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Arquivo da Categoria Sem categoria

26/10/2009 - 17:08

O drama de ser Atlético de Madrid

É um time grande mas não ganha título algum desde 1996. O estádio fica na Rua dos Melancólicos. O maior rival, da mesma cidade, ganha tudo sempre, inclusive deles. Tem coisas que realmente só acontecem com… o Atlético de Madrid (seguimos com o D).

E mais uma delas aconteceu na tarde de sábado em que fui conhecer o estádio Vicente Calderón, no sul da capital espanhola, conhecido setor de operários da cidade, casa do centenário clube para acompanhar Aleti (como eles dizem) contra o Mallorca.

Na semana que antecedeu a partida, o Aleti terminou a rodada flertando com a zona de rebaixamento, perdeu de 4 do Chelsea na quarta-feira pela Champions League e viu seu treinador Abel ser demitido.

Assim cheguei ao Calderón. Um clima tenso e ao mesmo tempo um ambiente completamente diferente do Santiago Bernabeu. Torcedores com mais caras de torcedores. Parecia menos uma ópera e mais um jogo de futebol. Lembrei mais do Brasil. Os torcedores dizem que o Atletico é mais um sentimento do que um time. E que os madrilenhos gostam de títulos, mas não se importam ou sofrem pelo time como eles. Impossível não simpatizar com a causa e com o sofrimento destes torcedores. Os ‘underdogs’ sempre têm o seu charme.

calderon

Lembram com carinho do Juninho Paulista e o carrinho que tomou do Salgado, gostam muito, mas muito mesmo do Luiz Pereira. Mas ídolo mesmo deles é gente como Paulo Futre, Pantic, Fernando Torres claro e… e….  Simeone! Sim, o argentino era o rei da botinada no último grande ano da história do clube.

simeone

No dia da partida mesmo, duas horas antes, comprei o ingresso na bilheteria do estádio (para os que me escreveram pedindo dicas de como conseguir ingressos). De lá, fui encontrar no ‘El Doblete’, bar que fica em volta do estádio, Laura, espanhola rojiblanca fanática, que trabalha na IBM em Madri, e mostraria um pouco do encanto de ser Aleti.

Do Doblete, que tem esse nome em homenagem a temporada 95/96, quando o time ganhou a Liga e a Copa do Rei, fomos encontrar o namorado dela e seus amigos, todos membros da Frente Atletico, a maior torcida organizada do clube. Todos com ingresso para temporada há mais de 10 anos. Eles se reuniam numa espécie de pátio de um condomínio conversando e tomando seus tragos antes de entrar no estádio. No caso dos amigos da minha ‘guia’ uma garrafa de scotch em 5 pessoas com um refrigerante.

doblete

Lá eles conversam sobre o passado e o presente. Combinam os gritos e se vestem com camisas ‘antimadridistas’. Um usava além do cachecol do Aleti, um do Sporting Gijon, clube que enfrentaria o Real Madrid (e empatou em 0 x 0), no mesmo dia.

“Não mais vou aos clássicos com o Madrid”, dizia Laura. “Primeiro por ter que correr da polícia, pela violência e também porque sempre nos ganham e Raul, que odiamos por aqui, sempre marca.”

Depois de seca a garrafa de uísque da rapaziada, vamos para o campo. Cheio também. Oitenta porcento da lotação seguramente. E lá dentro, ao começar o jogo, vejo algo que ainda não tinha visto no futebol. Um protesto silencioso. Para reclamar da equipe, a torcida do Aleti comandada pela Frente Atletico simplesmente ficou calada todo o primeiro tempo. Um silêncio ensurdecedor, diria o antigo cronista. Parece um estádio vazio, mas com mais de 40 mil pessoas presentes. Apenas uma faixa com os dizeres:

‘Un club sin rumbo, és como una grada sin animación’.

Curiosamente, não teve gol no primeiro tempo. Teve sim um pênalti que acabou por expulsar um jogador do Mallorca. Forlan, que tem como grito da torcida para ele U-RU-GUAIO, bateu e… chutou para fora.

Aguero horrível. Forlan irreconhecível. Maxi Rodriguez apagado. Simão sem a inspiração de sempre e o primeiro tempo termina 0 x 0. Aliás, como um time que tem esses quatro jogadores não decola, não é mesmo?

Na volta, mais um pënalti, mais um jogador expulso e pronto: Forlan abre o placar na cobrança. Dois a menos no Mallorca. Agora vai.

