Arquivo de dezembro, 2008
21/12/2008 - 12:26
E tem gente (despeitada) que continua acreditando que os europeus não ligam para esse negócio de ser campeão mundial de clubes. Geralmente, o apelo é usado quando o time do Velho Continente perde o jogo. “Também, eles não se importam”, costumam dizer.
Parecia que o Manchester, até pela maneira como a imprensa inglesa tratou o Mundial, também não ligava. Não foi o que se viu nessa final de domingo. De novo. No campo e nas entrevistas depois do jogo.
No primeiro tempo, jogo de um time só. Os ingleses não saíram do campo da LDU. E, mais uma vez os arautos do “eles são bons, nós sul-americanos pobretões não somos de nada” se animaram com o que acontecia em campo. Veio o segundo tempo e a LDU ficou com um homem a mais logo no começo. E aí o jogo ficou divertido…
É divertido ver Cristiano Ronaldo desarmado com categoria por um beque da LDU dentro da área, que sai jogando de cabeça erguida. É divertido assistir ao Van der Saar ter de fazer três belas defesas (uma delas já nos descontos) para ser campeão. É divertido ver o Manchester ter que respeitar um pobre time equatoriano. No esporte (na vida), quase sempre torcemos para o David contra o Golias. O barato do futebol é ver que nestes 90 minutos, por algum motivo, estamos diante da maior chance de assistir ao extraordinário, o pequeno vencer o grande.
Quase deu…
Sei que para a LDU era um jogo mais importante que para o Manchester (estava na cara). Mas os ingleses tomaram um belo susto. Que hombridade, que time comprometido, organizado, raçudo essa LDU. Que ano maravilhoso dessa equipe.
Cada vez mais, eu gosto desse Mundial da Fifa…
É o último jogo que comento em 2008. Ainda responderei os comentários (de maneira “picada”) até o dia 24. O blogueiro se despede feliz de ver que, apesar dos milhões que cada vez mais separam Europa e América do Sul, futebol ainda é futebol! Futebol ainda é futebol…
Um ótimo fim de ano!
Nos vemos dia 05 de janeiro.
Muita paz para todos nós.
Autor: André Rizek - Categoria(s): futebol internacional
Tags: LDU, Manchester
19/12/2008 - 08:52
Hoje cedo reli as cartas-bombas que escrevi para você antes e durante a Copa de 2002. A coluna, na época publicada pela Placar Semanal, nasceu pouco antes do Mundial. Primeiro, escrevi para dizer que duvidava de você. Não pelo seu futebol – você é o maior centroavante que eu vi jogar. Não acreditava era nas suas condições físicas, vindo de duas cirurgias seguidas no joelho. Depois, lhe escrevi para comemorar minha previsão furada, para falar do quanto sua participação naquela Copa fora extraordinária e emocionante…
E cá estou eu de novo, prezado Fenômeno, para duvidar de você mais uma vez. O que penso sobre o seu futebol segue intacto – tanto que, manco e escandalosamente gordo, você até conseguiu fazer um Mundial bastante razoável na Alemanha. Jogou muito mais que o magrinho Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, jogou até mais que o Kaká. Porque você é craque, gênio. Mas eu não acredito. De novo…
Vejo os corintianos comemorando como se tivessem um novo Tevez, um craque muito superior a todos os outros jogadores, capaz de destruir defesas adversárias duas vezes por semana. Você já foi muito mais do que isso, prezado mito. Mas, de novo, eu não acredito…
Em 2002, duvidava do seu joelho – você conseguiu se manter fininho mesmo durante as lesões de 2000 e 2001, na Inter, porque queria, demais, ganhar uma Copa (jogando), mostrar ao mundo quem era o Ronaldo. Depois que mostrou, nunca mais foi o mesmo. Depois de todo o sacrifício que teve de fazer ao longo da vida, você foi curtir um pouco. Afinal, ela é curta demais!
