Dunga tem um defeito grave. Não sabe se relacionar com a imprensa em geral, o que não seria tão importante se a própria imagem dele não ficasse comprometida. Parece que ele acorda todas as manhãs e fala: ‘hoje eu vou mostrar para eles’. Por eles, entenda-se forças ocultas. Forças que o massacraram em 1990 e que, mesmo ele virando queridinho em 1994 e unanimidade em 1998, ele, Dunga, preferiu mantê-las (as forças ocultas), como seu oxigênio de cada dia. A impressão é que quando ele termina o churrasco na casa dele e o convidado diz ‘a carne estava ótima’, ele cerra os lábios e xinga todo mundo que o criticou e disse que ele não era capaz.
E eu, apesar de não concordar com esta postura defensiva/ofensiva demais, confesso que entendo. Cada um se motiva como quiser. Cuca disse para o seu time que ninguém na imprensa acreditava que o Botafogo poderia vencer o líder São Paulo. Mentira. Todo mundo disse que Botafogo x São Paulo era o jogo mais difícil dos últimos 4 do São Paulo. Por essa e outras, entendo o Dunga.
O que o Dunga não sabe, talvez, é que ele tem feito tudo certo, mesmo aos olhos de seus críticos. E quando ele trata todo mundo com cordialidade, tchan tchaaan, não existe mais nada a declarar. Foi assim pelos relatos que li (não estive lá) na coletiva que deu ontem em São Paulo, justamente a terra que tradicionalmente mais pega no pé dos treinadores da Seleção.
Dunga tem um grupo treinado e afinado. Convocou a maioria dos jogadores que se destacaram nos últimos 4 anos. Não levou em consideração nomes e sobrenomes. Barrou Kaká e voltou a dar chance quando ele mereceu. Barrou Adriano e deu nova chance quando ele mereceu. Barrou Ronaldinho, deu chance, barrou de novo e deve voltar a dar chance pois ele está merecendo. Ainda não barrou Robinho, mas não acredito que não o fará se o jogador seguir na má fase em que se encontra.
Conseguiu, como nenhum outro treinador havia conseguido, aproveitar o potencial de Luis Fabiano, e dar a ele o moral de ser o 9 titular, independente de Adriano, Ronaldo, Fred ou qualquer outra sombra da última Copa. Se irrita a você, leitor, ou a mim, ele convocar Elano e Julio Baptista, convenhamos, faça um exercício de memória e verá que os dois jogadores sempre atuam bem e/ou foram decisivos em algum momento no trabalho dele. Assim como Diego, talvez o melhor brasileiro em atividade na Europa na última temporada, teve diversas chances e nunca se encaixou bem no time do técnico. Por desempenho, baniu Afonso Alves e Fernando da Seleção e manteve Felipe Melo. Tudo muito coerente.
Dunga é irritantemente coerente.
Mantém motivado os dois melhores laterais pela lado direito do mundo, mesmo que Dani Alves seja reserva. No outro lado, abertamente, discute com a sociedade sobre os dois nomes que vai levar ao Mundial. Tentou de tudo e, no episódio Fábio Aurélio, praticamente desistiu ao ver o jogar não se apresentar novamente e, 3 dias depois, estar em campo pelo Liverpool.
Na entrevista, defendeu o recurso eletrônico para lances como o de Henry, não quer uma concentração festiva como a da última Copa e também tratou do mais delicado dos assuntos, que é Ronaldo. Independente de você achar que o Fenômeno mereça ou não ser chamado para a Copa, é fato que agora ele tem dois finalizadores tinindo em Luis Fabiano e Adriano. Não é certo dizer que Ronaldo vai à Copa agora, nesta fase, fim de temporada, com ele fora de forma novamente e atuando num Corinthians que cumpre tabela. Seria, sim, repetir o erro, convocá-lo agora por pressão ou pelo peso do nome. Será acerto, claro, convocá-lo por merecimento após ou durante a Libertadores.
Não duvido que o faça. Dunga dá motivos para a gente acreditar que só é teimoso em ser coerente até aqui. Irritantemente coerente.
