06/11/2008 - 20:15
Não foi agressão, não foi “ato hostil”, não foi sequer falta. O juiz nada marcou na ocasião, diga-se de passagem. Sobrou um braço de Diego Souza no rosto do cruzeirense Fabrício. Machucou, mas é futebol… Acontece até na pelada da firma.
Mas na pelada da firma, graças a Deus, não tem procurador do Sensacional Tribunal de Justiça Desportiva (por enquanto, hein…). No Campeonato Brasileiro tem. E aí o super Paulo Schmidt, armado (com um bloquinho na mão) e perigoso, resolveu denunciar. Como pode alguém espirrar em campo sem o consentimento do glorioso STJD? Não devia ser permitido nem falar palavrão na preleção do vestiário, sem a permissão dessas pessoas tão importantes e iluminadas que são os membros do tribunal.
Paulo Schmidt tentou uma vez. O tribunal, aleluia, não deu bola e absolveu o jogador (quanta perda de tempo…). Mas o super-procurador recorreu (quanta perda de tempo…). Eles sempre recorrem. E, agora sim, está feita a lambança: depois de não sei quantas semanas, Diego Souza é finalmente suspenso por aquele lance (banal, de jogo) contra o Cruzeiro. Não vai jogar domingo, contra o Grêmio.
Genial!
Ainda bem que temos o STJD. Mas o Brasileirão está pequeno para ele… Vamos fazer uma campanha. A partir de agora, ninguém pode bater uma bolinha neste país sem a presença de um procurador do tribunal, armado com bloquinho na mão. Já pensaram como seria? “Fulano disse um palavrão, está fora da pelada semana que vem”.
Esse pessoal do tribunal precisa mesmo arranjar alguma coisa para fazer. Qualquer coisa, desde que parem com essa mania (irritante, obscena, indigna) de, ano após ano, quererem decidir o campeonato fora de campo. Sempre com decisões absurdas e sempre na reta final, quando as manchetes serão garantidas para o glorioso STJD. Quando eles serão “relevantes”.
Bando de malas! Deixem o Brasileirão em paz. Mais futebol, menos julgamento.
Autor: André Rizek - Categoria(s): Brasileirão, Palmeiras
Tags: Diego Souza, STJD
21/10/2008 - 16:50
Muitos leitores comentaram (em tom de indignação) sobre a absolvição do palmeirense Kleber pelo Sensacional Tribunal de Justiça Desportiva. Relembrando: na partida contra o Figueirense, o jogador acertou uma cotovelada em Asprilla. O árbitro, Leonardo Gaciba, viu a cena e mostrou um cartão amarelo. Esqueça agora se você acha que o lance era para vermelho. Vamos nos concentrar no seguinte: o juiz, que sentia o calor da partida na pele, viu a cotovelada. Ele era a pessoa mais apropriada para julgá-la, portanto.
É bem diferente ver ao vivo que no replay, sentado no sofá da casa, tomando um chazinho, em câmera lenta (até um aperto de mão pode virar agressão em câmera lenta), como estava o procurador do STJD, o nosso Paulo Schmidt, armado e perigoso… Armado com bloquinho na mão, só para esclarecer.
O que a procuradoria do tribunal faz ao denunciar atletas como Kleber, cujas infrações já foram punidas da maneira como o árbitro achou melhor, é simplesmente aquela velha mania (insuportável) de nossa justiça desportiva querer marcar posição, de achar que tem que ser “relevante”. Se o juiz não relatou “agressão” na súmula, que é algo cabível, sim, de suspensão, por que o procurador tem que fazer uma denúncia?!
Sou contra esses julgamentos que imitam a justiça comum para suspender jogador. Neles, acaba se refletindo muito mais o que aconteceu no tribunal, as manobras de advogados, do que aquilo que ocorre dentro de campo. Mas, já que temos esses benditos julgamentos, então vamos colocas as coisas da seguinte maneira.
1) Só devem ser julgados jogadores expulsos pelos árbitros, ou sobre quem esteja relatado algo cabível de punição na súmula.
2) Ou, então, lances gravíssimos (como a cotovelada do próprio Kleber em André Dias, na semifinal da Paulista) mostrados pela TV, mas que não tenham sido percebidos pelo árbitro e os auxiliares.
Kleber não se encaixava em nenhuma destas alternativas e, portanto, tinha mais é que ser absolvido mesmo. Minto: não deveria, jamais, ter sido julgado.
