Meu caro Leandrinho,
Embora a gente nunca tenha conversado antes, acho que entendo sua dispensa do Pré-Olímpico. Desculpe-me se estiver sendo presunçoso… Mas vamos ver se estou certo.
Não duvido de você esteja machucado, não. E acho que o Phoenix também não inventaria uma tendinite no joelho – o clube até mandou uma carta para a CBB, sendo que não tinha necessidade alguma de fazer isso…
Apenas acho, Leandrinho, que você e nossas outras “estrelas” (se é que temos alguma, de verdade) que pediram dispensa simplesmente não estão a fim de fazer nenhum tipo de sacrifício pela seleção.
Não culpo vocês. Fosse eu jogador de basquete e talvez não quisesse mesmo fazer parte de nada ligado à CBB – nossa brava pivô Alessandra se machucou no último Mundial e a Confederação sequer tinha feito o seguro médico para ela, como estava combinado…
Mas a grande questão, Leandrinho, é que vocês cansaram de ser rebaixados, não é? Veja se estou certo. Valtinho (muito mais fama que basquete) está com uma lesão no tornozelo (os dois!), Varejão não tem permissão do clube, Nenê recupera-se de uma doença grave, Guilherme tem problemas familiares, você tem uma tendinite… Não parece ser coincidência demais que tudo isso aconteça às portas de um Pré-Olímpico?
No fundo, e me desculpe se estiver sendo injusto, acho que todos vocês sabem que o Brasil não vai se classificar para as Olimpíadas, ou que nossas chances, mesmo se o time estivesse completo, são mínimas. Por isso, não vale a pena fazer um esforço extra agora. Não é isso o que passa pela cabeça de vocês? A seleção, vamos falar a verdade, só tem servido para humilhar e rebaixar vocês.
Inventaram (quem inventou, meu Deus?!) que temos um monte de craques, só porque nossos jogadores jogam nos Estados Unidos e na NBA. Como se o Uruguai também tivesse um monte de craques no futebol, já que todos os seus jogadores jogam fora também…
Aí, esse monte de “craques” vai disputar um Mundial e termina em 19º lugar. Em 19º! Vai jogar um Pré-Olímpico das Américas contra os reservas da Argentina (e um time meia-boca de Porto Rico) e termina na gloriosa quarta colocação.
Vocês, os “craques”, só se desvalorizam na seleção. Vivem em um mundo de sonho na NBA, jogando ao lado de LeBron James, Kobe Bryant, Shaqille O´Neal. Mas quando jogam pela seleção as pessoas compreendem que vocês, no fim das contas, não são os “craques” que acreditava-se por aqui. Não são um Ginóbili (dos bons tempos), um Tony Parker, um Nowitzki, um Steve Nash – para citar os gringos da NBA. E aí atiram pedras e mais pedras em vocês.
Isso cansa, eu sei.
Você é nosso melhor jogador, Leandrinho. Faz muita falta. Mas, sinceramente, não faria grande diferença no Pré-Olímpico de Atenas. Você sabe disso… Então, é melhor contar com o entusiasmo do Splitter mesmo, em busca de um milagre.
Deste blog, você terá uma promessa: não será execrado por causa da peladinha que “jogou” nos Estados Unidos. E também não vou cometer a injustiça de enaltecer o “espírito patriota” do Baby, que pediu dispensa de seu clube na Rússia para jogar este Pré-Olímpico. Ele é alardeado por aqui como “exemplo”.
Eu me lembro que no Pré-Olímpico das Américas o Baby pediu dispensa para tentar uma vaguinha na NBA (ele seria reserva do Nenê na seleção e preferiu cuidar da carreira dele). Agora que o Baby tem chance de se valorizar um pouco, atendeu à convocação. Simples assim. Mas Baby é chamado de “patriota” e você é chutado em todos os cantos nesta sexta-feira. Acesse a internet e verá…
Vocês, jogadores, estão pensando em vocês neste momento. Não na seleção. Não os culpo. Do jeito que são as coisas no comando da confederação, como exigir que pensem diferente?
Meu caro, quero vê-lo em quadra pelo Phoenix o mais breve possível e continuo torcendo por você na NBA. É bem mais fácil (e melhor para sua imagem, né?) ser coadjuvante dos Suns, sem nenhuma responsabilidade, que carregar o piano da seleção nas costas, como fará o Nowitzki (este joga muito) pela Alemanha. Como coadjuvante dos Suns, jogando ao lado de Steve Nash, você não tem como “descer”. Na seleção, a chance de fracasso é quase certa. E junto com ela, a avalanche de críticas (injustas ou não). É chato ser malhado pela opinião pública, ainda mais para vocês, os nossos “craques”.
Nós dois sabemos disso, não é mesmo?
Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Caro André,
Você sintetizou muito bem a questão , concordo plenamente com sua opinião
Ninguém está afim, mas na verdade ninguém assume, daqui um tempo iremos ser uma nação do Volei, pelo que parece é o Unico esporte que os Jogadores tem orgulho de vestir a camisa, Futebol? não perco mais meu tempo de aturar os malas lá de fora e o aqui de Dentro (Galvão Bueno) juntos, minha paciência esgotou, com os dois.
Rizek, muito preciso seu comentário. Vale para o volêi, para o futebol ou qualquer outro esporte. Contudo, vale uma ressalva.
Jogar em qualquer seleção assim como votar deveria ser facultativo. Os atletas deveriam ter a liberdade de dizer não. E por esses atletas, assim como pelo Ricardinho do vôlei e pela Iziane, só nos resta lamentar pela chance que perderam. O exemplo do Ronaldo fenômeno nos ensina que não importa o dinheiro que se ganhe. Se não há amor, babau!!!
Infelizmente este cidadão é o Romário do basquete, sendo que o Romário ganhou titulos e este não.
O basquete acabou amigos, por tudo, por falta de organização, por falta de apoio, por falta de tudo, e viu seus concorrentes crescerem muito e ocupar seu espaço, adeus basquete.