Sei que vai ter muita gente pegando no meu pé nesta segunda-feira, por causa do post aí de baixo (”o são-paulino é cínico”). Minha resposta é de que um pouco de cinismo às vezes cai bem…
Mas, falando sério, a verdade, pelo menos para mim, é que não foi por causa do “já ganhou” que o São Paulo deixou de levar o hexa neste domingo. Por que aconteceu:
– O time estava ansioso, não acomodado. E, ansioso, errou mais que o costume.
– Longe de ser uma máquina, o arrumadinho Fluminense fez uma grande partida no Morumbi. E foi muito esperto. Reforçou a marcação pelo lado direito de sua defesa. E colocou Arouca para cair nas costas do Jorge Wagner. Com isso, aproveitou o maior buraco que há neste São Paulo. E também matou aquele que vinha sendo a válvula de escape do Tricolor…
– O São Paulo ganhou alguns jogos na marra durante esta arrancada final (faz parte da vida de qualquer equipe vencedora). Foi assim, por exemplo, contra rivais mais fracos que o Fluminense, como a Lusa (aquele gol nos descontos…) e o Vasco. O São Paulo não dominou estes jogos. Mas venceu. Desta vez, não veio a tal da sorte de campeão. A bola do jogo (André Dias cabeceia na cara do gol), aos 37 do segundo tempo, bateu na trave.
O São Paulo era o virtual campeão. Agora, foi rebaixado a “apenas” favorito. Não é nenhum absurdo supor que este abusado Goiás (ainda mais turbinado com mala-branca, preta e azul) possa vencer o líder. Mas, que depois de deixar escapar o hexa neste domingo, é difícil acreditar que o time do Muricy vá vacilar de novo.
Este campeonato merecia uma última rodada como a que teremos!
Coitado do Vasco:
Vai sentir na pele o que é depender deste time do Flamengo na hora H… Isso que é castigo de flamenguista!
O grande Zico disse anteontem que “o São Paulo não é um clube de massa. Por isso as coisas lá dentro têm dimensão menor que no Flamengo ou no Corinthians”. Tentava argumentar que, por causa disso (o que é ser clube de massa?), o São Paulo consegue passar por seus momentos ruins - como no começo do Brasileiro – de maneira mais rápida e tranqüila.
Bobagem. O São Paulo consegue passar por seus momentos ruins de maneira mais rápida e tranqüila porque, há algum tempo, é mais bem administrado que estes clubes. Como qualquer empresa mais bem arrumadinha vai sofrer menos nas crises.
Isso é básico – e é absolutamente normal que gênios (da bola) como Zico falem coisas aos vento, porque essa gente é perguntada sobre tudo, mesmo morando no Uzbequistão. O que acho curioso mesmo são os estereótipos que temos de clubes e torcedores…
O são-paulino, por exemplo. É, acima de tudo, um cínico. No bom sentido. Não há um tricolor que eu não encontre por aí que saia do discurso (como conseguiram ensaiar?). “Ainda está difícil…” “O Fluminense é f… Não tem nada garantido”. “Favorito nada. Tem muita coisa pela frente”.
Quando o São Paulo estava lá atrás, todos diziam que “o Palmeiras vai ser campeão”. Fingiam, os são-paulinos, que o time do Muricy não era de nada.
O Corintiano é espalhafatoso. Se a taça estivesse perto (menos perto, até), ele já estaria por aí buzinando o carro, insuportável, tirando sarro até da sombra, estaria falando “campeão” 789 vezes por dia.
O são-paulino diz que teme a máquina do Renê Simões domingo, no Morumbi lotado, a uma vitória do hexa, com apenas o desfalque de Zé Luís. Cínico, ri por dentro. E já faz tempo nesse campeonato, sem que a gente percebesse…
PS1:A quem curte a Carta-Bomba da sexta-feira: escreverei na segunda, depois da rodada. Não sei se perdi o bom-humor hoje… Mas não vi ninguém que merecesse a sua nesta semana. Alguém viu?
PS2: Por falar em estereótipo de torcida. É impressionante como, a cada que vez que escrevo algo banal na linha ”não foi pênalti para o Mengo”, os rubro-negros se mobilizem tanto! Isso é fanatismo religioso, minha gente – e, confesso, acho que tem seu lado admirável…
As imagens da ESPN Brasil não deixam dúvida. Não foi pênalti do cruzeirense Léo Fortunato em Diego Tardelli, no último domingo. O árbitro Carlos Eugênio Simon foi brilhante em não ter apitado a marca do cal. Mesmo que não tivesse sido… Mesmo que tivesse errado. A CBF foi covarde em ter punido o árbitro depois da choradeira do Flamengo.
