2008 junho | Carta-bomba, por André Rizek - Part 2
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Arquivo de junho, 2008

23/06/2008 - 11:52

Um jeito Dunga de ver a vida

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A entrevista que Dunga concedeu sexta-feira ao repórter Luciano Borges, do Blog do Boleiro (Clique aqui para ler), revela de maneira impressionante como funciona a cabeça do técnico da seleção.

Dunga atira tijolos na Rede Globo. Diz que acabou com supostos privilégios que a emissora tinha (como facilidades para obter informações e entrevistar jogadores) e em vez de jornalistas de outros meios-de-comunicação ficarem agradecidos, “agora se juntam a ela (Globo) para meter o pau”. Ou seja, na cabeça de Dunga, os jornalistas que “agora recebem tratamento igual”, segundo suas palavras, deveriam elogiá-lo e não fazer críticas.

Como se a análise que devemos fazer de seu trabalho fosse uma questão de gratidão, na linha “ele nos ajuda, nós o ajudamos”.

Porque esta é a maneira Dunga de ver a vida. É o mesmo sentimento corporativista que mostra em relação a quem veio disputar a Copa América, como Gilberto Silva. E a quem pediu dispensa, como Kaká e Ronaldinho… Mais que o talento, na cabeça do técnico importa se “eles me ajudam” ou não.

O que fez Dunga chegar ao posto que ocupa será justamente o que vai derrubá-lo também. Explico.

Quando assumiu o comando, logo depois do fiasco na Copa de 2006, Dunga recebeu a ordem do seu Ricardo Teixeira: dar uma lição nos astros, limpar a seleção dos estrelismos. Era o sentimento nacional na época. Dunga então deixou Kaká de fora da sua primeira convocação. Depois, fez o jogador do Milan e Ronaldinho sentarem-se no banco de reservas. E até hoje, sempre que pode, dá uma pedrada nos dois maiores jogadores do país.

“O que fiz foi atender ao que 95% da mídia pediu e 100% da população brasileira queria: coloquei ordem, acabei com a festa que foi na Copa do Mundo de 2006. E estou atendendo o que o meu patrão determinou”, diz Dunga ao Luciano Borges.

Dois anos depois do Mundial da Alemanha, a convocação de Ronaldinho para a Olimpíada mostra que “o patrão” nem se lembra mais daquela primeira conversa. Era uma coisa de momento, “uma onda” depois do fiasco na Copa do Mundo. Mas Dunga segue agarrado àquela primeira ordem como se fosse um mantra: “dar um jeito nos astros”.

É justamente esta obediência cega e burra a algo que não vale mais nem na cabeça do patrão que vai “dar um jeito” no Dunga…

Curioso também é que Dunga sempre precisa criar inimigos externos para resolver questões internas, “unir o grupo” ou “desviar o foco”, como se diz no futebol. Ele é assim desde a Copa de 1994. Depois de bater tanto nos “desertores” Kaká e Ronaldinho, agora seu alvo é a Rede Globo.

Dunga está comprando brigas (bobas) com quem é muito mais forte que ele. E nunca foi seu adversário, diga-se. Um sujeito assim está pedindo para ser derrotado.

PS: Por conta do fechamento da Placar, não pude acompanhar a rodada do Brasileirão e por isso não falo da bola rolando neste fim-de-semana, infelizmente.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/06/2008 - 11:04

Meu caro Robinho,

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Circula por aí que você anda meio borocoxô por causa do Cristiano Ronaldo… Seu clube, o Real Madrid, quer abrir os cofres por causa do português e ainda existe a chance de você ser mandado para a Inglaterra, como um troco. Imagino como isso esteja doendo. Justo você, Robinho, que se acha o maior, de repente virar troco…

Afinal, Robinho, depois do drible famoso na partida com o Equador, você passou a atender ao telefone fazendo uma pergunta: “Quem é o melhor do mundo, quem?”. E sorria depois de as pessoas responderem “Robinho”. Ou torcia o nariz quando alguém respondia “Kaká”. Normal você se achar o melhor. Quem mais acharia?

Pena que o título de rei de futebol esteja apenas em seu espelho… Quer saber, Robinho? Aqui lhe escreve alguém que acha você foda! Um craque de verdade, que tinha tudo para passar o Ronaldinho Gaúcho quando chegou à Espanha (escrevi isso para o Diário Marca na época…)

Você joga muito. Mas deslumbrou… O personagem ficou maior que o jogador. A badalação do Real Madrid engoliu você.