E nada. Vai é ter pressão do Mallorca, com Webo e Borja Valero gigantes, correndo por 12. Tome vaias, é claro. Para o time, para o técnico interino, para a diretoria. Para todos. Alguns poucos, diga-se, abusam em comentários racistas, sobretudo para o brasileiro Cleber Santana, que entrou no segundo tempo. ‘Corre, negro’, ‘vamos, negro’, pipocavam aqui e ali por alguns poucos torcedores.

Outro brasileiro, Paulo Assunção, lançado no Palmeiras, este sim tem mais moral. Em tempos de crise, porém, todo mundo vai mal. E assim seguiu o jogo, que tinha mesmo cara de tragédia.

Um goleiro das divisões de base, inseguro, um time que já tinha colocado Reyes e Cleber Santana em campo e nem contra 9 podia marcar. Só poderia terminar como terminou. Um gol milagroso de Borja Valero aos 45 minutos, num frango do goleiro De Gea, que fez os 9 de Mallorca, metade com cãimbra, sair aplaudido do Calderón pela torcida rojiblanca.

O time terminou a rodada a uma posição acima da zona de rebaixamento. A torcida nas ruas protestou e a polícia teve que intervir depois. Mais um capítulo do drama que é ser torcedor do Atlético de Madrid.

É um time grande mas não ganha título algum desde 1995. O

estádio fica na Rua dos Melancólicos. O maior rival, da

mesma cidade, ganha tudo sempre, incusive deles. Tem coisas

que realmente só acontecem com… o Atletico de Madrid.

E mais uma delas aconteceu na tarde de sábado em que fui

conhecer o mitológico estádio Vicente Calderón, no sul da

capital espanhola, conhecido setor de operários da cidade,

para acompanhar Aleti (como eles dizem) contra o fraco

Mallorca.

Na semana que antecedeu a partida, o Aleti terminou a

rodada flertando com a zona de rebaixamento, perdeu de 4 do

Chelsea na quarta-feira pela Champions League e viu seu

treinador Abel ser demitido.

Assim cheguei ao Calderón. Um clima tenso e ao mesmo tempo

um ambiente completamente diferente do Santiago Bernabeu.

Torcedores com mais caras de torcedores. Parecia menos uma

ópera e mais um jogo de futebol. Lembrei mais do Brasil. Os

torcedores dizem que o Atletico é mais um sentimento do que

um time. E que os madrilenhos gostam de títulos, mas não se

importam ou sofrem pelo time como eles. Impossível não

simpatizar com a causa e com o sofrimento destes

torcedores. Os ‘underdogs’ sempre têm o seu charme.

No dia da partida mesmo, duas horas antes, comprei o

ingresso na bilheteria do estádio (para os muitos que me

escreveram pedindo dicas de como conseguir ingressos). De

lá, fui encontrar no ‘El Doblete’, bar que fica em volta do

estádio, Laura, espanhola rojiblanca fanática, que trabalha

na IBM em Madri, e mostraria um pouco do encanto de ser

Aleti.

Do Doblete, que tem esse nome em homenagem a temporada

95/96, quando o time ganhou a Liga e a Copa do Rei, fomos

encontrar o seu namorado e seus amigos, todos membros da

Frente Atletico, a maior torcida organizada do clube.

Ficavam muitos torcedores numa praça, conversando e tomando

seus tragos antes de entrar no estádio. No caso dos amigos

da minha ‘guia informal’ uma garrafa de scotch em 5 pessoas

ajudado por um refrigerante.

Lá eles conversam sobre o passado e o presente. Combinam os

gritos e vestem com camisas ‘antimadridistas’. Um usava

além do cachecol do Aleti, um do Sporting Gijon, clube que

enfrentaria o Real Madrid (e empatou em 0 x 0), no mesmo

dia.

“Não vou aos clássicos com o Madrid”, dizia Laura.

“Primeiro por ter que correr da polícia, pela violência e

também porque sempre nos ganham e Raul, que odiamos por

aqui, sempre marca.”

Depois de seca a garrafa de uísque da rapaziada, vamos para

o campo. Cheio também. Oitenta porcento da lotação

seguramente. E lá dentro, ao começar o jogo, vejo algo que

ainda não tinha visto no futebol. Um protesto silencioso.

Para reclamar da equipe, a torcida do Aleti, comandada pela

Frente Atletico, simplesmente ficou calada todo o primeiro

tempo. Um silêncio ensurdecedor, diria o antigo cronista.

Apenas uma faixa com os dizeres:

‘Un club sin rumbo, és como una grada sin animación’.

Curiosamente, não teve gol no primeiro tempo. Teve sim um

pênalti que acabou por expulsar um jogador do Mallorca.

