Com problemas desde ontem no sistema do iG para gerenciar e responder comentários, aproveito este post para responder a pergunta mais freqüente sobre o “Fora, Dunga” aí de baixo. Os leitores, sabiamente, questionaram o blogueiro: quem, então, deveria assumir o cargo
Fosse eu o dono da decisão e estaria dividido entre Vanderlei Luxemburgo, Muricy e Paulo Autuori. Não sei o que se passa na cabeça do Ricardo Teixeira hoje, quarta-feira. Sei apenas que sua recomendação ao Dunga antes das Olimpíadas foi, mais que a medalha de ouro, achar um time.
Meus pitacos:
O cavalo neste momento passa na frente do Muricy. É o técnico que ganhou os dois últimos Brasileiros (e foi vice em 2005), está cheio de gás e vontade (embora tente disfarçar). Muita gente duvida que Muricy, com seu estilo bronco-rabugento, adapte-se à CBF, que ele esteja disposto a engolir os sapos que todo treinador da seleção tem que engolir. Bobagem. Garanto que Muricy engole quantos sapos forem necessários para chegar lá.
Vanderlei Luxemburgo é o nome mais óbvio. Mas Ricardo Teixeira vem se esforçando tanto para moldar uma imagem mais simpática que tem os dois pés atrás com o Luxa. O treinador é um turbilhão, dá opinião sobre qualquer assunto, está sempre falando alguma coisa bombástica e nem precisa ser provocado para isso. Luxa jamais conseguiria ser discreto no cargo. E tem uma enorme resistência de boa parte da mídia – o que atrairia comentários mais críticos e freqüentes com a seleção. Capacidade de montar uma grande equipe, não resta dúvida de que Luxemburgo tem de sobra.
Por fim, o Autuori. Já ganhou duas Libertadores, um Mundial e um Brasileiro. Os jogadores do São Paulo, especialmente Rogério Ceni (uma opinião de peso neste quesito), falam muito bem dele, tanto na parte tática, de armar o time de acordo com os adversários, como no gerenciamento, no dia-a-dia de um grupo de trabalho. No meio de tantos astros (alguns bem metidos a besta), a arte de liderar acaba pesando tanto quanto a capacidade técnica. E o estilo low profile do treinador vai ao encontro do que Ricardo Teixeira deseja neste momento.
O grande problema do Dunga, repito o que escrevi abaixo, não é exatamente o que ele fez (nada demais até aqui, para o bem ou para o mal). É o que ele não fará. Dunga não tem uma histórico como treinador, uma bagagem, nada que indique que ele vá montar um time para 2010, que ele vá aglutinar as estrelinhas do Brasil – os três técnicos que eu citei, pelo menos, já demonstraram isso, de formas diferentes, em vários momentos de suas respectivas carreiras.
Os dois anos de Dunga como treinador, se é pouco para fazer um julgamento definitivo, também é suficiente para a gente dizer ele continua sendo apenas uma aposta. E uma aposta de altíssimo risco, que em dois anos não deu grandes sinais para a gente se animar. Sinceramente, o momento do Brasil, a dois anos da Copa de 2010, não está para fazer apostas. É hora da a seleção andar pra frente (vejam o futebol da última Eurocopa, vejam a molecada da Argentina se juntando). O Brasil não andou nas mãos do Dunga.