No seu lugar, Ronaldo, eu provavelmente teria feito o mesmo! Depois de tantas privações, também iria me entregar às mulheres, baladas e rock and roll. Isso é bom demais, todo mundo sabe! Mas infelizmente não combina com quem tem de estar magrinho e voando por causa do joelho. Isso é básico: quem tem problema de joelho tem de estar o mais leve possível, para não gastar muito as articulações (conheço bem esse problema…). E faz pelo menos três anos que eu só vejo você gordo, gordo e gordo.
Não culpe as lesões. Você é que não conseguiu fechar a boca neste período, como fez em 2002. Você é que se entregou aos prazeres da vida. Tenho certeza de que quer voltar a ser chamado de atleta, de jogador de verdade, como você diz para seus amigos. Mas não vem fazendo por onde, não é? A gente conversa com os médicos, os fisioterapeutas, seus amigos… Entre os sacrifícios de uma fisioterapia e uma baladinha com os brothers, você tem optado pelo segundo. É seu direito.
Não tente me convencer que está apenas quatro quilos acima do seu peso ideal. Quatro quilos acima estou eu, pô! Você está gordíssimo, prezado craque. Faz três anos que eu eu ouço: “é só ele querer que volta a arrebentar”. A pergunta que fica é: mas você quer mesmo? Porque se chegou com 100 quilos (100 quilos, Ronaldo!) a uma Copa do Mundo, o máximo que um atleta pode almejar nessa vida, por que iria mudar tudo justo agora, no Corinthians, para jogar o Paulistão, a Copa do Brasil?
Eu não acredito, Ronaldo… Desculpe lhe dizer isso novamente, até porque gosto bastante de você. Mas eu não acredito. Tomara que, daqui a uns meses, lhe escreva novamente, como fiz em 2002, para dizer que eu estava errado. E que você assombrou o mundo novamente, ao voltar a ser o Fenômeno que a gente se acostumou a ver. Depende apenas de você…
Um ótimo fim de ano.
E não abuse do panetone!
Autor: André Rizek - Categoria(s): Carta-Bomba
Tags: Ronaldo
17/12/2008 - 15:35
O São Paulo já trouxe quatro jogadores. Wagner Diniz é uma ótima aposta para um time que joga com três zagueiros (e portanto com alas) e até hoje não conseguiu encontrar substitutos para Ilsinho e Souza – Joílson terminou bem o Brasileiro, mas não agarrou a posição em nenhum momento, tanto que Zé Luis era o (bom) titular do setor. Eduardo Costa é um bom reforço (discordo do mestre Alberto Helena Jr., que vê nele um retrocesso, o chamado “brucutu”), mas não é para estourar rojão. Renato Silva será apenas reserva do reserva (Anderson). E aí tem o Washington…
Quem acompanha o blog ou o Arena Sportv sabe que considero o cara um baita centroavante, embora eu esperasse mais dele este ano. O leitor há de perguntar: esperar mais de quem fez gols fundamentais para o Flu chegar à final da Libertadores, e que terminou como artilheiro do Brasileirão? Sim, esperava mais. Bem mais. Washington também perdeu muitos gols, em um time que jogava em sua função, e mostrou um nervosismo pouco habitual quando esteve de frente pro crime. Mas, repito, é um baita centroavante.
Se formos comparar com Borges e Dagoberto, ouso dizer que a atual dupla de ataque do Tricolor merece ser mantida no time titular quando 2009 começar, pelo que os dois jogaram na reta final — é claro que depende de como Muricy pretender armar o time ano que vem. Mas faltava ao São Paulo um centroavante mais forte, que jogue com o corpo, que dê trombada. E em uma Libertadores, com adversários tão diferentes a cada jogo, em uma competição na qual você sempre precisa ter várias alternativas (como a bola parada ou alçada na área, justamente o que eliminou o São Paulo ano passado…), a chegada de Washington é muito bem vinda para o Tricolor. E para Rogério Ceni, que de novo teve uma pequena participação na contratação. Assim como havia feito com o Aloísio, o capitão tricolor deu sua “chancela” para o clube trazer o camisa 9, nas conversas que mantém com o chefe Muricy e os cartolas. Ceni sabe das coisas…
Muricy que se vire para usar estes três atacantes ao longo do ano.
