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Arquivo da Categoria Brasileirão

07/09/2009 - 01:47

Obina é melhor do que Eduardo da Silva?

O árbitro Cléber Welington Abade, de Palmeiras 2 x 1 Barueri, marcou um pênalti inexistente de Ralf em Obina, que garantiu a liderança do Brasileirão em mais esta rodada ao Palmeiras de Muricy. Veja:

O árbitro Manuel Enrique Mejuto Gonzalez, de Arsenal 3 x 1 Celtic, marcou um pênalti que não existiu que ajudou o Arsenal a seguir na Champions League, deixando de fora o tradicional time escocês. Veja:

As jogadas são muito parecidas. Dois brasileiros simularam dois pênaltis inexistentes que foram marcados e convertidos. Os julgamentos? Totalmente diferentes. Moralmente e judicialmente, diga-se.

No Brasil, o árbitro brasileiro, Cléber Abade, virou o vilão da rodada. O consenso é que trata-se de um ‘péssimo árbitro’, incapaz de apitar e faz parte da ‘horrorosa arbitragem brasileira’.

Obina não se jogou, apenas escorregou, mas ao cair já levantava os braços, inflamando a torcida e pressionando o juiz. Nenhum paladino da justiça reclamou de Obina. Jamais o atacante palmeirense enfrentará um tribunal ou uma crítica, além desta que você lê. Afinal, no Brasil, ser desonesto no ‘nível-Obina’ é aceitável e louvável. É ser esperto ou malandro. Bobo é o juiz, que cai nessa. Abade certamente será levado a mais uma geladeira e Obina vai a alguma mesa redonda dizer o quanto ele é agora feliz no Palmeiras.

Na Europa, o árbitro Manuel Enrique Mejuto Gonzalez foi considerado tão ou mais vítima do que o goleiro Artur Boruc, que desesperou-se com razão ao ver a marcação do juiz. Ninguém abriu a boca para falar do árbitro. Só existe um culpado na história. Chama-se Eduardo da Silva, aquele menino sofrido que teve a perna dilacerada por um zagueiro grosso há tão pouco tempo mas que, nem por isso, no Reino Unido, tem direito de dar uma de malandrão e enganar as pessoas com seu teatro cafona. Recebeu dois jogos de suspensão da UEFA na própria Champions e certeza de vaias por onde passar.

Eu sei que o futebol tem as suas picardias e maldades. Não gosto, aliás, da onda politicamente correta. Mas, convenhamos, a crise ética no Brasil passa pelo futebol. O vilão é o herói. O juizão é punido por não pressupor a malandragem. E o malandro sai bem na fita.

O pessoal do tribunal deveria punir Obina, como na Inglaterra fizeram com Eduardo. Quem sabe, assim, aprendemos.

Sobre a crise ética do futebol brasileiro, leia também neste blog: Senhores do tribunal, punam Domingos e não Diego Souza

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Brasileirão, Futebol Brasileiro, Futebol Internacional Tags: , , , ,
16/08/2009 - 19:20

Se o futebol tivesse lógica…

O Palmeiras não `confiou` no seu treinador interino. Agradeceu, reverenciou, aplaudiu. A torcida pediu, os jogadores correram muito mais do que corriam com o Luxa mas, no final, a diretoria tomou a `atitude sensata` e contratou o mais vencedor dos técnicos de futebol da era de pontos corridos no Brasil: Muricy Ramalho.

Jorginho virou um dos aspones de Muricy. Não acompanho todos os dias o treinador, mas gente em quem eu confio muito diz que os assessores de Muricy mandam pouco ou quase nada, ainda mais um que acabou de chegar ao clã.

A `atitude sensata`, ainda que coincidentemente (ou não), diminuiu o ritmo do Palmeiras. Que agora assiste sua liderança ameaçada por Internacional, Goiás,  São Paulo e Galo após 3 empates seguidos.

