O drama de ser Atlético de Madrid
É um time grande mas não ganha título algum desde 1996. O estádio fica na Rua dos Melancólicos. O maior rival, da mesma cidade, ganha tudo sempre, inclusive deles. Tem coisas que realmente só acontecem com… o Atlético de Madrid (seguimos com o D).
E mais uma delas aconteceu na tarde de sábado em que fui conhecer o estádio Vicente Calderón, no sul da capital espanhola, conhecido setor de operários da cidade, casa do centenário clube para acompanhar Aleti (como eles dizem) contra o Mallorca.
Na semana que antecedeu a partida, o Aleti terminou a rodada flertando com a zona de rebaixamento, perdeu de 4 do Chelsea na quarta-feira pela Champions League e viu seu treinador Abel ser demitido.
Assim cheguei ao Calderón. Um clima tenso e ao mesmo tempo um ambiente completamente diferente do Santiago Bernabeu. Torcedores com mais caras de torcedores. Parecia menos uma ópera e mais um jogo de futebol. Lembrei mais do Brasil. Os torcedores dizem que o Atletico é mais um sentimento do que um time. E que os madrilenhos gostam de títulos, mas não se importam ou sofrem pelo time como eles. Impossível não simpatizar com a causa e com o sofrimento destes torcedores. Os ‘underdogs’ sempre têm o seu charme.

Lembram com carinho do Juninho Paulista e o carrinho que tomou do Salgado, gostam muito, mas muito mesmo do Luiz Pereira. Mas ídolo mesmo deles é gente como Paulo Futre, Pantic, Fernando Torres claro e… e…. Simeone! Sim, o argentino era o rei da botinada no último grande ano da história do clube.

No dia da partida mesmo, duas horas antes, comprei o ingresso na bilheteria do estádio (para os que me escreveram pedindo dicas de como conseguir ingressos). De lá, fui encontrar no ‘El Doblete’, bar que fica em volta do estádio, Laura, espanhola rojiblanca fanática, que trabalha na IBM em Madri, e mostraria um pouco do encanto de ser Aleti.
Do Doblete, que tem esse nome em homenagem a temporada 95/96, quando o time ganhou a Liga e a Copa do Rei, fomos encontrar o namorado dela e seus amigos, todos membros da Frente Atletico, a maior torcida organizada do clube. Todos com ingresso para temporada há mais de 10 anos. Eles se reuniam numa espécie de pátio de um condomínio conversando e tomando seus tragos antes de entrar no estádio. No caso dos amigos da minha ‘guia’ uma garrafa de scotch em 5 pessoas com um refrigerante.