Forlan, que tem como grito da torcida para ele U-RU-GUAIO,

bateu e… chutou para fora.

Aguero horrível. Forlan irreconhecível. Max Rodrigues

apagado. Simão sem a inspiração de sempre e o primeiro

tempo termina 0 x 0. Aliás, como um time que tem esses

quatro jogadores não decola, não é mesmo?

Na volta, mais um pënalti, mais um jogador expulso e

pronto: Forlan abre o placar na cobrança. Dois a menos no

Mallorca. Agora vai.

E nada. Vai é pressão do Mallorca, com Webo e Borja Valero

gigantes, correndo por 12. Tome vaias, é claro. Para o

time, para o técnico interino, para a diretoria. Para

todos. Alguns poucos, diga-se, abusam em comentários

racistas, sobretudo para o brasileiro Cleber Santana, que

entra no segndo tempo. ‘Corre, negro’, ‘vamos, negro’,

pipocam aqui e ali por alguns poucos torcedores.

Outro brasileiro, Paulo Assunção, lançado no Palmeiras,

este sim tem mais moral. Em tempos de crise, porém, todo

mundo vai mal. E assim seguiu o jogo, que tinha mesmo cara

de tragédia.

Um goleiro das divisões de base, inseguro, um time que já

tinha colocado Reyes e Clebes Santana em campo e nem contra

9 podia marcar. Só poderia terminar como terminou. Um gol

milagroso de Borja Valero aos 45 minutos, num frango do

goleiro De Gea, que fez os 9 de Mallorca, metade com

cãimbra, sair aplaudido do Calderón pela torcida

rojiblanca.

O time terminou a rodada a uma posição acima da zona de

rebaixamento. E a torcida nas ruas protestou e a polícia

teve que intervir depois. Mais um capítulo do drama que é

ser torcedor do Atletico de Madrid.

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , ,
20/10/2009 - 06:13

Fulham FC em turnê pela Europa

- Esta é uma temporada e tanto na vida do Fulham FC. O time do oeste de Londres está disputando pela segunda vez na história a Liga Europa, antiga Copa da UEFA, ou a segunda divisão da Europa, e lidera o grupo E da competição.

- O Fulham não tem nenhuma liga inglesa. Nenhuma FA Cup. Muito menos honras europeias. Tem o nome, não do time, mas do bairro. O bairro onde fica o (agora) poderoso Chelsea chama-se Fulham. Stamford Bridge, pomposo e com capacidade para 42 mil pagantes, fica a apenas 20 minutos andando a pé de Craven Cottage, o modesto mas charmoso palco dos Whites.

craven_cottage

- Corta para o jogo da noite. De um lado, o Fulham, a poucos dias de encarar a Roma pela primeira vez na vida, em casa, pela Liga Europeia. Do outro, o Hull City, um clube que apesar de centenário, consegue ser menor ainda. Os dois times em posições desconfortáveis na tabela, apesar da liga ter apenas 9 rodadas incompletas.

- Craven Cottage lotado, inclusive a parte grande e sem separação da torcida do Hull City, visitante. Vinte e cinco mil pessoas no total, que é o máximo possível neste humilde palco londrino. Humilde mesmo, diga-se. Vários lugares onde não se vê direito o jogo. Na minha frente, atrás do gol, uma coluna que sustenta o teto da arquibancada – sim, é tudo coberto, não me deixava ver (foto) boa parte das poucas vezes que Giovanni, o craque brasileiro do Hull City, tocou na bola.

- O gramado termina na arquibancada como nenhum outro. Gandulas sequer trabalham pois todas as vezes que a bola sai do gramado, cai na arquibancada. E os jogadores, locais ou visitantes, ficam pacientemente esperando que o torcedor devolva a bola para o campo. A  bola não é arremessada, que fique claro, mas sim passada da mão do torcedor para o lateral.

- Outra pausa para um detalhe do estádio. Uns dias antes do jogo, fui até lá conhecer e pegar meu ingresso. Na porta do estádio, cometi a gafe de perguntar onde era o próprio estádio. Os portões são tão baixos e as arquibancadas tão discretas, combinando com a paisagem do bairro, que realmente dá para confundir. ‘Fica aqui’, me disse o paciente senhor.

- O jogo começa e a rivalidade já fica clara. Não com o Hull, mas com o Chelsea. Sabe quando Coxa e Atlético ou São Paulo e Corinthians se xingam mesmo quando não se enfrentam? Exatamente a mesma coisa. O principal grito da arquibancada diz que eu sou Fulham e f… Chelsea’.