O que fica ruim, neste caso, é que outros jogadores já levaram punições salgadas do STJD e, obviamente, torcedores destas equipes hoje estão revoltados com isso. Mas o erro não está em absolver Kleber, isoladamente. O erro está nos outros casos. Nossa Justiça Desportiva é um engodo.
Que o STJD faça alguma coisa de útil: suspendam esse Paulo Schmidt. É a única chance de termos mais futebol e menos julgamentos na reta final do Brasileiro. Paulo Schmidt deve adorar um tribunal. Mas todo o resto prefere futebol mesmo…
Autor: André Rizek - Categoria(s): Brasileirão, Palmeiras
Tags: STJD
17/10/2008 - 17:26
Estamos na reta final do Campeonato e a rodada de domingo promete ser espetacular, repleta de clássicos regionais e jogos decisivos. Mas aí eu abro os jornais e leio o seu nome em tudo que é lugar. Vou ao boteco e as pessoas chegam para falar comigo: “E esse tribunal, hein? O que você acha do Paulo Schmidt?”.
Eu é que lhe pergunto, prezado procurador: e este tribunal, hein?
Mas, na verdade, escrevo hoje para lhe dar parabéns. Se o objetivo do Sensacional Tribunal de Justiça Desportiva era “ser relevante”, “mostrar que está presente”, vocês conseguiram. E com brilho! O torcedor já está se acostumando. Não existe Brasileirão sem a mão do STJD. Esse negócio de título decidido apenas dentro de campo é chato demais, né?
O juiz está ao lado do lance e entende que um jogador merece apenas um amarelo por se estranhar com um adversário, às vezes nem marca a falta. Tudo certo? Não… Você vai lá e retruca: “Tem que mandar prender, 120 dias nele!” Aliás, nem sei para que juiz de futebol dá cartão hoje em dia, se temos o glorioso tribunal para “nos defender”.
Para você ter idéia do que estou falando, prezado procurador… Temos aqui na Placar a seção “Personagem do Mês”. É um espaço nobre e que sempre foi ocupado por jogadores, treinadores, e, vá lá, até árbitro de futebol. Dedicamos o espaço para quem decide as partidas. Para a próxima edição, estávamos discutindo sobre alguns nomes. “Alguém da Seleção?” Ninguém agüenta mais o time do Dunga, até para criticar… Algum craque que tenha se destacado, marcado um gol de placa? Não achamos nenhum, nem na Europa. Até que, debaixo dos nossos olhos, estava o grande personagem do mês de outubro: o glorioso STJD.
Pela primeira vez, vamos escrever sobre uma entidade, doutor Paulo. Achei que você iria gostar de saber disso, antes mesmo de a revista chegar às bancas. O STJD está no estrelato!
De minha parte, sigo achando que tribunal é que nem juiz de futebol: é bom mesmo quando ninguém percebe que ele existe…
Tenha um bom fim-de-semana. Aposto que já está com o bloquinho na mão para anotar todos os beliscões, tapas e xingamentos da rodada. “Vamos suspender todo mundo, teje suspenso!” Só uma dica: no Grêmio não sobrou mais ninguém…
Sexta-feira é o dia da Carta-Bomba. Volto no domingo. Um bom fim-de-semana para todos e cuidado com o tribunal…
Autor: André Rizek - Categoria(s): Brasileirão, Sem categoria
Tags: STJD
13/10/2008 - 19:59
Os gremistas (pelo menos os que eu conheço) sempre acham que o mundo conspira contra o tricolor gaúcho – talvez por isso mesmo seja uma torcida tão impressionante, porque eles acham que têm a missão divina de virar esse jogo imaginário do “contra tudo e todos”.
Hoje, o gremista tem motivo para se sentir assim… Tcheco foi punido, por unanimidade, por dois jogos de suspensão, graças à expulsão no Grenal. Vamos relembrar o lance. O clássico pegou o fogo e o juizão, para pôr ordem na casa, expulsou Tcheco e Edinho, do Inter, que se estranharam na lateral do campo. O cartão funcionou e o jogo continuou, mais ou menos em paz.
