Europa x Brasil

Casillas levanta a taça: eles estarão em 2010 (AP)
Olhando para a nossa bodega, a conclusão depois desta Euro 2008 é inevitável: a Seleção Brasileira está muito mal das pernas, da cabeça e do coração.
Das pernas: reparem no meio-campo das principais seleções. Seguem a tendência dos clubes europeus: volantes que criam e saem para o jogo. Você já nem percebe mais quem é meia, quem é volante. Todo mundo arma, todo mundo ataca. Na Seleção do Dunga (a cabeça), continuamos apostando em volantes-volantes. E é isso, hoje, o que mais atrasa o nosso jogo.
Do coração: reparem na maneira como a Alemanha perdeu a final. Tomou um vareio de bola, um passeio mesmo. E você via os germânicos putos da vida, nervosos com o que acontecia. A chamada “vergonha na cara”, para usar um chavão da bola. Agora lembrem-se da apatia da Seleção Brasileira diante do passeio que levou da França em Frankfurt, pela Copa de 2006.
Vimos 5 grandes seleções nesta Euro, para mim o melhor torneio de seleções desde a Copa do Mundo de 1998: Espanha, Alemanha, Rússia, Turquia e Holanda. Foram times que jogaram com tesão. Que estavam a fim. É isso, no fundo, o que mais me frustra quando a comparação é a Seleção Brasileira.
É claro que temos jogadores para encarar as grandes seleções européias (não tantos, mas temos…)! Porém, ao final da Euro a sensação que tenho é de inveja. Não dos jogadores, exatamente. Dos times mesmo.
Rumo a 2010
Lham tem 25 anos, Podolski tem 23, Schweinsteiger tem 24, Klose tem 30 e Ballack, 31. Metzelder e Mertesacker, que formam a dupla de zaga, têm 27 e 23, respectivamente.
A Alemanha chegará “inteira” à Copa de 2010. E joga com praticamente a mesma formação desde a Copa de 2006, quando já tinha feito bela campanha.
A Espanha é um time mais jovem ainda: Torres tem 24, Villa tem 26, Fabregas tem 21, Sergio Ramos (como jogou na final…) tem 22, Xavi tem 28, Iniesta tem 24. Todos estavam no último Mundial também, com o mesmo técnico, que agora troca a seleção pelo Feberbahce.
Os finalistas da Euro já têm um bom time, a dois anos da Copa.
É verdade que no futebol não existe regra e o Brasil estava “pronto” para a Copa de 2006 desde 2005. Atrasado para a última Copa estava a Itália… Mas, se a lógica fosse predominante no futebol, era para o Brasil estar muito preocupado depois desta Euro.
Senna e Kurany
Havia dois brasileiros em campo na final da Euro. Confesso que há um mês eu dizia que o “alemão Kevin Kurányi” e o espanhol “Marcos Senna” jamais teriam lugar na Seleção Brasileira, nem como reservas. Inclusive fazia piada com a Espanha quando Senna se naturalizou, para poder defender a Fúria. Ele sempre foi um volante comum. Depois do que jogou na competição, porém, nada do que está escrito nas linhas acima segue valendo (para ele). Como jogou bola o ex-corintiano. Ele chegou a ser reserva do Corinthians, gente… Ficou bom depois de velho ou é apenas uma dessas coisas malucas de um esporte que sempre desafia a lógica?

O Brasil sempre foi mal nas eliminatórias, o importante é se classificar para a copa do mundo, lá é outra conversa.
Ontem ouvi na CBN um comentário pertinente. O que está matando a seleção é o fato de só convocarem jogadores brasileiros que atuam no exterior. Provavelmente por influência destes parasitas de empresários. Ou Rogério Ceni e Bruno não poderiam ser os goleiros da seleção? E que dizer de Tiago Silva e Luiz Alberto, Leonardo Moura e Juan. Isso para ficar no futebol carioca. Por que um jogador tem de ir jogar na Arábia, na Rússia, na Chechênia, na Turquia, países com tradiçao futebolística muito inferior à nossa, para poder ser chamado a jogar na seleção? Isso me cheira a maracutaia e o futebol brasileiro está indo para o buraco com estes empresários. Maldita lei Pelé! A intenção era até boa, mas os malandros se aproveitaram dela para matar nosso futebol.
Rizek, olha, acho que vi um jogo diferente nessa final Eurocopa…..os caras são pernas-de-pau ruim de se enrolarem nas jogadas hein……. com campo neutro, o Brasil ganharia fácil fácil desses timinhos…