Lá eles conversam sobre o passado e o presente. Combinam os gritos e se vestem com camisas ‘antimadridistas’. Um usava além do cachecol do Aleti, um do Sporting Gijon, clube que enfrentaria o Real Madrid (e empatou em 0 x 0), no mesmo dia.
“Não mais vou aos clássicos com o Madrid”, dizia Laura. “Primeiro por ter que correr da polícia, pela violência e também porque sempre nos ganham e Raul, que odiamos por aqui, sempre marca.”
Depois de seca a garrafa de uísque da rapaziada, vamos para o campo. Cheio também. Oitenta porcento da lotação seguramente. E lá dentro, ao começar o jogo, vejo algo que ainda não tinha visto no futebol. Um protesto silencioso. Para reclamar da equipe, a torcida do Aleti comandada pela Frente Atletico simplesmente ficou calada todo o primeiro tempo. Um silêncio ensurdecedor, diria o antigo cronista. Parece um estádio vazio, mas com mais de 40 mil pessoas presentes. Apenas uma faixa com os dizeres:
‘Un club sin rumbo, és como una grada sin animación’.
Curiosamente, não teve gol no primeiro tempo. Teve sim um pênalti que acabou por expulsar um jogador do Mallorca. Forlan, que tem como grito da torcida para ele U-RU-GUAIO, bateu e… chutou para fora.
Aguero horrível. Forlan irreconhecível. Maxi Rodriguez apagado. Simão sem a inspiração de sempre e o primeiro tempo termina 0 x 0. Aliás, como um time que tem esses quatro jogadores não decola, não é mesmo?
Na volta, mais um pënalti, mais um jogador expulso e pronto: Forlan abre o placar na cobrança. Dois a menos no Mallorca. Agora vai.
E nada. Vai é ter pressão do Mallorca, com Webo e Borja Valero gigantes, correndo por 12. Tome vaias, é claro. Para o time, para o técnico interino, para a diretoria. Para todos. Alguns poucos, diga-se, abusam em comentários racistas, sobretudo para o brasileiro Cleber Santana, que entrou no segundo tempo. ‘Corre, negro’, ‘vamos, negro’, pipocavam aqui e ali por alguns poucos torcedores.
Outro brasileiro, Paulo Assunção, lançado no Palmeiras, este sim tem mais moral. Em tempos de crise, porém, todo mundo vai mal. E assim seguiu o jogo, que tinha mesmo cara de tragédia.
Um goleiro das divisões de base, inseguro, um time que já tinha colocado Reyes e Cleber Santana em campo e nem contra 9 podia marcar. Só poderia terminar como terminou. Um gol milagroso de Borja Valero aos 45 minutos, num frango do goleiro De Gea, que fez os 9 de Mallorca, metade com cãimbra, sair aplaudido do Calderón pela torcida rojiblanca.
O time terminou a rodada a uma posição acima da zona de rebaixamento. A torcida nas ruas protestou e a polícia teve que intervir depois. Mais um capítulo do drama que é ser torcedor do Atlético de Madrid.
estádio fica na Rua dos Melancólicos. O maior rival, da
mesma cidade, ganha tudo sempre, incusive deles. Tem coisas
que realmente só acontecem com… o Atletico de Madrid.
E mais uma delas aconteceu na tarde de sábado em que fui
conhecer o mitológico estádio Vicente Calderón, no sul da
capital espanhola, conhecido setor de operários da cidade,
para acompanhar Aleti (como eles dizem) contra o fraco
Mallorca.
Na semana que antecedeu a partida, o Aleti terminou a
rodada flertando com a zona de rebaixamento, perdeu de 4 do
Chelsea na quarta-feira pela Champions League e viu seu
treinador Abel ser demitido.
Assim cheguei ao Calderón. Um clima tenso e ao mesmo tempo
um ambiente completamente diferente do Santiago Bernabeu.
Torcedores com mais caras de torcedores. Parecia menos uma
ópera e mais um jogo de futebol. Lembrei mais do Brasil. Os
torcedores dizem que o Atletico é mais um sentimento do que
um time. E que os madrilenhos gostam de títulos, mas não se
importam ou sofrem pelo time como eles. Impossível não
simpatizar com a causa e com o sofrimento destes
torcedores. Os ‘underdogs’ sempre têm o seu charme.
No dia da partida mesmo, duas horas antes, comprei o
ingresso na bilheteria do estádio (para os muitos que me
escreveram pedindo dicas de como conseguir ingressos). De
lá, fui encontrar no ‘El Doblete’, bar que fica em volta do
estádio, Laura, espanhola rojiblanca fanática, que trabalha
na IBM em Madri, e mostraria um pouco do encanto de ser
Aleti.
Do Doblete, que tem esse nome em homenagem a temporada
95/96, quando o time ganhou a Liga e a Copa do Rei, fomos
encontrar o seu namorado e seus amigos, todos membros da
Frente Atletico, a maior torcida organizada do clube.
Ficavam muitos torcedores numa praça, conversando e tomando
seus tragos antes de entrar no estádio. No caso dos amigos
da minha ‘guia informal’ uma garrafa de scotch em 5 pessoas
ajudado por um refrigerante.
Lá eles conversam sobre o passado e o presente. Combinam os
gritos e vestem com camisas ‘antimadridistas’. Um usava
além do cachecol do Aleti, um do Sporting Gijon, clube que
enfrentaria o Real Madrid (e empatou em 0 x 0), no mesmo
dia.
“Não vou aos clássicos com o Madrid”, dizia Laura.
“Primeiro por ter que correr da polícia, pela violência e
também porque sempre nos ganham e Raul, que odiamos por
aqui, sempre marca.”
Depois de seca a garrafa de uísque da rapaziada, vamos para
o campo. Cheio também. Oitenta porcento da lotação
seguramente. E lá dentro, ao começar o jogo, vejo algo que
ainda não tinha visto no futebol. Um protesto silencioso.
Para reclamar da equipe, a torcida do Aleti, comandada pela
Frente Atletico, simplesmente ficou calada todo o primeiro
tempo. Um silêncio ensurdecedor, diria o antigo cronista.
Apenas uma faixa com os dizeres:
‘Un club sin rumbo, és como una grada sin animación’.
Curiosamente, não teve gol no primeiro tempo. Teve sim um
pênalti que acabou por expulsar um jogador do Mallorca.
Forlan, que tem como grito da torcida para ele U-RU-GUAIO,
bateu e… chutou para fora.
Aguero horrível. Forlan irreconhecível. Max Rodrigues
apagado. Simão sem a inspiração de sempre e o primeiro
tempo termina 0 x 0. Aliás, como um time que tem esses
quatro jogadores não decola, não é mesmo?
Na volta, mais um pënalti, mais um jogador expulso e
pronto: Forlan abre o placar na cobrança. Dois a menos no
Mallorca. Agora vai.
E nada. Vai é pressão do Mallorca, com Webo e Borja Valero
gigantes, correndo por 12. Tome vaias, é claro. Para o
time, para o técnico interino, para a diretoria. Para
todos. Alguns poucos, diga-se, abusam em comentários
racistas, sobretudo para o brasileiro Cleber Santana, que
entra no segndo tempo. ‘Corre, negro’, ‘vamos, negro’,
pipocam aqui e ali por alguns poucos torcedores.
Outro brasileiro, Paulo Assunção, lançado no Palmeiras,
este sim tem mais moral. Em tempos de crise, porém, todo
mundo vai mal. E assim seguiu o jogo, que tinha mesmo cara
de tragédia.
Um goleiro das divisões de base, inseguro, um time que já
tinha colocado Reyes e Clebes Santana em campo e nem contra
9 podia marcar. Só poderia terminar como terminou. Um gol
milagroso de Borja Valero aos 45 minutos, num frango do
goleiro De Gea, que fez os 9 de Mallorca, metade com
cãimbra, sair aplaudido do Calderón pela torcida
rojiblanca.
O time terminou a rodada a uma posição acima da zona de
rebaixamento. E a torcida nas ruas protestou e a polícia
teve que intervir depois. Mais um capítulo do drama que é
ser torcedor do Atletico de Madrid.