- O Fulham tem Damien Duff, lembram? Ex-Chelsea, um irlandês driblador, habilidoso. Foi dele a jogada do primeiro gol, de Bobby Zamora.

- No mais, jogo feio, com Giovanni longe dos atacantes, e com o grandalhão norueguês Brade Hangeland (1,96m) do time da casa, errando todos os passes.

- Emoção, mais no segundo tempo. Primeiro pelo segundo gol, do franco-senegalês Kamara. Depois pela grande história do jogo: a entrada de Jimmy Bullard na segunda metade da etapa final.

- Bullard não passou em branco no Fulham. Marcou gols importantes, quase todos livrando o time do rebaixamento. Chegou a ser chamado por um treinador de ‘as melhores 2 milhões libras que eu já gastei na minha vida’. Teve também uma contusão no joelho que o deixou mais de um ano parado. Voltou jogando muito e, numa decisão controversa, deixou o clube para ser vendido por 5 milhões de libras para o Hull City. Chegou lá e…. mais 9 meses fora do futebol, com contusão no MESMO joelho. Praticamente um Ronaldo sem ‘aquela coisa toda’.

- Adivinha o primeiro jogo de Jimmy Bullard em sua volta a Premier League? Voilá… contra o Fulham, ontem, com a presença ao vivo deste blogueiro. O cara fica quase dois anos sem jogar na carreira, imagina-se que vai haver compaixão, amizade.

- Arrã.

- Bullard não só ouviu a maior vaia da história deste estádio cada vez que pegava na bola, como teve um recorde de 10 canções diferentes contra ele. A criatividade não tinha limites. Cantaram desde ‘Jimmy, como vai esse joelho? até ‘não existe maior bastardo ganacioso’. O canto mais legal era o trocadilho com a frase do técnico que dizia que ele era o dinheiro mais bem gasto que já teve. Os torcedores diziam que Bullard era o maior desperdício de dinheiro da história do futebol. Tudo rimando e com música,  de preferência Yellow Submarine dos Beatles, Guantanamera, Volare e Seven Nation Army do White Stripes, é claro.

- Bullard tomou a maior vaia da sua vida, uma ombrada de Kamara que o fez voar longe no primeiro lance, perdeu de 2 x 0, ouviu mais de 10 canções contra ele, bateu uma falta que o Guardian narrou como ‘motivo para dar risada no bar depois’ e ainda assistiu ao seu ex-Fulham, sem alguns titulares, encerrar o jogo com um olé que durou quase 3 minutos.

- O Fulham e seus torcedores sarcásticos enfrentam a Roma no que estão chamando de turnê europeia nesta quinta em Craven Cottage. Jimmy Bullard vai assistir de casa mesmo.

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
06/10/2009 - 07:30

Jogando fora de casa

*É.. eu tive fora uns dias.

Mas vamos lá, sem delongas, venho aqui para contar uma historinha que está no jornal inglês Guardian de ontem (segunda 5 de outubro). Uma lista de jogadores, a grande maioria de times do noroeste da Inglaterra, que tiveram suas casas/mansões invadidas enquanto jogavam fora de casa por seus times, sobretudo Liverpool e Everton, mas também Manchester United.

O repórter Patrick Barkham levanta 21 nomes, entre eles Lucas Leiva (novembro do ano passado), Gerrard, Reina, Crouch, Macheda, o amigo do Joel Santana Steven Pienaar (maio de 2009) e o último deles Phil Jagielka, do Everton, no mês passado.

Quase todos tiveram suas casas invadidas enquanto jogavam. No caso de Lucas, nem precisou viajar. Foi no jogo contra o Atletico de Madri em pleno Anfield mesmo. Kuyt, Keane e Fletcher estavam viajando com seus times.

A polícia analisa se é apenas a oportunidade que tem feito o ladrão, afinal todo mundo sabe onde os astros moram e principalmente todos sabem quando estão ou não em casa, ou se na verdade é uma gangue organizada dos jogos fora de casa.

A parte engraçada que surge do problema é que antes de ’sacar’ que checar a tabela poderia facilitar qualquer roubo, teve gente que se deu mal. Ao tentar assaltar a casa do lendário escocês grandalhão briguento Duncan Ferguson, aposentado em 2006 e que marcou época no Everton, Carl Bishop não esperava encontrar na sala o próprio jogador.

Encrenqueiro conhecido e com 1,93 de altura (mas ao contrário de Crouch, muito forte), Ferguson deu de cara com Bishop em sua sala. O ‘meliante’ passou 3 dias no hospital além de pegar 15 meses de prisão. A seguir, dois momentos delicados de Duncan Fergunson, guardião de sua casa, nos gramados.



Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
16/06/2009 - 15:44

A pegada gaúcha da final da Copa do Brasil sem favoritos

Todos os anos, quando a Copa do Brasil começa, tem uma final provável. Times fortes que bateram na trave para ganhar a vaga na elite (Libertadores), acabaram ficando no segundo escalão (Copa do Brasil) e, por isso, entram como favoritos.

Ano passado, o Palmeiras e o Inter eram os candidatos óbvios. O Sport matou os dois favoritos e mais o Vasco. O Corinthians, da série B e sem estrelas, chegou a uma improvável final onde também morreu na BombonIlha do Retiro.

Em anos recentes, Paulista de Jundiaí, Santo André e Figueirense estiveram em finais, com exceção recente a 2006, quando Flamengo e Vasco decidiram.

Este, aliás, sempre foi o barato da Copa do Brasil. Mesmo no tempo em que todos jogavam, equipes como o próprio Sport, o Ceará, o Criciúma e o Goiás jogaram a final.

Desta vez é diferente. Pegue qualquer previsão da lógica (e futebol nem sempre dá a lógica) e a final Corinthians x Internacional seria cravada. Sem São Paulo, Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro e Sport, não existiam outras duas forças equivalentes em todo o resto do futebol brasileiro. Coritiba e Vasco foram azarões na reta final mas desta vez não vingaram. Corinthians e Inter figuram, inclusive, entre os favoritos do Brasileirão, onde todos os times jogam.

Por isso, o duelo Internacional (mais forte porém mais desfalcado) x Corinthians (menos técnico mas com o fenômeno Ronaldo), não tem favorito.

Até porque os dois times se equivalem no que existe de mais precioso na hora de decidir em mata-mata. Corinthians e Inter têm a pegada gaúcha no sangue (ou na cuia).

Foi com essa pegada que Mano Menezes subiu o Corinthians ano passado e fez o time vencer São Paulo e Santos (na garra e na bola) para ser campeão paulista. É a marcação e a correria desde o Jorge Henrique. É a consistência na marcação de Cristian e Elias.

É com a mesma pegada gaúcha que nem sempre Abel soube impor ao Inter do ano passado que Tite faz seus jogadores (todos os 22 do grupo) comerem grama o tempo todo e jogarem sob a batuta do maestro Guiñazu. É só você ouvir o (já não mais tão garoto) Taison dar uma entrevista para ver o quanto ele tá com o sangue nos olhos.

O Inter não tem o seu principal jogador, Nilmar, e um outro jogador razoável, Kléber. O Corinthians não tem André Santos que, se não dá para cravar principal jogador por conta do poder de decisão de Ronaldo, é certamente muito mais importante para o conjunto do time do que Ronaldo.

Vai ser uma grande final. Digna dos tempos em que a Copa do Brasil tinha todos os pergonagens principais em seu elenco.

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Futebol Brasileiro, Sem categoria Tags: , , , , , ,
27/04/2009 - 10:56

E quem ainda quer ver o Ronaldo de 98 ou de 2002?

A pergunta mais chata do futebol atual é: ‘o Ronaldo vai VOLTAR A SER aqueeeele Ronaldo, de 98 e de 2002?’

Quem ainda quer ver o Ronaldo de 98 e de 2002, por favor, sugiro um site muito bom, um tal de youtube. Entrando lá, dê buscas e mais buscas. Não falta Ronaldo de 98 e 2002 por lá para os saudosistas.

As pessoas estão tão preocupadas com esta pergunta que esquecem do Ronaldo de 2009. O Ronaldo do Corinthians (mas também de todas as torcidas) é outro Ronaldo. Um jogador que se reinventou em campo porque é inteligente e sabia que precisava fazê-lo.

Esqueçam a ladainha de ’sou Brasileiro e não desisto nunca’, Ronaldo é apenas um jogador muito acima da média de sua geração. Por isso, em campo, sempre encontra um jeito de se destacar. De fazer a diferença.

Se o gol dele contra o São Paulo, aquele pique, foi um resquício do Ronaldo do Cruzeiro, nos outros momentos todos, o novo Ronaldo, o 2009, é outra coisa. Ele, talvez pela primeira vez em toda a sua carreira, agora se preocupa em enxergar o jogo. Foi assim no passe para o gol no Morumbi semana passada, no cruzamento que deu na estreia contra o Palmeiras.

