Fulham FC em turnê pela Europa
- Esta é uma temporada e tanto na vida do Fulham FC. O time do oeste de Londres está disputando pela segunda vez na história a Liga Europa, antiga Copa da UEFA, ou a segunda divisão da Europa, e lidera o grupo E da competição.
- O Fulham não tem nenhuma liga inglesa. Nenhuma FA Cup. Muito menos honras europeias. Tem o nome, não do time, mas do bairro. O bairro onde fica o (agora) poderoso Chelsea chama-se Fulham. Stamford Bridge, pomposo e com capacidade para 42 mil pagantes, fica a apenas 20 minutos andando a pé de Craven Cottage, o modesto mas charmoso palco dos Whites.

- Corta para o jogo da noite. De um lado, o Fulham, a poucos dias de encarar a Roma pela primeira vez na vida, em casa, pela Liga Europeia. Do outro, o Hull City, um clube que apesar de centenário, consegue ser menor ainda. Os dois times em posições desconfortáveis na tabela, apesar da liga ter apenas 9 rodadas incompletas.
- Craven Cottage lotado, inclusive a parte grande e sem separação da torcida do Hull City, visitante. Vinte e cinco mil pessoas no total, que é o máximo possível neste humilde palco londrino. Humilde mesmo, diga-se. Vários lugares onde não se vê direito o jogo. Na minha frente, atrás do gol, uma coluna que sustenta o teto da arquibancada – sim, é tudo coberto, não me deixava ver (foto) boa parte das poucas vezes que Giovanni, o craque brasileiro do Hull City, tocou na bola.
- O gramado termina na arquibancada como nenhum outro. Gandulas sequer trabalham pois todas as vezes que a bola sai do gramado, cai na arquibancada. E os jogadores, locais ou visitantes, ficam pacientemente esperando que o torcedor devolva a bola para o campo. A bola não é arremessada, que fique claro, mas sim passada da mão do torcedor para o lateral.
- Outra pausa para um detalhe do estádio. Uns dias antes do jogo, fui até lá conhecer e pegar meu ingresso. Na porta do estádio, cometi a gafe de perguntar onde era o próprio estádio. Os portões são tão baixos e as arquibancadas tão discretas, combinando com a paisagem do bairro, que realmente dá para confundir. ‘Fica aqui’, me disse o paciente senhor.
- O jogo começa e a rivalidade já fica clara. Não com o Hull, mas com o Chelsea. Sabe quando Coxa e Atlético ou São Paulo e Corinthians se xingam mesmo quando não se enfrentam? Exatamente a mesma coisa. O principal grito da arquibancada diz que eu sou Fulham e f… Chelsea’.
- O Fulham tem Damien Duff, lembram? Ex-Chelsea, um irlandês driblador, habilidoso. Foi dele a jogada do primeiro gol, de Bobby Zamora.
- No mais, jogo feio, com Giovanni longe dos atacantes, e com o grandalhão norueguês Brade Hangeland (1,96m) do time da casa, errando todos os passes.
- Emoção, mais no segundo tempo. Primeiro pelo segundo gol, do franco-senegalês Kamara. Depois pela grande história do jogo: a entrada de Jimmy Bullard na segunda metade da etapa final.
- Bullard não passou em branco no Fulham. Marcou gols importantes, quase todos livrando o time do rebaixamento. Chegou a ser chamado por um treinador de ‘as melhores 2 milhões libras que eu já gastei na minha vida’. Teve também uma contusão no joelho que o deixou mais de um ano parado. Voltou jogando muito e, numa decisão controversa, deixou o clube para ser vendido por 5 milhões de libras para o Hull City. Chegou lá e…. mais 9 meses fora do futebol, com contusão no MESMO joelho. Praticamente um Ronaldo sem ‘aquela coisa toda’.
- Adivinha o primeiro jogo de Jimmy Bullard em sua volta a Premier League? Voilá… contra o Fulham, ontem, com a presença ao vivo deste blogueiro. O cara fica quase dois anos sem jogar na carreira, imagina-se que vai haver compaixão, amizade.
- Arrã.
