
Durante os dois dias de Brasil Game Show, o Arena Turbo conversou com muitas figuras importantes para o mercado de jogos nacional.
Um deles foi Erik Bladinieres, Diretor Regional da Konami para a América do Sul, que, em uma longa entrevista, revelou mais detalhes sobre a localização total de Pro Evolution Soccer, os planos da Konami no País e ainda um pouco do panorama atual da industria de games brasileira.
iG: Por que o lançamento do Pro Evolution Soccer demorou tanto no Brasil? A localização, a tradução, a narração, tiveram algo a ver com o atraso?
Erik Bladinieres: Não, o problema foi a importação. O lançamento em toda a América Latina estava planejado para sair ao mesmo tempo e no Brasil saiu depois por estas complicações. Estava tudo planejado para que saísse no mesmo dia dos Estados Unidos. Mas as coisas são muito complicadas aqui no Brasil.
iG: Como foi feita a escolha dos profissionais que trabalharam na versão brasileira, Mauro Beting e do Sílvio Luis, como vocês escolheram os dois para fazer parte do Pro Evolution?
Erik Bladinieres: Nós fizemos uma pesquisa, há um ano aproximadamente, e em todas as pesquisas Sílvio Luis saía como o melhor e mais querido no Brasil para fazer a voz em Pro Evolution Soccer.
iG: Então foi uma escolha popular? Porque aqui no Brasil existem até nomes um pouco mais populares como Galvão Bueno, Cléber Machado…
Erik Bladinieres: Há vários, como você disse. [Existem] Aproximadamente, oito nomes de pessoas muito importantes no mundo do futebol e Sílvio Luís sempre foi o número um. Quanto aos outros, nós discutimos e, para fazer este equilíbrio, nós decidimos que a melhor combinação era com Mauro Beting. Além disso, eles se gostam muito e isso também era muito importante porque eles estarão juntos em Pro Evolution Soccer por vários anos.
iG: Então eles já estão com um contrato que vale por mais alguns anos?
Erik Bladinieres: Normalmente são três anos, (pois) nós fazemos questão para que haja um segmento formal por este período, mas se funcionar pode se estender por mais anos.
iG: Eu gostaria de saber o que aconteceu com a seleção Brasileira (cujo uniforme não foi licenciado)?
Erik Bladinieres: Nós, claramente, queremos ter mais licenças, ter todos os clubes e todos os jogadores, mas (temos de ir) pouco a pouco. Há cinco anos, você não poderia sequer ver o jogo em português, e tudo era para a Europa ou para o Japão. Mas há dois ou três anos, começamos a fazer investimentos no Brasil. Nós temos que ir vendo como o mercado responde, como recebem todos os investimentos que estamos fazendo e talvez algum dia poderemos resolver isto.
iG: A negociação das licenças dos clubes aqui no Brasil dificultou o processo de trazer alguns times para a Liberadores?
Erik Bladinieres: Quase todos os clubes estão abertos para negociações, mas nós não tivemos muito contato com eles. Nós sabemos que alguns querem ser parte do Pro Evolution Soccer, mas o que nós temos agora, estão pela Copa Libertadores. A negociação foi direta com a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) e eles conversaram diretamente com as equipes. Então nós não fizemos nada direto com Corinthians, ou com o Internacional, que estão no PES.
iG: Nós podemos esperar ações deste tipo, focada em outros lançamentos aqui no Brasil? Em séries que fazem sucesso por aqui?
Erik Bladinieres: Sim, seguramente. O Brasil é agora o mercado mais importante da América Latina para a Konami. Há alguns anos atrás, o México era o número um. E em 2010, o Brasil já se tornou o número um na América Latina, para a Konami. Nós estamos focando muitos recursos e investimentos no País.
iG: Para vocês, quais são as maiores motivações e as maiores dificuldades de trabalhar no Brasil?
Erik Bladinieres: Vocês têm um mercado muito grande, economicamente falando, mas também um mercado muito importante de consumidores, (já) que eles são muito profissionais, sabem muito e gostam muito de todos os videogames. São o que nós chamamos de Core Gamers e eles são muito bons. Tão bons quanto qualquer um da Europa, Japão ou Estados Unidos.
Uma dificuldade real são os impostos. Os impostos no Brasil são muito, muito grandes e isso sempre é um problema porque os impostos não vão nem para Konami e nem para o consumidor, os impostos estão aí para o governo e desafortunadamente quanto maiores os impostos, mais caros são os jogos e mais difícil é para o jogador comprar o game original. Todas as impressões do que fazemos saem do mercado formal e o mercado formal está sendo muito afetado pelos enormes impostos.
iG: Existe algum interesse do governo em apoiar a indústria de videogames aqui no Brasil?
Erik Bladinieres: Diretamente não temos contato com o governo, mas muitas empresas locais, como a NC Games, UZ Games, a Sony, estão tratando de negociar com o governo brasileiro e estão tentando explicar a importância de que se eles (o governo) baixarem os impostos, os preços serão mais competitivos e com isso o mercado será maior, o que, eventualmente, irá gerar mais negócios, vai fazer crescer toda a economia dos videogames e irá gerar mais impostos para o governo e irá gerar muitos empregos, mais trabalho para todos.
iG: Existe alguma característica que torne o mercado brasileiro diferente dos outros, que atraia tanto a atenção para nós, além do enorme público que nós possuímos?
Erik Bladinieres: Sim, a característica principal é que hoje o Brasil está por cima em nível mundial, é uma economia que está crescendo muito, vocês irão ter um crescimento muito grande nos próximos cinco anos e isto é bom para todas as indústrias, não somente para videogames. Esta combinação de uma boa economia com o crescimento que o País vai ter, e com estes consumidores muitos profissionais e ávidos, que querem sempre ter e saber mais sobre os videogames é uma combinação perfeita para que nós possamos vir e fazer investimentos no Brasil.
iG: O que nós podemos esperar da Konami em 2011?
Erik Bladinieres: Pode esperar muito (risos). No ano passado, aqui na Brasil Game Show, em uma entrevista alguém fez a mesma pergunta, “o que podemos esperar da Konami em 2010?” e eu disse a mesma coisa, vocês podem esperar muitas coisas e hoje, um ano depois, vocês tem um jogo 100% feito para o Brasil. A Konami é uma companhia que está em mais de 50 países do mundo e este foi um investimento específico para o Brasil. É incontestável a importância do Brasil para a Konami. Neste próximo ano, não sabemos, temos muitas coisas boas em mente, não sei exatamente, mas posso dizer que vamos fazer muitos investimentos, (por exemplo) agora está começando o programa do clube VIP de Pro Evolution Soccer.