Se não tem a explosão ideal e um Zidane, Figo ou Rivaldo para meter a bola para ele, Ronaldo, ele mesmo, resolveu abrir os olhos e brincar de ver o que acontece no resto do campo.

Brinca bem, ele. No primeiro tempo, pegou uma bola na intermediária de seu próprio campo (local que o Ronaldo de 98 pouco ou quase nada frequentava), livrou-se do marcador e, de canhota, fez um lançamento de muitos metros que colocaria um dos esforçados ‘Joões’ que jogam ao seu lado na cara do gol.

Mas Fábio Costa, adiantado, como um líbero, saiu para afastar com os pés. O Ronaldo de 98 não sei o que faria, mas o de 2009 guardou a informação na cabeça. “Eu estava vendo que, em alguns lances, ele (Fábio Costa), ficava bem adiantado. Estava com isso na cabeça durante o jogo”, disse, após o jogo, o Ronaldo de 2009.

Deu no que deu, uma pintura de gol que, provavelmente, o Ronaldo de 1998 jamais faria. O Ronaldo de 98 e 2002 ainda não tinha a precisão de perna esquerda que tem a versão atual. E, para o de 98, era muito mais fácil ganhar na corrida, tirar do goleiro e marcar.

Pessoal, relaxa! Senta na cadeira, traga as crianças para a sala e assistam todos Ronaldo, versão 2009.

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
22/04/2009 - 16:41

Profissionais do Brasil, assistam Liverpool 4 x 4 Arshavin

Liverpool 4 x 4 Arshavin, pela Premier League, foi destes jogos de futebol para gravar, guardar, ver de novo (na foto abaixo da AFP, Benayon enfia a cara na chuteira para marcar para o Liverpool).

Digo mais, fosse um técnico por aqui, cancelava o treino da tarde e mostrava a reprise da partida aos jogadores. Nossos atletas precisam saber e ter consciência que os caras que ganham 10 vezes mais do que eles no futebol inglês dão o sangue, entram em todas as divididas como se fosse a última, não são titulares absolutos e não são mimados. Não ganham nada de mão beijada ou só com o nome. E, mais, não se jogam no chão, não fazem cera, não fazem teatro.

Enfim, são verdadeiros cavalheiros da bola. Merecem estar onde estão. Aqui, parece que a gente está andando para trás. Simular falta e pênalti, tão ‘demodê’ na Inglaterra (a própria torcida vaia), ainda faz parte da nossa cultura. Tentar expulsar o companheiro do outro time, carregar no cartão amarelo, tudo isso ainda é ‘tática de jogo’ dos nossos treinadores.

Tenho pena de nossos juízes. Os de lá não são melhores tecnicamente do que os daqui, mas pelo menos os de lá podem, na maioria dos casos, contar com o caráter dos jogadores. Na dúvida, eles acreditam nos jogadores e até no tamanho da vaia da torcida. Dificilmente erram ao confiar nos jogadores. Se o Rooney cai no chão com dores, tá doendo mesmo. Quando erram na avaliação, será certamente a última vez. Porque pega mal, por lá. Não é valorizado como aqui. Que o diga Cristiano Ronaldo, que de tanto ’se jogar’, os juízes pensam 30 vezes antes de dar falta nele, além da vaia que costuma tomar pode onde quer que passe. Pode reparar, inclusive, que Cristiano Ronaldo não tem se jogado mais tanto na atual temporada.

Já nossos craques, fica dificil acreditar cegamente neles, afinal, a cultura da vantagem, de enganar, de ser malandro, de ganhar no grito é a predominante por aqui. E, incentivada. Ninguém acha esquisito colocar um ponta habilidoso para cima de um lateral pendurado no segundo tempo. Ferir o adversário com um cartão vermelho faz parte da tática para se ganhar a partida. A gente ainda está na fase em que o técnico pede para o gandula sumir com a bola e não ter pressa.

Para todos estes, recomendo assistir Liverpool 4 x 4 Arshavin. Para todos os outros, os amantes do bom futebol, recomendo assistir duas vezes.

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
20/04/2009 - 17:11

Ronaldo, Inter, Washington, Bota, Manutd e o final de semana boleiro

- Como eu gostaria de cravar aqui que o Internacional é um dos favoritos ao Brasileirão. Não apenas pela aula de futebol contra o fraco Caxias ou pelo passeio que deu no Gauchão. Mas pela equipe mesmo que se apresenta (ainda que talvez tenha que vender Nilmar ou Taison para fazer caixa). O time titular é bom. Os reservas são de alto nível. Enfim, tudo para dar trabalho, mas…

- … mas acontece que no ano passado o time era forte também, eu apostei algumas fichas que seria um dos candidatos ao título e o time sequer brigou pela vaga na Libertadores. Então, este ano, o Colorado vai ter que me convencer mais. Muito além do Gauchão.

