Um Flaflu na política | Carta-bomba, por André Rizek
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06/10/2008 - 12:05

Um Flaflu na política

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Petistas e tucanos sempre fizeram o maior esforço para mostrar que são diferentes, que não podem se misturar, como se fossem água e óleo. Seus principais líderes, como José Serra, Fernando Henrique e Lula, têm trajetórias até certo ponto semelhantes. Surgiram na política durante a luta contra a ditadura militar e os políticos da extinta Arena, que hoje estão em partidos como o antigo PFL (hoje DEM), PTB, PDS (hoje PP).

Mas para brigar um com o outro pelo poder, o PSDB foi buscar o antigo PFL do ACM para suas fileiras, quando viu a chance de chegar à presidência. E o PT foi atrás do PTB do Roberto Jeferson, do PP do Maluf e de muitos outros. Tudo isso porque petistas e tucanos, por mais afinidades que tenham, brigam por poder e não aceitam dividi-lo. O PT tem mais afinidade ideológica com o PSDB de José Serra e Fernando Henrique ou com o PP de Maluf, que hoje faz parte de sua base aliada no Congresso?

Política no Brasil virou um Flaflu, um Grenal, um São Paulo x Palmeiras. Petistas e tucanos mais parecem torcedores rivais que políticos de verdade. Vejam os exemplos das eleições municipais de Minas Gerais, Rio e São Paulo.

No Rio, os petistas apóiam no segundo turno o tucano de carteirinha Eduardo Paes (agora no PMDB, mas o cara fez fama como tucano roxo, quando foi secretário-geral do partido). Apóiam Paes contra o ex-petista de carteirinha Fernando Gabeira (quase foi candidato a vice-presidente na chapa do Lula em 1989…). Gabeira tem um vice tucano e será apoiado, obviamente, pelo PSDB no segundo turno. Que coisa de maluco! É o PSDB apoiando o Gabeira (está certo que fez oposição ao Lula, mas é o Gabeira…). E o PT apoiando o Eduardo Paes (está certo que está no PMDB, mas é o Eduardo Paes…). Não era mais fácil fazer uma chama tucano-petista de verdade, em vez de ficar fazendo esses caminhos tortuosos? A eleição no Rio mostra com exatidão: petistas e tucanos deveriam ser muito mais aliados que adversários.

Foi o que tentaram em Minas o governador tucano Aécio Neves e o prefeito petista Fernando Pimentel. Lançaram juntos um candidato que tinha tudo para ser um marco na política brasileira. Mas aí o candidato não venceu no primeiro turno. E o que a gente vê? Um monte de líder petista e tucano comemorando o “fracasso” do acordo. Por que, se desse certo, as pessoas poderiam descobrir que PT e PSDB, no fundo, são mais aliados que adversários mesmo. E que, juntos, não precisariam se aliar a partidos que sempre combateram. Mas aí acabaria o doce das crianças… E PT e PSDB, se coligados, não poderiam mais brigar por poder. O poder, no fim das contas, é o que conta para eles.

Como mostra a eleição em São Paulo. Converse com um petista sobre o segundo turno na capital paulista e você vai ouvir que nem tudo está perdido, porque o partido espera que boa parte dos votos de Alckmin migre para Marta agora. Motivo: os tucanos teriam mais afinidades ideológicas com os petistas do que com seus aliados do DEM. Basta ver que, em 1998, Marta apoiou o tucano Mário Covas no segundo turno para o governo estadual. E Kassab estava com Paulo Maluf naquela eleição.

Embora parecidos, eles não se misturam de jeito nenhum. PT e PSDB não são exatamente partidos. Viraram torcidas. E, como qualquer discussão futebolística entre gente apaixonada, não há mais razão em jogo, ficou apenas a paixão. A paixão, no caso, de derrotar o outro, nem que seja com gol de mão, atropelando seus próprios princípios.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Política Tags:

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65 comentários para “Um Flaflu na política”

  1. rogerio disse:

    Rizek, a ideologia só sai da gaveta na hora de fidelizar a militancia…so sobrevive no discurso…na prática, ao chegar ao poder, governar ou fazer acordos e colisões o que menos importa é a ideologia, até porque ideologia é uma coisa de princípios, e os torturosos meios políticos só se importam mesmo é com os fins…por isso cada vez mais importa menos o partido o que o candidato em si….temos que ver sim o que ele prometeu, efetivamente fez ou deixou de fazer e que condutas assumiu perante seu acertos e principalmente aos erros….

