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06/10/2008 - 12:05

Um Flaflu na política

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Petistas e tucanos sempre fizeram o maior esforço para mostrar que são diferentes, que não podem se misturar, como se fossem água e óleo. Seus principais líderes, como José Serra, Fernando Henrique e Lula, têm trajetórias até certo ponto semelhantes. Surgiram na política durante a luta contra a ditadura militar e os políticos da extinta Arena, que hoje estão em partidos como o antigo PFL (hoje DEM), PTB, PDS (hoje PP).

Mas para brigar um com o outro pelo poder, o PSDB foi buscar o antigo PFL do ACM para suas fileiras, quando viu a chance de chegar à presidência. E o PT foi atrás do PTB do Roberto Jeferson, do PP do Maluf e de muitos outros. Tudo isso porque petistas e tucanos, por mais afinidades que tenham, brigam por poder e não aceitam dividi-lo. O PT tem mais afinidade ideológica com o PSDB de José Serra e Fernando Henrique ou com o PP de Maluf, que hoje faz parte de sua base aliada no Congresso?

Política no Brasil virou um Flaflu, um Grenal, um São Paulo x Palmeiras. Petistas e tucanos mais parecem torcedores rivais que políticos de verdade. Vejam os exemplos das eleições municipais de Minas Gerais, Rio e São Paulo.

No Rio, os petistas apóiam no segundo turno o tucano de carteirinha Eduardo Paes (agora no PMDB, mas o cara fez fama como tucano roxo, quando foi secretário-geral do partido). Apóiam Paes contra o ex-petista de carteirinha Fernando Gabeira (quase foi candidato a vice-presidente na chapa do Lula em 1989…). Gabeira tem um vice tucano e será apoiado, obviamente, pelo PSDB no segundo turno. Que coisa de maluco! É o PSDB apoiando o Gabeira (está certo que fez oposição ao Lula, mas é o Gabeira…). E o PT apoiando o Eduardo Paes (está certo que está no PMDB, mas é o Eduardo Paes…). Não era mais fácil fazer uma chama tucano-petista de verdade, em vez de ficar fazendo esses caminhos tortuosos? A eleição no Rio mostra com exatidão: petistas e tucanos deveriam ser muito mais aliados que adversários.

Foi o que tentaram em Minas o governador tucano Aécio Neves e o prefeito petista Fernando Pimentel. Lançaram juntos um candidato que tinha tudo para ser um marco na política brasileira. Mas aí o candidato não venceu no primeiro turno. E o que a gente vê? Um monte de líder petista e tucano comemorando o “fracasso” do acordo. Por que, se desse certo, as pessoas poderiam descobrir que PT e PSDB, no fundo, são mais aliados que adversários mesmo. E que, juntos, não precisariam se aliar a partidos que sempre combateram. Mas aí acabaria o doce das crianças… E PT e PSDB, se coligados, não poderiam mais brigar por poder. O poder, no fim das contas, é o que conta para eles.

Como mostra a eleição em São Paulo. Converse com um petista sobre o segundo turno na capital paulista e você vai ouvir que nem tudo está perdido, porque o partido espera que boa parte dos votos de Alckmin migre para Marta agora. Motivo: os tucanos teriam mais afinidades ideológicas com os petistas do que com seus aliados do DEM. Basta ver que, em 1998, Marta apoiou o tucano Mário Covas no segundo turno para o governo estadual. E Kassab estava com Paulo Maluf naquela eleição.

Embora parecidos, eles não se misturam de jeito nenhum. PT e PSDB não são exatamente partidos. Viraram torcidas. E, como qualquer discussão futebolística entre gente apaixonada, não há mais razão em jogo, ficou apenas a paixão. A paixão, no caso, de derrotar o outro, nem que seja com gol de mão, atropelando seus próprios princípios.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Política Tags:

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65 comentários para “Um Flaflu na política”

  1. José Ricardo disse:

    Nesse torneio do PT é o Flamengo e PSDB é o Fluminense (quase lanterna), e vc é o NETO: comentarista trouxa.

  2. Caro reporter: Quando Lula e FHC disputaram suas primeiras eleições para prisidente da república, eu disse o mesmo aqui em meu habitat. Eu disse que o Brasil estava nas mãos da esquerda, estava em boas mãos. Só que não sou nada na imprensa nacional. Eu dizer é uma coisa, você dizer é outra. Você esta corretíssimo em sua linha de raciocínio.

