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Arquivo de outubro, 2008

31/10/2008 - 17:33

Eu sei que prometi…

Selecionar as melhores respostas de leitores para o post “Ronaldo e as verdades do futebol” (aqui embaixo…). Mas não vou cumprir! Não consigo. Até o momento, são 135 comentários e foram raras as vezes em que me diverti tanto lendo o que vocês escrevem aqui no nosso espaço.

Portanto, recomendo a leitura de TODOS os comentários. Mesmo quem baixou o nível (um pouquinho…) o fez com certa classe desta vez.

Os leitores são, muitas vezes, o melhor dos blogs…

Agradeço a todos que escreveram.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
31/10/2008 - 11:33

Meu caro Dunga,

Assim que anunciaram Maradona como técnico da Argentina, eu pensei em você. Em como reagiu com a notícia. Corrija-me se estiver errado, mas aposto que você pensou algo como “eu aqui trabalhando seriamente e esses jornalistas de merda achando o máximo que um palhaço como o Maradona assuma a seleção argentina. Por isso que eu não respeito essa imprensa. Vão lá aplaudir o Maradona”.

Se foi isso o que você pensou mesmo, eu entendo. Mas, prezado treinador, agora tente compreender por que boa parte dos jornalistas ficou maluco com essa notícia. Conheço sua visão sobre o que é uma seleção: ganhar taças, ponto final. Mas eu – e a maioria das pessoas, creio – acha que é muito mais que isso… Além de ganhar (claro que é fundamental!), uma seleção tem que divertir e orgulhar um país. Porque uma seleção também é, no caso do Brasil, nosso mais forte sinal de “identidade nacional”. É uma das poucas coisas que une o gaúcho da fronteira ao seringueiro da Amazônia. A Seleção é uma das poucas coisas que esse conceito amplo e vago chamado “povo brasileiro” consegue chamar de “nossa”.

Você, jogador vencedor que foi, deve achar esse papo uma tremenda chatice…

Eu sempre fui fã do Dunga que suou as camisas de Inter, Corinthians, Vasco, Fiorentina, Seleção… Adorava vê-lo em campo. Mas sabe por que você, como treinador, não desperta a simpatia nos brasileiros como Maradona para os argentinos? Porque o brasileiro não consegue se enxergar em você, ou na “sua” seleção. Você nem faz o menor esforço para isso… Sua seleção é triste, sisuda, aguada, mal-humorada. Quase uma Alemanha.

O brasileiro se enxergava na seleção de 1982, com Falcão, Sócrates e Zico. Mesmo perdendo. E é isso o que deixa você maluco da vida, não é? “Ganhei uma Copa, mas os caras só ficam falando do meio-campo de 1982, que perdeu”. Perdeu, Dunga, mas o brasileiro (que acha que é alegre e faceiro) se viu bem representado ali, no time do Telê. Fazer o quê?

O argentino olha para o Maradona e enxerga “Argentina” escrito naquela testa gorda. El Pibe tem aquela coisa de se achar muito mais do que realmente é (Maradona foi um monstro, mas é também a exata definição daquele ditado do “compre-o pelo que ele vale. Venda-o por aquilo que ele acha que vale e ficará rico”). Maradona é um tango. Dramático, chorão, apaixonado. Maradona é Argentina na veia. E por isso os hermanos, creio, serão felizes, terão orgulho da seleção deles. Eu confesso: sinto inveja da grama do vizinho.

Sei que você, se ler esta carta, vai soltar algo como “mais um jornalista de m…”. Tudo bem. Fiquei com vontade de lhe escrever nesta semana, porque no fundo achei que poderia fazer você ver as coisas por um outro ângulo.

Espero que estas linhas não piorem ainda mais a sua relação com a Revista Placar… Estamos tentando entrevistar você há meses e esta carta é de minha responsabilidade. Na semana que vem, nem estarei mais na revista, pois vou cuidar do jornal que a Editora Abril vai lançar dia 10. Fale com a revista, prezado treinador. Talvez Placar (e seus leitores) consiga entendê-lo melhor depois disso…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Seleção Tags: ,
30/10/2008 - 21:45

Vasco 2 x 2 Atlético-PR. Reflexão sobre “promessas”

