
Por Caio Teixeira, de Los Angeles
Conseguir entrevistar o designer (ou seria um “pensador”?) Peter Molyneux foi uma das coisas mais inesperadas que me aconteceram nesta E3 – e acreditem, algumas outras também já passaram, mas isso é uma outra conversa. O mais interessante é que, ao contrário de vários colegas, eu gostei do cara. Uma fala mansa, paciente e curioso ele foi uma das pouquíssimas pessoas da indústria que realmente me deixou à vontade para uma entrevista durante essa E3.
“Você estava na coletiva da Sony?”, Molyneux me perguntou assim que cheguei à sala, e logo após minha afirmativa ele quis saber como havia sido. “Bom, eles mostraram grandes jogos, investiram bastante no 3D e no Move… Além de alfinetarem o tempo todo a Microsoft, principalmente com a aparição do Kevin Butler”, respondi, sendo que na parte final eu já estava rindo sozinho lembrando das piadas infantis, mas não menos engraçadas, feitas pelo garoto-propaganda, “mas isso é tão triste, não sei porque eles fazem isso”, Molyneux respondeu com pesar real. Após mais alguns minutos e bate-papo sobre os games da Sony, o designer começou a demonstração de Fable III.
Molyneux começou fazendo mea culpa, afirmando que ele e sua equipe sabiam de todos os erros que haviam cometido nos outros títulos da série, “mas acredito que desta vez nós acertamos”, dando um sorriso maroto. É preciso lembrar que essa é a típica frase que se espera do designer, sempre tentando deixar seus games mais magnânimos a todo o custo – se são ou não aí vai do gosto do usuário -, mesmo que para isso precise afirmar que seus próprios jogos mais antigos estavam “errados”.

Peter Molyneux, um otimista
O novo game da série dará ênfase para o poder que o jogador ganhará ao se tornar um rei, o que deve acontecer lá pela metade do título. E na posição de governante é que Molyneux acredita estar o trunfo de seu jogo. “Você acabará com seu inimigo na metade do jogo, mas acho que é a partir daí que Fable III realmente se torna um jogo único, afinal, quantos filmes, jogos ou livros você já viu continuarem a contar sua história após o ‘mocinho’ acertar as contas?”. Para o designer, o jogador sente falta desse poder que, segundo ele, nunca foi concedido antes nos games. Molyneux acha que assim que o usuário sentir o poder – político e físico – fluindo de suas mãos e ter de decidir sobre o destino dos cidadãos de seu reino, quando ele perceber que suas decisões, as sérias e os caprichos, farão diferença no seu mundo e ficar em dúvida, é aí que Fable III terá cumprido seu papel.
Com gráficos retocados, interações entre os personagens melhoradas – “nesse quesito preciso afirmar que roubei uma mecânica que conheci no game ICO”, admitiu, enquanto o personagem principal agarrava a mão de outro e o arrastava pelo cenário – e o já conhecido companheiro canino do jogador, Fable III realmente parece um game acima da média. Mas qual game que Molyneux já fez que, a primeira vista, não parecia a nova maravilha humana? Não tem jeito, ter expectativas sobre a série de games do designer é sempre desaconselhável.
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Saindo da sala de reunião eu lembrei de uma última pergunta e voltei correndo para falar com Molyneux, que prontamente sorriu e falou que já sabia o que eu iria perguntar. Fui em frente, “ok, o Fable III contará com a funcionalidade do Kinect?”, ele sorriu e respondeu um vago, “olhe, eu amo o Fable e estou extremamente maravilhado com o Kinect… Acho que é só você ligar os pontos”, então olhou para o assessor de imprensa da Microsoft, que já estava com uma cara de “vai dar me%$#”, e falou para o rapaz: “Fique calmo, vai, eu não falei nada demais!” e deu outro sorriso todo pimpão para mim. Cara gente boa.
Ou não…