Agora, a roubada: Carlos Alberto. Ele negocia com o Flamengo e o vice de futebol rubro-negro, Kleber Leite, até conversou com um psicólogo nesta semana, sobre o problema de transtorno bipolar do qual sofre o jogador. Diz, animado, que isso não seria problema para tê-lo Gávea.
Sou leigo em psicologia, mas acho incrível como as pessoas tratam Carlos Alberto como “um grande jogador”, apenas com a ressalva de seu comportamento. Vejo por outro lado. O problema do Carlos Alberto é que, simplesmente, ele não é tão bom quanto muita gente ainda acredita que ela seja. Simples assim. Se trouxer o jogador, o Flamengo vai cair em uma roubada (na minha opinião). E não será por causa do cabeça dele, mas por causa dos pés mesmo. Carlos Alberto, o jogador, nunca me enganou…
Autor: André Rizek - Categoria(s): Flamengo, São Paulo
Tags: Carlos Alberto, Washington
15/12/2008 - 14:33
Chega dezembro e os comentaristas começam a se perguntar: quem começa bem o ano que vem? A resposta é a mesma (por que será…) que se dava em dezembro de 2007: São Paulo e Internacional.
O São Paulo mantém a estrutura tricampeã (dentro e fora de campo) e no máximo vai perder Hernanes. Negocia com Washington, do Fluminense, e mantém sua linha de apostar em jogadores trabalhadores e comprometidos – Eduardo Costa foi boa pedida. Vem dando certo. Nada indica que vá desandar.
O Inter tem um (belo) time pronto. Talvez perca Nilmar, mas ainda assim é um elenco de respeito. De sonhar com o título da Copa do Brasil, para começar.
O Grêmio começa 2009 da mesma forma que 2008: desacreditado. E apostando em refugos (como Wellington Paulista) que geralmente se transformam no Olímpico. Ou seja: tem tudo para se manter competitivo, mas não dá para sonhar, de antemão, com taças muito valiosas. Conta com a força do Olímpico na Libertadores. Este é o Grêmio. Vem dando certo. Mas não vem dando em grandes conquistas também.
O Corinthians terminou 2008 nos eixos. Começou bem a temporada apostando no Túlio (tem mais poder de marcação que Elias e vai ganhar a posição de segundo volante). Jorge Henrique também é boa opção para um time que começa o ano sem Morais, suspenso, e Dentinho, na seleção sub-20. Mas há um enorme ponto de interrogação: Ronaldo. Vamos ver o que vai acontecer com o time, com a torcida, o clube (dentro de campo) quando a bola rolar. Porque faltava um camisa 9 para Mano Menezes – que agora ainda está perdendo Herrera. Ronaldo não parece ser o cara que vá vestir essa camisa para destruir defesas adversárias. Não parece ser o 9 que vá resolver a vida de uma equipe grande, dentro de campo (estamos falando do Ronaldo de hoje, não do craque fenomenal de 10 anos atrás…).
O Palmeiras está em compasso de espera, para definir sua diretoria (e isso atrasa os investimentos da parceira Traffic). O Santos sonha com presentes de seu novo amigo, o empresário Delcyr Sonda. Botafogo e Fluminense se desmancham (mais uma vez). Estes times estão no escuro hoje, com a vantagem de que, se a Traffic quiser, remonta rapidinho o Palmeiras.
O Cruzeiro vai precisar investir caso queira disputar para ganhar a Libertadores – e os sinais são de que estes investimentos não virão, ou estão condicionados à venda de Guilherme, Wagner ou Ramires, o que é péssimo para o time. O Galo segue na mesma: mal. Com ou sem Emerson Leão.