O Flamengo está no seu papel em reclamar de juiz. Mas fazer dossiê para tirá-lo da próxima Copa é passar dos limites. Vamos lembrar da ordem dos fatos. Na segunda-feira, um dia depois do jogo, o clube carioca soltou um comunicado para dizer que sua pressão dera resultado. Simon seria punido. O aviso foi dado pelo Flamengo, não pela CBF… E não deu outra. O apitador gaúcho foi escalado, de castigo, para apitar América de Natal x Corinthians, pela Série B.
O recado estava dado: não errem contra o Flamengo, prezados juízes, vocês ficarão em maus lençóis. Na dúvida, fiquem com o time mais poderoso…
Campeonato de pontos corridos, todo mundo sabe, é enduro de regularidade. Para fazer uma seleção do Brasileiro que seja 100% “justa”, é necessário ter um prêmio como a Bola de Prata de Placar, que analisa as notas dadas aos atletas em TODAS as partidas. No fim do campeonato, são escolhidos aqueles que têm a melhor média.
A atual seleção da Bola de Prata está com Rogério, Vitor (do Goiás), André Dias, Miranda e Juan; Ramires, Hernanes, Wagner e Alex; Dagoberto e Nilmar.
Mas nem toda seleção do campeonato precisa ser justa… Se tudo no futebol tivesse de ser justo e objetivo, nosso amado esporte seria uma chatice só!
Todo mundo tem a “sua seleção”. Ao contrário da Bola de Prata, nossas seleções são injustas porque, obviamente, ninguém (nem o amigo PVC…) consegue assistir com atenção a todos os jogos do campeonato. Fica na cabeça a imagem dos jogadores que decidiram as partidas mais importantes – e geralmente na reta final. É assim o prêmio da TV Globo, com voto dos jornalistas. São critérios diferentes.
A minha seleção do campeonato vai depender do próxima rodada. Porque, para mim, o goleiro gremista Victor jogou melhor (ao longo do campeonato) que Rogério. O são-paulino demorou para engrenar. Mas aí vem a reta final e ele faz miséria na partida decisiva contra o Vasco. Se Rogério garantir a vitória (e a taça) contra o Fluminense, talvez eu vote nele como goleiro do campeonato. Apesar de todo o “resto” de campeonato que fez o Victor (na minha opinião… longe da ciência da Bola de Prata).
Lateral-direito? Não tivemos nenhum grande destaque mesmo, além do ofensivo Vitor no segundo turno. Fico com ele. E com André Dias (o melhor beque que eu vi neste Brasileiro) e Miranda, pela reta final. Menção honrosa ao Thiago Silva. Na lateral-esquerda, Juan. Não teve concorrência.
Os volantes são incontestáveis: Hernanes e Ramires. Eles são, também, os melhores jogadores do campeonato, disparado. Prêmio dividido meio a meio (na Bola de Ouro da Placar, Rogério está levando…).
Meus meias são Tcheco e Alex e, vejam só, o capitão gremista, justo ele, jogador que prima pela regularidade, é “apenas” o quinto na Bola de Prata, atrás de Edno (da Lusa, que faz um belo Brasleiro), de Ibson, do próprio Alex e do Wagner, do Cruzeiro, que fez partidas brilhantes. Mas que sumiu nos momentos mais decisivos… Isso é algo mais difícil de ser captado na Bola de Prata.
Meus atacantes são Keirrison e Kleber Pereira. Mas faço menção honrosa (“honrosíssima”) a Borges e Dagoberto, que estão jogando demais, muito mesmo nesta reta final.
Keirrison também é a minha revelação do Brasileiro, seguido por Marquinhos, do Vitória, e Jean, do São Paulo.
E que o campeão Muricy me desculpe. Mas o grande treinador do Brasileiro chama-se Celso Roth. Fosse qualquer outro nome à frente do tricolor gaúcho e estariam dizendo que o homem fez milagre com um elenco bem limitado.
Então ficamos assim. Victor (ou Rogério, dependendo do que ele fizer domingo), Vitor, André Dias, Miranda e Juan; Hernandes, Ramires, Tcheco e Alex; Keirrison e Kleber Pereira. T: Celso Roth.