  2. Daniel disse:

    Opa Rizek, se esta ERRADO no post o que diz sobre o Gabeira ter sido vice do Lula, porque vc nao corrige no post?? Pouca gente realmente chega aos comentarios.

    Faz o favor de arrumar ao inves de dar informacoes erradas e, no caso, tendenciosas?

    A proposito, nao gostaria de ter uma resposta ao meu comentario. Arrumar o post seria a melhor delas.

  3. Nivaldo da Costa Pereira disse:

    Petistas e tucanos são iguais por serem diferentes; dialética com farofa e esfiha

  4. Sérgio Vianna disse:

    Prezadíssimo Rizek,
    Sua opinião deve ser respeitada democraticamente, um direito de todo cidadão. Podemos discordar da sua tese. Também um direito legítimo e democrático. Entretanto, você pode ver nos comentários muitas reações emocionadas e passionais. Neste ponto você acertou: a política tem mais paixão do que razão. Outro dia encontrei um comentário de internauta numa matéria política de jornal via internet a seguinte tese:
    “A política.
    Viver em sociedade é viver no mundo da política.
    E fazer política é jogar uma partida recheada de interesses.
    As regras do jogo são claras, todos aprendem cedo.
    Ainda quando criança há articulação nas brincadeiras.
    Pior ainda quando somos o dono da bola.
    Mesmo quando bebê, o melhor colo é o requerido.
    Na adolescência trabalhamos na formação do time.
    Da tribo, do grêmio, da galera, como preferir.
    Assim a defendemos como um zagueiro.
    E reivindicamos como um atacante.
    Às vezes marcamos, outras erramos e não obstante tomamos gol.
    E se estende à idade adulta o jogo da política.
    Então prevalece o conjunto da obra.
    O truculento, o famoso bajulador e o que fica em cima do muro.
    Quem esquivar-se com maior habilidade será o eleito.
    O avalista das decisões (está) na rua, na escola, no trabalho e até no lar.
    E assim caminha a humanidade, fazendo política.”
    “Internauta Naldo Valença.”.
    Veja que beleza de tese, a de que iniciamos a política desde cedo, ainda no colo da mãe. Portanto, a política é a arte da convivência entre os humanos. Sem ela vale a lei do mais forte, a lei da selva. Evidente que nós, os humanos, muitas vezes deixamos de lado o respeito à regra do jogo e metemos um gol de mão. E saímos comemorando. Nossos amigos gostam e os inimigos protestam. Para manter o jogo dentro das regras é preciso ter controle, regras, Leis, Constituição. E temos que tomar conta do processo e dos eleitos, sejam quais forem eles. Não há mal na disputa, nem nas contradições. Encontraremos disputas e contradições em qualquer segmento controlado por humanos. Quem vai decidir, no caso o povo, deve estar atento à disputa e suas contradições inerentes e fazer sua opção. Na democracia definida entre nós, brasileiros, o segundo turno serve para costurar acordos da última hora. Esta é a regra, já conhecida de todos antes da partida começar. Se os tucanos preferirem o Kassab por ódio pré-concebido de Marta, paciência. O mesmo poderia ser dito dos petistas que optarem por Paes contra Gabeira. Vencer no segundo turno (ou perder) tem essas implicações: quem consegue passar (ou não) a mensagem de forma mais direta ao eleitor. No caso de Lacerda versus Quintão há uma componente extra: os atuais prefeito e governador, de PT e PSDB, respectivamente, tentaram uma grande jogada política impondo aos seus partidos uma solução deles, e não da base dos dois partidos. E o povo fugiu desse debate e descarregou votos no Quintão, surpreendendo a todos. E não é novidade. Em Porto Alegre, há quatro anos, enquanto os dois partidos maiores brigavam entre eles, por fora veio o candidato (na época, no PPS)e levou a eleição contra os dois brigões. Resumindo: eu acho que a disputa é saudável e democrática. E deve existir. É da nossa gênese. Mas deve respeitar o povo e tê-lo em primeiro lugar ao se traçar metas e projetos. Quando esquecem da população ela aparece e corrige a contenda. E pra terminar mesmo: Gosto muito de você comentando futebol. Na política você também tem seu direito assegurado. Mas Tucanos e Petistas estão tão próximos quanto os democratas e os republicanos norte-americanos.

  5. Dori Little disse:

    gwai6paz5shlal85

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