Fico imaginando como deve ser dura esta eventual ruptura com o Real. Você se achava o máximo, no topo do mundo, camisa 10 do clube-show do futebol mundial. O rosto de um time mais acostumado às badalações do que às taças. Normal que neste contexto você tenha pegado mais gosto pelas badalações que pelas taças também. O Real treina só de manhã, né… À tarde é ganhar dinheiro com os tais “compromissos comerciais”. E viver a vida. Um vidão!

Mas de repente o clube quer trocá-lo pelo jogador que hoje é tudo aquilo o que você gostaria de ser…

Quer um conselho? Não faça biquinho. Vá para o Manchester feliz. Vá trabalhar com Sr. Alex Ferguson. Vá para um clube sério de verdade, ralar para voltar a ser o craque que você era no Santos. Você era bem melhor aqui no Brasil, Robinho, antes de virar um deslumbrado.

Boto fé no seu futebol, meu caro, de verdade. Alguém que jogou tudo aquilo de 2002 a 2005 tem mais que o direito de querer ser o maior do mundo: tem o dever. “Ah, mas era no Campeonato Brasileiro”, dirão alguns. Na média, o Brasileirão tem melhor nível que o Espanhol e você sabe bem disso.

Você pode ser o melhor do mundo, sim. Mas não no Real Madrid. Ele não fez bem para o seu futebol. Você regrediu. No Manchester, talvez o time mais ofensivo do mundo, você pode compor um trio sensacional com Tevez e Rooney (vai ter que ganhar a posição, pois chegará como reserva). É capaz até de fazer os ingleses esqueceram Cristiano Ronaldo. Aceite este desafio de peito aberto e com humildade. Faz bem para qualquer pessoa descer um degrau de vez em quando, ver que não é tudo aquilo que acha que é. Volte a sujar o calção, treine pra valer.

A Espanha é um país extraordinário para se viver, as espanholas são uma coisa e as baladas de Madrid, inigualáveis. Mas o futebol de verdade, veja o Felipão, hoje em dia está na Inglaterra. Vença lá. E será, enfim, o grande craque que você acha que já é.

Toda sexta, escrevo a Carta-Bomba (às vezes nem tão bomba assim…) para quem fez por merecê-la durante a semana

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/06/2008 - 12:13

Será que temos tantos craques?

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Diego, com Riquelme: quem você chamaria para o lugar dele… (AP)

A histeria do “Fora, Dunga” provoca algumas reações curiosas. Brasileiro sempre acha que a gente tem craques o suficiente para montar 10 seleções. Cornetam o Dunga pelos jogadores que ele escolhe e escala. Aí você retruca:

– Está bem, mas quem você convocaria no lugar do Fulano?

Vamos dar alguns exemplos. O mundo agora corneta os laterais do Brasil. “Maicon e Gilberto não têm a menor condição de vestir a camisa do Brasil”, fala-se.

Bom… Eu acho que o Maicon é um lateral competente, de bom nível. Assim como o Daniel Alves, que do meio para frente é uma bela opção. Temos ainda o Cicinho, Rafinha, Leonardo Moura… Todos com futebol para vestir a camisa 2. Mas, sinceramente, alguém acha que a Seleção iria se transformar com Léo Moura? Não iria, né…

Na esquerda, não morro de amores pelo Gilberto. Acho que ele é apenas burocrático, sem comprometer. Quem teríamos para o lugar dele? O Kleber, o Marcelo, o Felipe, do La Coruña? Sinceramente, eu duvido que a seleção se transformasse por causa do Kléber…

Nos volantes, acho que Hernanes (quase jogador do Barça) poderia melhorar o meio-campo, pelas características dele, no lugar de Gilberto Silva ou Mineiro. Lucas, que não custa lembrar é reserva do Liverpool, também é uma opção interessante para ser testada. Mas também não dá para achar que a entrada do Lucas por si só iria transformar o time.

Na meia, diante do não-futebol de Diego, surge (de novo) o nome do Alex na boca do povo. Eu sou fã do jogador do Fenerbahce, mas também sei que o movimento pró-Alex geralmente termina quando ele é escalado com a 10 da Seleção. Ele já teve várias chances. E não mostrou que poderia ser o grande armador do Brasil. Quem nos resta? Thiago Neves? Achar que o Thiago Neves, bom jogador, vai mudar a Seleção é subestimar a nossa inteligência.