Cerca de 400 km do Parque Antárctica, a Gávea viveu dilema parecido. Contratar ou não contratar um novo treinador apos a saída de Cuca. Optaram por manter o interino. Tomaram, também, em vista do que se apresentava no mercado, uma `atitude sensata`. O interino, diga-se, que como Jorginho fazia (e ainda faz) campanha, se não arrasadora, muito positiva.

Mas eis que uma goleada do Grêmio, com o Imperador em campo e tudo, muda tudo de figura. O Flamengo desce pelas tabelas com ou sem o ombro de Kleberson machucado, vê a euforia-Andrade passar, e termina o turno mais perto da zona de rebaixamento do que do título que não vence há 17 anos.

Não dá, claro, para comparar a tentativa de ser profissional da nova diretoria do Palmeiras com o amadorismo histórico dos cartolas rubro-negros.

Mas, de qualquer forma, fica a pergunta: acertou o Palmeiras ou acertou o Flamengo?

Se o futebol tivesse lógica…

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Brasileirão Tags: ,
11/05/2009 - 14:14

‘Poupar psicológico’ ou o golaço de Mano Menezes

Eu sempre sou contra poupar jogador por poupar. Se estiver sentindo algo, se estiver fora de forma, se estiver indo para o sacrifício, claro, faz sentido. Caso contrário, eu sempre acho que a sequência de jogos entrosa, dá ritmo e ajuda mais do que atrapalha. Ainda mais no futebol brasileiro onde as equipes são formadas de seis em seis meses.

Mas tem casos em que o ‘poupar’ pode ser bem interessante. Veja o caso do excelente técnico Mano Menezes na partida contra o Inter. Durante dois meses, só se falou do Inter. E com razão. O time está com um elenco tão bom, entrosado e voando, que será zebra (e decepção) se em novembro não for um dos clubes a disputar o título.

Já o Corinthians vinha com o peso da invencibilidade em casa nas costas. Viria, também, sem Ronaldo, seu ‘decididor’ de jogos desde que o bicho pegou pra valer (Paulistão e Copa do Brasil).

Fosse afoito, Mano Menezes escalaria seu time titular sem Ronaldo. Afinal, ganhar de um candidato ao título, em casa, é quase uma obrigação em campeonato de pontos corridos para quem almeja ser campeão.

O problema é que uma eventual derrota para o Inter com o time titular sem Ronaldo, poderia causar um desgaste psicológico muito maior do que perder 3 pontos na rodada inicial do Brasileirão. Poderia deflorar um sentimento que já existe, mas ainda não tão declarado: a ‘Ronaldo-dependência’. Ela chegaria com tudo na capa dos jornais e na cabeça dos esforçados jogadores do Corinthians, que certamente pensariam não ser capazes o suficiente.

Se era para ‘perder’, então, Mano Menezes deu o golpe de mestre. Não só poupou Ronaldo como poupou geral. Colocou o time reserva de vez e, de certa forma, desqualificou a vitória colorada. A ponto de 0 x 1 ter sido um resultado magro e, não fosse a pintura de Nilmar, hoje o comentário seria em geral o mesmo do zagueiro Jean, que ao final da partida disse que ‘o Inter não é tudo isso que tão falando’.

A manhã de hoje no treino do Corinthians não é de abatimento de André Santos, Douglas, Jorge Henrique, William, Chicão e etc. Eles não jogaram. Não se sentem menos do que ninguém. Ficam com aquele sentimento de que, caso estivessem todos em campo, poderiam vencer. No final das contas o Inter, poderoso, quase que não ganha do reserva do Corinthians. E, mesmo os reservas, se fortaleceram ao sairem do gramado com uma derrota, digamos, honrosa.

O grupo ganha. Não foi só Nilmar que marcou seu golaço no Pacaembu. Mano também.

Já o Muricy…

Alguém tem alguma explicação para o Borges não ter começado jogando depois de tanto tempo que o São Paulo não joga partida alguma?

