Simples: não somos tão bons…
Seria legal se desse para explicar o sonífero futebol da Seleção em casa apenas pela má escalação do Dunga nestas partidas em que, na teoria, o adversário vem para empatar. Porque seria a comprovação da tese que quase todos nós temos nesta quinta-feira: Gilberto Silva, Josué e Elano juntos no meio-campo é de uma tremenda falta de criatividade! Como não há muito quem marcar, esta é uma maneira de deixar o Brasil menos superior tecnicamente que seus rivais. Sobretudo, menos surpreendente.
Mas aí a gente lembra que, contra a Bolívia, foram escalados Josué, Lucas (Julio Baptista) Diego (Elano) e Ronaldinho (Nilmar); Robinho e Luís Fabiano. Em tese, era uma formação mais leve. E suficiente para vencer um time fraco como a Bolívia. Mas também não resolveu.
Ou vamos até a partida em que o Brasil suou para vencer o Uruguai no Morumbi. Estava escalado com o quadrado… Kaká, Ronaldinho, Robinho e Luís Fabiano. O time do Dunga tomava um baile, até o volantão Josué entrar no lugar do Ronaldinho. E viramos o jogo.
Quem leu os posts aí de baixo sabe que, para mim, o estado de espírito com que esses caras entram em algumas partidas acaba sendo bem mais determinante do que a escalação ou o “trabalho tático” do professor Dunga. E, confesso, fiquei com a impressão de que apenas Kaká e Lúcio suaram a alma para vencer o jogo com a Colômbia.
Porque o resumo dessas escalações do Dunga, que variam bastante, mas que não resolvem, é que a gente também não é tão bom quanto pensa. Não somos um time de jogadores tão maravilhosos assim, que bate em qualquer um, em qualquer rival a hora que quiser. Alguém tem alguma dúvida de que bolivianos e colombianos vieram ao Brasil para fazer o chamado “jogo da vida deles?”. Um time com este espírito, ainda que mais fraco, pode mesmo encarar a Seleção. Não somos tão maravilhosos quanto achamos que somos.
A escalação, a maneira de jogar, é uma questão menor no meio de tudo isso. Seria fácil se fosse possível (e conveniente para todos nós), mas a tática não serve para explicar 100% o futebol. Por isso, ele é o esporte mais legal do mundo. Menos quando tem jogo da Seleção, é claro…
O Gilberto Silva foi bem na saída do jogo, naquelas entrevistas ainda no gramado: “Estamos em segundo lugar na tabela, não é desesperador”. Não é mesmo, Gilberto. A palavra é outra. Jogo do Brasil é desanimador…