O Flamengo mantém um bom elenco (que neste ano fracassou…). Tem jogadores para ser apontado como um dos favoritos à Copa do Brasil. Mas tem técnico novo aí. Vamos esperar antes de dizer qualquer coisa do Fla nas mãos do Cuca.
As pessoas se irritam quando ouvem que o São Paulo está na frente. Mas é que entre um fenomenal plano de marketing e um trabalho de formiguinha, tijolo a tijolo, tendo a achar que o segundo tem sempre mais chance de, ao final, sair com a taça. Clube de futebol existe para, em primeiro lugar, ganhar taças. E as formigas, até hoje, têm dado de goleada nas cigarras. Pelo menos no futebol.
Minha dúvida é se o Corinthians vai continuar formiga, como foi em 2008. Ou vai querer dar uma de cigarra por causa do Ronaldo. Tenho certeza de que o dilema também está na cabeça do trabalhador Mano Menezes nesse fim de ano.
Autor: André Rizek - Categoria(s): Mercado
Tags:
12/12/2008 - 11:15
O clube poderia fazer uma festa pretensamente “chique” para apresentar Ronaldo.
Mas não seria Corinthians…
O clube foi autêntico para apresentar seu novo astro, não tentou passar uma imagem daquilo que não é, daquilo que nunca será.
Tinha povão. Porque Corinthians é povão.
E tinha folclore, porque Corinthians é folclore!
É a “miss Fiel” (????!!!!) no campo para receber um dos astros pop mais badalados do planeta. É o vice-presidente de Futebol e o presidente fazendo discursos e falando um monte de bobagem para aparecer (folclóricos e divertidos no “úrrrrtimo”) – eles são os pais da idéia e jamais perderiam essa chance, como 99% dos cartolas.
Enfim, Ronaldo tomou Corinthians na veia em sua apresentação. E deu a impressão de que entendeu e se divertiu com isso.
O clube não tentou mostrar ao mundo algo que não é. O Corinthians foi povão. O Corinthians foi folclore. O Corinthians foi Corinthians.
E espero que entendam isso como elogio…
Autor: André Rizek - Categoria(s): Corinthians
Tags: Corinthians, Ronaldo
11/12/2008 - 17:48
Quatro grandes clubes brasileiros assumidamente buscam treinador para 2009: Atlético Mineiro, Flamengo, Vasco e Coritiba, que diz ter planos ambiciosos para o ano de seu centenário.
O Grêmio praticamente fechou a renovação com Celso Roth, segundo leio no blog do amigo PVC. Há um Santos que talvez queira dar vôos mais altos e um Palmeiras que talvez não fique com Luxemburgo (a única opção neste caso é o rompimento de comum acordo, devido à multa contratual). Mas, de concreto, assumidamente, temos quatro clubes buscando professor.
A pergunta que não quer calar: temos treinador disponível para tudo isso de time?
Vejamos… Está no mercado o Emerson Leão. Queimado em boa parte do país, ele ainda é querido no Galo (talvez só no Galo). Parece ser um caminho natural… Restam três times.
Parreira, que já considerava ex-treinador, futuro coordenador, foi picado pelo bichinho do campo novamente. Tem dito aos amigos que quer treinar um time de novo. Dilema: teria esse cargo no Flamengo. No Fluminense de Renê Simões, trabalharia mais fora de campo. O que ele vai escolher eu não sei.
Cuca? Acho difícil o Flamengo apostar nele… Já passou pela Gávea e deixou má impressão lá. No Coritiba, quem sabe (estou apenas especulando).
Sobra a boa aposta Dorival Júnior, pretendido pelo Vasco.
É só fazer as contas. O número de clubes grandes buscando técnico é igual ao número de técnicos precisando de clube.
