O desempenho do Brasil nas Olimpíadas foi do nosso tamanho mesmo, nenhuma surpresa. Ser o 23º no quadro de medalhas está ótimo (para o nosso país). Dureza é ser o 70º no Ranking de Desenvolviomento Humano, que mede qualidade de vida… (empresto o comentário do Bodão no Arena desta segunda-feira).
Como sempre, as (poucas) vitórias foram do brasileiro, não do Brasil. Pergunte aos judocas o quanto nosso país ajudou para eles terem chegado lá, tirando o fato de que aqui não temos terremoto. Ao César Cielo, que treina nos Estados Unidos. À Maurren. Às jogadoras de futebol. Não é só o COB ou as federações. É o país mesmo. O que o Brasil fez para que eles pudessem ser competidores de alto nível, que estrutura ofereceu para que eles se formassem como atletas? No Brasil, vence o talento e a dedicação do brasileiro, não a organização. O vôlei é nossa exceção e exemplo a ser seguido. A ginástica, parece, também começa um bom caminho.
Não tenho a pretensão aqui de fazer um balanço “profundo” das competições olímpicas. Divido com vocês minhas despretensiosas conclusões.
Melhor equipe
Não é o time de basquete (masculino) dos Estados Unidos… “Só” porque não conseguiram passear em cima da campeã mundial Espanha na final. Ao contrário das mulheres, que atropelaram as australianas campeãs do mundo de um jeito até constrangedor na decisão (95 a 62). Mas as ianques não estão sozinhas no pódio dos esportes coletivos. Em segundo lugar, logo atrás delas, o time feminino de vôlei do Brasil, que perdeu apenas um set em toda a competição! E como dupla também é equipe (no limite, mas é), o bronze fica com Walsh/May, do vôlei de praia – são de uma perfeição absurda em todos os fundamentos. A May defende cortadas impossíveis já levantando a bola para a Walsh, que coloca todas na areia. Pareciam de outro planeta no meio das concorrentes. O bronze fica com elas porque chamar dupla de coletivo é um pouco forçado, vai…

A revelação
Nascido no dia 21 de Outubro de 1990, Richard “Ricky” Rubio assombrou o mundo com o basquete que jogou. O cara fez infiltração no garrafão americano antes mesmo de tirar a carta de motorista!

O bronze que vale ouro
Detesto este clichê. Mas se o brasileiro entende que deve comemorar a prata no vôlei masculino como o fim de um ciclo vitorioso, a Argentina faz o mesmo com o bronze no basquete. Perdeu na estréia para a Lituânia, mas depois fez partidas fantásticas (inclusive contra os Estados Unidos, na semifinal). Vai dar saudade ver Manu Ginóbili defendendo o basquete vizinho. No basquete, nos resta ter orgulho da Argentina…

Troféu Dunga
Achei tão bobo ver a Mari mandando “os críticos” calarem a boca depois de ganhar o ouro. Que bobagem, mulher. Você é campeã olímpica, a maior glória que podia atingir, e na hora de comemorar vai se lembrar de quem lhe criticou quatro anos atrás? Faça-me o favor. Repetiu o lamentável gesto do Dunga, ao erguer a taça da Copa do Mundo em 1994. Em vez de beijá-la, como fizeram todos os capitães antes dele, pegou o troféu e saiu a vociferar palavrões. Atitude pequena. A Mari queria o quê? Jogou mal em Atenas, as pessoas criticam. Arrasou em Pequim, as pessoas batem palmas. Funciona assim. A medalha não apaga da história que ela (quando era menina) e todo o time fraquejaram quatro anos atrás. Pelo contrário. Torna a volta por cima ainda mais bonita. Sem rancor.

Amarelão
Em vez de cair matando em cima do Diego Hipólito, vamos bater em quem pode mais. Os Estados Unidos foram engolidos pela China no número de medalhas de ouro e desse jeito vão ser engolidos pelo Reino Unido em Londres 2012. O que teve de ianque refugando nessa Olimpíada foi demais… Diego pelo menos chegou à final, diferentemente de Tyson Gay (pior é que o cara parece ser humilde e gente boa) e os revezamentos 4 x 100 norte-americanos, no masculino e feminino. Bando de amarelões estes ianques. Claramente, falta investimento em psicólogo para eles (calma, gente, é só uma brincadeira com o fato de tudo agora ser “falta de psicólogo” no esporte brasileiro).

A melhor vitória
Nada de “volta por cima” do vôlei feminino. Ganhar de um judoca favoritíssimo porque ele pegou a ex-namorada (e admitir isso publicamente) é que foi legal! Tudo bem que depois de isso ter sido divulgado pela imprensa portuguesa, João Derly e o português Pedro Dias negaram tudo. Mas eu duvido que dois jornais de Portugual tenham inventado uma coisa dessas, do nada… Não é questão de corporativismo.

As mais gatas
Que safra a do esporte russo… Não bastassem as tenistas do circuito internacional e a Yelena Isinbayeva, o time de basquete delas “é pra casar”. E jogam muito. Dividem o pódio com o time feminino de vôlei da Itália e com a seleção norueguesa de futebol. Se você não concorda, sem problemas. Prefiro ter musas que são “só minhas”, se é que você me entende. E peço licença às leitoras, mas não tenho conhecimento o suficiente para falar dos atletas mais simpáticos. Você podem fazer a eleição paralela nos comentários…

Troféu Imprensa
É brincadeira o que comentam Marcos Freitas (vôlei) e Lauter Nogueira (atletismo), do Sportv. Eles mostram o quanto a gente, comentarista de futebol, tem que estudar mais (porque a tendência é achar que futebol é de conhecimento público, que estatísticas e outros dados não servem para nada, afinal estamos lidando com uma “caixinha de surpresas”.) Quando eu crescer quero ser que nem eles…