Quinta edição de Video Games Live no Brasil manteve fórmula mas trouxe novidades

Uma celebração da cultura do videogame e sua pluralidade sonora e visual. Essa é uma boa definição para o espetáculo Video Games Live, que pelo quinto ano consecutivo trouxe o melhor da música” videogamística” ao público brasileiro. Nenhum outro país do mundo conquistou tal privilégio, fato que o carismático compositor e idealizador do evento Tommy Tallarico fez questão de destacar entre uma gracinha ou outra no palco.
As apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro nos dias 8 e 10 de outubro, respectivamente, atraindo o mesmo público empolgado e apaixonado das edições anteriores.
A fórmula do show continua a mesma que o consagrou em sua primeira edição no País, em 2006: concurso de cosplay, interatividade com o público, medleys e temas de franquias famosas (tocadas com louvor por 43 músicos da Orquestra Sinfônica Villa-Lobos), vídeos bem humorados e a genial barrinha de “loading” que divide os dois atos do concerto.
Apesar das reciclagens, as novidades foram suficientes para dar uma sensação de ineditismo ao espetáculo: além das sequências de Assassin’s Creed II (com a belíssima voz da cantora lírica Laurie Robinson, esposa do músico e amigo de Tallarico, Emmanuel Fratianni, que regeu a orquestra neste ano), Bioshock e Portal, novas para o público brasileiro, e diversos convidados especiais levaram o público ao delírio.
Martin Leung, o conhecido “videogame pianist”, surpreendeu novamente a todos com seis minutos de um arranjo inédito em piano de Top Gear, criado exclusivamente para esta edição do VGL. E claro, tocou Super Mario Bros. de olhos vendados, recebendo a maior ovação da plateia.
Gerald Marino, o compositor de God of War, subiu ao palco para reger a orquestra durante uma breve porém impactante sequência do jogo protagonizado pelo espartano mais famoso dos games, Kratos.
Muito mais enaltecido por Tallarico e aplaudido pelo público foi o compositor de Silent Hill, Akira Yamaoka, que apesar da timidez e da enorme dificuldade para falar em inglês, contagiou a plateia ao tocar uma de suas músicas mais famosas, Theme of Laura, de Silent Hill 2.
A empolgação se multiplicou quando Tallarico e Yamaoka dividiram o palco, juntamente com a orquestra e coral, em uma grandiosa sequência de One Winged Angel, a sempre requisitada música do vilão Sephiroth de Final Fantasy VII, enquanto o telão exibia imagens despretensiosas de cosplays dos personagens do jogo.
Completando um segundo ato totalmente “rock and roll”, em contrapartida ao primeiro ato mais contemplativo, Tallarico apresentou o novíssimo medley de Street Fighter, tocado pela primeira vez na história do evento. Com uma roupa espalhafatosa e beirando o ridículo, o showman corria loucamente pelo palco, tirando acordes estridentes de sua guitarra colorida.
Feito sob medida para o público brasileiro, esta edição do VGL foi marcada por grandes surpresas, ainda que tenha reciclado boa parte das passagens antigas. O gosto e fidelidade do público pelo espetáculo (o Blu-Ray do show, que custava R$ 60, era um dos itens mais vendidos no estande de produtos oficiais) e o reconhecimento dos organizadores deste fato é a garantia de muito mais edições de VGL no Brasil.