A verdade, meus caros, é que não temos tantas opções como a gente acha que tem. E por isso digo que nosso problema maior não é de convocação. É de gestão.

Já que não temos tantos talentos assim, brotando dos quatro cantos do mundo, é a vez de o técnico arregaçar as mangas e ter boas idéias, ousar. Porque uma das coisas que definem um bom treinador é fazer com que os jogadores pareçam melhores do que realmente são, em uma equipe bem montada, com boas idéias. Isso geralmente é mais fácil de ser feito em um clube, no dia-a-dia com um grupo de trabalho. Mas o técnico da CBF ganha bem é para se virar!

Dunga é capaz disso? Eu também acho que não. E digo “acho” porque Dunga tem pouco currículo a exibir (resultado por resultado, Felipão também teve desastres com a Seleção… Mas o homem tinha bagagem para a gente acreditar nele).

Erraram ao colocar o Dunga lá. Só não vejo lógica em tirá-lo agora, na porta das Olimpíadas. Para mandá-lo embora, é preciso deixá-lo terminar alguma coisa. Paciência, gente. É tarde e seria uma medida desesperada buscar um outro treinador agora, em cima da hora, para buscar uma medalha. É a minha opinião…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/06/2008 - 03:34

Volte duas casas

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Terminou a Copa de 2006 e a Seleção Brasileira resumia-se a uma esperança: “Temos Kaká e Ronaldinho Gaúcho. O resto a gente vai arrumando.”

Dois anos depois, ainda vive-se da mesma esperança: Kaká e Ronaldinho. Como eles não conseguem ser o que todo mundo espera, a Seleção continua sendo “um resto”. Não caminhamos em quase nada.

Em parte porque não temos tantos bons jogadores como a gente acha que tem. Outra coisa é que o técnico também não conseguiu achar grandes alternativas. Qual é a marca do Dunga nestes dois anos de trabalho? Qual é a grande sacada, o achado dele? Nenhum.

Talvez não existam grandes alternativas a ser achadas mesmo… Mas o problema é que Dunga sequer as busca de verdade. Não parece tão preocupado em formar um time. Isso é pior que somar um ponto em dois jogos de Eliminatórias. O Brasil vai subir de novo na tabela. Mas a Seleção vai, enfim, dar um passo adiante na “nova” gestão?

Tijolada nos volantes
Os preferidos do Dunga para a posição, Gilberto Silva e Mineiro, não funcionam. Muitos times no mundo são armados por volantes. Na Seleção, eles não conseguem dar um passe de dois metros. Mineiro, que no São Paulo era abusado, no Brasil é tão tímido que atrapalha. Até aqui podia ser chamado de “chance”, “teste”, estas coisas. Insistir com eles, com boas alternativas para ser testadas, vai ser teimosia mesmo.

Julião com a 10
Sei que ele tem uma grande rejeição e muita gente estranha vê-lo com a 10. Mas Júlio Baptista sempre mostra que dá pra contar com ele.

Bis de Juan
Ele pode ter crédito. Mas o sinal amarelo de Juan acendeu — porque há ótimos beques no Brasil. Foram duas partidas muito ruins dele.

Força x arte
Não que a Argentina tenha feito uma grande partida. Mas eles tentaram jogar mais do que o Brasil. Fomos mais na trombada, na força física. Escalamos um time para isso. Neste aspecto, até que deu certo…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/06/2008 - 13:40

Os homens do ano

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Cristiano Ronaldo? Manchester United? O Boston de Paul Pierce, este sim, é grande time de 2008 (Foto AP)

Fazia tempo que não sentia tamanha satisfação em assistir a um time americano jogar basquete.

O termo é do futebol. Mas os Celtics é que fazem a verdadeira linha de passe na quadra do adversário! Que equipe consciente, que mexe a bola de mão em mão, com total controle do cronômetro, até encontrar alguém livre para chutar.

Sem falar em uma marcação nervosa, que fez de Pau Gasol (melhor jogador do último Mundial) uma espécie de Rolando (lembram dele?) nestas finais, na série que mais pareceu um passeio.

Basquete é o jogo coletivo mais espetacular que já inventaram (o futebol, todo mundo sabe, é bem mais quem um jogo). “Jogo coletivo” é a melhor definição que se pode dar ao basquete. Não curto o estilo “Ronaldinho Gaúcho” que impregna a NBA. Sempre gostei mais dos caras que entram em quadra para vencer, não para fazer malabarismo. Gente como Clyde Drexer, Karl Malone, Tim Duncan… Michael Jordan, a exceção, era de Marte justamente por conseguir vencer e dar show na mesma proporção. Ele podia…

Malabarismo é para os Globtroters. Basquete é outra coisa.