O cartão já estava de bom tamanho – e como Tcheco havia recebido pouco antes o terceiro amarelo, ele cumpriu dois jogos de suspensão. Mas aí veio o teatro, digo, o “julgamento” no Sensacional Tribunal de Justiça Desportiva. Tcheco estava denunciado por agressão, cuja pena mínima era de 120 dias (!!!). Aí, teve aquele teatro básico de “desqualificar” o artigo e chegaram ao consenso de dar mais um joguinho de suspensão para o capitão gremista. Quanta perda de tempo…
Esses caras adoram uma suspensão! Até quando o STJD vai achar que tem que ser “relevante”, que tem que marcar posição? Tribunal é como juiz de futebol: vai bem quando ninguém precisa lembrar que eles existem. Sabem o que vai acontecer agora? Para parecer “imparcial”, os próximos julgamentos também vão suspender jogador de times envolvidos na briga pela taça. Ebntrou em campo com a chuteira desamarrada? Um jogo de suspensão para ele! O calção tinha uma mancha de cândida? Três joguinhos para o cidadão! Os palmeirenses, especialmente, que se cuidem no tapetão…
O blog continua a cruzada: suspendam o tribunal!
Minha solidariedade aos gremistas.
Autor: André Rizek - Categoria(s): Brasileirão, Grêmio
Tags: STJD
01/10/2008 - 12:40
Estava com saudade de bater no STJD, o nosso Sensacional Tribunal de Justiça Desportiva. Não me deixem abandonar essa cruzada!
Depois do inútil julgamento de Diego Souza (para avaliar um lance que nem falta foi), agora leio nos jornais sobre a situação do corintiano Chicão. Ele será julgado por um pisão que deu no atacante Luan (esse moleque ainda vai estourar, aguardem), do São Caetano.
O problema maior para o clube, leio nos jornais, é que no ano passado Chicão também foi a julgamento, por ter ofendido o árbitro Adriano de Carvalho, na última rodada do Brasileirão, quando defendia o Figueirense. O famoso procurador Paulo Schimmit, do Tribunal, explica o seguinte:
– A questão depende do auditor (do Tribunal) que estiver julgando o caso. Ele pode considerar reincidência genérica, que independe do artigo no qual o jogador foi denunciado. Ou reincidência específica, que considera em qual artigo o atleta se enquadra.
A reincidência, se for considerada, agrava a punição. Vocês entendam a lambança que são estes tribunais esportivos? Criamos um sistema complexo, cheio de instâncias, cheio de procuradores e auditores. Cada um pensa de uma maneira e as punições variam de acordo com cada cabeça. Criamos um monstro.
Mas tem gente que acha bonito tudo isso, que nossa Justiça Desportiva é exemplo. Atrasado são estes europeus! Lá, o jogador faz uma besteira no domingo e dois dias depois uma comissão disciplinar se reúne para estabelecer uma pena, de acordo com um “manual” bem simples, que é mais ou menos assim: agredir o adversário (de 2 a 4 jogos), ofender o juiz (de 1 a 4 jogos) e por aí vai. Aí, dois dias depois da rodada, já sabemos o resultado da punição, sem julgamento, sem advogados, sem teatro, sem gastar página de jornal com procurador de tribunal.
Esses europeus não sabem nada… Legal mesmo é fazer julgamento!
Autor: André Rizek - Categoria(s): Brasileirão, Corinthians, Palmeiras
Tags: Chicão, Diego Souza, STJD
30/09/2008 - 11:53
Já escrevi anteriormente o que penso sobre Diego Souza ir a julgamento no Sensacional Tribunal de Justiça Desportiva (também conhecido como STJD) por causa do lance (banal, de jogo) em que sobrou uma “mãozada” na cara do volante Fabrício, do Cruzeiro, na partida entre os dois clubes.
Não foi agressão, não foi “ato hostil”, não foi sequer falta (o juiz nada marcou, diga-se). O palmeirense vai ser julgado hoje porque o lance (banal) passou na TV (nem foi para o Youtube
), os jogadores do Grêmio pediram uma punição (porque já tiveram gente punida também) e, bingo, o pessoal do tribunal viu a chance de aparecer – imagine passar uma semana sem um julgamentozinho “de peso”, sem sair no jornal. Teria até gente dizendo que o tribunal não precisa existir
O pior é que todo mundo sabe que nem o Sensacional Tribunal de Justiça Desportiva seria capaz de aplicar uma suspensão ao palmeirense (ou seria?). Quanta perda de tempo
Autor: André Rizek - Categoria(s): Palmeiras
Tags: Diego Souza, STJD
Voltar ao topo