iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade

Arquivo da Categoria Futebol Brasileiro

07/09/2009 - 01:47

Obina é melhor do que Eduardo da Silva?

O árbitro Cléber Welington Abade, de Palmeiras 2 x 1 Barueri, marcou um pênalti inexistente de Ralf em Obina, que garantiu a liderança do Brasileirão em mais esta rodada ao Palmeiras de Muricy. Veja:

O árbitro Manuel Enrique Mejuto Gonzalez, de Arsenal 3 x 1 Celtic, marcou um pênalti que não existiu que ajudou o Arsenal a seguir na Champions League, deixando de fora o tradicional time escocês. Veja:

As jogadas são muito parecidas. Dois brasileiros simularam dois pênaltis inexistentes que foram marcados e convertidos. Os julgamentos? Totalmente diferentes. Moralmente e judicialmente, diga-se.

No Brasil, o árbitro brasileiro, Cléber Abade, virou o vilão da rodada. O consenso é que trata-se de um ‘péssimo árbitro’, incapaz de apitar e faz parte da ‘horrorosa arbitragem brasileira’.

Obina não se jogou, apenas escorregou, mas ao cair já levantava os braços, inflamando a torcida e pressionando o juiz. Nenhum paladino da justiça reclamou de Obina. Jamais o atacante palmeirense enfrentará um tribunal ou uma crítica, além desta que você lê. Afinal, no Brasil, ser desonesto no ‘nível-Obina’ é aceitável e louvável. É ser esperto ou malandro. Bobo é o juiz, que cai nessa. Abade certamente será levado a mais uma geladeira e Obina vai a alguma mesa redonda dizer o quanto ele é agora feliz no Palmeiras.

Na Europa, o árbitro Manuel Enrique Mejuto Gonzalez foi considerado tão ou mais vítima do que o goleiro Artur Boruc, que desesperou-se com razão ao ver a marcação do juiz. Ninguém abriu a boca para falar do árbitro. Só existe um culpado na história. Chama-se Eduardo da Silva, aquele menino sofrido que teve a perna dilacerada por um zagueiro grosso há tão pouco tempo mas que, nem por isso, no Reino Unido, tem direito de dar uma de malandrão e enganar as pessoas com seu teatro cafona. Recebeu dois jogos de suspensão da UEFA na própria Champions e certeza de vaias por onde passar.

Eu sei que o futebol tem as suas picardias e maldades. Não gosto, aliás, da onda politicamente correta. Mas, convenhamos, a crise ética no Brasil passa pelo futebol. O vilão é o herói. O juizão é punido por não pressupor a malandragem. E o malandro sai bem na fita.

O pessoal do tribunal deveria punir Obina, como na Inglaterra fizeram com Eduardo. Quem sabe, assim, aprendemos.

Sobre a crise ética do futebol brasileiro, leia também neste blog: Senhores do tribunal, punam Domingos e não Diego Souza

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Brasileirão, Futebol Brasileiro, Futebol Internacional Tags: , , , ,
31/08/2009 - 11:34

Inter, Palmeiras e São Paulo: quem tem ambição de ser campeão?

Muricy empatou o clássico do primeiro turno e o São Paulo saiu mais feliz que o Palmeiras. E agora empatou o clássico do segundo turno e foi o Palmeiras que saiu mais feliz que o São Paulo.

Aí vem o Inter e dá outro passeio, no Goiás, e mais uma vez vamos todos exaltar o Colorado e figurá-lo (com méritos) ao time dos favoritos.

Muricy tem uma marca ruim e uma marca boa. A ruim é a vitória a qualquer custo, sem medo de escalar 8 volantes. A boa é o espírito vencedor. Aquele algo a mais que fazia o São Paulo vencer jogos impossíveis fora de casa na hora H.

Não foi o que se viu ontem no Morumbi. Nem uma coisa nem a outra. Se o Palmeiras encurralou o São Paulo no campo dele enquanto pode, o mesmo time não teve VONTADE de ganhar o jogo. Faltou o ímpeto vencedor aos seus comandados para matar o jogo e tirar o São Paulo da briga de vez. N’ao era o jogo da vida de nenhum deles.

Percebe-se, ali, que o Muricy ainda não tem o time na mão. E que assim que conseguir passar esse espírito, e ainda contar com o reforço de Love e a manutenção de Xavier e Diego Souza, vai ser difícil tirar o título do Palmeiras.