Sei não, mas em um mercado em que domina o “mais do mesmo”, minha sensação é de que tem tudo para estes quatro técnicos e quatro clubes se entenderem…
OUTROS
Tenho certeza de que veremos mais um clube brasileiro falar no ótimo Paulo Autuori logo mais. Gostaria de vê-lo por estas bandas novamente, mas não é barato… Assim como Abel Braga, que trabalha nos Emirados Árabes. Mas estes ainda não estão classificados como “disponíveis” na prateleira. Alexandre Gallo luta para conquistar espaço. Mas ainda é um técnico em estágio inferior aos demais citados neste texto e seria um prêmio de consolação para o clube que contratá-lo neste momento. Se esqueci de alguém (como Levir, Oswaldo e Cia, por favor o façam nos comentários!)
Autor: André Rizek - Categoria(s): Atlético Mineiro, Brasileirão, Coritiba, Flamengo, Vasco
Tags: Atlético Mineiro, Coritiba, Flamengo, técnicos, Vasco
09/12/2008 - 18:21
O departamento de marketing viabiliza a contratação de Ronaldo. É claro que qualquer clube brasileiro nessas condições tem que jogar as mãos para o céu, fazer a maior festa, vender camisa adoidado. Tem tudo para ser a maior ação de marketing da história do Corinthians e o clube merece todos os confetes por isso – o técnico nem precisa ser consultado numa hora dessas.
Agora vem a outra parte. Que Ronaldo é este que o Corinthians está contratando? Seria a versão moderna do Garrincha, que em 1966, com 32 anos e sem joelho veio fazer 13 jogos e apenas dois gols? Ou seria um Tevez, que justificou toda a fama a arrebentou com a 10 alvinegra?
Isso, sinceramente, ninguém sabe ainda. Nem o próprio Ronaldo.
E que fique claro aqui: Ronaldo é o maior centroavante que eu vi jogar. Manco e gordo como ele estava na Copa de 2006, ainda é melhor que muito camisa 9 do Campeonato Brasileiro. Mas Ronaldo também não consegue ter uma mínima seqüência de jogos,
que o credencie a ser titular de qualquer clube grande no Brasil, há mais de dois.
O Ronaldo que freqüentou a reserva do Milan no primeiro semestre teve alguns lampejos de gênio (como em uma partida contra o Napoli, dia 13 de janeiro, estréia do Pato). Mas a maior parte do tempo passou lutando para jogar. Gordo, sem mobilidade.
Ele já superou momentos difíceis (ou seriam impossíveis?) antes. Fazer qualquer aposta sobre as condições de Ronaldo agora vão ser meramente loteria. Mas um cara desses chega com a obrigação de jogar.
Se eu fosse o presidente Andrés Sanchez, estaria eufórico agora – sua gestão será responsável por uma das maiores ações da história do clube. Se eu fosse o Mano, estaria lá um pouco preocupado sobre como serão as coisas quando a vida real começar.
JORNAL PLACAR
Muitos leitores comentam a capa “Ataque de Riso” do Jornal Placar (do qual sou editor-chefe), do dia 27 de novembro, em que tiramos o maior sarro e tratamos Ronaldo no Corinthians como piada…
A piada ainda é fenomenal (e espero que o título deste post seja encarado assim)! Mas agora ela virou fato, ao contrário do que o jornal (e eu, evidentemente) acreditava e avaliava as informações sobre o caso. Quem quiser “matar a saudade” e ter um ataque de riso (da gente, é claro…) pode ver as páginas do jornal deste dia no seguinte endereço: http://placar.abril.com.br/jornal-placar/pdf/jornal-placar-2711.pdf
Agora, com o maior prazer, a gente tem que engolir…
Autor: André Rizek - Categoria(s): Corinthians
Tags: Ronaldo
09/12/2008 - 11:22
Muricy Ramalho já nos disse, em um desses almoços que a gente faz na Placar, que “técnico do futebol precisa ser meio malvado”. O tricampeão brasileiro aprendeu com ninguém menos que Telê Santana.
O futebol (será que é só o futebol?) cultua os chefes “que sabem mostrar autoridade”. Este é um conceito bem amplo (e às vezes até burro, dependendo da maneira como é encarado, misturando autoridade com autoritarismo). Mas o fato é que, para os jogadores do Flamengo, Caio Júnior é um técnico que não sabe mostrar a tal da autoridade. Que não mostra muita convicção nas suas decisões. Que se preocupa demais em agradar as pessoas. E que técnico de futebol… “precisa ser meio malvado”.
