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20/10/2009 - 06:13

Fulham FC em turnê pela Europa

- Esta é uma temporada e tanto na vida do Fulham FC. O time do oeste de Londres está disputando pela segunda vez na história a Liga Europa, antiga Copa da UEFA, ou a segunda divisão da Europa, e lidera o grupo E da competição.

- O Fulham não tem nenhuma liga inglesa. Nenhuma FA Cup. Muito menos honras europeias. Tem o nome, não do time, mas do bairro. O bairro onde fica o (agora) poderoso Chelsea chama-se Fulham. Stamford Bridge, pomposo e com capacidade para 42 mil pagantes, fica a apenas 20 minutos andando a pé de Craven Cottage, o modesto mas charmoso palco dos Whites.

craven_cottage

- Corta para o jogo da noite. De um lado, o Fulham, a poucos dias de encarar a Roma pela primeira vez na vida, em casa, pela Liga Europeia. Do outro, o Hull City, um clube que apesar de centenário, consegue ser menor ainda. Os dois times em posições desconfortáveis na tabela, apesar da liga ter apenas 9 rodadas incompletas.

- Craven Cottage lotado, inclusive a parte grande e sem separação da torcida do Hull City, visitante. Vinte e cinco mil pessoas no total, que é o máximo possível neste humilde palco londrino. Humilde mesmo, diga-se. Vários lugares onde não se vê direito o jogo. Na minha frente, atrás do gol, uma coluna que sustenta o teto da arquibancada – sim, é tudo coberto, não me deixava ver (foto) boa parte das poucas vezes que Giovanni, o craque brasileiro do Hull City, tocou na bola.

- O gramado termina na arquibancada como nenhum outro. Gandulas sequer trabalham pois todas as vezes que a bola sai do gramado, cai na arquibancada. E os jogadores, locais ou visitantes, ficam pacientemente esperando que o torcedor devolva a bola para o campo. A  bola não é arremessada, que fique claro, mas sim passada da mão do torcedor para o lateral.

- Outra pausa para um detalhe do estádio. Uns dias antes do jogo, fui até lá conhecer e pegar meu ingresso. Na porta do estádio, cometi a gafe de perguntar onde era o próprio estádio. Os portões são tão baixos e as arquibancadas tão discretas, combinando com a paisagem do bairro, que realmente dá para confundir. ‘Fica aqui’, me disse o paciente senhor.

- O jogo começa e a rivalidade já fica clara. Não com o Hull, mas com o Chelsea. Sabe quando Coxa e Atlético ou São Paulo e Corinthians se xingam mesmo quando não se enfrentam? Exatamente a mesma coisa. O principal grito da arquibancada diz que eu sou Fulham e f… Chelsea’.

- O Fulham tem Damien Duff, lembram? Ex-Chelsea, um irlandês driblador, habilidoso. Foi dele a jogada do primeiro gol, de Bobby Zamora.

- No mais, jogo feio, com Giovanni longe dos atacantes, e com o grandalhão norueguês Brade Hangeland (1,96m) do time da casa, errando todos os passes.

- Emoção, mais no segundo tempo. Primeiro pelo segundo gol, do franco-senegalês Kamara. Depois pela grande história do jogo: a entrada de Jimmy Bullard na segunda metade da etapa final.

- Bullard não passou em branco no Fulham. Marcou gols importantes, quase todos livrando o time do rebaixamento. Chegou a ser chamado por um treinador de ‘as melhores 2 milhões libras que eu já gastei na minha vida’. Teve também uma contusão no joelho que o deixou mais de um ano parado. Voltou jogando muito e, numa decisão controversa, deixou o clube para ser vendido por 5 milhões de libras para o Hull City. Chegou lá e…. mais 9 meses fora do futebol, com contusão no MESMO joelho. Praticamente um Ronaldo sem ‘aquela coisa toda’.

- Adivinha o primeiro jogo de Jimmy Bullard em sua volta a Premier League? Voilá… contra o Fulham, ontem, com a presença ao vivo deste blogueiro. O cara fica quase dois anos sem jogar na carreira, imagina-se que vai haver compaixão, amizade.

- Arrã.

- Bullard não só ouviu a maior vaia da história deste estádio cada vez que pegava na bola, como teve um recorde de 10 canções diferentes contra ele. A criatividade não tinha limites. Cantaram desde ‘Jimmy, como vai esse joelho? até ‘não existe maior bastardo ganacioso’. O canto mais legal era o trocadilho com a frase do técnico que dizia que ele era o dinheiro mais bem gasto que já teve. Os torcedores diziam que Bullard era o maior desperdício de dinheiro da história do futebol. Tudo rimando e com música,  de preferência Yellow Submarine dos Beatles, Guantanamera, Volare e Seven Nation Army do White Stripes, é claro.

- Bullard tomou a maior vaia da sua vida, uma ombrada de Kamara que o fez voar longe no primeiro lance, perdeu de 2 x 0, ouviu mais de 10 canções contra ele, bateu uma falta que o Guardian narrou como ‘motivo para dar risada no bar depois’ e ainda assistiu ao seu ex-Fulham, sem alguns titulares, encerrar o jogo com um olé que durou quase 3 minutos.

- O Fulham e seus torcedores sarcásticos enfrentam a Roma no que estão chamando de turnê europeia nesta quinta em Craven Cottage. Jimmy Bullard vai assistir de casa mesmo.

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
06/10/2009 - 07:30

Jogando fora de casa

*É.. eu tive fora uns dias.

Mas vamos lá, sem delongas, venho aqui para contar uma historinha que está no jornal inglês Guardian de ontem (segunda 5 de outubro). Uma lista de jogadores, a grande maioria de times do noroeste da Inglaterra, que tiveram suas casas/mansões invadidas enquanto jogavam fora de casa por seus times, sobretudo Liverpool e Everton, mas também Manchester United.

O repórter Patrick Barkham levanta 21 nomes, entre eles Lucas Leiva (novembro do ano passado), Gerrard, Reina, Crouch, Macheda, o amigo do Joel Santana Steven Pienaar (maio de 2009) e o último deles Phil Jagielka, do Everton, no mês passado.

Quase todos tiveram suas casas invadidas enquanto jogavam. No caso de Lucas, nem precisou viajar. Foi no jogo contra o Atletico de Madri em pleno Anfield mesmo. Kuyt, Keane e Fletcher estavam viajando com seus times.

A polícia analisa se é apenas a oportunidade que tem feito o ladrão, afinal todo mundo sabe onde os astros moram e principalmente todos sabem quando estão ou não em casa, ou se na verdade é uma gangue organizada dos jogos fora de casa.

A parte engraçada que surge do problema é que antes de ’sacar’ que checar a tabela poderia facilitar qualquer roubo, teve gente que se deu mal. Ao tentar assaltar a casa do lendário escocês grandalhão briguento Duncan Ferguson, aposentado em 2006 e que marcou época no Everton, Carl Bishop não esperava encontrar na sala o próprio jogador.

Encrenqueiro conhecido e com 1,93 de altura (mas ao contrário de Crouch, muito forte), Ferguson deu de cara com Bishop em sua sala. O ‘meliante’ passou 3 dias no hospital além de pegar 15 meses de prisão. A seguir, dois momentos delicados de Duncan Fergunson, guardião de sua casa, nos gramados.



Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
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