Da mesma forma, do outro lado, Ricardo Gomes tem seus limites. Tecnicamente, vem mostrando bola no chão, tabelas de calcanhar e um futebol que encantou por seis rodadas consecutivas. Algo raro no São Paulo e capaz de trazer de volta o futebol de Hernanes, Jorge Wagner e Dagoberto.

Mas tem uma certa timidez ‘Caio-Juniana’. Normal, diga-se, para quem relativamente ainda é novo no ramo e na pressão de um grande clube. É difícil transpor a barreira de time bom para time vencedor. Assim como o Palmeiras não quis vencer o jogo, o São Paulo tampouco. O fato de ter ficado de ‘bom tamanho’ o empate na maioria das falas dos jogadores ao fim do jogo revela essa tendência.

E você vai me perguntar o que o Internacional está fazendo neste post? A mesma coisa que São Paulo e Palmeiras fizeram no clássico. Se o Goiás era um jogo de seis pontos e o Galo na quarta é quase barbada, com todo o respeito ao goianos e mineiros, era no Parque Antárctica, na Vila Belmiro, no Grenal e contra o Corinthians que o Inter mostraria, mais do que futebol vistoso, a gana de ser campeão. E ainda não mostrou.

Isso é uma coisa: o título. Outra é o futebol bonito que o Inter, seus infindáveis talentos da base (agora o Marquinhos?) e suas ótimas contratações cirúrgicas mostram. Resta saber se, finalmente, um coisa levará a outra.

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Futebol Brasileiro Tags: , , , ,
13/08/2009 - 16:19

Grandes (novas) figuras das Copas: ‘O Flanelinha’

Estava colocando a leitura em dia (World Soccer de julho) e li com atenção a reportagem sobre segurança na África do Sul feita pelo veterano (todas as Copas desde 1966) Keir Radnedge.

Gosto de ler os gringos falando sobre o tema já que nós, brasileiros, nem sempre somos parâmetros para estes assuntos, até por lidarmos com uma violência parecida todos os dias.

Radnedge cobriu a Copa das Confederações e, sem negar as belezas naturais e o povo acolhedor locais, descreve alguns acontecimentos. Entre eles, coisas corriqueiras do nosso Brasil-sil, como o seu colega da agência Reuters que foi coagido a dar dinheiro para policiais, assalto usando arma de fogo, invasão de um bar por cinco homens armados, o sumiço de dinheiro no hotel das seleções brasileira e egípcia e até sequestro relâmpago.

“Em todos os lugares em que estive, nunca me foram relatados tantos incidentes criminais envolvendo colegas, profissionais e convidados em geral como aqui”, diz o veterano.

Mas o que mais me chamou a atenção foi a sua narração indignada sobre o momento em que outro jornalista teve que ‘dar dinheiro para que uma pessoa cuidasse de seu carro’ enquanto estacionado ao redor do estádio.

Sim, um flanelinha legítimo, daqueles que guardou o navio de Pedro Álvares Cabral enquanto o gajo dava uma volta pra curtir a paisagem e, dos quais, 500 anos depois, ainda não conseguimos nos livrar. ‘Profissão’ que, ao contrário do cambista, este sim uma praga mundial, não existe no mundo desenvolvido e por isso causa tanta estranheza ao ex-chefão da World Soccer Magazine.

Aí eu imagino 2014. Aqui a Copa terá responsabilidades nacionais: fazer tudo certo, bem feito, com reflexos posteriores para a melhoria da sociedade e, claro, sem afronta e roubalheira aos cofres públicos e/ou privados, além do detalhe de ganhar o mundial (fácil, hein?).

Mas terá também uma responsabilidade internacional (que não sabemos ainda de qual tamanho) de ser melhor organizada do que a da África do Sul. Pela tradição no futebol, índices de IDH, tamanho do PIB, instituições democráticas, imprensa atuante, etc e etc, tudo leva a crer que este objetivo é muito mais fácil do que o primeiro de ser alcançado (eu disse ‘leva a crer’).

Mas confesso que estou bastante curioso, na verdade, para saber o que vai ser dos flanelinhas…

Posso cuidar do carro, tia? Deixa 15 reais adiantado…

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Futebol Brasileiro, Futebol Internacional Tags: ,
10/08/2009 - 12:05

O São Paulo que corre riscos (e encanta)

Um desavisado poderia achar que nada mudou no Morumbi. Primeiro pela habitual desorganização para comprar ingressos na bilheteria.

Segundo pela escalação, a mesma de sempre.

Mas quaaaaanta diferença.

1) O time está motivado.