    Parabéns pela matéria.

  3. Mary disse:

    É interessante a colocação de cada, mas acredito que o PSDB, perdeu suas forças, ao apostar todas em FHC x Serra, que manda e desmanda no partido, basta ver o que aconteceu em São Paulo onde Serra deixa o Kassab/Dem usar e abusar do seu nome, esquecendo que está promovendo o partido DEM/PMDB e Kassab pode traí-lo em 2010, pois duvido que depois de passar anos em cima do muro, o PMDD que usa várias estratégias não vai querer a Presidência pra ele. Vou mais além… Acredito que esse apoio do PMDB com o Kassad/Dem, tem a ver, com algum desentendimento, entre a cúpula petista, que vendia a imagem da Ministra Dilma, deixando-os inseguro. A partir daí… o Orestes Quércia – PMDB, que seu partido se projetou através do PT, perdeu a memória em prol dos jogos de interesse e resolveu se vingar, usando quem? Serra! Aquele que faz qualquer coisa pra ter a Presidência da República, até trair seu partido, mas, como toda traição ele também pode ser traído em 2010. Enfim… Vamos ver, a novela continua….

  4. Tatiana disse:

    Comparaste muito bem. E pensar que o personagem cômico era aquele outro lá, um tal Odorico Paraguassú.

  5. enzo disse:

    vc é comentarista esportivo ou político?? logo mais o wiliam bonner estará no mesa redonda comentando futebol!!!!

  6. Renato Lemos disse:

    PT e PSDB tem diferenças irreconciliáveis em programas, visões da política externa, privatizações e a participação do Estado na economia. Essa lorota de que os dois são iguais é coisa de tucanos, mais ou menos equivalente a dizer nos EUA que republicanos e democratas são a mesma coisa. Quando vejo alguém falando que PT e PSDB são iguais já sei de cara que o bicho tem bico e penas…

  7. ricardo disse:

    acho essa comparação simplesmente ridícula!!!!!!!!! desde quando a política é diversão para o povo’ainda mais com essa classe política?(corrupta e bandida).Amigão’muda de emprego que seu negócio não é jornalismo!!!!!

  8. Irving disse:

    Rizek, meu caro.
    Sem entrar no mérito político e parabenizando-o pelo novo visual do blog, venho lhe perguntar:
    Você acha que o Márcio Braga tem algum distúrbio mental?
    Orra! Toda vez que o Flamengo tá razoavelmente bem, aquele beócio abre a boca e começa a vomitar a sua injustificável soberba.
    Que cara chato e inconveniente!
    Cala a boca, Magdo!
    Deixa o time, deixa o campeonato rolar.
    Vamos jogar bola e que vença o melhor.
    Dos cinco primeiros, independentemente de quem for o campeão, o título ficará em boas mãos.
    O Fla tem chance?
    Tem, lógico.
    Como os outros quatro também.
    Essa historinha de preparar a festa do hexa é típico de dirigente velhote que tem a língua maior do que a boca e não sabe o que fala.
    A boca do Márcio Braga não é sanitário, mas há, sempre, grandes dejetos por lá.

    Esse cara enche o saco, vui!

    abraços.

  9. Atentai disse:

    Seu comentario sobre a política, eu concordo em genero, numero e grau.

    Agora, uma pergunta fora do tema.

    O que é conviver, comentaristas tão bons como voce na Sportv e o PVC na ESPN, com outros comentaristas tão ruins como o Müller ou o Lancelotti?

    O Müller ninguém merece. Vai ser ruim lá na China. Consegue ser pior do que a sua ex-companheira de emissora, a Lacombe.

    Hoje ele estava ‘insuperável’ com o entendimento de que jogar num esquema cauteloso (atacar se preservando de contra-ataque) é o mesmo que jogar atrás para não fazer gols. Um primor.

    Voce deveria mostrar a ele, se não quiser parecer arrogante e “querer ensiná-lo” no oficio, apenas o blog do PVC, onde o mesmo falava antes do jogo do Vasco, do esquema suicida do Renato. Previsão que se mostrou absolutamente correta.

    O Müller como comentarista, foi um grande jogador de futebol. Uma das invenções da midia de quem tem santo forte nas corporações jornalisticas.