Já faz algum tempo que venho escrevendo: a diretoria do Palmeiras não anda lá muito satisfeita com Vanderlei Luxemburgo. Dizem alguns cartolas (são os cartolas que dizem, não eu) que Luxemburgo não estaria se dedicando ao clube como eles gostariam. Agora, Luxemburgo solta que está “triste” no clube e ameaça ir embora ano que vem.
Nem o técnico, nem os dirigentes estão muito a fim de continuar o casamento ano que vem. Mas existe uma multa rescisória no meio do caminho… A qual nenhuma das partes, obviamente, quer assinar e pagar.
É isso o que está acontecendo. Embora, diante dos microfones, o pessoal do Palmeiras fale que deseja manter o treinador ano que vem.
Parece ser questão de tempo para haver um acordo. E Luxemburgo – e Palmeiras – respirarem novos ares ano que vem. O nome de Paulo Autuori (aqui é opinião, não informação), mais uma vez, deve entrar na pauta de um clube brasileiro no começo de temporado.
O São Paulo deve terminar o campeonato chegando à impressionante marca de 18 jogos invictos.
O São Paulo é dono do melhor ataque, disparado, e da segunda melhor defesa do Brasileirão.
O São Paulo venceu 9 de seus últimos 10 jogos!
Dizer que o Brasileiro de 2008 não tem um grande campeão é, na verdade, uma grande injustiça.
A arrancada e os números do Tricolor nesta reta final fazem do São Paulo um dos grandes campeões da história do Brasileiro.
Não vamos confundir as coisas. Eu não pagaria ingresso para ir assistir ao São Paulo jogar. O programa certamente não é capaz de divertir alguém que não seja torcedor do time, para quem basta a vitória, nem que seja com gol de joelho, para ter satisfação garantida.
O time não se exibiria no teatro municipal (para usar a famosa expressão do Muricy, depois de uma vitória de 1 x 0 sobre o Náutico). Como se exibiam o Flamengo do Zico, o São Paulo do Careca, o Palmeiras de 1993/1994, o Santos do Robinho.
O espetáculo do São Paulo é ser competitivo. Como nenhum outro time deste país.
E isso não tira em nada os méritos de um dos grandes campeões que o Brasileirão já teve.
Batemos em Portugal, o resultado é espetacular, vai para os livros que registram a história da seleção. Parabéns para vocês. Mas…me diga uma coisa. Você sabe o que está fazendo com esse time?
Porque a impressão que eu tenho, acompanhando o seu trabalho aqui da minha poltrona, é que você não sabe direito… Que as coisas simplesmente vão acontecendo. Uma vez são três volantes, na outra são dois. Depois voltam os três. Sem nenhum critério. Elano era titular absoluto, depois foi para o banco, daí voltou, aí fica um tempo sem ser lembrado, volta como camisa 7. E o Ronaldinho Gaúcho, então? Quando estava na maior pindaíba, gordo e sem jogar, virou homem de confiança nas Olimpíadas e Eliminatórias. Agora que ele ensaia uma boa seqüência de jogos no Milan, você diz que é preciso esperar que ele recupere a forma física. Me explique estas questões, prezado treinador.
Porque, para mim, nada disso parece ser pensado, planejado… Acho, isso sim, que você achou uma base. Ela tem Júlio César, Maicon, Lúcio, Juan (o rapaz está cheio de problemas físicos, duvido que chegue inteiro a 2010), Gilberto Silva (gosto não se discute, lamenta-se), Kaká, Robinho e, agora, Luís Fabiano. Seu trabalho se resume a oito jogadores. O resto (como eles são distribuídos em campo, que esquemas táticos o time deve usar etc) simplesmente “vai acontecendo”… Estou errado?
O Brasil jogou contra Portugal com um losango no meio-campo. Gilberto Silva estava na ponta defensiva. Elano foi o vértice da direita e Ânderson, o da esquerda — dois jogadores que combatem e saem para o jogo, especialmente pelos lados do campo. Kaká ficou na ponta ofensiva.
Na ataque, estavam escalados os hoje incontestáveis Robinho e Luís Fabiano.
Digamos que, na euforia dessa goleada, Dunga tenha um surto e euforia e diga para si mesmo: achei o meu time, a minha maneira de jogar! Vamos fazer essa suposição. Como ele faria para encaixar Ronaldinho Gaúcho neste time, então? No lugar de Kaká, nem pensar (todos concordam comigo, né?). No de Robinho, idem. No de Luís Fabiano é impossível. Restariam Elano e Ânderson. Mas Ronaldinho não consegue ser este meia “combativo” pela esquerda. Não é a dele.