Poucos jogadores conseguem dar uma longa arrancada (daquelas de deixar zagueiro para trás…), invadir a área e ainda ter pulmão e massa cinzenta para, na frente do goleiro, não perdoar. Ronaldo é a exceção clássica. Geralmente, atacantes ou correm ou “põem para dentro”. Faltavam 10 minutos. O Atlético Paranaense vencia por 2 x 1 e teve a chance de fazer o terceiro contra o Vasco, em São Januário. Pedro Oldoni, que já tinha feito o dele, arrancou. Deixou os zagueiros para trás. Invadiu a área. Ficou na frente do goleiro. E eu pensei: “Olha o Pedro Oldoni…” Mas aí ele deu um chutinho ridículo. E não conseguiu mudar o conceito que tenho sobre ele (juro que me esforço):

Que jogador ruinzinho… Como pode ter fama de promessa?

Pelo menos o garoto Madson, que fez o gol do empate do Vasco por 2 x 2 pouco antes de o jogo acabar (golaço), toda a torcida do Vasco sabe. Apesar dos litros de suor que derrama a cada partida (e contra o Furacão foi talvez o melhor em campo), é um jogador ruinzinho… Não à toa, tem sido um dos símbolos do time carioca este ano.

Mas o Pedro Oldoni…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Atlético Paranaense, Brasileirão, Vasco Tags: ,
30/10/2008 - 11:52

E o favorito é…

Um dia o Flamengo perde em casa do Atlético Mineiro, no outro enfia 5 x 0 goela abaixo no Coritiba. O Cruzeiro perde do fraco Atlético Paranaense, depois massacra o líder Grêmio. O único time que vem mantendo uma boa média de resultados nesta reta final, invicto há 12 jogos, é o São Paulo. De “resultados”. O time, cascudo, é mais competitivo que os outros neste G5, mesmo sem jogar, necessariamente, o melhor futebol. Ou o mais “vistoso”, como queiram. O São Paulo (ê time cascudo) ganha na marra — e contra o Botafogo ganhou no apito… Mas seu jogo não “flui” como o do Cruzeiro (nos bons dias), nem como o jogo do próprio São Paulo ano passado.

Num mata-mata, seria mais imprevisível. Mas como em pontos corridos ganha o mais regular, já decretaram a “pinta de campeão” para o São Paulo. Basta ver as manchetes, escutar os programas de rádio, conversar com as pessoas na rua (de São Paulo…). Há duas semanas, a “pinta” estava colada no Palmeiras.

O Palmeiras empacou (e a torcida sente isso — como pode irem apenas 13 mil pessoas nesta partida com o Goiás?). Faz duas semanas, eu via o time do Luxemburgo no melhor momento técnico entre os participantes do G5. Está claro, depois de má partida contra o Goiás, que o time reduziu a marcha de maneira preocupante — levou sufuco e, ganhando de 1 x 0, deu brecha para vários contra-ataques perigosíssimos do rival, em pleno Palestra Itália.

A maioria das pessoas sempre desconfiou do Grêmio. Mas eu, sinceramente, não vejo qual é a novidade nesta derrota de 3 x 0 para o Cruzeiro… O time levou 2 x 0 da Lusa duas rodadas atrás! A torcida do Grêmio sabe que o time está sujeito a tropeços como este. Prova disso é que, uma rodada depois de ser massacrado pelo Inter no Beira Rio, os tricolores foram encher o Olímpico para a partida seguinte, contra o Santos (um belo contraste com a torcida do Palmeiras, que desanimou com os 3 x 0 que o time levou do Fluminense no sábado…).

O Cruzeiro é o time preferido (de assistir) para a maioria das pessoas (incluindo Muricy Ramalho). O Flamengo tem boa seqüência dentro de casa…

Desculpem frustá-los, caros leitores. A seis rodadas do fim, ainda não consigo completar a frase que dá o título deste post… Seria um mero chute. E eu mudaria de idéia na semana que vem.

Que campeonato!

Autor: André Rizek - Categoria(s): Brasileirão, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, São Paulo Tags:
29/10/2008 - 11:43

Maradona x Dunga

Diego Armando Maradona foi a maneira que a seleção argentina achou para dar um recado: chega de treinadores de verdade, aqueles sujeitos estudiosos e que “manjam” de tática como Daniel Passarella (1998), Marcelo Bielsa (2002), Peckerman (2006) e Alfio Basile. Eles já tiveram vários “treinadores de verdade” nos últimos tempos, dirigindo autênticos timaços no papel, e nada aconteceu. Recorreram, então, a um símbolo. Se apostassem agora em Carlos Bianchi ou Miguel Angel Russo (o técnico que lidera o campeonato no comando do San Lorenzo), seria como apostar em mais do mesmo.