Basquete é o que faz o Celtics.

Kobe Bryant é o jogador mais talentoso do mundo. Mas ficou provado mais uma vez — se é que alguém ainda tinha dúvida — que ele simplesmente não funciona em equipe.

O camarada André Kfouri (conversamos sobre isso outro dia) define como “craque” aquele que faz os outros jogarem mais do que realmente podem. Kobe não consegue fazer os Lakers jogarem.


Gasol: ele virou um Rolando no garrafão dos Celtics (AP)

Nesta final, os Lakers encararam uma defesa sólida como rocha, de marcação nervosa, que fez picadinho deles, como se fossem 5 Dennis Rodmans vestidos de verde, marcando até a sombra.

O Boston fazia a tradicional marcação dobrada em Kobe. E ele segurava a bola por 20 segundos, até tentar definir, na marra – Gasol que se virasse no rebote.

Não há problema em Kobe decidir todas as jogadas. Desde que os Lakers tenham um plano de jogo para que isso possa acontecer. No basquete, até as jogadas individuais têm que passar por um plano de equipe. Pode ser culpa do técnico Phil Jakson, eu não acompanho o dia-a-dia dos Lakers… Mas como observador é fácil ver que Kobe não tem o hábito de procurar o time. E o time não tem o hábito de ser procurado por ele. Pelo menos nos momentos mais importantes. Fazer isso com jogo ganho é fácil…

Kevin Garnett, Paul Pierce e Ray Allen (para mim os melhores das finais, empatados) não são homens que decidem, sozinhos, uma partida. Eles são craques de basquete. E basquete se ganha em equipe, não (apenas) com o MVP (odeio estes termos da NBA, confesso…)

Que Manchester que nada! Boston Celtics, o grande time de 2008.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
17/06/2008 - 18:10

Cadê o Camembert?

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Benzema: dizem que ele é bom… (foto AP)

Eu queria entender uma coisa. Todo especialista em futebol europeu diz que a França tinha uma “grande geração” surgindo para substituir Thuram, Henry, Viera e Cia (Zidane, me desculpem, não tem substituto).

Quietinho aqui com minha ignorância, eu fiquei esperando para ver. Porque só conheço o Malouda, jogador aguado do Chelsea (nada acontece quando a bola está nos pés dele). Gosto do Ribery, que é quase um Tevez. E fico esperando para ver uma partida de craque do alardeado Benzema – nunca vi nem perto disso.

Depois de acompanhar os três jogos da França na Eurocopa, eu pergunto cadê a nova geração francesa. Cadê o Camembert, o Roquerfort, o Perrier, o Chateaubriand? Dizem que foi técnico é que não escalou.

Pode ser. Não conheço as profundezes do futebol francês e não consigo escalar o Saint-Etienne. Mas já vi o suficiente de Malouda, Ribery e Benzema.

Jogadores fantásticos como Thuram, Henry e Vieira deram seus últimos suspiros na Euro (Vieira nem conseguiu jogar). A sensação é de que vai demorar um bom tempo para a França voltar à elite, ao lugar de destaque que a “Geração Zidane” atingiu de 1998 a 2006, com direito a duas finais de Copa de Mundo e à taça da Euro em 2000, quando os Les Bleus atingiram o pico de qualidade.

Uma pena. Foi um time extraordinário, com jogadores igualmente extraordinários (a Seleção Brasileira que o diga…). Futebol que aliou espetáculo com eficiência. Que tinha craques em todos os lugares do campo. Um dos maiores times que eu vi jogar. Mas acabou.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
17/06/2008 - 14:53

Avião para Milão, Seu Teixeira!

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A ótima entrevista de Kaká ao Bem, Amigos mostrou, de novo, que a CBF é cada vez mais uma sigla, somente três letras formadas para lucrar com os amistosos da seleção mundo afora. E nada mais. Vejamos.

Kaká deixa claro que pediu ao presidente do Milan para jogar as Olimpíadas. O presidente do Milan, em seu direito, diz que não libera o jogador. Kaká afirma, então, que gostaria que a CBF trabalhasse por sua liberação. O que deveria fazer a CBF diante disso? Ricardo Teixeira deveria pegar um avião para Milão. E negociar com o Milan, oras! Não parece difícil:

– Vocês liberam o Kaká para as Olimpíadas e em troca a gente não convoca o jogador nos próximos 5 amistosos. Que tal?