Se o Brasil achar que finalmente tem um time, uma maneira de jogar depois dessa goleada contra Portugal, isso quer dizer que Ronaldinho não tem vaga na equipe titular. E, quer saber? Não vejo problema nenhum nisso…
O amigo Cléber Machado tem colocado em debate no Arena o tema “futebol brasileiro x futebol europeu”. Resolvi escrever sobre isso (texto publicado no Jornal Placar). Eis o que penso sobre o tema:
Tem gente que se emociona mais ouvindo um cantor de churrascaria tocando “Você é Luz”, do Wando, que uma orquestra sinfônica, com instrumentistas brilhantes e renomados. Nem sempre, ter o melhor artista é sinônimo de ter mais emoção, de o espetáculo cativar mais o público.
Prefiro assistir a um Flamengo x Palmeiras que a um clássico entre Arsenal e Liverpool. Não sou maluco (não tanto…). Sei que os melhores artistas estão na Europa. Os melhores palcos também. Aqueles gramados lisinhos, estádios lotados e sem alambrado… O espetáculo deles é bem mais refinado que o nosso. Mas o futebol brasileiro é meu Wando.
Nasci aqui, vivo o dia-a-dia dos nossos clubes, conheço palmeirenses e flamenguistas, tenho quem zoar no corredor da firma na segunda-feira. Mas negar que o futebol europeu é melhor que o jogado aqui dentro é negar o óbvio. Você prefere assistir ao Evandro, do Palmeiras, ou ao Kaká?
Nossa primeira divisão está lá fora. Mas nossos jogos são emocionantes e disputados como em nenhum outro lugar. Por isso, também, são tão legais!
Só não vamos misturar emoção com qualidade. Uma pelada de várzea que termine 8 x 8 é gostosa de assistir…
O futebol inglês está na moda e até quem não acompanha tem que inventar, para não pegar mal no boteco, que viu o último West Ham x Totten-ham. Não tenho vergonha de admitir: fico com o nosso Wando! E não abro.
Autor: André Rizek - Categoria(s):Arena SportvTags:
Noticiamos no jornal Placar desta segunda-feira que representantes do meia do Coritiba se reúnem amanhã com a diretoria do São Paulo. O martelo não será batido. O Tricolor, por enquanto, quer saber quanto custa o jogador que chegou para o Coxa por 700 mil reais, vindo do Santa Cruz, e que agora está valorizado, depois de fazer um bom Brasileiro. Entre o clube paulista e o jogador não haveria nenhuma dificuldade de acerto.
Nas últimas semanas também foi noticiado que o Palmeiras estaria interessado no jogador. Não existe nada com o Verdão (pelo menos até agora). Carlinhos é que se encantou com a idéia de jogar com Vanderlei Luxemburgo — técnico que tem a imagem de valorizar os jogadores que atuam na equipes dirigidas por ele –, mas não houve interesse mútuo.
Volante ou meia?
Hernanes esteve hoje no Arena Sportv. Conversando com ele fora do ar, sobre sua maneira de jogar, ele disse aquilo que todo mundo já sabe: é um volante, não um meia. Mas é sempre melhor ouvir essas coisas (de conhecimento público) da boca do próprio jogador.
“Eu me saio melhor quando chego no ataque vindo de trás, não recebendo a bola lá na frente. Sou volante mesmo, não um meia”.
Para muita gente, volantes técnicos são a mesma coisa que um armador. Não são. Assim como atacantes não são meias. Mais de Hernanes:
“Eu só consigo render se tiver um volante marcador ao meu lado, para eu ter de liberdade de avançar. Por isso me encaixei tão bem com o Jean”. Ele disse UM volante. Se o São Paulo usasse Jean, Zé Luís e Hernanes no meio, por exemplo, o jogador se transformaria em um meia. E não daria certo.
Resumo da ópera: Hernanes é segundo volante. E qualquer coisa fora disso é improvisá-lo – e diminuir seu futebol. Problema para quem, como eu, gostaria de ver Hernandes e Ramires como os volantes da Seleção…
Jornalista, 33 anos, desconfiado. Repórter especial da revista Placar e comentarista do SPORTV. “Vida pregressa”: Ex-editor especial de Playboy (bons tempos…), repórter da Veja, repórter de esporte do Jornal da Tarde e do Lance!, editor de esportes do Último Segundo.