Dunga irrita … por fazer tudo certo
Dunga tem um defeito grave. Não sabe se relacionar com a imprensa em geral. Parece que
acorda todas as manhãs e fala: ‘hoje eu vou mostrar para eles’. Por eles, entenda-se forças
ocultas. Forças que o massacraram em 1990 e que, mesmo ele virando queridinho em 1994 e
unanimidade em 1998, ele, Dunga, preferiu mantê-las (as forças ocultas), como seu oxigênio
de cada dia. A impressão é que quando ele termina o churrasco na casa dele e o convidado diz
‘a carne estava ótima’, ele cerra os lábios e xinga todo mundo que o criticou e disse que
ele não era capaz.
E eu, apesar de não concordar com esta postura defensiva/ofensiva demais, confesso que
entendo. Cada um se motiva como quiser. Cuca disse para o seu time que ninguém na imprensa
acreditava que o Botafogo poderia vencer o líder São Paulo. Mentira. Todo mundo disse que
Botafogo x São Paulo era o jogo mais difícil dos últimos 4 do São Paulo. Por essa e outras,
entendo o Dunga.
O que o Dunga não sabe, talvez, é que ele tem feito tudo certo, mesmo aos olhos de seus
críticos. E quando ele trata todo mundo com cordialidade, tchan tchaaan, não existe mais
nada a declarar. Foi assim pelos relatos que li (não estive lá) na coletiva que deu ontem em
São Paulo, justamente a terra que tradicionalmente mais pega no pé dos treinadores da
Seleção.
Dunga tem um grupo treinado e afinado. Convocou a maioria dos jogadores que se destacaram
nos últimos 4 anos. Não levou em consideração nomes e sobrenomes. Barrou Kaká e voltou a dar
chance quando ele mereceu. Barrou Adriano e deu nova chance quando ele mereceu. Barrou
Ronaldinho, deu chance, barrou de novo e deve voltar a dar chance pois ele está merecendo.
Ainda não barrou Robinho, mas não acredito que não o fará se o jogador seguir na má fase em
que se encontra.
Conseguiu, como nenhum outro treinador havia conseguido, aproveitar o potencial de Luis
Fabiano, e dar a ele o moral de ser o 9 titular, independente de Adriano, Ronaldo, Fred ou
qualquer outra sombra da última Copa. Se irrita a você, leitor, ou a mim, ele convocar Elano
e Julio Baptista, convenhamos, faça um exercício de memória e verá que os dois jogadores
sempre atuam bem e/ou foram decisivos em algum momento no trabalho dele. Assim como Diego,
talvez o melhor brasileiro em atividade na Europa na última temporada, teve diversas chances
e nunca se encaixou bem no time do técnico. Por desempenho, baniu Afonso Alves e Fernando da
Seleção e manteve Felipe Melo. Tudo muito coerente.
Dunga é irritantemente coerente.
Mantém motivado os dois melhores laterais pela lado direito do mundo, mesmo que Dani Alves
seja reserva. No outro lado, abertamente, discute com a sociedade sobre os dois nomes que
vai levar ao Mundial. Tentou de tudo e, no episódio Fábio Aurélio, praticamente desistiu ao
ver o jogar não se apresentar novamente e, 3 dias depois, estar em campo pelo seu clube.
Na entrevista, defendeu o recurso eletrônico para lances como o de Henry, não quer uma
concentração festiva como a da última Copa e também tratou do mais delicado dos assuntos,
que é Ronaldo. Independente de você achar que o Fenômeno mereça ou não ser chamado para a
Copa, é fato que agora ele tem dois finalizadores tinindo em Luis Fabiano e Adriano. Não é
certo dizer que Ronaldo vai à Copa agora, nesta fase, fim de temporada, com ele fora de
forma novamente e atuando num Corinthians que cumpre tabela. Seria, sim, repetir o erro,
convocá-lo agora por pressão ou pelo peso do nome. Será acerto, claro, convocá-lo por
merecimento após ou durante a Libertadores.
Não duvido que o faça. Dunga dá motivos para a gente acreditar que só é teimoso em ser
coerente até aqui. Irritantemente coerente.