Os jogadores correm ainda mais do que na época em que era empurrados aos berros por Muricy na beira do gramado.

2) O time está unido e solidário.

Jogadores se ajudam. Dagoberto reclama 90% menos do que costumava reclamar dos companheiros. Todos tocam bola e procuram companheiro em melhor situação (Junior Cesar e Dagoberto deram exemplos disso). Washington sai para a entrada de Borges e ninguém reclama. Todo mundo se abraça no final e comemora com a torcida.

3) O time joga com a bola no chão.

Tá certo que foram dois gols de cabeça contra o Goiás, mas quem viu o jogo todo, viu que o São Paulo joga com a bola no chão. Jorge Wagner, Hernanes, Dagoberto e Junior Cesar, principalmente mas não só, fazem tabelas com passes curtos e entram com a mesma facilidade pelo meio e pelas pontas.

Não sei se o ‘campeão voltou’. Me parece exagero. Até por uma diferença básica. O ‘campeão’ costumava jogar mais fechado e, depois de fazer 1 x 0, parar de jogar. Ficar no contra-ataque, sorrateiro, faturando 3 pontos. Não corria riscos.

O atual time é mais bonito de ver jogar. Parte para cima sempre que pode, erra passes verticais que só erra quem tenta fugir da burocracia e da mesmice dos toques de lado em busca dos 3 pontinhos. Jean e Richarlysson, os volantes mais atrás, vira e mexe chegam na frente. O segundo teve três chances claras.

O São Paulo atual corre riscos. E o Morumbi ontem, feliz da vida como há tempos não se via, agradece.

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Futebol Brasileiro Tags: ,
27/07/2009 - 01:46

Um Palmeiras campeão e um São Paulo mais bonito

Edmílson, Pierre, Sousa e Cleiton Xavier.

Muricy mal assumiu e já começou a sua festa de volantes em campo.

Para completar sua praxe, seu jeito de fazer as coisas, pegou o meia ofensivo, Diego Souza, e transformou em atacante. Volantes e atacantes.

São duas as consequências imediatas dos atos de Muricy:

1) O Palmeiras joga mais feio do que quando tinha dois atacantes, um meia e um volante que sabe chegar na frente.

2) O Palmeiras fica super competitivo e grande favorito ao título brasileiro de 2009.

O mais engraçado é ver Muricy, na saída, falando que se tivesse um meia como Conca, tudo seria diferente no São Paulo. Pois tem Diego Souza agora, e parece que vai isolá-lo na frente.

Mais irônico ainda é saber que em apenas poucas semanas como treinador, Ricardo Gomes já escalou Hernanes, Jorge Wagner e Marlos juntos, no meio, com Dagoberto e Washington na frente. Os caras estão há três jogos triangulando, fazendo tabelinhas e até Hernanes voltou a jogar futebol.

São duas as consequências diretas dos atos de Ricardo Gomes:

1) O São Paulo está jogando mais solto, mais bonito, envolvente, tocando bola e capaz de gols legais como os contra o Santos, Barueri e Internacional.

2) O São Paulo fica menos competitivo, tomando sufoco, sujeito ao empate na maioria dos jogos e sua zaga de longe lembra as zagas dos últimos três anos.

E aí fica aquela dúvida:

1) Para o palmeirense, mais vale o título brasileiro que não vence há 15 anos ou melhor jogar bonito?

2) Para o são-paulino, mais vale o tetra consecutivo com mais um time chato ou um time que pode perder, mas empolgue o torcedor e leve mais gente ao quase vazio Morumbi dos últimos tempos?

Parece bom pra todo mundo por enquanto. Parece…

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Futebol Brasileiro Tags: , , ,
15/07/2009 - 09:31

Clubes, uni-vos! Hora certa de cortar o salário dos técnicos de futebol

Felipão foi demitido do Chelsea e, com todo o respeito, dirige um time ridículo de futebol. Um ‘Fim de Carreira Futebol & Dinheiro’.

Carlos Alberto Parreira, depois de perder a Copa e abandonar a África do Sul, foi demitido do Fluminense.

Vanderlei Luxemburgo, que tem demissões da Seleção Brasileira e Real Madrid na sua vida pregressa, foi demitido pelo Palmeiras, depois de quase 5 temporadas sem um título nacional e nunca ter conseguido um título internacional.

Muricy Ramalho é tricampeão brasileiro. Mas num time como o São Paulo, acostumado com a Libertadores, fracassou nas suas seguidas tentativas de levar a América de volta ao Morumbi e, também por isso, foi para o olho da rua.