- Bullard não só ouviu a maior vaia da história deste estádio cada vez que pegava na bola, como teve um recorde de 10 canções diferentes contra ele. A criatividade não tinha limites. Cantaram desde ‘Jimmy, como vai esse joelho? até ‘não existe maior bastardo ganacioso’. O canto mais legal era o trocadilho com a frase do técnico que dizia que ele era o dinheiro mais bem gasto que já teve. Os torcedores diziam que Bullard era o maior desperdício de dinheiro da história do futebol. Tudo rimando e com música, de preferência Yellow Submarine dos Beatles, Guantanamera, Volare e Seven Nation Army do White Stripes, é claro.
- Bullard tomou a maior vaia da sua vida, uma ombrada de Kamara que o fez voar longe no primeiro lance, perdeu de 2 x 0, ouviu mais de 10 canções contra ele, bateu uma falta que o Guardian narrou como ‘motivo para dar risada no bar depois’ e ainda assistiu ao seu ex-Fulham, sem alguns titulares, encerrar o jogo com um olé que durou quase 3 minutos.
- O Fulham e seus torcedores sarcásticos enfrentam a Roma no que estão chamando de turnê europeia nesta quinta em Craven Cottage. Jimmy Bullard vai assistir de casa mesmo.

O Fulham é o 5º ou 6º time de Londres, na primeira divisão.
Como pode Londres ter tantos times assim, com torcidas fanáticas e comparecem e enchem constantemente os seus estádios. É um fenômeno.
Vejam o caso de São Paulo, que tem 3 times na primeira divisão, um na segunda e um, o Juventus, que nem sei onde se encontra agora (os dois últimos nunca enchem seus pequenos estádios). No entanto, só os três maiores têm torcida e estádios.
Será, então, que o Londrino gosta mais de futebol que o Paulistano? Ou a dificuldade é a financeira de sempre?
Eh polemico, Roberto. Mas eu acho que o inglês e o alemão gostam mais de futebol que o brasileiro. E não tem nada a ver com poder aquisitivo. Já jogar.. bem, jogar o brasileiro, o argentino e o italiano jogam bem melhor.
muito legal toda a história… por isso q o futebol é sensacional…
o Fulham FC é meu time de coração na Inglaterra e sempre irei admira-lo!!!!!!!!!
Digam o que disserem o futebol na inglaterra é vivido como em mais nenhum local do mundo..É a terra do futebol..
linda historia e olha q o fulham ficou mais de 30 anos sem disputar a premier league.
inglaterra é menor q sao paulo…imagine em sao paulo (um pais) o nacional da comendador souza seria um time tradicional e bem em frente 2 cts de treinamento….talvez se sao paulo fosse um pais os times daqui seriam mto mais fortes pq teriamos um g4 tbm…brigando ponto a ponto..
se a inglaterra fosse um estado de algum pais….mtos times q jogam a premier nem na primeira divisao do brasil estaria….os hull city, birmingham, blackburn e bolton e mto outros estariam na serie b…só q pelo tamanho de seu pais…eles chegam até ser mais ricos do q os times do brasil….
verdade, Claudio
Estive neste estádio assistindo Fulham e Charlton em 2006. Se parece muito com fazendinha ou até com a estação da Luz ( afinal nossa ferrovia é inglesa ). A diferença é a organização. Logo na entrada pude comprar por 1 libra um livrinho com os dados de ambos os times, com excelente qualidade de impressão gráfica. Veja bem, ambos os times. Mesmo sendo mandante os times dão importância aos rivais. Fora o acesso. Para entrar no estádio não havia fila, mesmo a entrada sendo por um portão muito pequeno ( menor que os laterais do Pacaembú ). Assisti no mesmo local mas um pouco à esquerda, tive sorte de não ter essa viga na minha frente.
Que saudades
Muito legal a experiëncia sua tambem, David. abs
[...] está disputando pela segunda vez na história a Liga Europa, antiga Copa da. fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
Mauricio,
Parabéns pelo post, para mim um dos melhores da história do blog. Só gostaria de acrescentar com relação ao fato de os times menores europeus terem muitos torcedores é que na Europa geralmente os torcedores de uma cidade ou região torcem unica e exclusivamente pelos times desses locais, independente do seu tamanho e importância.
Morei em uma cidade de 100.000 habitantes na Alemanha e o time da cidade estava na 3a divisao do Camp. Alemao, mas mesmo assim boa parte das pessoas que eu conheci que eram originárias da cidade torciam para o time. Apenas alguns poucos torciam para o Stuttgart, o time geograficamente mais próximo entre os grandes.