    Resposta:
    Caro, obrigado pelos elogios e por me colocar no patamar do amigo PVC, a quem considero o melhor de todos nós. Mas obviamente não vou comentar sobre o Muller. Acho que é uma questão de gosto. O bacana é ter variedade numa emissora. Gente que é mais estudiosa, como o Noriega, o Escobar, que acompanha todos os campeonatos, todos os times. E gente que passa uma visão mais boleira, de jogador mesmo, como o Muller (e que tem a qualidade de não fazer média com os amigos dele quando está comentando). Enfim, o importante é ter variedade ali na mesa do Arena.
    Grande abraço

  10. petronilo disse:

    Sou flamenguista e nada tenho contra os pó de arros, entretanto, concordo que PT e PSDB tem muito em comum, mas não chega ser uma salada. O PSDB teve sua composição na classe média e o PT na classe trabalhadora, comm o passar do tempo o PT vireou clase média porem com a mentalidade do
    Gerson (levar vantagem em tudo). Suas ações políticas pende mais para o populismo, tipo Vargas, Lacerda, Chaves e outros, que enganam o povo com promessas e atos de visibilidade duvidosa. Para 2010 temos que ter um candidato com outro perfil, diferente do Lula, só assim poderemos contrabalançar a herança petista que deixará o Lula. E seguiremos em frente com o nosso caldeirão político-cultural. Tudo que está acontecenodo hoje é a nossa cara como povo aculturado.

  11. Élcio Vaz disse:

    Rizek, até entendo a boa vontade no que você quer dizer. Mas há um engano muito forte em seu texo, um esquecimento talvez, que é sobre a origem histórica destes dois partidos, e um ponto que mostra fortemente a diferença entre os dois: O PSDB surgiu de uma divisão do PMDB, quando este já não tinha a característica de união das esquerdas contra a ARENA (partido da ditadura), mas sim de um partido de oligarcas e oportunistas como Íris Rezende, Orestes Quércia, etc.
    O PT surgiu da união de forças de um conjunto de intelectuais de esquerda, sim, mas também de sindicatos e de movimentos sociais. Esta é a grande diferença !
    O PT e o PSDB mudaram muito, mas ainda há no PT uma certa representação e preocupação com as classes populares.
    O PSDB de hoje, só representa o interesse das elites. Isto para mim é claro.

  12. Luis disse:

    Muito bom texto, Rizek. Concordo sobre a semelhança entre PT e PSDB em diversos pontos e também nas contradições que eles apresentam naqueles que hoje são seus aliados (PP e DEM, respectivamente)

    Essa comparação poderia ser levada mais a fundo também se pegarmos como exemplo a maneira como o PT foi tratado pela imprensa nas eleições de 89. Naquela ocasião, o rival não era o PSDB, mas sim o candidato Collor.
    Mas o ponto é: por quê a imprensa adora o spfc e não consegue tratar da mesma maneira os rivais Palmeiras e corinthians? Por quê a imprensa finge que não vê quando o spfc usa dinheiro público no Morumbi?

    Acho que vale a pena uma comparação entre os textos jornalísticos dos principais veículos de comunicação quando mencionam Palmeiras e quando mencionam spfc.

  13. amilcar correa junior disse:

    politica é um lixo e o povo em boa parte do Brasil ainda é péssimo na hora de votar basta ver que na região da baixada santista deram um cheque em branco para um cidadão que so sabe pintar meio fio e inaugurar praça,agora o pior disso tudo é que nessa região o pobre vota nos bacanas porque quer se sentir importante,vota cegamente como se não precisasse de nada para viver .
    Quabdi abrirem os olhos e enxergarem que estragaram tudo ao entregar a cidade a imcompetentes ja estaram com o pé na cova e os seus decendentes que se virem.

    No mais Santos sempre Santos ….

  14. PETER PALMEIRENSE disse:

    Rizek, uma correção, por favor.
    O maior clássico de Sampa não é Palmeiras e Bambis, mas sim, Palmeiras e Corinthians – isto é fato, é tradição e faz parte do folclore do futebol do mundo.
    Pode corrigir ? os Bambis são simples adversários do Verdão, nada mais do que isso.