Vamos encarar os fatos. Os técnicos chamados ‘TOP’ estão em baixa no Brasil.

Motivos para lamentar? Alguns. Motivos para comemorar? Vários.

O maior deles a comemorar é o seguinte: está na hora de baixar o salário destes chamados técnicos TOP de futebol. Se até o Obama cortou grandes sálarios e bonus no coração do capitalismo mundial, everybody can.

Nenhum técnico de futebol vale tanto dinheiro. Nenhum deles jamais valeu tudo isso. Mas, ultimamente, associou-se que um time vencedor começa com um técnico TOP. Fica difícil até de entender o motivo deles passarem a ser chamados TOP no caso dos que não foram campeões mundiais seja com clube, seja com seleção.

Eu não sei os valores e confesso que prefiro nem saber. Mas já ouvi falar por aí nos blogs e comunidades que fulanos e beltranos custam de 300 mil a 1 milhão de reais, seja por conta de prêmio, de comissão técnica ou coisa que o valha.

Estão errados eles? Lógico que não. Errado (e espero que errado só de convicção e não legalmente errado) é o tonto que paga tudo isso. Se meu chefe (que não é tonto hehe) chegar para mim e perguntar se eu quero ganhar 500 mil, tudo declarado bonitinho, eu também vou aceitar.

Belluzzo parece, timidamente, tentar mudar essa história. Ele ofereceu menos a Muricy do que Luxemburgo ganhava. Não que Muricy mereça mais ou menos do que Luxemburgo. Não é isso, não é a discussão e não vem ao caso. Mas é uma bela oportunidade para que o preço absurdo pagos aos Técnicos TOP seja revisto. E digo timidamente, porque acho que Belluzzo ofereceu dinheiro demais ao Muricy, mesmo assim.

A torcida é o maior termômetro. Por mais que Mano Menezes seja um excelente técnico e monte seu time muito bem, é Tevez e Ronaldo que a torcida do Corinthians vai ver jogar e por eles que assinou o pay-per-view. Não importa o quanto Tite fale manso e sua figura seja simpática, é graças a Sobis, Pato, Taison, Nilmar, Alex, D’Alessandro que o Inter chegou a 100 mil sócios. E, por mais que o torcedor do São Paulo se identificasse muito com o Muricy, ir ao Morumbi nos últimos tempos era ver estádio vazio e futebol feio.

Se é para pagar 500 mil para alguém (o que já é bem discutível), que seja a um craque. O Cruzeiro, que tem há 19 meses um técnico que está bem longe de ser um Super Técnico, está aí na final da Libertadores para provar que não é o salário que torna um treinador competente.

Clubes, uni-vos! Outra chance como esta dificilmente aparecerá.

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Futebol Brasileiro, Futebol Internacional Tags: , , ,
02/07/2009 - 01:11

8 drops do título do Corinthians

- Chicão é o paredão. Felipe, a muralha.

- Mano Menezes é o cara e armou certinho o time para fazer um gol e acabar com a disputa.

- Será que o Kleber entendeu depois deste jogo o motivo de ter perdido a vaga no time titular de Dunga para o André Santos?

- Em 2003, D’Alessandro fez os corinthianos de bobos. Seis anos depois, foi mais bobo ainda fazendo aquela ceninha besta depois da expulsão.

- O Inter passou raspando contra o Flamengo e o Coritiba. Três vezes não daria mesmo.

- O Ronaldo tem uma estrela tão grande e o Mano Menezes é tão competitivo e competente, que até dá pra imaginar um Corinthians livre de seu trauma maior: a Libertadores.

- O jogo no Pacaembu foi muito melhor do que o do Beira-Rio. Principalmente porque o Inter foi muito bem na partida, ainda que sem Nilmar. O Inter tomou um mas também poderia ter feito. Mas tomou o segundo e aí era o prato cheio para Mano Menezes. A decisão, aliás, foi definida em São Paulo.

- O Jorge Henrique parece o Romário e viveu dias de Ronaldo nas duas decisões. Um gol em cada e o título é bastante dele. Ele, repito, que não tem bola para tal. Coisas do futebol.

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Futebol Brasileiro Tags: , ,
22/06/2009 - 20:12

Um enigma ambulante chamado Muricy (ou futebol)

Agora você está ouvindo o seguinte:

- ‘Injustiça o que fizeram com o Muricy. A diretoria tricolor não sabe o que faz’

Mas você já ouviu, após os últimos títulos:

- ‘O sucesso do São Paulo é fruto da organização, da diretoria prestigiar o mesmo treinador há 3,5 anos. O resultado é claro. Está aí.’