O Milan vai pedir que sejam 10 amistosos. E no fim das contas chega-se a um acordo bom para todo mundo – já que o jogador quer disputar os Jogos Olímpicos.

Isso, é claro, se as Olimpíadas fossem para a CBF mais importantes que a cota da Seleção nos amistoso$, ainda mais com Kaká em campo… A cota só beneficia a conta bancária da Confederação, enquanto as Olimpíadas seriam um feito para o esporte nacional. Mas quem se importa com isso, não é mesmo?

Enquanto isso, Dunga insinua que os jogadores precisam fazer sacrifícios para ser liberados (que sacrifício seria esse é que ninguém sabe).

Tudo errado…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/06/2008 - 17:49

Um desconto para Dunga

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Também não gosto de um meio-campo que tenha Gilberto Silva, Josué e Mineiro. Mas sinceramente não dá para explicar o péssimo futebol da seleção apenas pela escalação deles contra o Paraguai.

Porque foram com estes três volantes que o Brasil virou o jogo contra o Uruguai, nossa última vitória nas Eliminatórias, quando Josué substituiu um meia (Ronaldinho Gaúcho) e o Brasil cresceu na partida.

A questão não é jogar ou não com três volantes. É como jogar. Se você opta por este tipo de formação, então tem que morder a saída do adversário, avançar o meio-campo para roubar bolas no ataque, dar espaço para os laterais subirem mais (Maicon até subiu, mas não acerta um cruzamento). O Brasil não fez nada disso contra o Paraguai. O Brasil só esperou o adversário. Mais nada.

Dá para jogar com três volantes, dá para jogar com um volante, com dois, com quatro. É tudo uma questão de plano de jogo, uma questão de como você planeja superar o adversário. Jogamos com três volantes nas Copas de 1994 e 2002.

Por isso, faz sentido Dunga dizer que a mudança na Seleção não passa necessariamente por uma escalação diferente (eu também gostaria de ver Hernanes e Lucas, em um time mais ousado), mas em uma mudança de atitude mesmo.

Nunca gostei da idéia de ver o Dunga treinador da Seleção. Não exatamente por causa dos três volantes (um baita corporativismo dele!). Mas por uma questão bem mais subjetiva: gostaria de ver no cargo alguém que desse ao menos um sorriso, que não fosse tão rancoroso, que conseguisse formar um time simpático e de fibra, pelo qual a gente tenha gosto de torcer. Alguém que conseguisse criar um vínculo entre torcida e time, que fizesse os jogadores sentirem prazer de vestir a camisa amarela novamente – já que astros como Kaká não precisam mais dela. Dunga falha em todas estas áreas.

Mesmo assim, o linchamento que se faz do treinador me incomoda neste momento. É muita unanimidade, com os argumentos errados (“O Brasil não pode jogar como time pequeno”). Colocaram o homem lá? Então deixem-no trabalhar. Tirá-lo antes das Olimpíadas, independentemente do jogo com a Argentina, não faz o menor sentido. Vanderlei Luxemburgo ou Muricy Ramalho, notoriamente treinadores muito melhores que Dunga, até por serem treinadores de fato, também não seriam garantia de ouro.

Deixem o homem lá até terminar os Jogos Olímpicos… É justo. Depois a gente faz uma nova avaliação. E eu grito “Fora, Dunga” com todos vocês.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/06/2008 - 13:39

Fernandão Futebol Clube

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Fernandão certamente não é um dos 5 maiores atacantes brasileiros que eu vi jogar. Talvez não esteja nem entre os 10. Como se isso tivesse alguma importância…

Fernandão é mais que um jogador de futebol. Para muita gente, como o ex-presidente Fernando Carvalho, ele é o maior da história do Internacional, um clube que cansou de ver craques com o manto vermelho.

Como explicar que Fernandão possa estar acima de jogadores tecnicamente extraordinários (como Falcão…) no coração dos colorados? A resposta é simples: Fernandão, um belo jogador, caso raro de quem pode atuar tanto como centroavante como na armação do time, é ídolo não (apenas) pelo que faz quando veste uma chuteira.

Em um futebol aguado, cada vez mais sem paixão, com jogadores de plástico, que nada dizem, nada sentem, Fernandão amou de verdade a camisa que vestiu. Não era marketing. Não era trampolim para jogar na Europa. Fernandão viveu e sentiu o Internacional.

