo que resultou na renuncia do deputado depois de reconhecer que havia recebido bolada de R$50 mil, em dinheiro, do “valerioduto”.
- Pessoal (corte de 1.140 Cargos de Natureza Especial e redução de 40% nos gastos de horas extras com servidores);
Comentário - Na, verdade a Mesa Diretora, presidida por Aldo Rebelo, restringiu a contratação de assessores através do CNE. A função foi originalmente criada para a administração da Casa. Mas que 1.163, estavam “à disposição” dos deputados em funções fora de Brasília, em gabinetes parlamentares,em outras palavras, “aspones”.
Aldo não extinguiu a função que, a rigor, deveria ser ocupada por concursados, apenas acabou com o abuso, mas 1.202 deles seguem no quadro funcional com salários base – fora extras – que variam de R$2.444,00 a R$8.711,00.
- Revisão de prioridade na aquisição de equipamentos e materiais permanentes;
Comentário - Na entrevista que acabou de conceder, Aldo Rebelo se embaraçou para explicar esta suposta economia porque, afinal, era gasto supérfluo ou a Câmara não vai adquirir equipamentos necessários para sobrar dinheiro para pagar o aumento.
- Adiamento da reforma dos imóveis funcionais;
Comentário - Na entrevista coletiva Aldo Rebelo disse que devolveria cem apartamentos para a União. Não se trata de economia, a Câmara paga R$3 mil reais de auxílio moradia a cada deputado. Os deputados preferem usar o dinheirinho para comprar flats em prestações mensais ao longo de 4 anos. As imobiliárias de Brasília já constroem prédios com adequados ao uso desta verba. Portanto, os apartamentos funcionais- 220 m2 e, mobiliados – deixaram de ser requisitados e dezenas deles jazem abandonados em quadras nobres de Brasília.
- Adiamento da construção do Anexo V;
Comentário - Pura fumaça. Não estava no orçamento de 2006, nem no de2007. Trata-se da intenção de construir um anexo para transferir a biblioteca, construir um museu e espaço cultural, que até agora não passou do papel.
- Gastos com serviços, diárias e passagens;
Comentário - Cortar por quê? Se as viagens podem ser cortadas, jamais deveriam ser cogitadas. Além disto, sempre que um presidente assume promete cortar gastos com viagens, promessa efêmera.
3 – Em 2007, com a aprovação da Emenda Constitucional n° 50, a Câmara dos Deputados não arcará mais com a despesa referente às convocações extraordinárias. A última convocação – Dez. 2005/ Jan. 2006 – teve um custo de R$ 62 milhões.
Comentário - O corte não foi feito preventivamente ou pós-aumento salarial, tratava-se de verbas escandalosa que acabaram não poder desejo espontâneo dos deputados, mas pela força da indignação da sociedade, como está ocorrendo agora com o aumento de 92%.
4 – Além das economias orçamentárias realizadas em 2006, em 2007 serão adotadas outras medidas de cortes de despesas para que o reajuste nos subsídios não implique em aumento de despesas no Orçamento de 2007.
Comentário - Aldo Rebelo vai pagar o 14º e o 15º salário dos deputados neste ano,mas promete que, daqui para frente, vai restringir o benefício aos períodos de mudança de legislatura, como agora. A conferir. É difícil que venha tomar medida destas antes da reeleição e, depois, bem depois, ninguém mais se lembrará da promessa.
5 – Em 2007, a implantação pela Câmara de medidas propostas por estudo da Diretoria Geral e Fundação GetúlioVargas vai gerar novas economias com a racionalização e transparência dos gastos.
Comentário - Começou mal. Não há racionalização – aliás, racionalização é o mínimo que se espera de um administrador público – que possa ser levada a sério com a concessão de aumento de 92% nos salários dos administradores.
6 – O reajuste dos parlamentares aprovado nesta quinta-feira (14) não vai incidir nos salários dos servidores, o que será garantido por um Ato Conjunto da Câmara e do Senado.
Comentário -É só uma questão de tempo, e pouco tempo. A legitima pressão dos servidores e o estabelecimento do novo teto salarial na Casa vai obrigar a concessão de aumentos.
7 – O reajuste dos deputados não é repassado automaticamente aos deputados estaduais. O impacto nos subsídios dos deputados estaduais depende de lei de iniciativa das Assembléias Legislativas, de acordo com artigo 27, parágrafo II da Constituição de 1988, cumprindo os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Comentário - Mentira. As assembléias legislativas há muito tempo aprovaram lei estabelecendo o salário do deputado federal como referência. No Distrito Federal, por exemplo, a lei estabelece que o salário do deputado equivale a 75% do federal.
8 – Não haverá qualquer impacto imediato do reajuste dos parlamentares nos vencimentos dos vereadores. De acordo com artigo 29, inciso VI, da Constituição, os subsídios dos vereadores só podem ser fixados em cada Legislatura para a subseqüente. Dessa forma, qualquer reajuste para os vereadores só poderia entrar em vigor em 2009.
Comentário - Alguém acha que os vereadores vão esperar 2009? Vão conceder o aumento através de recursos indiretos, com novas verbas de gabinete, verba de viagem e um monte de outras espertezas.