Você também já ouviu:

- ‘O Muricy é o melhor treinador do país. Uma espécie de Bernardinho do futebol. Sabe treinar o time, sabe armar a equipe e principalmente sabe dar bronca em jogador mimado quando precisa. Deveria assumir a Seleção Brasileira’

Mas você já ouviu também:

- ‘Esse Muricy é muito retranqueiro. Só escala volante. O São Paulo joga feio há 3,5 anos. Nunca o São Paulo do Muricy me empolgou’

E você já leu:

- ‘O Muricy é um cara autêntico. Dos poucos no futebol brasileiro. Sem frescura ou politicagem. Um cara assim não se cria na corja de cartolas e empresários do futebol nacional.’

Mas também cansou de ler:

- ‘A grosseria com que Muricy trata os jornalistas e algumas das pessoas a sua volta é de uma deselegância revoltante. Alguém precisa dar um basta nas suas patadas’

Senhoras e senhores, este é Muricy Ramalho, tricampeão brasileiro de futebol.

Mas não é apenas Muricy que é assim. Este é o futebol. Ninguém especificamente inventou ele assim. Ele é assim. O que é bonito hoje, amanhã é feio (né, Keirrison e Hernanes?). O que não deu certo ontem, amanhã vai parar na Copa do Mundo (né, Felipe Melo e Doni?). Ronaldo, que é quem fala melhor no mundo do futebol hoje, é o dono da frase que melhor resume tudo isso: “cada gol que faço, fico mais bonito e um quilo mais magro”.

O Manchester United mantém Alex Fergunson como mandante supremo de seu time há mais de 20 anos. Isso inclui negociar jogadores, salário, falar com empresários, fechar patrocinadores – um absurdo para os padrões brasileiros de ética no futebol, diga-se. Mas Fergunson, cá, é visto como modelo de sucesso, continuidade e profissionalismo. O que não deixa de ser também, claro. Mas que também não impede que o time perca o jogo mais importante do ano para o Barcelona, que tem em Guardiola um estreante em sua primeira temporada como treinador (EXATAMENTE COMO DUNGA).

O São Paulo manteve 3,5 anos o Muricy no cargo e fez certo. Mas não podemos esquecer que o mesmo São Paulo contratou Paulo Autuori em abril de 2005 para que ele fosse campeão da LIBERTADORES apenas 4 meses depois.

Futebol é assim. Acontece para todos os lados. Melhor ser profissional e ter planejamento, mas saber atuar rápido e trocar suas peças em nome do resultado também é profissionalismo e planejamento. E nem tudo que é bom para o Manchester United ou para o Los Angeles Lakers – Phil jackson está há 4 anos na franquia nesta sua segunda e vitoriosa passagem. Antes já havia dirigido o time por cinco temporadas, além de ficar 9 anos a frente do Chicago Bulls – é bom para o São Paulo ou para o Botafogo.

Não vejo porque um técnico de futebol tenha que ter vida eterna para que um time seja considerado ‘profissional’.

Não é um cargo qualquer o dele como o de pessoas que passam a vida na mesma empresa. Ser técnico de um time grande de futebol é desgastante. Muricy teve muito mais sucessos do que fracassos, mas estava com a data de validade um pouco vencida. Sem criatividade para inovar nas suas formações (o São Paulo virou o reino dos volantes). Sem forças para motivar seus jogadores mimados. Sem tanta influência entre seus chefes (as pessoas esquecem que treinador tem chefe). E, o mais grave, passava a impressão de não ter mais um pingo de alegria enquanto trabalhava. Mesmo assim, tenho certeza que, como aconteceu no Beira-Rio e nos Aflitos, ele segue com a porta aberta e o carinho da torcida no Morumbi pelos ótimos serviços prestados.

Por isso, depois de pensar um pouco, não me filiei ao Partido dos Defensores do Muricy. Acho que estava na hora de partir. De conhecer novos ares, descansar um pouco e pensar na sua ranzinice crônica e galopante. Não que ele seja péssimo. Pelo contrário. Ele é um dos três melhores técnicos do futebol brasileiro e provavelmente 50 vezes melhor do que o Ricardo Gomes. Mas não é isso que está em jogo. Apenas não entro para o time dos ‘com pena’ do técnico e ‘com raiva’ da diretoria, que tem muitos outros problemas.