Maradona treinador nada mais é que um símbolo. Terá o velho amigo Bilardo do seu lado (o treinador de 1986), para ser o lado “tático” dessa comissão técnica. Por Maradona mesmo vai ter a função de fazer discursos inflamados (nas entrevistas e dentro do vestiário), de convocar jogadores que representem o “verdadeiro espírito argentino”, de escalar um time para frente, “como a Argentina deve jogar”. Vai ter o respeito (sincero) de muitos jogadores que, como qualquer argentino, terão a certeza de que estão diante de um Deus. Pelo menos no começo…

Curioso nessa escolha é que os argentinos adoram e levam a sério esse negócio de tática, a ponto de discutir sobre “duas linha de quatro” na mesa de boteco – o brasileiro vê o futebol de maneira bem diferente, mais como festa, como celebração do nosso “talento natural”. Os argentinos amam tática. Mas amam Maradona muito mais. Vai dar certo? Eu não tenho a menor idéia.

De toda forma, quando você tem Messi, Riquelme, Gago, Aguero, Tevez, Iguain etc, fica muito mais fácil de as coisas funcionarem. O treinador tem importância menor. E um símbolo pode bastar, para que dentro de campo os jogadores resolvam.

Apostar em um símbolo para técnico também foi a saída do Brasil. Um símbolo diferente deles, evidentemente. Quando Dunga foi escolhido, representou a aposta de que tínhamos os melhores jogadores do mundo. Que “só” precisávamos de um sargento para colocar esses caras na linha. Hoje, sabemos que não temos uma geração tão maravilhosa assim. E que, precisamos, isso sim, de um “técnico de verdade”, que tenha repertório para montar um time, para testar jogadores e esquemas diferentes. Justamente aquilo que a Argentina tentou fazer, sem sucesso, nos últimos anos… No futebol, às vezes você faz as melhores escolhas, mas elas simplesmente não funcionam. Não dá para cobrar lógica empresarial no futebol o tempo todo. E por isso mesmo ele é tão fascinante…

De toda forma, em um cenário cada vez menos importante no futebol mundial – o das seleções nacionais – a chegada de Maradona é um alento. Esse troço vai ser engraçado pra caramba… Invejo os vizinhos. Eles vão se divertir com a seleção deles. O brasileiro sabe. Tão importante quanto ganhar, é ver a Seleção dar orgulho e divertir. Seleção é (também) a identidade de um país. A Argentina larga na frente da gente neste caso…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Seleção, futebol internacional Tags: ,
29/10/2008 - 11:24

Luxa mudou. Para melhor…

Fosse em outros tempos e ele teria dado um escândalo, daqueles chatos de se assistir. Vanderlei Luxemburgo sempre fez questão de deixar claro, por onde passa, que “aqui quem manda sou eu”. Mas desta vez fez isso com a maior classe, sem egocentrismo, na medida certa que uma bronca entre adultos – ainda mais um adulto ídolo como Marcos – deve ter. Luxa mudou. E, sinceramente, depois de ver esta entrevista, eu afirmo sem medo que foi para melhor.

Clique aqui para assistir.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Palmeiras Tags:
27/10/2008 - 23:04

Ronaldo e as “verdades” do futebol

Fiz a cobertura da Copa da Alemanha para a Placar. Quando cheguei em Weggis, onde o Brasil fez aquela “divertida” pré-temporada na Suíça, já comecei a escrever para a revista que, ganhando ou perdendo, depois da Copa todo mundo iria comentar a “preparação” feita pela Seleção, aquele circo que estava sendo armado. Ganhando ou perdendo, ninguém se esqueceria de Weggis.

A gente questionava os jogadores e o Parreira sobre aquilo. Eles repetiam todos os dias que estava tudo bem, que no fundo aquele oba-oba todo não atrapalhava. “Até ajudava”, teve gente dizendo. Era o discurso. Que eu, repórter, fui absorvendo… Cheguei a acreditar no que os caras falaram, vejam que absurdo!
 
Faço esse longo nariz de cera para comentar a entrevista (ótima) que o Ronaldo deu ao Bem, Amigos, do Sportv. Como é bom ouvir esses caras quando eles estão em um “momento verdade”, sem discursos enlatados. Falou o Fenômeno sobre a gorda Copa de 2006:

“Tenho minha participação de culpa, por ter chegado fora de forma… O técnico tem a dele, o presidente tem a dele. A preparação foi o circo que foi”.

