A malvadeza do futebol
Muricy Ramalho já nos disse, em um desses almoços que a gente faz na Placar, que “técnico do futebol precisa ser meio malvado”. O tricampeão brasileiro aprendeu com ninguém menos que Telê Santana.
O futebol (será que é só o futebol?) cultua os chefes “que sabem mostrar autoridade”. Este é um conceito bem amplo (e às vezes até burro, dependendo da maneira como é encarado, misturando autoridade com autoritarismo). Mas o fato é que, para os jogadores do Flamengo, Caio Júnior é um técnico que não sabe mostrar a tal da autoridade. Que não mostra muita convicção nas suas decisões. Que se preocupa demais em agradar as pessoas. E que técnico de futebol… “precisa ser meio malvado”.
Caio Júnior nunca foi, nem será meu chefe. Mas, olhando de fora, parece ser um sujeito de idéias e discursos interessantes. Que ainda está começando…
Está carimbado agora com duas traumáticos “amareladas” de forma consecutiva no Brasileirão, com times que tiveram tudo para chegar à Libertadores – e fracassaram. Ele teve sua parcela de culpa, é claro – sem falar no Goiás do primeiro semestre…
Mas é curioso como ninguém se lembra da classificação para a Libertadores com o Paraná, em 2005.
Porque talvez técnico de futebol precise ser meio malvado mesmo. Não só com os jogadores.
Oswaldo de Oliveira e Paulo Autuori venceram Mundiais de Clubes (e o segundo até duas Libertadores…). Mas as pessoas não olham para eles da mesma forma com que olham para técnicos mais malvados.
Estava aqui pensando no perfil dos treinadores de sucesso do Brasil, de 1980 para cá, os que ficaram “populares”, com a marca de “vencedor”. Telê Santana, Felipão, Luxemburgo, agora o Muricy.
Todos eles têm, de maneira diferentes, uma malvadeza que Caio Júnior jamais terá.
DOSSIÊ DOS ALOPRADOS
Algumas pessoas me cobraram (com razão). Não tive tempo para comentar a entrevista do presidente da Federação Paulista na segunda-feira, para “esclarecer” porque foi criada toda a polêmica em torno do árbitro Wagner Tardelli para Goiás x São Paulo. Mas quem leu o post aí de baixo na noite (madrugada…) de domingo, soube antes mesmo da entrevista do cartola o que estava acontecendo. Ou melhor, o que não estava acontecendo… Informar foi a melhor opinião que eu poderia ter dado sobre o assunto.
