Um jeito Dunga de ver a vida
A entrevista que Dunga concedeu sexta-feira ao repórter Luciano Borges, do Blog do Boleiro (Clique aqui para ler), revela de maneira impressionante como funciona a cabeça do técnico da seleção.
Dunga atira tijolos na Rede Globo. Diz que acabou com supostos privilégios que a emissora tinha (como facilidades para obter informações e entrevistar jogadores) e em vez de jornalistas de outros meios-de-comunicação ficarem agradecidos, “agora se juntam a ela (Globo) para meter o pau”. Ou seja, na cabeça de Dunga, os jornalistas que “agora recebem tratamento igual”, segundo suas palavras, deveriam elogiá-lo e não fazer crÃticas.
Como se a análise que devemos fazer de seu trabalho fosse uma questão de gratidão, na linha “ele nos ajuda, nós o ajudamos”.
Porque esta é a maneira Dunga de ver a vida. É o mesmo sentimento corporativista que mostra em relação a quem veio disputar a Copa América, como Gilberto Silva. E a quem pediu dispensa, como Kaká e Ronaldinho… Mais que o talento, na cabeça do técnico importa se “eles me ajudam” ou não.
O que fez Dunga chegar ao posto que ocupa será justamente o que vai derrubá-lo também. Explico.
Quando assumiu o comando, logo depois do fiasco na Copa de 2006, Dunga recebeu a ordem do seu Ricardo Teixeira: dar uma lição nos astros, limpar a seleção dos estrelismos. Era o sentimento nacional na época. Dunga então deixou Kaká de fora da sua primeira convocação. Depois, fez o jogador do Milan e Ronaldinho sentarem-se no banco de reservas. E até hoje, sempre que pode, dá uma pedrada nos dois maiores jogadores do paÃs.
“O que fiz foi atender ao que 95% da mÃdia pediu e 100% da população brasileira queria: coloquei ordem, acabei com a festa que foi na Copa do Mundo de 2006. E estou atendendo o que o meu patrão determinou”, diz Dunga ao Luciano Borges.
Dois anos depois do Mundial da Alemanha, a convocação de Ronaldinho para a OlimpÃada mostra que “o patrão” nem se lembra mais daquela primeira conversa. Era uma coisa de momento, “uma onda” depois do fiasco na Copa do Mundo. Mas Dunga segue agarrado à quela primeira ordem como se fosse um mantra: “dar um jeito nos astros”.
É justamente esta obediência cega e burra a algo que não vale mais nem na cabeça do patrão que vai “dar um jeito” no Dunga…
Curioso também é que Dunga sempre precisa criar inimigos externos para resolver questões internas, “unir o grupo” ou “desviar o foco”, como se diz no futebol. Ele é assim desde a Copa de 1994. Depois de bater tanto nos “desertores” Kaká e Ronaldinho, agora seu alvo é a Rede Globo.
Dunga está comprando brigas (bobas) com quem é muito mais forte que ele. E nunca foi seu adversário, diga-se. Um sujeito assim está pedindo para ser derrotado.
PS: Por conta do fechamento da Placar, não pude acompanhar a rodada do Brasileirão e por isso não falo da bola rolando neste fim-de-semana, infelizmente.