Muricy tem mercado e terá emprego quando quiser. Certamente não vai fazer parte da massa de desempregados que afeta nosso país. Ficará em casa se quiser, irá para o Catar se quiser, assumirá o Internacional se bem entender. E, amanhã, você ainda vai ouvir aquele repórter perspicaz perguntar na coletiva no final do jogo em que o time do Muricy bater o São Paulo:

‘Muricy, essa vitória é uma resposta sua para a diretoria do São Paulo?’

Esse é o futebol…

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Futebol Brasileiro Tags: ,
16/06/2009 - 15:44

A pegada gaúcha da final da Copa do Brasil sem favoritos

Todos os anos, quando a Copa do Brasil começa, tem uma final provável. Times fortes que bateram na trave para ganhar a vaga na elite (Libertadores), acabaram ficando no segundo escalão (Copa do Brasil) e, por isso, entram como favoritos.

Ano passado, o Palmeiras e o Inter eram os candidatos óbvios. O Sport matou os dois favoritos e mais o Vasco. O Corinthians, da série B e sem estrelas, chegou a uma improvável final onde também morreu na BombonIlha do Retiro.

Em anos recentes, Paulista de Jundiaí, Santo André e Figueirense estiveram em finais, com exceção recente a 2006, quando Flamengo e Vasco decidiram.

Este, aliás, sempre foi o barato da Copa do Brasil. Mesmo no tempo em que todos jogavam, equipes como o próprio Sport, o Ceará, o Criciúma e o Goiás jogaram a final.

Desta vez é diferente. Pegue qualquer previsão da lógica (e futebol nem sempre dá a lógica) e a final Corinthians x Internacional seria cravada. Sem São Paulo, Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro e Sport, não existiam outras duas forças equivalentes em todo o resto do futebol brasileiro. Coritiba e Vasco foram azarões na reta final mas desta vez não vingaram. Corinthians e Inter figuram, inclusive, entre os favoritos do Brasileirão, onde todos os times jogam.

Por isso, o duelo Internacional (mais forte porém mais desfalcado) x Corinthians (menos técnico mas com o fenômeno Ronaldo), não tem favorito.

Até porque os dois times se equivalem no que existe de mais precioso na hora de decidir em mata-mata. Corinthians e Inter têm a pegada gaúcha no sangue (ou na cuia).

Foi com essa pegada que Mano Menezes subiu o Corinthians ano passado e fez o time vencer São Paulo e Santos (na garra e na bola) para ser campeão paulista. É a marcação e a correria desde o Jorge Henrique. É a consistência na marcação de Cristian e Elias.

É com a mesma pegada gaúcha que nem sempre Abel soube impor ao Inter do ano passado que Tite faz seus jogadores (todos os 22 do grupo) comerem grama o tempo todo e jogarem sob a batuta do maestro Guiñazu. É só você ouvir o (já não mais tão garoto) Taison dar uma entrevista para ver o quanto ele tá com o sangue nos olhos.

O Inter não tem o seu principal jogador, Nilmar, e um outro jogador razoável, Kléber. O Corinthians não tem André Santos que, se não dá para cravar principal jogador por conta do poder de decisão de Ronaldo, é certamente muito mais importante para o conjunto do time do que Ronaldo.

Vai ser uma grande final. Digna dos tempos em que a Copa do Brasil tinha todos os pergonagens principais em seu elenco.

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Futebol Brasileiro, Sem categoria Tags: , , , , , ,
06/06/2009 - 17:20

‘Revelino’, irmão do Emile Heskey, e Zico, filho do jornalista

Para quem está com o inglês em dia, delícia este post no blog do Guardian sobre pessoas homenageadas com nomes de jogadores.

Destaque para o irmão de Emile Heskey, autor do segundo gol da Inglaterra no jogo deste sábado pelas Elimatórias, que se chama Revelino, com ‘e’ mesmo, em homenagem a Rivelino, o nosso patada atômica (o ‘e’ foi de propósito, para diferenciar um pouco o nome).

Outro felizardo tem como nome a escalação inteira de um time de futebol, o Queens Park Rangers de 1973.

O próprio jornalista, autor do post, batizou o filho, nascido no último 30 de março, com o seguinte nome: Joshua Zico Burnton.

Já que o assunto é Zico lá em Londres, vale lembrar a famosa ‘fla’mília Santos, com Zicomengo, Flamena e Flamozer.

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Futebol Brasileiro, Futebol Internacional Tags: , , , ,
Voltar ao topo