Caio Júnior nunca foi, nem será meu chefe. Mas, olhando de fora, parece ser um sujeito de idéias e discursos interessantes. Que ainda está começando…
Está carimbado agora com duas traumáticos “amareladas” de forma consecutiva no Brasileirão, com times que tiveram tudo para chegar à Libertadores – e fracassaram. Ele teve sua parcela de culpa, é claro – sem falar no Goiás do primeiro semestre…
Mas é curioso como ninguém se lembra da classificação para a Libertadores com o Paraná, em 2005.
Porque talvez técnico de futebol precise ser meio malvado mesmo. Não só com os jogadores.
Oswaldo de Oliveira e Paulo Autuori venceram Mundiais de Clubes (e o segundo até duas Libertadores…). Mas as pessoas não olham para eles da mesma forma com que olham para técnicos mais malvados.
Estava aqui pensando no perfil dos treinadores de sucesso do Brasil, de 1980 para cá, os que ficaram “populares”, com a marca de “vencedor”. Telê Santana, Felipão, Luxemburgo, agora o Muricy.
Todos eles têm, de maneira diferentes, uma malvadeza que Caio Júnior jamais terá.
DOSSIÊ DOS ALOPRADOS
Algumas pessoas me cobraram (com razão). Não tive tempo para comentar a entrevista do presidente da Federação Paulista na segunda-feira, para “esclarecer” porque foi criada toda a polêmica em torno do árbitro Wagner Tardelli para Goiás x São Paulo. Mas quem leu o post aí de baixo na noite (madrugada…) de domingo, soube antes mesmo da entrevista do cartola o que estava acontecendo. Ou melhor, o que não estava acontecendo… Informar foi a melhor opinião que eu poderia ter dado sobre o assunto.
Autor: André Rizek - Categoria(s): Flamengo
Tags: Caio Júnior
07/12/2008 - 22:12
O time não é tecnicamente brilhante? Tudo bem (e quem é hoje em dia, no mundo?). Mas quem dá uma arrancada de 18 jogos sem perder não pode ser questionado como grande campeão.
Já se falou quase tudo sobre o título do São Paulo. Pela estrutura que tem, pela comissão técnica, por tudo que tudo mundo já sabe, a taça está em ótimas mãos. Como estaria também se o campeão fosse o Grêmio.
A diferença entre os dois tricolores, se é que ela existe dentro de campo, é mínima. E isso só aumenta o mérito do clube gaúcho, que neste momento trabalha com condições financeiras bem menos favoráveis – e por isso considero o Grêmio como o grande clube do campeonato, o que fez mais com menos.
Campeonato espetacular, graças ao equilíbrio, à maluquice de alguns resultados e a grandes jogos nesta reta final. Mas teve a desastrosa maneira de tratar o “caso Wagner Tardelli”…
Não vejo nenhum problema se, diante de um indício, mínimo que seja, um árbitro seja preterido de uma partida. Ainda mais uma partida que valha a taça. Mas nossa cartolagem fez tudo errado.

NÃO HÁ INVESTIGAÇÃO NENHUMA DO MINISTÉRIO PÚBLICO SOBRE WAGNER TARDELLI.
Aos fatos (relatados na edição desta segunda-feira no Jornal Placar).
1. Na sexta-feira, a secretária do presidente da Federação Paulista, Marco Polo Del Nero, atendeu uma ligação por engano que seria, supostamente, da secretária do presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, para o vice da FPF, Reinaldo Carneiro de Bastos (a secretária dele senta-se ao lado da de Marco Polo).
2. Neste suposto telefonema, a secretária de Juvenal teria comentado sobre um envelope que seria entregue para Wagner Tardelli, o árbitro (ruim) que estava escalado para o jogo com o Goiás.
