Um ogro bebendo o champagne mais caro do mundo

Vamos conversar sobre champagne. Não sou um especialista, e além do mais não sei onde estava com a cabeça quando concordei em participar de uma degustação de três Perrier Jouët, o champagne mais caro do mundo, mas fui. E logo eu, um ogro (fofo, como já escreveram aqui, mas mesmo assim ogro) acostumado com o paladar forte das cervejas belgas e das cachaças mineiras, mas a assessora garantiu: “Você vai virar um especialista em champagne agora”. Não me tornei, claro, mas a noite foi bem agradável.
A anfitriã da degustação foi a enóloga francesa Agnès Laplanche, executiva de Perrier-Jouët, que se divertiu entre o inglês e o espanhol contando a história do champagne, que começa de forma bastante romântica em 1811: o casamento de Pierre-Nicolas-Marie-Perrier, um manufatureiro de rolhas, com Adéle Jouët na cidade de Epernay, região de Champagne, na França. O nome Perrier lhe diz alguma coisa, certo? Nunca bebi a água, só para constar.
O champagne, pra quem não sabe, é um vinho branco espumante (as bolinhas, as bolinhas), e só os produzidos na região de Champagne, na França, são denominados como tal. Seguindo a rigorosa Denominação de Origem Controlada francesa, qualquer vinho semelhante, mesmo produzido pelo método “champanhês” em outros locais só pode ser apresentado como “espumante”. A região totaliza 32 mil hectares que guardam algumas das maiores marcas do mundo, dentre elas, a Perrier Jouet.

Laplanche nos apresentou na seqüência os três Perrier Jouet que retornam ao mercado brasileiro após um tempo de ausência. Abrimos a noite com um Grand Brut, de estrutura Pinot Noir com um toque final de Chardonnay. Depois de engarrafada, o champagne fica três anos em uma adega subterrânea. Agnès Laplanche ressaltou que nenhum dos Perrier Jouet é envelhecido em madeira. A marca busca uma leveza que visa conquistar o paladar feminino, e a vinificação é feita em modernos tanques de aço inoxidável.
Das três marcas, o Grand Brut foi a que mais me lembrou a memória afetiva que tenho sobre champagne. Sua leveza e maciez são inquestionáveis, mas há uma pontadinha de acidez, algo meio apimentado, que faz com que a bebida se apresente logo, o que dá um frescor especial. Ótimo. A seguir, um Perrier Jouet Rose totalmente feminino. Pela cor rosa (o Grand Brut é dourado), por seu sabor adocicado e por não causar nenhum amargor. Chega a lembrar vinho, e as meninas devem beber como água.
Para fechar, um dourado Perrier Jouët Belle Epoque, grande destaque da casa. Ele é envelhecido por oito anos com uvas de safras consideradas excepcionais e é composto por Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier. Me pareceu o mais encorpado, o mais denso e o mais frutado dos três, com toques finais que lembravam a nozes e café. A mesa se dividiu entre o Grand Brut e o Belle Epoque, mas esse último saiu vitorioso após mais uma rodada.

Já meio alegre, e com a taça novamente cheia de Grand Brut, eu buscava no pensamento uma frase de um conto das “Comédias da Vida Privada”, do Luis Fernando Veríssimo, que foi usada no primeiro episódio da adaptação do livro para a TV. Era uma cena em que o personagem de Tony Ramos preparava a noite para conquistar sua dama (Deborah Bloch) calculando cada passo. Inclusive a frase que ele iria dizer quando ela comentasse: “As bolinhas do champagne fazem cócegas no meu nariz”. Se você viu o episódio, sabe.
Também me lembrava da história de um navio que levava champagne francesa para a corte da Rússia, e afundou na costa da Finlândia em 1907, sendo encontrado 90 anos depois. 200 garrafas foram retiradas do fundo do oceano por mergulhadores após esse “envelhecimento especial”, e uma delas custa atualmente US$ 275 mil. Os Perrier Jouët, por sua vez, chegam ao mercado brasileiro custando em média respectivamente R$ 220 (Grand Brut), R$ 240 (Rose) e R$ 650 (Belle Epoque).
No fim das contas, nem me senti tão ogro assim. O Perrier Jouët desceu muito bem e a “aula/noite” foi bastante interessante. Não que eu vá trocar a cerveja pelo champagne no dia-a-dia, mas cada bebida tem seu momento especial, e é indiscutível que o champagne é “a” bebida das comemorações, das datas especiais. E como o champagne é, por natureza, uma bebida feminina (vencedores de F1, me desculpem), nada melhor do que desfrutá-lo em um momento especial a dois, certo. Recomendamos.

