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09/12/2008 - 11:22

A malvadeza do futebol

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Muricy Ramalho já nos disse, em um desses almoços que a gente faz na Placar, que “técnico do futebol precisa ser meio malvado”. O tricampeão brasileiro aprendeu com ninguém menos que Telê Santana.

O futebol (será que é só o futebol?) cultua os chefes “que sabem mostrar autoridade”. Este é um conceito bem amplo (e às vezes até burro, dependendo da maneira como é encarado, misturando autoridade com autoritarismo). Mas o fato é que, para os jogadores do Flamengo, Caio Júnior é um técnico que não sabe mostrar a tal da autoridade. Que não mostra muita convicção nas suas decisões. Que se preocupa demais em agradar as pessoas. E que técnico de futebol… “precisa ser meio malvado”.

Caio Júnior nunca foi, nem será meu chefe. Mas, olhando de fora, parece ser um sujeito de idéias e discursos interessantes. Que ainda está começando…

Está carimbado agora com duas traumáticos “amareladas” de forma consecutiva no Brasileirão, com times que tiveram tudo para chegar à Libertadores – e fracassaram. Ele teve sua parcela de culpa, é claro – sem falar no Goiás do primeiro semestre…

Mas é curioso como ninguém se lembra da classificação para a Libertadores com o Paraná, em 2005.

Porque talvez técnico de futebol precise ser meio malvado mesmo. Não só com os jogadores.

Oswaldo de Oliveira e Paulo Autuori venceram Mundiais de Clubes (e o segundo até duas Libertadores…). Mas as pessoas não olham para eles da mesma forma com que olham para técnicos mais malvados.

Estava aqui pensando no perfil dos treinadores de sucesso do Brasil, de 1980 para cá, os que ficaram “populares”, com a marca de “vencedor”. Telê Santana, Felipão, Luxemburgo, agora o Muricy.

Todos eles têm, de maneira diferentes, uma malvadeza que Caio Júnior jamais terá.

DOSSIÊ DOS ALOPRADOS

Algumas pessoas me cobraram (com razão). Não tive tempo para comentar a entrevista do presidente da Federação Paulista na segunda-feira, para “esclarecer” porque foi criada toda a polêmica em torno do árbitro Wagner Tardelli para Goiás x São Paulo. Mas quem leu o post aí de baixo na noite (madrugada…) de domingo, soube antes mesmo da entrevista do cartola o que estava acontecendo. Ou melhor, o que não estava acontecendo… Informar foi a melhor opinião que eu poderia ter dado sobre o assunto.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Flamengo Tags:
24/10/2008 - 12:03

Meu caro Caio Júnior,

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Estava esperando por uma sexta-feira como esta, de Flamengo nas alturas, para lhe escrever novamente. Se lhe mandasse uma carta-bomba na derrota, iria parecer coisa de aproveitador…

Eu não acredito que seu Flamengo vá brigar pelo título. Mas a Libertadores “está logo ali” e seria um resultado de respeito na sua gestão à frente do Rubro-Negro. Particularmente tenho a maior simpatia por ver surgir um técnico diferente, no discurso e no jeito de trabalhar, um sujeito low profile, em um ambiente onde o legal, o que é valorizado, é ser estressado, marrento, mandão.

Está aí o “x” da questão, meu caro treinador… Longe de mim ensinar padre nosso ao vigário. Não sou treinador. Sou repórter. E por isso mesmo gosto de conversar com os jogadores, os seus colegas, os dirigentes… Acho que você gostaria de saber o que se diz a respeito do seu trabalho por aí.

Todo mundo no Palmeiras diz que você fez um trabalho importante lá. E aí tem o “mas”… Que você é, como posso usar um termo adequado, “vacilão” demais. Um técnico sem muita convicção das coisas que faz quando chega o momento da pressão, do “vamos ver”. Você sabe, Caio… Por incrível que pareça, a maioria dos jogadores e dos dirigentes (jornalistas também, eu lhe informo) gosta desses técnicos que são cheios de certeza. Mesmo quando fazem a maior bobagem, eles se mostram seguros de que deram uma tacada de gênio. E isso, de certa forma, deixa os boleiros e os dirigentes mais confiantes de que estão “em boas mãos”.

É sobre isso que, conversando aqui e ali, as pessoas se queixam de você. Fico mais à vontade para escrever isso depois de um 5 x 0 no Coritiba (que resultado…!). A manchete que eu mais tenho lido no Flamengo é “Caio Júnior em dúvida”. Você me parece ser um treinador sempre em dúvida, meu caro. É isso o que, agora, gente aí do seu time tem contado a seu respeito também.

“Quer tirar um jogador do time, tira logo! Mas mostra firmeza do que está fazendo. Não vem com ‘olha, hoje eu pensei que pode ser melhor para o time usar um outro jogador… Mas você é importante, vou precisar de você mais pra frente’”. Essa “queixa” quem me disse foi um atleta aí do seu time. Curioso. Se meu chefe conversar comigo nestes termos (e ele conversa), eu acharia ótimo. Mas parece que no futebol os caras gostam de quem mostra “autoridade”. Ou “convicção”, “firmeza”, chame do que quiser.

Justamente aquilo que eu mais admiro em você, um técnico novo e com idéias novas surgindo no futebol, é aquilo que os boleiros parecem menos gostar. Talvez não seja problema seu. Talvez nem seja problema. As coisas simplesmente parecem ser assim no futebol. De minha parte, eu torço (bastante) pelo seu sucesso. Espero que as coisas que escrevi, de alguma forma, possam ajudá-lo. Nem que seja ignorando-as…

Um bom fim-de-semana para você, prezado treinador.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Brasileirão, Carta-Bomba, Flamengo, Palmeiras Tags:
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