Meu caro Edmundo,
Você diz que encerra a carreira domingo, ou talvez jogue mais um pouco nos Estados Unidos. Isso não importa. Você está na prorrogação (há algum tempo) e sabe disso. É nessas horas que a gente, da imprensa, começa a fazer um balanço sobre a carreira de vocês, os jogadores. Resumo a sua em duas palavras: que desperdício…
O cara que fez aquele gol espetacular contra o Manchester, no Mundial de clubes. Que jogou horrores pelo Palmeiras em 1993 e 1994. Que fez um Campeonato Brasileiro de Pelé em 1997. Que foi o dono do time com nove camisas diferentes no Brasil. Você será lembrado como um grande jogador e isso ninguém tasca. Mas você merecia muito mais, prezado Animal. Foi duas vezes mais atacante que o Cristiano Ronaldo. Mas não deixou que o mundo visse.
Um jogador tecnicamente extraordinário e com a força de um touro poderia chegar ao patamar de um Romário, de um Ronaldo. Sei que você acha que chegou lá. Mas não chegou, Edmundo…
E não reclame de chances! Você teve as suas na seleção. Poderia ter feito uma dupla de ataque com o Fenômeno em 1998. Mas fez biquinho e perdeu espaço, merecidamente, para um decadente Bebeto e um amestrado Denílson naquela Copa. Como você sempre se achou o tal, nem ligou para isso. Mas o tempo passou. E você nunca mais teria uma chance como aquela.
Também não reclame: “eu nunca pude jogar num Real Madrid”. Você teve suas chances na Itália, mas preferia abandonar a Fiorentina para pular carnaval no Rio. Que clube europeu gastaria grana em funcionário como você?
No fundo, Edmundo, você sempre se achou melhor do que realmente é. E por isso não chegou mais alto, ao lugar que seu futebol (só o seu futebol mesmo) merecia. Você termina como aquele que poderia ter sido, mas não foi um dos maiores atacantes da história do futebol. A culpa é sua. De mais ninguém. Um desperdício.
Que seja feliz nas novas empreitadas. Ah, e contrate um motorista!
Autor: André Rizek - Categoria(s): Carta-Bomba Tags: Edmundo