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26/10/2009 - 17:08

O drama de ser Atlético de Madrid

É um time grande mas não ganha título algum desde 1996. O estádio fica na Rua dos Melancólicos. O maior rival, da mesma cidade, ganha tudo sempre, inclusive deles. Tem coisas que realmente só acontecem com… o Atlético de Madrid (seguimos com o D).

E mais uma delas aconteceu na tarde de sábado em que fui conhecer o estádio Vicente Calderón, no sul da capital espanhola, conhecido setor de operários da cidade, casa do centenário clube para acompanhar Aleti (como eles dizem) contra o Mallorca.

Na semana que antecedeu a partida, o Aleti terminou a rodada flertando com a zona de rebaixamento, perdeu de 4 do Chelsea na quarta-feira pela Champions League e viu seu treinador Abel ser demitido.

Assim cheguei ao Calderón. Um clima tenso e ao mesmo tempo um ambiente completamente diferente do Santiago Bernabeu. Torcedores com mais caras de torcedores. Parecia menos uma ópera e mais um jogo de futebol. Lembrei mais do Brasil. Os torcedores dizem que o Atletico é mais um sentimento do que um time. E que os madrilenhos gostam de títulos, mas não se importam ou sofrem pelo time como eles. Impossível não simpatizar com a causa e com o sofrimento destes torcedores. Os ‘underdogs’ sempre têm o seu charme.

calderon

Lembram com carinho do Juninho Paulista e o carrinho que tomou do Salgado, gostam muito, mas muito mesmo do Luiz Pereira. Mas ídolo mesmo deles é gente como Paulo Futre, Pantic, Fernando Torres claro e… e….  Simeone! Sim, o argentino era o rei da botinada no último grande ano da história do clube.

simeone

No dia da partida mesmo, duas horas antes, comprei o ingresso na bilheteria do estádio (para os que me escreveram pedindo dicas de como conseguir ingressos). De lá, fui encontrar no ‘El Doblete’, bar que fica em volta do estádio, Laura, espanhola rojiblanca fanática, que trabalha na IBM em Madri, e mostraria um pouco do encanto de ser Aleti.

Do Doblete, que tem esse nome em homenagem a temporada 95/96, quando o time ganhou a Liga e a Copa do Rei, fomos encontrar o namorado dela e seus amigos, todos membros da Frente Atletico, a maior torcida organizada do clube. Todos com ingresso para temporada há mais de 10 anos. Eles se reuniam numa espécie de pátio de um condomínio conversando e tomando seus tragos antes de entrar no estádio. No caso dos amigos da minha ‘guia’ uma garrafa de scotch em 5 pessoas com um refrigerante.

doblete

Lá eles conversam sobre o passado e o presente. Combinam os gritos e se vestem com camisas ‘antimadridistas’. Um usava além do cachecol do Aleti, um do Sporting Gijon, clube que enfrentaria o Real Madrid (e empatou em 0 x 0), no mesmo dia.

“Não mais vou aos clássicos com o Madrid”, dizia Laura. “Primeiro por ter que correr da polícia, pela violência e também porque sempre nos ganham e Raul, que odiamos por aqui, sempre marca.”

Depois de seca a garrafa de uísque da rapaziada, vamos para o campo. Cheio também. Oitenta porcento da lotação seguramente. E lá dentro, ao começar o jogo, vejo algo que ainda não tinha visto no futebol. Um protesto silencioso. Para reclamar da equipe, a torcida do Aleti comandada pela Frente Atletico simplesmente ficou calada todo o primeiro tempo. Um silêncio ensurdecedor, diria o antigo cronista. Parece um estádio vazio, mas com mais de 40 mil pessoas presentes. Apenas uma faixa com os dizeres:

‘Un club sin rumbo, és como una grada sin animación’.

Curiosamente, não teve gol no primeiro tempo. Teve sim um pênalti que acabou por expulsar um jogador do Mallorca. Forlan, que tem como grito da torcida para ele U-RU-GUAIO, bateu e… chutou para fora.

Aguero horrível. Forlan irreconhecível. Maxi Rodriguez apagado. Simão sem a inspiração de sempre e o primeiro tempo termina 0 x 0. Aliás, como um time que tem esses quatro jogadores não decola, não é mesmo?

Na volta, mais um pënalti, mais um jogador expulso e pronto: Forlan abre o placar na cobrança. Dois a menos no Mallorca. Agora vai.

