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sexta-feira, 4 de março de 2011 Feiras, GDC, vídeo | 13:11

Pac-Man e a resistência de um fenômeno cultural ao tempo

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Criador do clássico dos fliperamas quis atrair todos os públicos pela simplicidade

por Pedro Giglio, enviado especial a San Francisco

Há 30 anos, Toru Iwatani lançou um jogo estrelado por um dos personagens mais icônicos dos videogames: Pac-Man. Além de destruir os bolsos dos frequentadores de fliperamas, saiu para uma variedade de sistemas caseiros – sem contar todo o material licenciado. Bonequinhos, fantoches, lancheiras, mochilas, e até mesmo um desenho animado que atingiu a marca de 56% de audiência na época.

Durante a programação especial de postmortems da GDC 2011, Iwatani comentou as origens do personagem, curiosidades e o que ele tem feito nos últimos anos.

Deixando os fliperamas mais “cheirosinhos”

“Talvez os jogadores mais novos não conheçam, então deixem-me mostrá-lo”, brincou o palestrante antes de entrar em detalhes da nobilíssima motivação que o levou a criar este clássico: “Os arcades eram o playground dos garotos. Então era sujo e malcheiroso. Atraindo as mulheres, isto tornaria-o limpo e perfumado.”

Tem como argumentar contra uma lógica destas? E tem mais de onde veio essa: “O design do conceito é simples. Torne as regras as mais simples possíveis – apenas o joystick é necessário. Você entende o básico só de olhar!”.

Outra maneira que ele imaginou para atrair o público feminino foi criar um jogo sobre comida, afirmando a predileção das mesmas por sobremesas (“a minha é deste tamanho”, gesticulou), e criando inimigos de visual bonitinho. Ele queria algo que não assustasse as mulheres, que fossem antagonistas como Tom foi para Jerry.

Funcionou!

Inky, Blinky, Pinky e Clyde, o quarteto de fantasmas coloridos, são tão reconhecíveis quanto Pac-Man.

Detalhes que fazem a diferença

Há um bocado de características do Pac-Man original que não são tão óbvias ao jogador, mas que Iwatani esclareceu. Cada um dos quatro fantasmas tem sua própria personalidade – e não é só com o visual de cores vivas e visual engraçadinho. Afinal, se todos simplesmente o perseguissem como o vermelho, ficaria chato só fugir deles, não?

Algoritmos fazem com que eles se comportem de maneira diferente no labirinto. O vermelho persegue Pac-Man constantemente; o rosa fica a 32 pixels de distância da boca do personagem; o azul fica no lugar exatamente oposto da tela, de forma simétrica; por fim, o laranja se move de forma aleatória.

Iwatani mostrou uma ficha medindo a velocidade à medida que o jogador continua jogando bem; se ele morre, o jogo volta mais fácil do que estava naquele momento. E por falar na morte do Pac-Man, esta palestra marca a primeira vez em que ele mostrou a ilustração conceitual da animação de derrota ao público.

Para um personagem que dispensa apresentações, até que aquela bolota amarela se saiu muito bem. Iwatani apresentou vídeos de uma mostra dedicada ao personagem realizada no Japão, e outro no qual um gorila mostra sua habilidade no jogo (“É tão simples que até orangotangos conseguem jogar!”).

O que Iwatani anda tramando?

Após sair da Namco Bandai, ele se tornou professor do departamento de games da Tokyo Polytechnic University. Todo tipo de jogo, não só eletrônico: cartas, tabuleiro e tudo mais. O negócio é sério: tem até mesmo a análise científica de como o cérebro funciona durante um jogo.

Sand Crush, game criado pelos seus  estudantes, foi vencedor de um prêmio especial na divisão amadora Tokyo Game Show. Projetos de seus estudantes também não se limitam a jogos de videogame – olha que tem coisa interessante como o Board & Balls, cujo controle é uma prancheta magnética cujos movimentos no mundo real são refletidos na tela -, também foram feitos jogos de cartas, como o Inklude, e outro que é um cubo de acrílico repleto de LEDs e sensores de inclinação.

Já o Pac-Man…

Quanto ao próprio jogo, novas variações continuam saindo. Tadashi Iguchi, da Namco Bandai, estudou o original profundamente para lançar Pac-Man Championship Edition (Xbox Live Arcade) em 2007, incluindo uma regra de extensão de tempo e prezando a velocidade e competição – sem contar as mudanças dinâmicas no labirinto. Em outubro do ano passado, a versão Deluxe foi lançada com mais novidades, e desta vez também via PlayStation Network.

Pac-Man não deve descansar tão cedo. Iwatani encerrou a palestra brincando quanto ao futuro do personagem: “Vocês querem que o Pac-Man cante? Não quero fazer um ‘Pac-Man’ musical, e nem um musical de ‘Pac-Man’ tipo Chicago. Talvez como Os Irmãos Cara-de-Pau, acho que este é o que eu faria”.

Pac-Man Championship Edition DX é a mais nova encarnação da bolota amarela

(Bem, pelo menos não seria de Pac-Man Fever, da dupla Bruckner & Garcia. Ufa!)

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Autor: Pedro Giglio Tags: , , , , , , ,

2 comentários | Comentar

  1. 2 Jérson 04/03/2011 15:44

    Jogo PacMan há mais de 20 anos (esporadicamente, é claro) e me divirto com ele até hoje!
    Simplesmente fantástico.

    Responder
  2. 1 luis 04/03/2011 15:07

    O que dizer desse jogo?…nada…não faltou nada…do ponto de vista sociológico, ajudou a agregar valores à família e a sociedade, reunindo todos em frente a tv para jogar pc man…
    igual a esse, talvez nunca mais!

    Responder
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