- Incrível como a máxima ‘tem coisas que só acontecem com o Botafogo’ é verdade. ‘Tomar’ um gol do jeito que ‘tomou’ (gol contra espírita, com a bola caprichosamente passando entre as pernas do zagueiro que estava embaixo das traves), depois do Americano, vai ficar (de novo) na história.

- E o legal do Campeonato Carioca é que vai ter um tri-vice. Resta saber se será Cuca ou o Botafogo. Uma briga muito boa, apesar de cruel.

- E aí o Ronaldo dá um pique de 36 km/h e ganha da tal melhor zaga do Brasil como se ainda tivesse 17 anos e jogasse no Cruzeiro. Tem coisas que só acontecem com… Ronaldo.

- O São Paulo passa a impressão de falta de vontade. Talvez de desgaste até de convivência (Dagoberto, Washington e Borges não conversam, não é possível). Pode ser só a época do ano, diga-se, já que o Corinthians começou a se preparar para o Paulistão ainda em 2008 enquanto o tri brasileiro descansou (com razão) por muito mais tempo.

- Pode ser também só um momento (ou alguém duvida que em novembro o time estará lutando pelo tetra brasileiro?), mas, às vezes, parece mais do que isso. Parece que o modelo anda meio esgotado. Escapou ontem de levar uma goleada em casa. E, mesmo no primeiro tempo, quando teve o domínio, praticamente não finalizou. Faltava perna (o que é normal) e até entrosamento (o que é absolutamente anormal em se tratando de um time que há tanto tempo joga junto).

- Não sei não. Mas desconfio que o time de Muricy passa pelo mesmo choque de personalidade de 2008. Enquanto teve Adriano em campo, o time foi um. Bolas alçadas na cabeça do Imperador, jogadas para ele concluir de onde fosse. Seja de cabeça ou com o pé, impondo sua força física, patada e habilidade acima da média do futebol brasileiro.

- Com Adriano, o São Paulo foi bem, mas perdeu o Paulista e a Libertadores. Ou seja, de um modo estranho, o São Paulo acabou sendo excelente para Adriano voltar a ser um protagonista mas Adriano não conseguiu, sozinho, levar o São Paulo aos títulos. Sem o Imperador, o time voltou a ser aquele de operários. Hugo é um importante operário e não entendo porque anda deixado de lado. Borges é o melhor dos operários do futebol brasileiro.Dagoberto foi importante, assim como todo o grupo. O eficiente São Paulo sem brilho que ganha todas.

- Me parece que Washington virou uma espécie de Adriano para o time, só que piorado, pois não tem o arranque, nem a força e muito menos a habilidade. Tem faro para marcar gols, mas precisa que o time esteja lá. Quando recebeu na frente dos zagueiros no clássico, perdeu todas. E quando ganhou, chutou sem força. Sua grande jogada, nos dois clássicos da semifinal, foi ganhar na cabeça o chutão dado pelo goleiro. Muito pouco.

- Outro que vem dando uma pipocada e não é de hoje é o Manchester United. Não conseguiu marcar um gol no Everton na semifinal da FA Cup e agora dá adeus a possibilidade de ganhar tudo na temporada. Tudo bem, dirá o outro, afinal, não se pode ganhar tudo. Mas eu acho que o buraco é mais embaixo. Como seu grande craque Cristiano Ronaldo, o time vem com dificuldades. Foi capaz de colocar em risco, em casa, a classificação para a Champions League. Foi preciso um pombo sem asas do próprio Ronaldo para sair da enrascada.

- Como sou fã do futebol que o Manchester United apresentou nos últimos 18 meses, torço para estar enganado. Mas a vontade do Chelsea em nítida melhora da equipe, a fase do Barcelona e de Messi e até o ‘desinteressado’ patinho feio Arsenal podem complicar e muito o todo-poderoso melhor time do mundo na Champions League. Sem contar a camisa do Liverpool no Campeonato Inglês.

- Falando em Europa, acho que agora ninguém mais tira o Milan da próxima Champions League. Muito boa notícia. Fez falta nesta temporada.