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Brasileirão Tags: , , , , ,
29/11/2008 - 15:36

Keirrison na capa

Vamos registrar aqui, afinal, não é todo dia que a camisa do Coxa é destaque principal digital do As, jornal presepeiro e genial da Espanha.

E o pobre do Vasco, sem Eurico e sem documento, que a princípio teria a sorte de não enfrentar um time fora de casa que briga por algo, vai encarar o Coritiba batido que realmente que não briga por nada, mas que tem um piá looooooooouco pra ser artilheiro do campeonato.

Uma esperança para o Vasco: o Keirrison não é nenhum Ronaldo, daqueles que pega a bola, dribla dois, chuta de esquerda e de direita e resolve. Muitos dos gols de Keirrison são de pênalti e a maioria daquele toquinho final, sem goleiro, de presença de centroavante matador. Então ele depende do time todo. Sempre. Vamos ver o que acontece no Couto Pereira neste domingo.

 

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Brasileirão, Futebol Internacional Tags: , , ,
27/11/2008 - 12:32

Diga 33 (ou menos de 20)

Kleber Pereira, 33 anos, 21 gols
Keirrison, 19 anos, 20 gols
Washington, 33 anos, 20 gols
Alex Mineiro, 33 anos, 19 gols
Guilherme, 20 anos, 18 gols

A tabela de artilheiros do Brasileirão é um recorte fiel da sociedade futebolística brasileira. Científico quase. Ela é composta de cinco bons jogadores. Três deles são veteranos quase em fim de carreira e dois deles são jovens em busca de um bom contrato no exterior.

Grosso modo, assim é o nosso futebol de alto nível. Polarizado entre jovens cada vez mais jovens e jogadores rodados e de confiança. Jogadores protagonistas entre 22 e 30 anos são cada vez mais raros.

Kleber do Palmeiras é um deles, mas está claramente dando um tempo por aqui, como Adriano Imperador e Ricardo Oliveira já fizeram. Dagoberto e Nilmar, estes sim, são exceções, pois têm 25 e 24 anos, têm mercado, mídia, bons empresários, mas ainda estão por aqui.

Destaca-se quem tem o melhor retirante do futebol internacional e quem tem uma promessinha guardada. Promessinha que vale mesmo em campo, fazendo gols, porque dinheiro que é bom, nem sempre rende. Keirrison, por exemplo, salvo engano, é 20% só do Coxa.

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Brasileirão Tags: , , , ,
25/11/2008 - 12:52

Demitam mais técnicos, por favor!

Para o bem do campeonato, aquela ladainha de que tem que manter o treinador, confiar no trabalho, dar tempo, etc podia muito bem virar balela.

A falta de Alex Fergunsons e Muricys pode ser prejudicial para as equipes, mas é uma delícia para o campeonato.

Eu não tenho medo de cravar que dois dos momentos mais emocionantes deste campeonato (que já é muito emocionante) aconteceram graças a demissões de treinadores: a goleada do Flamengo no Palmeiras e a goleada do Vitória no Grêmio.

Caio Junior e Vágner Mancini foram demitidos de seus clubes e, talvez até por serem novos na profissão e ainda não estarem acostumados ao troca-troca, não superaram. Os dois ’se queimaram’ com seus ex-clubes e não esconderam de ninguém que entrariam em campo com sabor especial de vingança. Vingança, diga-se, que decidiu o campeonato. Não estamos falando de joguinhos de meio de temporada, estamos falando de dois jogos que decidiram o Brasileirão 2008 em favor do São Paulo.

Caio ‘fracassou’ no Palmeiras ao perder a vaga na Libertadores mas, na verdade, como o preterido Dorival Junior, foi demitido mesmo porque ainda não é do primeiro escalão. Luxemburgo era a grife. Era o nome. O sonho. E o futebol é cheio dessas coisas. O menor ganha do maior. O coitadinho bate o gigante. Não era preciso ser um grande conhecedor de 4-3-3 ou apontar na prancheta duas linhas de quatro para prever que Caio Junior ia fazer o Flamengo tirar o Palmeiras do Luxa da briga pelo título como tirou. O futebol tem tática, tem regra, mas também tem brio.