Texto – Marcelo Costa, o Mac, 39 anos. Editor do Scream & Yell. Começou com Keep Coller no colégio e passou pela fase Jack Daniels (pura, sem gelo) e do Hi-Fi (com Fanta Laranja) até se apaixonar por cachaças. Hoje em dia, socialmente, vai de caipirinha (de abacaxi ou morango), cervejas (as belgas são sensacionais) e Fanta Uva. Não bebe água, prefere coca-cola (de garrafa, 290ml).
Fotos – Gerardo Lazzari / Divulgação


pelo menos vc foi sincero..parabéns pela honestidade..
vinhos, no caso os espumantes estão incluídos (champagne é espumante), sáo vários, tem para todos os gostos e ocasiões, e vc já deu o primeiro passo para ser um enófilo de primeira..e pela sinceridade, nao será um enochato..
matéria de champagne
Nada ogro! Descreveu os champagnes como um bom enólogo e me fez sentir o aroma…Adorei!
Silvia
Os champanhas, não é?
Experimente também os espumantes brasileiros feitos com a uva moscatel, não devem nada a ninguém.
E concordo com voce nas cervejas, as belgas são demais.
Por isso que eu só fico na 51.
Boa tarde!
Adorei a matéria, até fiquei com vontade de experimentar…rs
Parabéns…
(OBS. não achei que você é ogro.)
envie uma garrafa, daquela mais cara, por exemplo, para poder dizer se concordamos….(ra,…ra,….ra,…..)
Fecho contigo em duas bebidas, Keep Coller(de pêssego) e Fanta Uva. Huuummmm. Que coisa boa.
Ninguém de fato, nem champanha, nem quarqué bebida mata a verdadeira caninha Arara; caninha 51 do Brasil, bem como o saudoso “Velho Barreiro”. Cerveja bela? que nada, o negócio é uma Cristalzinha do Brasil ….aeeee galera…abraço para quem gosta disso, afinal nóis vive no Brasil !! :^D
Concordo com vccom relação às cachaças. As caseiras de Paraibuna – interior de SP são show.
Caso seja convidado para um outro encontro como esse, pergunte se pode levar um amigo. Eu sou seu amigo de longas datas……..(rs…..rs….rs….), OK?
Deu ate vontade. Em breve vou a Paris, qto sera que custa por la?
OGRO NADA! SENSIBILIDADE SUFICIENTE PARA DESCREVER TODAS AS SENSAÇÕES DE CADA GARRAFA DEGUSTADA……Q INVEJA….
Um ogro bebendo o champanha é melhor que o champagne.
Por que “champagne francesa”? Não é o champagne? Hã?!
VC ESTIVER PENSANDO PRESENTEAR ALGUÉM C/ ESTA CHAMPAGNE , VERIFIQUE PRIMEIRO SE A PESSOA TEM NOÇÃO DO QUE VAI RECEBER, CASO CONTRÁRIO, DE UM SALTON QUE DÁ NO MESMO E SAI MAIS BARATO.
ogro uma ova, biriteiro,isso sim!
É isso mesmo sr. Edson, digo que presentear algúem com um bom vinho sem que esse entenda do assunto, é a mesma coisa que presentear com um bom livro se o cara é analfabeto.
Achei a matéria maravilhosa, e vc se saiu muito bem, parabéns, e ogros são alguns enochatos que fizeram comentários nada agradáveis aí em cima, pessoas sem classe, um abraço.
Ou você andou lendo alguns livrinhos sobre degustação de vinhos ou anda escondendo o jogo e estuda o assunto há muito tempo. Um ogro que gosta apenas de cerveja e de cachaça não teria estofo para fazer estes comentários, porque as sensações despertadas por estes três tipos de bebida são muuuito diferentes, né meu caro ogro?
Nooossaa!!!
Minha vida mudou depois desta matéria.
Quanta informação importante!