  15. Romário 1002 Gols disse:

    o pt é popularíssimo no resto do Brasil mas em sp sempre perde, a capital paulista é absolutamente anti-pt como relata a coluna do O Globo hoje…em sao paulo a maioria sempre vota nos candidatos dos ricos…lula foi eleito contra a vontade do povo paulista, por eles alckmin seria o atual presidente qdo a votacao nacional foi 60,2%…a marta foi eleita prefeita em 2000 pq chegou no 2 turno com o Maluf, já provado um grande ladrão q já naquela epoca nao tinha chances de vencer uma eleiçao, apenas chegar num 2 turno e naquela eleicao marta foi apoiada pelo PSDB…e aqui o PSDB é um nada e nem sequer lança candidatos, e o PMDB é o mais forte enquanto em sp, o pmdb q é fraco…mas o resultado em sao paulo nao serve para nada, já q mesmo q sao paulo odeie o lula e a marta perca, se ele pudesse se candidatar para um terceiro mandato, seria até covardia…o Flamengo não é a maior torcida do Brasil mesmo com a imensa populaçao da cidade mais feia do Brasil, mto maior q no Rio ?

  16. Carlos disse:

    Aqui na minha cidade, o prefeito era do PT e coligado com o PC do B. Mas para montar a chapa deste ano, o PT jogou de lado o PC do B, que por sua vez, ficou bastante bravo, formando uma coligação com o PSDB (!!). Desta forma, a chapa do PSDB tinha como candidato a prefeito um cara do PSDB e a voce do PC do B. Coisa de louco!

    Bom, quem ganhou foi o PSDB-PC. PT perdeu.
    À propósito, sou de Botucatu, interior de São Paulo

  17. Pedro disse:

    Essa forma de analisar a democracia nacional através da disputa pelo poder entre partidos políticos que em seus fundamentos pouco diferem entre si não é novidade, já tendo sido inclusive apontada por gente como o próprio Fernando Henrique, que disse exatamente o que voce disse sobre o caracterizava a disputa entre o PSDB e o PT atualmente. As alianças políticas que descaracterizam as bases ideológicas dos partidos, tornando-os parecidos, é fruto da própria incoerência inerente do modelo democrático, que ao induzir os partidos a buscarem alianças para terem chances reais de assumir o poder, elimina a opção real do surgimento de uma alternativa política, que ao fim justificaria a existencia do conceito de democracia. Se o cidadão de vê obrigado a decidir entre dois partidos que de modo geral representam mesma coisa, de que serve seu voto?
    Entretanto quero dizer que, a despeito de todo esse jogo de alianças e trocas de partidos, existe sim uma diferença entre o PT e o PSDB que não pode ser analisada desse modo simplista de FLAxFLU político, especialmente quando fazemos a comparação entre o Governo federal de Lula e FHC. Existem diferenças estruturais em alguns aspectos entre esses dois governos, como por exemplo a condução da política externa e as políticas públicas de inclusão social (fortes traços remanescentes da base ideológica originária do PT). Isso significa que, por mais que os grandes partidos tenham de fazer concessões em torno de seu viés ideológico para atrair alianças a vencer uma eleição, ao assumir o poder continua sendo o condutor maior das políticas de seu governo, sendo portanto ainda capaz de discernir entre os rumos a serem tomados. PT só é igual a PSDB aos olhos de Tucanos que agora querem tirar proveito de tudo aquilo que não fizeram. É preciso ter cuidado com os reducionismos, pois com eles pode-se eliminar o próprio sentido da democracia.

  18. Leo Lessa disse:

    Interessante essa analogia com o FlaXFlu, outro dia eu comentava como os petistas tinham resumido a opção política a uma espdécie de paixão futebolística, como se a saída de um membro do partido, que não mais defende os ideais de outrora, fosse virar a casaca.
    Apesar de utilizarmos em contextos diferentes a analogia com o futebol reflete muito bem o reducionismo à disputa de poder em que se transformou a política nacional.
    Pegando o ensejo eu indago: ainda vale a pena manter o voto como um dever (obrigatório)?

  19. valter disse:

    e o pais q se dane, o ego fala mais alto, preferem corruptos junto deles .
    valter

  20. Muito bom André! Faço Ciências Sociais na UFF, logo, obviamente tenho aula de Ciência Política e nunca tinha pensado através desse viés. Gostei muito do seu texto. Começarei a acompanhar o blog diariamente a partir de hoje.

    Abraço

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