E nada. Vai é ter pressão do Mallorca, com Webo e Borja Valero gigantes, correndo por 12. Tome vaias, é claro. Para o time, para o técnico interino, para a diretoria. Para todos. Alguns poucos, diga-se, abusam em comentários racistas, sobretudo para o brasileiro Cleber Santana, que entrou no segundo tempo. ‘Corre, negro’, ‘vamos, negro’, pipocavam aqui e ali por alguns poucos torcedores.

Outro brasileiro, Paulo Assunção, lançado no Palmeiras, este sim tem mais moral. Em tempos de crise, porém, todo mundo vai mal. E assim seguiu o jogo, que tinha mesmo cara de tragédia.

Um goleiro das divisões de base, inseguro, um time que já tinha colocado Reyes e Cleber Santana em campo e nem contra 9 podia marcar. Só poderia terminar como terminou. Um gol milagroso de Borja Valero aos 45 minutos, num frango do goleiro De Gea, que fez os 9 de Mallorca, metade com cãimbra, sair aplaudido do Calderón pela torcida rojiblanca.

O time terminou a rodada a uma posição acima da zona de rebaixamento. A torcida nas ruas protestou e a polícia teve que intervir depois. Mais um capítulo do drama que é ser torcedor do Atlético de Madrid.

É um time grande mas não ganha título algum desde 1995. O

estádio fica na Rua dos Melancólicos. O maior rival, da

mesma cidade, ganha tudo sempre, incusive deles. Tem coisas

que realmente só acontecem com… o Atletico de Madrid.

E mais uma delas aconteceu na tarde de sábado em que fui

conhecer o mitológico estádio Vicente Calderón, no sul da

capital espanhola, conhecido setor de operários da cidade,

para acompanhar Aleti (como eles dizem) contra o fraco

Mallorca.

Na semana que antecedeu a partida, o Aleti terminou a

rodada flertando com a zona de rebaixamento, perdeu de 4 do

Chelsea na quarta-feira pela Champions League e viu seu

treinador Abel ser demitido.

Assim cheguei ao Calderón. Um clima tenso e ao mesmo tempo

um ambiente completamente diferente do Santiago Bernabeu.

Torcedores com mais caras de torcedores. Parecia menos uma

ópera e mais um jogo de futebol. Lembrei mais do Brasil. Os

torcedores dizem que o Atletico é mais um sentimento do que

um time. E que os madrilenhos gostam de títulos, mas não se

importam ou sofrem pelo time como eles. Impossível não

simpatizar com a causa e com o sofrimento destes

torcedores. Os ‘underdogs’ sempre têm o seu charme.

No dia da partida mesmo, duas horas antes, comprei o

ingresso na bilheteria do estádio (para os muitos que me

escreveram pedindo dicas de como conseguir ingressos). De

lá, fui encontrar no ‘El Doblete’, bar que fica em volta do

estádio, Laura, espanhola rojiblanca fanática, que trabalha

na IBM em Madri, e mostraria um pouco do encanto de ser

Aleti.

Do Doblete, que tem esse nome em homenagem a temporada

95/96, quando o time ganhou a Liga e a Copa do Rei, fomos

encontrar o seu namorado e seus amigos, todos membros da

Frente Atletico, a maior torcida organizada do clube.

Ficavam muitos torcedores numa praça, conversando e tomando

seus tragos antes de entrar no estádio. No caso dos amigos

da minha ‘guia informal’ uma garrafa de scotch em 5 pessoas

ajudado por um refrigerante.

Lá eles conversam sobre o passado e o presente. Combinam os

gritos e vestem com camisas ‘antimadridistas’. Um usava

além do cachecol do Aleti, um do Sporting Gijon, clube que

enfrentaria o Real Madrid (e empatou em 0 x 0), no mesmo

dia.

“Não vou aos clássicos com o Madrid”, dizia Laura.

“Primeiro por ter que correr da polícia, pela violência e

também porque sempre nos ganham e Raul, que odiamos por

aqui, sempre marca.”

Depois de seca a garrafa de uísque da rapaziada, vamos para

o campo. Cheio também. Oitenta porcento da lotação

seguramente. E lá dentro, ao começar o jogo, vejo algo que

ainda não tinha visto no futebol. Um protesto silencioso.

Para reclamar da equipe, a torcida do Aleti, comandada pela

Frente Atletico, simplesmente ficou calada todo o primeiro

tempo. Um silêncio ensurdecedor, diria o antigo cronista.

Apenas uma faixa com os dizeres:

‘Un club sin rumbo, és como una grada sin animación’.

Curiosamente, não teve gol no primeiro tempo. Teve sim um

pênalti que acabou por expulsar um jogador do Mallorca.