E amou a camisa colorada, entre outras coisas, porque entendeu que a gente é muito mais feliz quando ama o que faz.

Não encontrei a cena no youtube… Mas o DVD “Gigante, como o Inter conquistou o Mundo”, sobre o título mundial vencido no Japão, vale a pena ser visto apenas pela prelação que Fernandão dá para seus colegas, antes de entrar em campo. É de arrepiar. Não é discurso ensaiado para a imprensa. É de verdade.

Um torcedor pode comemorar quantas taças quiser. Mas não vai atingir a felicidade plena no futebol se elas não forem levantadas por homens de verdade, por times como foi o Colorado de Fernandão, o Grêmio de Felipão, o Corinthians do Sócrates, o Flamengo do Zico.

Muito mais do que camisas, torço no futebol por gente ou por times que valham a pena. É um conceito subjetivo, eu sei. Fernandão vale a pena.

Talvez já fosse a hora mesmo de ele partir. Não vinha conseguindo ser tão presente no Inter como em outros tempos. O clube quer fazer uma renovação. Normal.

Nosso futebol, porém, fica um pouco menos autêntico sem Fernandão. Que ele seja feliz, esteja onde estiver. Porque este blog é assumidamente Fernandão Futebol Clube.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/06/2008 - 20:00

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UM PROBLEMINHA DE ESCALAÇÃO?

Quando a seleção joga mal em um amistoso qualquer, sempre damos desconto: é apenas um negócio da CBF, os jogadores não dão a mínima etc etc etc. A falta de competitividade, compreensível, é nossa grande explicação.

Falta de competitividade não serve para explicar a partidinha que a Seleção fez contra o Paraguai.

A bola do dia então é culpar a escalação de três volantes. Seria bacana se desse para explicar uma partida tão ruim apenas por um probleminha de escalação. “Isso é culpa do Dunga”. E bola pra frente, cornetar o professor.

O Brasil entrou com os três volantes – Gilberto Silva, Mineiro e Josué – que terminaram a partida com o Uruguai, no Morumbi, quando Josué substituiu Ronaldinho Gaúcho no segundo tempo: o time ganhou pegada, passou a roubar um monte de bolas, os laterais subiram e o Brasil virou a partida para 2 x 1. Naquele dia, os três volantes viraram o jogo.

Neste domingo, o Brasil simplesmente não jogou como se deve quando uma equipe opta por esta formação (que eu, como vocês, também não gosto…). Vai jogar com três volantes? Então tem que assumir isso: morder e não dar espaço, ter um bom contra-ataque, estas coisas. Mas o Brasil ficou apenas esperando lá atrás, como se fosse possível o Paraguai jogar contra o relógio.

O Paraguai, que tem bons atacantes, jogou como se fosse final de Copa do Mundo (para eles é). Foi para cima e sufocou o Brasil. O time do Dunga, acuado, parecia o Peru, uma Bolívia qualquer.

Ânderson entrou bem, a Seleção melhorou depois do intervalo. Mas levou o segundo gol logo no começo do segundo tempo…

O Paraguai, que teve um jogador expulso, então fechou-se todo (para quem passou a jogar só no campo de defesa, um homem e menos nem fez tanta diferença). E é aqui que, depois de tantas linhas, finalmente chego ao ponto: faltou ao Brasil jogadores especiais.

Para furar um bloqueio desses, como o feito pelo Paraguai, você precisa ter jogadores especiais. Um lateral que ponha a bola na cabeça do Adriano, o volante que faça um belo lançamento, um meia que ache a jogada onde ninguém esperava, um atacante que drible dois e marque na saída do goleiro.

Mas não temos tantos caras assim… Robinho, o que nos restava neste domingo, fez uma partida horrível.

O time que terminou o jogo com o Paraguai não é bom o suficiente para virar um placar de 2 x 0, fora de casa, a qualquer momento.

Foi sabendo dessa limitação que a Seleção fez um grande jogo contra a Argentina na final da Copa América. O caminho parece ser assumí-la novamente.

O Galvão Bueno diz que o Brasil não o direito de jogar como time pequeno. Pode ser. Mas já que decide jogar como time pequeno, então que faça isso direito!

Gilberto Silva
Também acho que ele não deveria ser titular. Mas hoje em dia “tudo é culpa do Gilberto Silva”… Não vamos exagerar. No segundo tempo, ele jogou direitinho.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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