16/10/2008 - 14:27
Seria legal se desse para explicar o sonífero futebol da Seleção em casa apenas pela má escalação do Dunga nestas partidas em que, na teoria, o adversário vem para empatar. Porque seria a comprovação da tese que quase todos nós temos nesta quinta-feira: Gilberto Silva, Josué e Elano juntos no meio-campo é de uma tremenda falta de criatividade! Como não há muito quem marcar, esta é uma maneira de deixar o Brasil menos superior tecnicamente que seus rivais. Sobretudo, menos surpreendente.
Mas aí a gente lembra que, contra a Bolívia, foram escalados Josué, Lucas (Julio Baptista) Diego (Elano) e Ronaldinho (Nilmar); Robinho e Luís Fabiano. Em tese, era uma formação mais leve. E suficiente para vencer um time fraco como a Bolívia. Mas também não resolveu.
Ou vamos até a partida em que o Brasil suou para vencer o Uruguai no Morumbi. Estava escalado com o quadrado… Kaká, Ronaldinho, Robinho e Luís Fabiano. O time do Dunga tomava um baile, até o volantão Josué entrar no lugar do Ronaldinho. E viramos o jogo.
Quem leu os posts aí de baixo sabe que, para mim, o estado de espírito com que esses caras entram em algumas partidas acaba sendo bem mais determinante do que a escalação ou o “trabalho tático” do professor Dunga. E, confesso, fiquei com a impressão de que apenas Kaká e Lúcio suaram a alma para vencer o jogo com a Colômbia.
Porque o resumo dessas escalações do Dunga, que variam bastante, mas que não resolvem, é que a gente também não é tão bom quanto pensa. Não somos um time de jogadores tão maravilhosos assim, que bate em qualquer um, em qualquer rival a hora que quiser. Alguém tem alguma dúvida de que bolivianos e colombianos vieram ao Brasil para fazer o chamado “jogo da vida deles?”. Um time com este espírito, ainda que mais fraco, pode mesmo encarar a Seleção. Não somos tão maravilhosos quanto achamos que somos.
A escalação, a maneira de jogar, é uma questão menor no meio de tudo isso. Seria fácil se fosse possível (e conveniente para todos nós), mas a tática não serve para explicar 100% o futebol. Por isso, ele é o esporte mais legal do mundo. Menos quando tem jogo da Seleção, é claro…
O Gilberto Silva foi bem na saída do jogo, naquelas entrevistas ainda no gramado: “Estamos em segundo lugar na tabela, não é desesperador”. Não é mesmo, Gilberto. A palavra é outra. Jogo do Brasil é desanimador…
Autor: André Rizek - Categoria(s): Seleção
Tags: Eliminatórias
14/10/2008 - 12:47
Comentei depois da pelada contra a Venezuela que, muito mais do que escalação e tática, o que faz a diferença nesses jogos contra as babas é o estado de espírito da seleção. Os caras vão estar a fim hoje? Essa pergunta tem sido mais importante do que saber o esquema tático que o professor Dunga vai usar (nesse tipo de jogo).
Ultimamente, o Brasil só tem jogado bola quando se sente “desrespeitado” de alguma forma, quando está com raiva. Pode ser a capa de um jornal qualquer do Chile, ou uma frase qualquer (ainda que distorcida…) de um adversário. Contra a Venezuela domingo, foram os problemas no vôo e o barulho que fizeram durante a noite no hotel do Brasil. “Respeitem a seleção”, os caras inflaram o peito e foram lá fazer o que tinha de ser feito no campo.
Contra a Bolívia, na última rodada, não teve nada para provocar a Seleção e a gente saiu com aquele empate ridículo de 0 x 0. Então, vamos fazer a nossa parte para o Brasil conseguir, pela primeiras vez, duas vitórias seguidas nas Eliminatórias.
A minha singela participação:
– Robinho tem talento para um dia ganhar o prêmio de melhor do mundo. Mas virou um tremendo mascarado e este é seu grande obstáculo. Está até difícil torcer por ele… (conto com um golaço do Robinho no Maracanã)
– Dunga, um jogador que sempre respeitei e até cultuei, é um dos treinadores menos carismáticos que já vi na vida. Não consigo ter a menor empolgação quando escuto ele falar.
– Fixar Gilberto Silva e Josué no time titular é de uma mesmice e de uma falta de repertório incríveis.
– Kaká é o melhor jogador brasileiro na atualidade, disparado, e hoje ele é muito mais importante para o time do que o técnico. Baixa a bola, Dunga.
– Adriano e Luis Fabiano quebram um baita galho. Mas se o Gordo estiver a fim da Copa de 2010, não custa nada calçar as sandálias da humildade e dar uma atenção para ele. Nossos centroavantes atuais são bons, mas são comuns.
Ajude o Brasil, mande também a sua mensagem (sincera…) para o jogo com a Colômbia.
Autor: André Rizek - Categoria(s): Seleção
Tags: Dunga, Eliminatórias, Robinho
12/10/2008 - 19:37

O time da Venezuela é tão peladeiro que a gente nem tem o direito de se dizer surpreso com estes 4 x 0. O mistério é outro.
É saber como Doni; Daniel Alves (Maicon), Henrique, Luisão e Gilberto; Gilberto Silva (Josué), Elano (Mineiro) e Anderson (Rafael Sobis); Robinho, Alexandre Pato (Diego) e Adriano (Luís Fabiano) conseguiram perder destes mesmos venezuelanos, no amistoso de três meses atrás. Esta é a grande novidade do dia: a gente lembrou que pode perder destes caras! Como também empatou, na rodada anterior, de 0 x 0 com a Bolívia, em pleno Rio de Janeiro.
Por trás de tropeços intercalados com jogos tão fáceis contra os mesmos adversários, há uma questão de estado de espírito, muito mais que de escalação, de formação do time.
Por isso, não vamos aqui dizer que o Brasil “achou um time” por causa destes 4 x 0. Nem o contrário. Foi só uma paulada na Venezuela. Que me fez lembrar, à parte o golaço do Kaká: nosso time é capaz de perder desses caras, ainda que num amistoso mixuruca…
A Seleção deu um passo à frente neste domingo. Na classificação.
Autor: André Rizek - Categoria(s): Seleção
Tags: Eliminatórias