Forlan, que tem como grito da torcida para ele U-RU-GUAIO,

bateu e… chutou para fora.

Aguero horrível. Forlan irreconhecível. Max Rodrigues

apagado. Simão sem a inspiração de sempre e o primeiro

tempo termina 0 x 0. Aliás, como um time que tem esses

quatro jogadores não decola, não é mesmo?

Na volta, mais um pënalti, mais um jogador expulso e

pronto: Forlan abre o placar na cobrança. Dois a menos no

Mallorca. Agora vai.

E nada. Vai é pressão do Mallorca, com Webo e Borja Valero

gigantes, correndo por 12. Tome vaias, é claro. Para o

time, para o técnico interino, para a diretoria. Para

todos. Alguns poucos, diga-se, abusam em comentários

racistas, sobretudo para o brasileiro Cleber Santana, que

entra no segndo tempo. ‘Corre, negro’, ‘vamos, negro’,

pipocam aqui e ali por alguns poucos torcedores.

Outro brasileiro, Paulo Assunção, lançado no Palmeiras,

este sim tem mais moral. Em tempos de crise, porém, todo

mundo vai mal. E assim seguiu o jogo, que tinha mesmo cara

de tragédia.

Um goleiro das divisões de base, inseguro, um time que já

tinha colocado Reyes e Clebes Santana em campo e nem contra

9 podia marcar. Só poderia terminar como terminou. Um gol

milagroso de Borja Valero aos 45 minutos, num frango do

goleiro De Gea, que fez os 9 de Mallorca, metade com

cãimbra, sair aplaudido do Calderón pela torcida

rojiblanca.

O time terminou a rodada a uma posição acima da zona de

rebaixamento. E a torcida nas ruas protestou e a polícia

teve que intervir depois. Mais um capítulo do drama que é

ser torcedor do Atletico de Madrid.

Autor: Mauricio Teixeira - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , ,

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18 comentários para “O drama de ser Atlético de Madrid”

  1. Santo Pecador disse:

    “Tem coisas que realmente só acontecem com… o Atlético de Madrid”. Cara, acho eu q vc nunca ouviu falar da Portuguesa. Vai ser torcedor da Lusa que ai vc vai saber o que significa essa frase.

  2. Pablo Pascual disse:

    Maurício, você relatou o perfeitamente o drama de ser rojiblanco. Meu avô nasceu na calle melancolicos, lá pelos idos de 1916. Acompanhou de muito perto os primeiros passos no Vicente Calderón, e o gene rojiblanco passou para meu pai anos depois, quando nasceu também em Manzanares. Infelizmente fui obrigado a herdar essa herança maldita. Não posso ver a camisa listrada vermelha e branca e os calções azuis que o coração já bate mais forte. Voltei ao brasil este ano, após algumas temporadas por lá, e minhas noites de quarta e domingo dos ultimos tempos foram regadas por noches champions e de liga. Aff, que luta. Que agonia. O Atlético, quando parece que vai, afunda. Fui obrigado a simpatizar com o Barça, porque parece ser o único “menino” da classe a encarar o valentão Real Madrid. Nos Derbys Madrileños, prefiro ir alugar um filme, porque já cansei de tomar sarrafo…
    Mas uma coisa você disse muito bem. O Real Madrid não tem torcida, tem turistas. Torcer para o Real Madrid é fácil. É farsa. Aposto que nem 10% dos bambis que frequentam o Santiago Bernabeo torcem pro Real. Quem tem torcida em Madrid é o Aleti. O resto é torcida de modinha. Aupa Aleti!!!

    • Mauricio Teixeira disse:

      Muito legal o seu relato, Pablo. Este post já valeu só por ele. Grande abraço. ‘Forza Aleti’

  3. amaro silva disse:

    Voce conseguiu retratar bem aquilo que vi e senti em Madrid.Apenas quero ressaltar que a forma pejorativa de tratar os estrangeiros nos e’ muito desfavoravel(coisa que se a FIFA tomasse de fato conhecimento,deveria levar a medidas de cotrole). Quando mudarem da rua das Amarguras pode ser que os Lamentos sejam vencidos e os adeptos realmente valorizados.