Mancini foi demitido invicto apenas porque.. não se sabe. Mas basicamente, não era técnico de confiança. Ou talvez porque não tinha a cara feia de Celso Roth e não fosse gaúcho o suficiente. Este papo de que jogava muito pra frente era balela, coisas que as pessoas gostam de acreditar. Não dá para dizer que a diretoria tricolor estava errada, afinal o Grêmio que há pouco estava na segunda divisão, desbancou favoritos e foi o único capaz de assustar o São Paulo até o fim.

E, ano que vem, a história vai se repetir. Muito provavelmente Dorival Junior vai calar o Couto Pereira em algum momento onde quer que esteja. Assim como carimbou o seu quase Palmeiras logo na primeira rodada do Brasileirão quando o Coxa bateu o Palmeiras por 2 x 0.

Demitam mais técnicos, de preferência os bons técnicos. A gente gosta.

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Brasileirão Tags: , , , , ,
24/11/2008 - 02:46

Duas versões de um São Paulo tri(hexa)campeão

 

Durante o jogo Vasco 1 x 2 São Paulo, além da já habitual troca ferrenha de sms, recebi duas ligações são-paulinas totalmente diferentes, mas que mostra como é louco este tal do futebol.

Ligação 1
Nome (fictício): Peçanha
Profissão (fictícia): Violoncelista
Cidade (Fictícia): Porto das Flores
Idade (real): 56
Tempo: 32 do segundo tempo
Placar: Vasco 1 x 2 São Paulo

- Mauricio, eu estou impressionado com o São Paulo. Estão pedindo para perder.
- Impressionante
- Viu o gol que o Edmundo perdeu agora?
- Nem fale
- O Dagoberto dando drible da vaca! Eu tirava na hora.
- Pois é
- Esse estrelinha do Hernanes. Só sabe passar o pé em cima da bola. Está estragado já. Espero que esteja vendido.
- Incrível
- O Hugo está péssimo. Não é possível que o Muricy não tira o Hugo.
- Que coisa. E o Borges?
- Esses babacas estão boicotando o Borges. Ele fez os três gols naquele jogo e ainda roubou o gol do Zé Luis. O Hernanes, o Dagoberto, o Jorge Vagner e o Hugo não querem que ele vire o herói do título.
- Deve ser isso. Bom, vamos ver até o fim. Um abraço
- Desculpe o desabafo. Mas o time está pedindo para perder. E merece. Vou torcer para não virar.

Ligação 2
Nome (fictício): Ricardo
Profissão (fictítia): Óptico
Cidade (real): São Paulo
Idade (real): 22
Tempo: 38 do segundo tempo
Placar Vasco 1 x 2 São Paulo

- Mauricio, que time é esse?
- Impressionante
- Parece juvenil contra profissional, não?
- Nem fale
- Viu o gol que o Edmundo perdeu? Como é patético este Edmundo
- Pois é
- O Hernanes é um monstro. O Dunga é muito burro de não colocar ele de titular
- Incrível
- Quando o Hugo está em campo, tudo muda de figura. E pensar que a gente quase mandou ele embora.
- Que coisa. E o Borges?
- Não está muito bem hoje. Mas ao mesmo tempo, o Dagoberto está incrível. Correndo demais. Faltou o gol só. Espírito de equipe. Um jogou para o outro, né?
- Deve ser isso. Bom, vamos ver até o fim. Um abraço.
- Desculpe de incomodar aí na hora do jogo. Mas é que este São Paulo joga demais. O hexa chegou.

ps: aprendi a responder assim para os torcedores em transe e apaixonados no calor da batalha com o Tostão na Copa de 2006. Qq dia reproduzo este post de 2006 aqui.

 

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Brasileirão Tags:
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