- E um ps final: passei duas semanas sendo chamado de santista, só porque achei (e acho ainda) que o meio-de-campo do Santos é mais habilidoso que o do Corinthians. Agora tem uns 250 comentários no post abaixo me chamando de palmeirense devido ao post em que comento o episódio Domingos x Diego Souza. Nos sete anos que este blog completa em 2009, isso já aconteceu com pelo menos uns 15 times. O mais inusitado foi uma vez que opinei que o Sporting era favorito contra o Benfica no clássico de Lisboa. Em massa, fui chamado de sportinguista nos comentários. E, claro, que meu palpite deu errado. Até de paranista já me chamaram. Viva o futebol.

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Futebol Brasileiro, Futebol Internacional, Sem categoria Tags: , , , , , , , , , ,
13/04/2009 - 18:39

Fenerbahce x Galatasaray

Estou aqui recuperando algumas coisas que não vi durante a Páscoa. Sobretudo a pancadaria geral do clássico turco, que terminou 0 x 0 e praticamente tirou as chances das duas equipes de serem campeãs.

Essa briguinha não foi nada perto da 2007, quando o Fener, já campeão, ganhou o clássico na casa do Galatasaray. A torcida local, aos 15 minutos do segundo tempo, simplesmente começa a incendiar o gramado. Em outros vídeos, dá para ver eles atacando os assentos nos jogadores. E o pior: o jogo depois continua.

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
06/04/2009 - 18:43

Update de dois posts

Minha incursão pelo sul do país está acabando mas preciso dar dois followups sobre posts que aqui fiz.

Thiago Santos
Primeiro que o Thiaguinho, o garoto que foi da Seleção naquele treino, posts abaixo, foi titular do Grêmio contra o Caxias na derrota de 4 x 0 do time da capital que acabou por colocar o Grêmio no caminho do Inter no Gauchão e aí todo mundo viu o que aconteceu. Não consegui ver a partida, pois estava viajando. Vi os lances e não achei que ele tenha falhado seriamente em algum deles. Mas lamento pela má sorte.

Joinville
Depois do jogo em que lá estive, o JEC perdeu dois seguidos, para Avaí e Chapecoense. As duas partidas fora de casa, é verdade, o que ainda dá uma chance de reverter no returno. O campeonato praticamente não tem mais como conquistar (chances matemáticas existem, claro), mas tem que vencer as 3 e ainda torcer por uma improvável combinação de resultados. O time demitiu o técnico Gelson e contratou Ramirez, aquele paraguaio famoso por correr atrás do Rivellino e que já fez carreira de treinador no Brasil com certo destaque. Como o campeonato importa menos do que chegar à frente da Chapecoense para o JEC (pela vaga na série D do Brasileirão), tem que vencer em casa e ainda torcer para um tropeço do adversário direto que abriu quatro pontos. Situação muito dificil.

É isso. Desejo sorte aos dois. Nada está perdido.

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
31/03/2009 - 14:47

‘Kaká mandou, eu passei’

Algumas histórias são mais legais do que as outras. Na Granja Comary, Adryan, de 14 anos, e Rômullo, de 15 anos, completaram a Seleção Brasileira num treino. Um feito realmente incrível.

Algo parecido aconteceu em Porto Alegre. Junior do Grêmio, Thiago Santos treinou na lateral-direita devido ao problema com Maicon que levou Daniel Alves ser titular. Ao seu lado, simplesmente Kaká. Toda a imprensa noticiou. Ele deu entrevista para todos. O depoimento é legal, veja:

“Me apresentei a ele antes do treino. Falei meu nome mas não achei que ele ia lembrar. Aí, eu estou lá com a bola e ouço o Kaká, atrás, gritando: THIAAAAGO.. THIAAAGO!!! Passei, né? Obrigatório. É o Kaká pedindo a bola”, disse o jovem.

Jovem, mas nem tão garoto assim. Aos 20 anos, Thiago Santos é mais velho do que, por exemplo, Alexandre Pato, da Seleção principal e já praticamente um titular do poderoso Milan.

Na sua posição, inclusive, o Brasil tem Rafael da Silva, do Manchester United, que vem já atuando no time de cima em competições como a Champions League com apenas 18 anos.

A nova realidade do futebol brasileiro e mundial é assim. Dura. Infelizmente, para se chegar lá, as vezes não basta, aos 20 anos, ser das divisões de base de um clube gigante como o Grêmio que a carreira está encaminhada. Imagina a molecada em times menores.

Vamos ver se Thiago Santos vai guardar este momento para sempre na memória como seus 15 minutos(45 na verdade em campo + as entrevistas) e seguir outro caminho ou se um dia voltará a atuar com a camisa amarela. A chance é mínima, ainda que ele tenha cruzado melhor do que muito titular da Seleção durante o treino…

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Seleção Brasileira, Sem categoria Tags: , , ,
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