  4. andre disse:

    Caro Maurício achei que você estava falando do meu Atlético, o de MG que é na verdade o Atlético original porque os outros sempre foram de Goiânia , Paranaense, de Bilbao e de Madrid. Apesar de o de Madrid ser mais velho 5 anos que o Galo 1903 e 1908, nas décadas de 70,80 e 90 só se falava Atlético quando se referia ao Galo, depois com o declínio do Galo começou esta coisa de sobrenome.
    Mas estamos aí para voltar ao topo com muito trabalho e corte de sanguessugas que dilapidaram o Galo nos últimos 15 anos. Gostei da definição que os torcedores rojiblancos deram dos torcedores do Real , são oportunistas e da modinha enquanto nosotros somos apaixonados, igualzinho aqui no Brasil torcedores de SP e Cruzeiro são da modinha e se o time vai mal não vão nem 1000 torcedores ao estádio. Enquanto torcida apaixonada como a dos Atléticos de Madrid e MG lotam estádios para ver lançamento do novo uniforme infantil/feminino quanto mais para uma partida do time principal.
    Amor por time não tem nada a ver com títulos e sim com tipo de torcida, a do Corinthians cresceu no jejum de vinte e tantos anos até a década de 70 sair da fila, vejam quanta criança na torcida do Galo, mulheres , famílias inteiras e isso prova que papar títulos pode até aumentar torcidas mas não aumenta nunca a fidelidade e o amor que são característicos de alguns clubes. Semelhanças à parte, espero que o Galo que agora tem estrutura de 1º mundo, salários em dia, elenco bem razoável e comando possa voltar a ganhar títulos e deixar para trás uma fase ruim que agora termina.

    • Anônimo disse:

      Muitas semelhanças entre o Atlético de Madrid e o Patético Mineiro, a começar dos rivais. Muitas semelhanças entre Real Madrid e Cruzeiro. Os dois atléticos são times de raros títulos (o mineiro na verdade só te um – aquele de 71, ou seja, há quase 40 anos) Que mediocridade.

  5. Celão Gambini disse:

    Comentário completamente infeliz do José Santo aí… e ainda querem que o Brasil seja um país de 1º mundo com pessoas deste tipo… lamentável!

    • Mauricio Teixeira disse:

      Deletei o comentário, Celão. Racista aqui não se cria. Um grande abraço, Mauricio

  6. [...] fica na Rua dos Melancólicos. O maior rival, da mesma cidade, ganha tudo sempre, fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]

  7. Pedro Mota disse:

    Futre ganhou apenas uma taça no Atlético,mas ainda hoje é o idolo daquele pessoal todo..Convem não esquecer do grande caminero…

  8. É como ser torcedor do São Bento aqui de sorocaba, ou talvez no futuro de algum time carioca, destes que rondam sempre o rebaixamento rsrsrs.
    Mas muito legal, queria eu poder vivenciar o clima de um jogo desse calibre. Abraços e belo Blog!

  9. [...] fica na Rua dos Melancólicos. O maior rival, da mesma cidade, ganha tudo sempre, fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]

  10. ANTONIO CARLOS disse:

    O jogo de Presidente Prudente é um caso de atentado ao bem estar da saúde humana, não podem marcar jogo de futebol em um calor de tamanha intensidade.
    Parabéns aos atletas!
    Agora, como palmeirense fica difícil acreditar que o Marquinhos ainda tenha oportunidade nesse time com o Saconi no banco. É lamentável esse goroto é muito ruim.

  11. Fernando disse:

    Que tal chavales… Bem, sou torcedor do Real… vivi em Madrid durante um ano e frequentava o Santiago… Fui a um derby madrileño…temporada 06/07… Um jogo horrível, que terminou com um empate 1 a 1 (Raúl e Aguero)… Como o pessoal comentou, a torcida merengue é chata pra kct… só aplaudem ou vaiam, tudo na maior educaçao… No jogo que fui, os colchoneros cantaram o jogo todo, pareciam argentinos do Boca ou do River… Detalhe, eles estavam em 4 mil pessoas contra quase 80 mil merengues… bem, espero que eles façam uma boa temporada, pq time os caras têm pô… Postagem sobre o Aleti de putísima madre… Grande abrazo…

  12. Legal essa história do Atletico de Madrid. E o Simeone era um ser odioso. Apesar de violento, tinha uma certa habilidade e boa visão de jogo. Mas dava raiva de ver aquele cara em campo, tanto quanto Gattuso, Matterazzi e outros trogloditas.

  13. Bruce disse:

    O Atlético está completamente apagado perto do Real Madrid.

  14. Matheus disse:

    mesmo o aleti nessa situaçao amo muito ele, apesar de ser um brasileiro tenho sangue atleticano

  15. Matheus disse:

    mesmo o Aleti nesta situaçao amo muito ele
    apesar de ser brasileiro tenho sangue atleticano
    no video game so jogo com ele

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