3. Ao saber do ocorrido, o presidente da FPF telefonou para os promotores do Gaeco (Grupo de Apoio e Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo), querendo dividir a informação e pedindo aconselhamento. É o Gaeco que denuncia Edílson Pereira de Carvalho e os membros da chamada Máfia do Apito, no famoso escândalo do Brasileiro de 2005. Também foi aberta, naquele ano, uma investigação no MP sobre pressão de dirigentes sobre a arbitragem. Reinaldo Carneiro de Bastos era um dos investigados – a investigação está morta, ele não vinha sendo monitorado pelas autoridades.
4. Os promotores do Gaeco aconselharam que Del Nero contasse o caso para a comissão de arbitragem da CBF. Mais nada. Por enquanto, o MP não vê motivo para entrar no caso.
5. A CBF, sem dar maiores explicações à opinião pública, afastou Tardelli do jogo do São Paulo com o Goiás e deu espaço para que um show de desinformação tomasse conta do fim de semana – já que ninguém tinha um esclarecimento digno.
O problema não foi tirar Tardelli do jogo (ele é considerado vítima pelo MP, por enquanto). Foi a maneira pouco transparente com que agiram neste caso.
O Jornal Placar desta segunda-feira trata o assunto como “dossiê dos aloprados”, em alusão aos documentos (falsos) que petistas tentaram comprar na eleição de 2006, para incriminar (sem provas) alguns adversários tucanos. Tivemos a versão dos aloprados do futebol neste fim-de-semana.
Talvez seja um detalhe ou exagero meu. Mas um campeonato espetacular merecia mais respeito.
Autor: André Rizek - Categoria(s): Brasileirão, Grêmio, São Paulo
Tags: CBF, Wagner Tardelli
04/12/2008 - 21:22
Você diz que encerra a carreira domingo, ou talvez jogue mais um pouco nos Estados Unidos. Isso não importa. Você está na prorrogação (há algum tempo) e sabe disso. É nessas horas que a gente, da imprensa, começa a fazer um balanço sobre a carreira de vocês, os jogadores. Resumo a sua em duas palavras: que desperdício…
O cara que fez aquele gol espetacular contra o Manchester, no Mundial de clubes. Que jogou horrores pelo Palmeiras em 1993 e 1994. Que fez um Campeonato Brasileiro de Pelé em 1997. Que foi o dono do time com nove camisas diferentes no Brasil. Você será lembrado como um grande jogador e isso ninguém tasca. Mas você merecia muito mais, prezado Animal. Foi duas vezes mais atacante que o Cristiano Ronaldo. Mas não deixou que o mundo visse.
Um jogador tecnicamente extraordinário e com a força de um touro poderia chegar ao patamar de um Romário, de um Ronaldo. Sei que você acha que chegou lá. Mas não chegou, Edmundo…
E não reclame de chances! Você teve as suas na seleção. Poderia ter feito uma dupla de ataque com o Fenômeno em 1998. Mas fez biquinho e perdeu espaço, merecidamente, para um decadente Bebeto e um amestrado Denílson naquela Copa. Como você sempre se achou o tal, nem ligou para isso. Mas o tempo passou. E você nunca mais teria uma chance como aquela.
Também não reclame: “eu nunca pude jogar num Real Madrid”. Você teve suas chances na Itália, mas preferia abandonar a Fiorentina para pular carnaval no Rio. Que clube europeu gastaria grana em funcionário como você?
No fundo, Edmundo, você sempre se achou melhor do que realmente é. E por isso não chegou mais alto, ao lugar que seu futebol (só o seu futebol mesmo) merecia. Você termina como aquele que poderia ter sido, mas não foi um dos maiores atacantes da história do futebol. A culpa é sua. De mais ninguém. Um desperdício.
Que seja feliz nas novas empreitadas. Ah, e contrate um motorista!
Autor: André Rizek - Categoria(s): Carta-Bomba
Tags: Edmundo
Voltar ao topo