Uma pena só ouvir isso agora dele. No futebol, as pessoas dizem o que sentem de verdade apenas em momentos especiais…

Já pensaram sobre como seria divertido se todo mundo só anunciasse verdades nas entrevistas? Se todo mundo fosse como o palmeirense Marcos?

Aproveite o “momento sinceridade” do Ronaldo e mande a verdade (na boca de algum personagem) que você gostaria de ouvir no futebol…

Seleciono as mais interessantes mais tarde. Só verdades, hein…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Seleção Tags:
26/10/2008 - 17:34

Discurso de segunda

O Corinthians fez tudo direitinho. E se reconstrói amparado no que talvez seja o mais importante em um clube: futebol e marketing. Basta ver a rua neste domingo para constatar que o corintiano voltou a ter orgulho. Tudo certo.

Uma questão menos importante agora: aí vem o presidente Andrez Sanchez fazer discurso…

Por que todo mundo que ganha no futebol agora quer ficar dando “respostinha”? Que coisa chata… Não sei quem inventou isso, se foi o Dunga em 1994, mas comemorar dando respostinha é muito chato. Ainda mais quando o que se comemora é um acesso à Série A, por causa de uma gestão absolutamente danosa ao clube, da qual Andrés Sanchez foi fiel escudeiro, se for o caso lembrar. Portanto, não entendo como o cartola, por melhor que sejam as ações de sua gestão agora, queira “crescer” nesse momento, queira fazer discurso…

“É… Para quem dizia que a gente tinha contratado de baciada lá no começo do ano…”

“Para quem diz que o Corinthians não tem um time, ano que vem…”

“Tem gente que fala que aqui é pizza (para dividir jogador com empresários), mas…”

Bom, eu não sei para quem, exatamente, o presidente resolveu dar respostas agora (imaginem se ganhar o Mundial…). A mim certamente não foi, mas vestiria a carapuça tranqüilamente. Qual o problema com quem fez as críticas acima? São verdade…

Um presidente nem tem tanta importância assim (Dualib ganhou o Mundial e três Brasileiros…). Acho que a gestão do presidente Andrez Sanchez tem vários méritos. Mas eu diria sobre o discurso dele: “menos…”.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Corinthians, Sem categoria Tags:
25/10/2008 - 10:05

Até domingo

Caros leitores,

O Blog será atualizado no domingo este fim-de-semana.

Guardem a munição para falarmos sobre a rodada!

Um ótimo fim-de-semana para todos.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/10/2008 - 16:03

Rogério para presidente

Há pouco o que comentar sobre o futebol jogado contra o Vitória, debaixo de uma chuva daquelas na cidade… O São Paulo mostrou, mais uma vez, que pode não ser tecnicamente brilhante. Mas é um time cascudo, valente, pronto para a guerra. Nenhuma novidade…

O que me chamou realmente a atenção foi a entrevista do Rogério Ceni depois da partida. O cara analisa os jogos melhor que o Muricy! E sabe que jogadores estão suspensos para a próxima rodada, quais são os pendurados, quem é dúvida por lesão… Tem tudo isso na cabeça assim que acaba o jogo, enquanto a maioria dos jogadores está pensando em outra coisa – os caras estavam concentrados…

Parece a coisa mais normal do mundo. Mas não é. O grau de comprometimento que Rogério tem com o time é algo que, sinceramente, eu nunca vi em nenhum outro jogador. Na verdade, só conheço um são-paulino que seja como ele (o cara trabalha do meu lado aqui na Placar…)

Esqueça que você, torcedor de outro time, não gosta da figura do Rogério. É difícil mesmo gostar dele não sendo tricolor. Mas é impossível não respeitar aquilo que ele representa. Exceção feita aos palmeirenses, que têm o Marcos (ele exerce uma liderança bem diferente, mas também vale), todos os outros, no fundo, sonham em ter um Rogério como “candidato”.

Ele quer ser presidente do São Paulo um dia. Faz todo sentido. Assim como Zico no Flamengo, um ídolo desse tamanho jamais pode correr o risco de ser treinador do time. Mas daria um presidente e tanto…

Autor: André Rizek - Categoria(s): São Paulo Tags:
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